Estudo bíblico Bíblia online Estudo bíblico Procura-se Alvo Jovem Alvo Missionário Fatos e fotos Curiosidades Testemunhos Pedidos de oração Mensagens de fé Alvo Musical 24h No Alvo da Verdade No Alvo da Verdade Alvo

Clique para baixar

CATOLICISMO ROMANO 

I- INTRODUÇÃO:

Origem — para que entendamos melhor a origem da Igreja Católica Romana, convém fazermos algumas observações bastante úteis e esclarecedoras acerca desta igreja.

Do ano 33 ao ano 54 da era cristã, os seguidores de Jesus eram chamados de “os seguidores do caminho’ (At 11,26).

Do ano 54 ao ano 170 dc os seguidores de Jesus passaram a ser chamados de “Cristãos”. É a época em que a igreja não tinha divisão e possuía somente uma doutrina, a dos Apóstolos. No ano 170 da nossa era, Santo Inácio de Antioquia, passou a referir-se a Igreja Cristã também como Igreja Católica, ou seja, universal, geral. Ao usar esse termo, dava-se entender que a igreja não ficaria restrita ao Império Romano, mas abrangia todas as regiões do planeta.

Do ano 170 ao 313 da nossa era, a Igreja Católica não se envolvera com nenhum dos problemas comportamentais da sociedade da época, caracterizada pela corrupção em todas as suas áreas, principalmente a política.

Em 313,Constantino passou á dominar todo o Império Romano, devido a queda do Império do Ocidente este Imperador demonstrou ser muito “simpático” ao cristianismo, porque além de colocar a Igreja Cristã numa posição privilegiada, passou a fazer ofertas valiosas ao cristianismo, construindo Igrejas, isentando-as dos impostos e até sustentando clérigos.

Podemos dizer .que esse contexto histórico marca o início do Catolicismo Romano, pois o cristianismo passa a ser a religião oficial do Império, trazendo como conseqüência desastrosa, a entrada no seio da Igreja de muitas pessoas não convertidas e pagãs.

II- CURIOSIDADES

Após a exposição do pequeno resumo histórico do catolicismo Romano, veremos agora o ponto de vista do mesmo acerca de determinados assuntos:

  1. A Bíblia
    • Não aconselha o uso da Bíblia a todos os fiéis.
    • Ensina que sua leitura é perigosa aos indoutos.
    • Ninguém pode interpretar a Bíblia de maneira contrária a interpretação Católica, ou sem a permissão dos padres.
    • Aceita como canônicos (inspirados), livros que não constam no Cânon Hebreu.
    • Venera e aceita como tendo autoridade igual a da Bíblia:
    1. As tradições,
    2. Os escritores dos “Pais” da igreja,
    3. Ao ensinos da própria Igreja Católica,
    4. Os ditamos infalíveis do Papa.
  1. A Igreja
    • Diz que é a única e verdadeira igreja e que fora dela não há salvação.
    • Diz que foi fundada sobre Pedro, a rocha.
    • Diz que é a única que tem os sinais da verdadeira igreja : que é Una, Católica, Apostólica e Romana.

O objetivo desta apostila não é analisar os ensinos que antigamente eram transmitidos pelo catolicismo, e sim, os que são ensinados hoje de acordo com o seu mais recente catecismo, a saber, o de 1993.

III- QUESTIONAMENTOS

Antes de iniciar o estudo das principais doutrinas do novo catecismo católico, veremos o que a Bíblia diz a respeito dos seguintes questionamentos:

  1. Pedro é o fundamento da Igreja?

É aceito na Igreja Católica Romana o ensinamento de que Pedro é a pedra fundamental na qual Cristo edificou a sua Igreja, e para fundamentar esse ensino, apelam, principalmente para uma interpretação incorreta de Mt 16.16,19. “Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que tu revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. Também eu te digo que és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus; o que desligares na terra terá sido desligado nos céus.” Desta passagem, a Igreja Católica Romana concluí o seguinte: a) Pedro é a rocha sobre a qual a Igreja está edificada. b) Somente Pedro pode abrir a porta do Reino, por ter recebido o poder das chaves. c) Pedro tornou-se o primeiro papa de Roma.

REFUTAÇÃO

Mesmo numa análise superficial das Escrituras conclui-se que:

    1. Pedro jamais ocupou funções e posições no seio do Cristianismo nascente.
    2. De acordo com a Bíblia, Cristo é a pedra: “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular.”(Ef 2.20) “Este Jesus é a pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular.”(At 4.11). 
  1. Pedro foi o primeiro Papa?

Tenha estado ou não em Roma, o fato é que se Pedro foi Papa, foi um papa bem diferente dos que já apareceram, se não vejamos:

    1. Pedro era financeiramente pobre.(At 3.6)
    2. Pedro era casado.(Mt 8.14,15)
    3. Pedro foi um homem humilde.(At 10.25,26)
    4. Pedro foi um homem repreensível.(Gl 2.1 1,14)

É admirável que Pedro, sendo o “Príncipe dos Apóstolos”, conforme o catolicismo romano afirma, quem era o pastor da comunidade cristã em Jerusalém era Tiago (At 15). Sendo assim, é lançada por terra a pretensão do catolicismo romano de Ter o apóstolo Pedro como seu primeiro Bispo.

IV- CONFRONTOS DOUTRINÁRIOS:

  1. Salvação através de boas obras

Para sermos salvos, a doutrina católica ensina que devemos continuamente praticar boas obras “Contudo não se salva, embora esteja incorporado à Igreja, aquele que, não perseverando na caridade, permanece dentro da Igreja, com o corpo, mas não com o coração”. (p. 241, # 837).

REFUTAÇÃO

“Por que pela graça sois salvos; mediante a fé; é isto não vêm de vós, é Dom de Deus; mão de obras, para que ninguém se glorie”. (Ef 2.9,-9).

Leia: Tt 3.5; Rm 3.28; CI 3.8-26; Cl 2.21, Mt 7.21,22.

  1. O Batismo Salva:

“O Senhor mesmo afirma que o batismo é necessário para a salvação” (p. 349, # 1257).

REFUTAÇÃO

“Por que não me enviou Cristo para batizar. Mas para pregar o evangelho…” (1 Co 1.17)

“Arrependei-vos, por que está próximo o Reino dos Céus…” (Mt 3.2)

Seguindo eles caminho fora, chegando a certo lugar onde havia água, disse o Eunuco: eis aqui água, que impede que seja eu batizado? E disse Felipe: é lícito se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus”. (At 8.36,37). O Batismo é uma confissão pública de fé em Cristo, por intermédio de atos e palavras, na qual o batizando mostra ter aceitado plenamente as verdades com respeito à encarnação, à morte e à ressurreição de Cristo. No ato do batismo, o convertido mostra ter morrido para o mundo e renascido para Cristo, vivendo agora em novidade de vida. Concluindo, o batismo em si não têm poder para salvar uma pessoa, mesmo por que não se batiza alguém para que ele seja salvo, e sim porque já é salvo.

  1. Transubstanciação

“O concílio de trento resume a fé católica ao declarar: ‘por ter Cristo, nosso Redentor, dito que aquilo que oferecia sob a espécie de pão era verdadeiramente o seu corpo’, sempre se teve na Igreja esta convicção, que o Santo Concílio declara novamente: pela consagração do pão e do vinho opera-se a mudança de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo, nosso Senhor, e de toda substância do vinho na substância do seu sangue; esta mudança, a Igreja Católica denominou-a com acerto e exatidão de Transubstanciaçâo.” (p.380, # 1376). Esta doutrina, embora estranha à palavra de Deus, é defendida pelo catolicismo romano como sendo uma doutrina bíblica, usando para fundamentar tal ensino, as palavras de Jesus em Jo 6.53,54: “Na verdade, na verdade vos digo que se: não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia”.

REFUTAÇÃO

Para melhor compreendermos, é necessário que leiamos todo o contexto no qual está inserida esta passagem, Jesus antes de fazer esta declaração disse: “Porque o pão de Deus é o que desce do céu e dá vida ao mundo. Então lhe disseram: Senhor, dá-nos sempre desse pão. Declarou-lhe, pois, Jesus: eu sou o Pão da Vida; o que vem a mim jamais terá fome e o que crê em mim jamais terá sede”. (Jo 6.33-35). Concluímos então que a vida eterna é dada através da crença pessoalem Jesus Cristo, e que fora da união pessoal com o Salvador, não há salvação. O Comer o Pão e o Beber o Vinho está dentro dos ensinamentos acerca da Santa Ceia do Senhor, sobre a qual, o próprio Jesus ensinou: “E, tomando o pão, tendo dado graças, o partiu e lhe deu, dizendo: isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim”. (Lc 22.19).

  1. Maria, nascida sem pecado

Pela graça de Deus, Maria permaneceu pura de todo pecado pessoal ao longo de toda a sua vida”. (p 139, # 493). “Desde o primeiro instante da sua concepção, foi totalmente preservada da mancha do pecado original e permaneceu pura de todo pecado pessoal ao longo de toda sua vida”. (p 143, # 508). Vale ressaltar que: o próprio catecismo não admite como bíblica esta doutrina, e sim, uma tradição da Igreja.

REFUTAÇÃO

“Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”. (Rm. 3.23). “Não há um justo, nem sequer um”. (Rm 3.10). Nestes versículos vemos comprovada a afirmação de que todos pecaram, até mesmo Maria. A Bíblia se refere somente a uma pessoa como aquele que nunca pecou, e este é: Jesus de Nazaré. “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”. (2 Co 5.21). “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado”. (Hb 4.15).

  1. Maria: Virgem perpétua

“Maria permaneceu virgem concebendo seu Filho, virgem ao dá-lo à luz, virgem ao carregá-lo, virgem ao alimentá-lo do seu seio, virgem sempre”. (p 143, # 510). REFUTAÇÃO Na sociedade em que vivia Maria, ter muitos filhos era um sinal que a mulher contava com o favor divino, ao passo que, não tê-los identificava a mulher como não sendo uma bem~aventurada ou agraciada por Deus. Não existe razão para o catolicismo romano defender com tanto fervor esta doutrina que não encontra em nenhuma parte das escrituras, apoio, conforme veremos. “Não é este o Filho do Carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?” (Mt 13.55). Veja também Mc 6.3 e Gl 1.19.

  1. Maria: Fonte de Santidade

“Da Igreja aprende o exemplo de santidade; reconhece a sua figura e sua fonte em Maria, a virgem santíssima”. (p 534, # 2030).

REFUTAÇÃO

“Quem não temerá e glorificará o teu nome, ó Senhor? Por que só tu és Santo, por isso todas as nações virão a ti…” (Ap 15.4). “E chamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos exércitos; toda terra está cheia da sua glória”. (Is 6.3). As palavras “santo” ou “santidade” são usadas mais de 600 vezes na Bíblia, mas nenhuma vez referindo-se a Maria. Segundo a orientação bíblica nos devemos ser santo, porque Deus é santo e não Maria como o catolicismo ensina. Confira em 1 Pe 1. 15,16 e Lc 11.44.

  1. Maria: a intercessora

“Por isso, a bem aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora, protetora, medianeira.” (p. 274, # 969).

REFUTAÇÃO

Na Bíblia Sagrada esses títulos jamais foram atribuídos a Maria.

Vejamos cada um deles:   Advogada:

“… se, todavia, alguém pecar, temos advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo”. (1 Jo 2.1).

Auxiliadora:

“Assim afirmamos confiantemente: o Senhor é o meu auxílio,não temerei; que me poderá fazer o homem?”. (Hb 13.6).

  Protetora:

A Bíblia não chama pessoa alguma de “protetora”, inclusive Maria.

Mediadora:

“Porquanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem”. (1 Tm 2.5). “Por isso mesmo, ele (Cristo) é o mediador da nova aliança…” (Hb 9.15). Acerca do termo intercessão, a Bíblia fala de Jesus Cristo como o único intercessor, vejamos então: “Por isso também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles”. (Hb 7.25). É Cristo Jesus quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós”. (Rm 8.34). Vemos então que a Bíblia jamais atribui o título de intercessora a Maria, caracterizando este ensinamento como “doutrina de homens”.

  1. O Purgatório

Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida a sua salvação eterna, passam após a morte, por uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrarem na alegria do céu. A Igreja denomina purgatório esta purificação final dos eleitos”. (p. 290,# 1030). A idéia de purgatório têm suas raízes no Budismo e em outros sistemas religiosos da antiguidade. Até a época do Papa Gregório 1 porém o purgatório não tinha sido oficialmente reconhecido como parte integrante da doutrina romanista. O Catolicismo romano formulou a doutrina de fé relativa ao purgatório sobretudo no concilio de Florença e Trento. Vejamos agora o que o Pe. Vicente, autor do livro ” Respostas da Bíblia às acusações dos Crentes contra a Igreja Católica”, fala acerca do purgatório:” Ë verdade que na Bíblia não se encontra a palavra ‘purgatório’, no entanto a Bíblia descreve situações, estados ou lugares que se identificam com a idéia de purgatório”.

REFUTAÇÃO

A doutrina do purgatório não só é uma fábula engenhosamente montada, como traz no seu bojo um conjunto de absurdos e blasfêmias. Cito como exemplo a atribuição do mesmo poder do Sangue de Jesus ao fogo desse inexistente” purgatório”. Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros e o sangue de Jesus, seu filho, nos purifica de todo pecado”.(l Jo 1.7). “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estãoem Cristo Jesus”. (Rm 8.1) ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar pelo sacrifício de si mesmo, o pecado”. (Hb 9.26).

  1. lmagens

” As santas imagens, presentesem nossas Igrejase em nossas casas, destinam-se a despertar e a alimentar a nossa fé no ministério de Cristo. Através do ícone de Cristo e de suas obras salvíficas, é a ele que adoramos. Através das santas imagens da Santa Mãe de Deus, dos Anjos e dos Santos, veneramos as pessoas nelas representadas”. (p. 335, #1192).

Vejamos também o que diz o Pe. Vicente a respeito da “Veneração” de imagens: mesmo Deus, no livro de Êxodo, manda Moisés fazer dois querubins de ouro e colocá-los por cima da Arca da Aliança. Manda-lhe também, fazer uma serpente de bronze e colocá-la por cima duma arte, para curar os mordidos pelas serpentes venenosas (Nm 21.8,9). Seria uma grave blasfêmia desses ‘crentes’, considerar Deus como esclerosado, já que no lugar da Bíblia manda fazer as imagens, esquecido que no outro lugar o teria proibido”.

REFUTAÇÃO

No começo do século VII, Gregório, o grande (590-604), um dos Papas mais fortes, aprovou oficialmente o uso de imagens nas igrejas, mas institui que elas não fossem adoradas. Mas, durante os século VIII, ofereceram-se-lhes orações e elas foram rodeadas de uma atmosfera de ignorante superstição, de modo que até os mulçumanos zombavam dos cristãos, chamando-os de adoradores de ídolos, provando assim, que se Deus proíbe que o homem faça para si imagens, é que Deus sabe o perigo que esta prática representa à verdadeira fé; pela dificuldade que o homem tem de separar veneração de adoração. Observemos o que a Bíblia diz:

“Não fareis para vós outros ídolos, nem vos levantareis imagem de escultura, nem coluna, nem poreis pedra com figuras da vossa terra, para vos inclinardes a elas: porque eu o Senhor vosso Deus”.(Lv 26.1).

“Guardai-vos, não vos esqueçais da aliança do Senhor, vosso Deus, feita convosco, e vos façais alguma imagem esculpida, semelhança de alguma coisa que o Senhor vosso Deus vos proibiu”. (Dt 4.23).

Acerca do argumento católico-romano, que vê nos querubins da arca e na serpente de bronze incentivo divino, para não só fazerem, mas adorarem imagens, afirmamos que qualquer aluno das nossas escolas bíblicas dominicais sabe que: os querubins eram ornamentos, e não objeto de adoração, bem como a serpente de bronze que no momento em que o povo começou a adorá-la, o bom rei Ezequias a destruiu. (Ver II Rs 19.4).

BIBLIOGRAFIA

  1. “Bíblia de Estudo de “Genebra” — São Paulo e Baruerí, Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.
  2. ” Curiosidade da Bíblia e da História: De Adão aos Nossos Dias” —Jeovah Mendes, Tábuas da Lei, 1999.
  3. ” Defesa da Fé”,- ICP,Ano2, Março/Abril/99, n°11.
  4. “Heresiologia, Discernindo entre a verdade e o erro”- Raimundo Ferreira de Oliveira, 3a edição, EETDA, 1998.
  5. “Manual de Doutrina das Assembléias de Deus no Brasil”- Elaborado pela CGADB, CPAD, 2000.
  6. “Por amor aos católicos Romanos”- Rick Jones, Click Publication, 1997
  7. ” Religiões, Seitas e Heresias à luz da Bíblia”- J. Cabral, 4a Edição, Universal Produções.
  8. ” Resposta da Bíblia às acusações dos ” Crentes ” contra a Igreja Católica”- Pe. Vicente, SVD, 34~ Edição, livraria e Editora Pe. Reus, 1997.

A Igreja  Católica e o Canôn

Os católicos alegam que os protestantes devem confiar em sua tradição para saber que livros devem incluir no cânon Bíblico. O argumento diz que desde que não há um “índice inspirado” da Bíblia, então nós somos forçados a confiar na tradição católica para saber que livros pertencem realmente à Bíblia, e que livros não pertencem.
Os católicos ainda alegam que foi a igreja de Roma, que determinou o cânon bíblico nos Concílios de Hipona (393 A.D.) e Cartago (397 A.D.), e somente por isso que hoje os protestantes sabem quais livros são inspirados, e quais não são. Conseqüentemente, é à Igreja Romana que deveríamos nos submeter em questões de fé e decisões doutrinárias.

Contudo, o argumento acima é espúrio por diversas razões as quais nós iremos comentar logo abaixo:

Cartago e Hipona

Primeiramente, os Concílios de Cartago e Hipona não estabeleceram o cânon à Igreja como um todo. Até mesmo “A Nova Enciclopédia Católica” em inglês assegura o fato de que o Cânon não esteve oficialmente estabelecido à Igreja Ocidental até o Concílio de Trento no século XVI e que até mesmo uma autoridade tal como Gregório – o Grande, que posteriormente veio a ser papa havia rejeitado os Apócrifos como canônicos.

Jerônimo, chamado de doutor da igreja, fez uma clara distinção entre os livros que considerava canônicos e eclesiásticos. Quanto ao ultimo grupo ele declarou que poderia circular pela Igreja como literatura útil, mas não foi reconhecida como Escritura Sagrada e autorizada para fins doutrinários.
A situação permaneceu obscura nos séculos seguintes. Por Exemplo, João Damasceno, Gregório o Grande, Walafrid, Nicolas de Lyra continuaram a duvidar da canonicidade dos livros deuterocanônicos. Segundo a doutrina católica, o critério usado para definir o cânon bíblico é a decisão infalível da Igreja. No entanto esta tal decisão nunca foi tomada antes do Concílio de Trento. Que isto não tinha sido feito antes de Trento é provado pela incerteza que persistia até o tempo deste Concílio.

Houve pais da igreja de grande influência antes dos Concílios Africanos do Norte que rejeitariam o julgamento destes dois Concílios tais como Orígenes, Melito de Sardes, Atanásio, Cirilo de Jerusalém, Gregório de Nazianzeno, Hilário de Poitiers, Epifânio, Basílio o Grande, Jerônimo, Rufino e muitos outros. Eles defendiam que os livros do Velho Testamento foram em número de 22 ou às vezes 24, dependendo de como os livros eram agrupados. Isto corresponde ao cânon Judaico que não aceitava os livros apócrifos como sendo canônicos. Jerônimo, que gastou muitos anos estudando na palestina e que teve mestres judaicos, rejeitou os apócrifos porque aqueles livros não foram reconhecidos como canônicos pelos Judeus.

A objeção que os católicos levantam é que se a Septuaginta incluía esses livros é prova de que os judeus alexandrinos tiveram um cânon mais extenso que seus irmãos palestinenses. Todavia isso não passa de mera especulação. Eles fazem esta afirmação porque os livros apócrifos são incluídos em alguns dos antigos manuscritos que nós temos da Septuaginta. Mas se isto prova alguma coisa, prova no máximo que a Septuaginta incluía os livros apócrifos junto com os livros canônicos do velho Testamento para propósitos de leitura, e não que eles fossem recebidos como canônicos. O manuscrito mais antigo que nós possuímos da Septuaginta remonta ao 4º ou 5º século d.C. Sendo assim eles não refletem necessariamente a crença dos Judeus de Alexandria sobre os apócrifos. Também, esses manuscritos da Septuaginta contêm livros tal como III Macabeus que nunca foi aceito como canônico por Roma. Acrescenta-se a isso, como importante fato, que Orígenes e Atanásio mesmo sendo de Alexandria, ambos rejeitaram os livros apócrifos como sendo canônicos. O único livro apócrifo que Atanásio incluiu na sua lista foi Baruque, mas isto devido ao fato de ele ter pensado que este livro fazia parte do livro de Jeremias.

Hipona e Cartago foram concílios locais que não tiveram autoridade ecumênica. Em adição, podemos dizer que mesmo aqueles dois Concílios contradizem o Concílio de Trento em um ponto importante. Primeiramente, Hipona e Cartago declara que 1 Esdras e 2 Esdras são canônicos. Eles estão referindo aqui à versão Septuaginta de 1 e 2 Esdras. Nesta versão 1 Esdras é uma adição apócrifa a Esdras enquanto 2 Esdras é a versão Judaica de Esdras-Neemias do cânon Judaico. O Concílio de Trento, entretanto declara que 1 Esdras é realmente o Esdras do cânon Judaico e 2 Esdras é Neemias do cânon Judaico. Trento omite a versão da Septuaginta de 1 Esdras.

Outro ponto que prova ser as alegações católicas infundadas é o fato de que a prática universal da Igreja como um todo até o tempo da Reforma foi seguir o julgamento de Jerônimo que havia rejeitado os apócrifos. Aqueles livros tiveram a permissão de serem lidos na Igreja para fins de edificação, mas nunca foram considerados autorizados para estabelecer doutrinas.

Parece que a igreja dava dois significados para o termo “canônico” em relação aos livros da Bíblia: um mais lato no sentido de incluir todos os livros que foram permitidos serem lidos nas igrejas e outro mais restrito que incluía unicamente aqueles livros que foram considerados como autoridade para estabelecer doutrina.

O caso da Glossa Ordinária – Esta Glosa foi um comentário bíblico autorizado para a Igreja Ocidental como um todo. Seu prefácio declara que a Igreja permite a leitura dos livros apócrifos somente para a devoção e instruções e costumes, mas que eles não possuem nenhuma autoridade para decidir controvérsias em matérias de Fé. Ele ainda declara que há 22 livros do AT e apela para os testemunhos de Orígenes, Jerônimo e Rufino.

Conclusão

As reivindicações que a igreja romana faz sobre o cânon são historicamente insustentáveis. Ela sugere que nós deveríamos receber seus ensinos como autoridade suprema por causa desta questão do cânon, pressupondo que foi ela quem nos deu a lista correta dos livros canônicos. Mas isto equivale aos fariseus exigirem que Jesus recebesse seus ensinos como autoridade suprema simplesmente porque como Judeus eles tinham determinado que livros faziam parte do cânon. Mesmo que as reclamações da Igreja Romana estivessem corretas com respeito ao cânon, isto não prova de maneira alguma que ela está automaticamente correta em todas as áreas pertinentes à sã doutrina, e que nós deveríamos obedecê-la e receber como autenticas suas doutrinas extrabíblicas, não mais do que Jesus deveria receber as doutrinas ou seguir os fariseus hipócritas. As principais doutrinas romanas contradizem as sagradas escrituras tais como a Tradição Oral, o Papado, Maria, os sacramentos, o purgatório, além do que o seu cânon é diferente do cânon da igreja primitiva.

Argumentos a favor dos Apócrifos

1 – Os apócrifos consta nas versões mais antigas 
O primeiro argumento em favor dos Apócrifos é que as versões mais antigas os incluíam. Isto, porém, é verdade apenas em parte. Certamente os Targuns aramaicos não os reconheceram. Nem sequer o Peshita siriaco na sua forma mais antiga continha um único livro apócrifo; foi apenas posteriormente que alguns deles foram acrescentados. Acabamos de ver que Jerônimo, o grande tradutor das Escrituras para o latim, não deu reconhecimento aos Apócrifos como tendo igual autoridade com os livros do Cânone Hebraico. Uma investigação mais cuidadosa desta reivindicação reduz a autoridade sobre a qual os Apócrifos se alicerçam a apenas uma versão antiga, a Septuaginta, e àquelas traduções posteriores (tais como a Itala, a Cóptica, a Etiópica, e a Siríaca posterior) que foram dela derivadas. Mesmo no caso da Septuaginta, os livros Apócrifos mantêm uma existência um pouco incerta. O Códice Vaticano (“B”) não tem 1 e 2 Macabeus (canônicos segundo Roma), mas inclui 1 Esdras (não-canônico segundo Roma). O Códice Si-. naítico (“Aief”) omite Baruque (canônico segundo Roma), mas inclui 4 Macabeus (não-canônico segundo Roma). O Códice Alexandrino (“A”) contém três livros apócrifos “não-canônicos”: 1 Esdras e 3 e 4 Macabeus. Então acontece que até os três mais antigos mss. da LXX demonstram considerável falta de certeza quanto aos livros que compõem a lista dos Apócrifos, e que os quatorze aceitáveis à Igreja Romana não são de modo algum substanciados pelo testemunho dos grandes unciais do quarto e do quinto séculos.

2 – Os apócrifos na LXX prova que havia um segundo cânon mais extenso

Protagonistas dos Apócrifos argumentam que a presença dos livros Apócrifos na LXX indica a existência do assim-chamado “Cânone-Alexandrino”, que incluía estes quatorze livros adicionais. Mas não é de modo nenhum certo que todos os livros na LXX foram considerados canônicos, mesmo pelos próprios judeus de Alexandria. Bem decisiva contra isto é a evidência de Filon de Alexandria (que viveu no primeiro século d.C). Apesar de ter citado freqüentemente os livros canônicos do “Cânone Palestiniano”, não faz uma citação sequer dos livros Apócrifos. Isto é impossível reconciliar com a teoria de um “Cânone Alexandrino” maior, a não ser que porventura alguns judeus de Alexandria não tivessem recebido este “Cânone Alexandrino” enquanto outros o reconheciam.

Em segundo lugar, relata-se de fontes fidedignas que a Versão Grega de Aquila foi aceita pelos judeus alexandrinos no segundo século d.C., apesar de não conter os livros Apócrifos. A dedução razoável desta evidência seria que (conforme o próprio Jerônimo esclareceu) os judeus de Alexandria resolveram incluir na sua edição do Antigo Testamento tanto os livros que reconheciam como sendo canônicos, como também os livros que eram “eclesiásticos” – i.é., foram reconhecidos como sendo valiosos e edificantes, sem, porém ser infalíveis.

Apoio adicional para esta suposição (que livros subcanônlcos possam ter sido conservados e utilizados juntamente com os canônicos) foi recentemente descoberto nos achados da Caverna 4 de Cunrã. Ali, no coração da Palestina, onde seguramente o “Cânone Palestiniano” deve ter sido autoritativo, pelo menos dois livros Apócrifos se fazem representar – Eclesiástico e Tobias. Um fragmento de Tobias aparece num pedacinho de papiro, outro em couro; há também um fragmento em hebraico, escrito em couro. Vários fragmentos de Eclesiástico foram descobertos ali, e pelo menos na pequena quantidade representada, concordam bem exatamente com mss de Eclesiástico do século onze, descobertos na Genizá de Cairo na década de 1890 (cf. Burrows, MLDSS 177, 178). Quanto a isto, a Quarta Caverna de Cunrã também conservou obras pseudoepigráficas tais como o Testamento de Levi, em aramaico, o mesmo em hebraico, e o livro de Enoque (fragmentos de dez mss. diferentes!). Decerto, ninguém poderia argumentar com seriedade que os sectários tão estreitos de Cunrã consideravam como canônicas todas estas obras apócrifas e pseudoepigráficas só por causa de terem conservado cópias delas.3 – O Novo Testamento cita os apócrifos

Apela-se freqüentemente ao fato que o Novo Testamento usualmente emprega a tradução da LXX ao citar o Antigo Testamento. Portanto, já que a LXX continha os Apócrifos, decerto os Apóstolos do Novo Testamento reconheciam a autoridade da LXX inteira conforme então se constituía. Além disto, argumentam, é um fato que ocasionalmente apela-se a obras fora do “Cânone Palestiniano”. Wildeboer e Torrey colecionaram todas as instâncias possíveis de tais citações ou alusões a obras apócrifas, incluindo-se várias que apenas são hipotéticas.

Mas toda esta linha de argumentos é realmente irrelevante para a questão em pauta, sendo que nem se alega que qualquer uma destas fontes seja proveniente dos Apócrifos Romanos. Na maioria dos casos as obras que supostamente foram citadas desapareceram há multo tempo – obras tais como o Apocalipse de Elias e a Assunção de Molsés (da qual sobrou um fragmento latino). Só num único caso, a citação de Enoque 1:9 em Judas 14-16, é que a. fonte citada sobreviveu. Há citações de autores gregos pagãos, também no Novo Testamento. Em Atos 17:28, Paulo cita de Arato, Phaenomena, linha 5; em 1 Corlntios 15:33, cita da comédia de Menander, Thais. Certamente ninguém poderia supor que citações tais como estas estabelecem a canonicldade ou de Arato ou de Menander. Pelo contrário, o testemunho do Novo Testamento é multo decisivo contra a canonicidade dos quatorze livros Apócrifos. Virtualmente todos os livros do Antigo Testamento são citados como sendo divinamente autorizados, ou pelo menos há alusão a eles como tais. Embora acabe de ser esclarecido que a mera citação não estabelece necessariamente a canonicidade, é inconcebível que os autores do Novo Testamento pudessem ter considerado como canônicos os quatorze livros dos Apócrifos Romanos, sem ter feito uso deles em citações ou alusões.

4 – Os pais da igreja citam os apócrifos

Outro argumento principal em favor dos Apócrifos é que os Pais Eclesiásticos citam estes livros como sendo autoritativos. Será mais correto dizer que alguns dos escritores cristãos antigos parecem fazer isto, enquanto outros tomam uma posição destacadamente contra sua canonicidade. Entre os a favor estão os escritores de 1 Clemente e a Epístola de Barnabé, e mais notavelmente, o contemporâneo mais jovem de Jerônimo, Agostinho de Hipona. Porém esta defesa deve ser qualificada como sendo apenas aparente ou presumida, pois já vimos como Judas pôde citar Enoque como registrando uma narrativa verdadeira dum episódio único sem necessariamente endossar o livro inteiro de Enoque como sendo canônico. Quanto a Agostinho, sua atitude era um pouco não crítica, e inconsistente. De um lado, lançou sua influência no Concilio de Cartago (397) em favor de incluir os quatorze como sendo canônicos; de outro lado, quando um antagonista apelou para uma passagem de 2 Macabeus para encerrar um argumento, Agostinho respondeu que sua causa era deveras fraca se tivesse que recorrer a um livro que não era da mesma categoria daqueles que eram recebidos e aceitos pelos judeus.

Porque rejeitamos os apócrifos

Introdução
Na Constituição Dogmática sobre Revelação Divina, o Concílio Vaticano II, no capítulo sobre Escritura Sagrada na Vida da Igreja, declarou que “Ela (a igreja) sempre considerou as Escrituras junto com a tradição sagrada como a regra suprema de fé, e sempre as considerará assim”

Da declaração anterior, nós, os cristãos evangélicos, rejeitamos, desde logo, a tradição sagrada como regra de fé. Ficamos, pois, em terreno comum com os católicos romanos no que diz respeito às Escrituras. No entanto, nisto também existe uma diferença de suma importância. Isto tem relação com os livros do cânon do Velho Testamento. No livro Consultas dei Clero, parágrafo 207, se transcreve assim o decreto emitido pelo Concilio de Trento sobre as Sagradas Escrituras:

“Se alguém não receber como sagrados e canônicos estes livros inteiros, com todas as suas partes, tal como se encontram na Antiga Versão Vulgata, seja anátema.” Seguindo a mesma posição doutrinária, o Concilio Vaticano II, no capítulo sobre “A inspiração Divina e a Interpretação da Escritura Sagrada”, se pronunciou da seguinte maneira: “Aquelas realidades divinamente reveladas, contidas e apresentadas na Escritura Sagrada, foram reduzidas à escritura sob a inspiração do Espírito Santo. A Santa Madre Igreja, descansando sobre a crença dos apóstolos, sustenta que os livros, tanto do Velho como do Novo Testamento, em sua totalidade, com todas as suas partes, são sagrados e canônicos, porque, havendo sido escritos sob a inspiração do Espírito Santo, têm a Deus como seu autor e foram transmitidos Como tais à igreja mesma.”

Mas, quando a Igreja Católica Romana se refere ao cânon do Velho Testamento, ela inclui uma série de livros que os protestantes chamam de “Apócrifos” mas os católicos de “Deuterocanônicos”, os quais não aparecem nas versões evangélicas e hebraica da Bíblia. O resultado disto foi que na opinião popular dos católicos existem duas Bíblias: uma católica e a outra protestante. Mas semelhante asseveração não é certa. Só existe uma Bíblia, uma Palavra (escrita) de Deus. Em suas línguas originais (o hebraico e o grego), a Bíblia é uma só e igual para todos. O que nem sempre é igual são as versões ou traduções dela aos diferentes idiomas. Neste estudo iremos mostrar porque nós, cristãos evangélicos, não aceitamos os chamados, “Livros Apócrifos”, e conseqüentemente rejeitamos com provas sobejas, as alegações romanistas de que tais livros possuem canonicidade e inspiração divina.

APÓCRIFOS: O QUE SIGNIFICA?

Na realidade, os sentidos da palavra “apocrypha” refletem o problema que se manifesta nas duas concepções de sua canonicidade. No grego clássico, a palavra apocrypha significava “oculto” ou “difícil de entender”. Posteriormente, tomou o sentido de “esotérico” ou algo que só os iniciados podem entender; não os de fora. Na época de Irineu e de Jerônimo (séculos III e IV), o termo apocrypha veio a ser aplicado aos livros não-canônicos do Antigo Testamento, mesmo aos que foram classificados previamente como “pseudepígrafos”. Desde a era da Reforma, essa palavra tem sido usada para denotar os escritos judaicos não-canônicos originários do período intertestamentário. A questão diante de nós é a seguinte: verificar se os livros eram escondidos a fim de ser preservados, porque sua mensagem era profunda e espiritual ou porque eram espúrios e de confiabilidade duvidosa.

Natureza e número dos apócrifos do Antigo Testamento

Há quinze livros chamados apócrifos (catorze se a Epístola de Jeremias se unir a Baruque, como ocorre nas versões católicas de Douai). Com exceção de 2 Esdras, esses livros preenchem a lacuna existente entre Malaquias e Mateus e compreendem especificamente dois ou três séculos antes de Cristo.

Significado da palavra CÂNON e CANÔNICO

CÂNON – (de origem semítica, na língua hebraica “qãneh” em Ez 40.3; e no grego: “kanón” em Gl 6.16″), tem sido traduzido em nossas versões em português como, “regra”, “norma”.
Significado literal: vara ou instrumento de medir.

Significado figurado: Regra ou critérios que comprovam a autenticidade e inspiração dos livros bíblicos; Lista dos Escritos Sagrados; Sinônimo de ESCRITURAS – como a regra de fé e ação investida de autoridade divina.

Outros significados: Credo formulado (a doutrina da Igreja em Geral); Regras eclesiásticas (lista ou série de procedimentos)

CANÔNICO – Que está de acordo com o cânon. Em relação aos 66 livros da Bíblia hebraica e evangélica.

Significado da palavra PSEUDOEPÍGRAFO – Literalmente significa “escritos falsos” – Os apócrifos não são necessariamente escritos falsos, mas, sim não canônicos, embora, também contenham ensinos errados ou hereges.

DIFERENÇAS ENTRE AS BÍBLIAS HEBRAICAS, PROTESTANTES E CATÓLICAS.

Diferenças Básicas:

1. Bíblia Hebraica – [a Bíblia dos judeus]

a) Contém somente os 39 livros do V.T.

b) Rejeitam os 27 do N.T. como inspirado. Também não aceitam Jesus como messias.

c) Não aceitam os livros apócrifos incluídos na Vulgata [versão Católico Romana)

2. Bíblia Protestante -

a) Aceita os 39 livros do V.T. e também os 27 do N.T.

b) Rejeita os livros apócrifos incluídos na Vulgata, como não canônicos

3. Bíblia Católica -

a) Contém os 39 livros do V.T. e os 27 do N.T.

b) Inclui na versão Vulgata, os livros apócrifos ou não canônicos que são: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, 1º e 2º de Macabeus, seis capítulos e dez versículos acrescentados no livro de Ester e dois capítulos de Daniel. A seguir a lista dos que se encontravam na Septuaginta:

LIVRO APÓCRIFO DA SEPTUAGINTA

8 Baruque

1 3 Esdras 9 A Carta de Jeremias

2 4 Esdras 10 Os acréscimos de Daniel

3 Oração de Azarias 11 A Oração de Manassés

4 Tobias 12 1 Macabeus

5 Adições a Ester 13 2 Macabeus

6 A Sabedoria de Salomão 14 Judite

7 Eclesiástico (Também chamado de Sabedoria de Jesus, filho de Siraque)

COMO OS APÓCRIFOS FORAM APROVADOS

A Igreja Romana aprovou os apócrifos em 8 de Abril de 1546 como meio de combater a Reforma protestante. Nessa época os protestantes combatiam violentamente as doutrinas romanistas do purgatório, oração pelos mortos, salvação pelas obras, etc. Os romanistas viam nos apócrifos base para tais doutrinas, e apelaram para eles aprovando-os como canônicos.
Houve prós e contras dentro dessa própria igreja, como também depois. Nesse tempo os jesuítas exerciam muita influência no clero. Os debates sobre os apócrifos motivaram ataques dos dominicanos contra os franciscanos. O biblista católico John L. Mackenzie em seu "Dicionário Bíblico" sob o verbete, Cânone, comenta que no Concílio de Trento houve várias "controvérsias notadamente candentes" sobre a aprovação dos apócrifos. Mas o cardeal Pallavacini, em sua "História Eclesiástica" declara mais nitidamente que em pleno Concílio, 40 bispos dos 49 presentes travaram luta corporal, agarrado às barbas e batinas uns dos outros... Foi nesse ambiente "ESPIRITUAL", que os apócrifos foram aprovados. A primeira edição da Bíblia católico-romana com os apócrifos deu-se em 1592, com autorização do papa Clemente VIII.

Os Reformadores protestantes publicaram a Bíblia com os apócrifos, colocando-os entre o Antigo e Novo Testamentos, não como livros inspirados, mas bons para a leitura e de valor literário histórico. Isto continuou até 1629. A famosa versão inglesa King James (Versão do Rei Tiago) de 1611 ainda os trouxe. Porém, após 1629 as igrejas reformadas excluíram totalmente os apócrifos das suas edições da Bíblia, e, "induziram a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, sob pressão do puritanismo escocês, a declarar que não editaria Bíblias que tivessem os apócrifos, e de não colaborar com outras sociedades que incluíssem esses livros em suas edições." Melhor assim, tendo em vista evitar confusão entre o povo simples, que nem sempre sabe discernir entre um livro canônico e um apócrifo e também pelo fato do que aconteceu com a Vulgata! Melhor editá-los separadamente.

PORQUE REJEITAMOS OS APÓCRIFOS

Há várias razões porque os protestantes rejeitam os Apócrifos. Eis algumas delas:

1. PORQUE COM O LIVRO DE MALAQUIAS O CÂNON BÍBLICO HAVIA SE ENCERRADO.

Depois de aproximadamente 435 a.C não houve mais acréscimos ao cânon do Antigo Testamento. A história do povo judeu foi registrada em outros escritos, tais como os livros dos Macabeus, mas eles não foram considerados dignos de inclusão na coleção das palavras de Deus que vinham dos anos anteriores.

Quando nos voltamos para a literatura judaica fora do Antigo Testamento percebemos que a crença de que haviam cessado as palavras divinamente autorizadas da parte de Deus é atestada de modo claro em várias vertentes da literatura extrabíblica.

· 1 Macabeus: (cerca de 100 a.c.), o autor escreve sobre o altar:

"Demoliram-no, pois, e depuseram as pedras sobre o monte da Morada conveniente, à espera de que viesse algum profeta e se pronunciasse a respeito" (l Mac 4.45-46). Aparentemente, eles não conheciam ninguém que poderia falar com a autoridade de Deus como os profetas do Antigo Testamento haviam feito. A lembrança de um profeta credenciado no meio do povo pertencia ao passado distante, pois o autor podia falar de um grande sofrimento, "qual não tinha havido desde o dia em que não mais aparecera um profeta no meio deles" (l Mac 9.27; 14.41).

· Josefo: (nascido em c. 37/38 d.C.) explicou: "Desde Artaxerxes até os nossos
dias foi escrita uma história completa, mas não foi julgada digna de crédito igual ao dos registros mais antigos, devido à falta de sucessão exata dos profetas" (Contra Apião 1:41) Essa declaração do maior historiador judeu do primeiro século cristão mostra que os escritos que agora fazem parte dos "apócrifos", mas que ele (e muitos dos seus contemporâneos) não os consideravam dignos "de crédito igual" ao das obras agora conhecida por nós como Escrituras do Antigo Testamento. Segundo o ponto de vista de Josefo, nenhuma "palavra de Deus" foi acrescentada às Escrituras após cerca de 435 a.c.

· A literatura rabínica: reflete convicção semelhante em sua freqüente
declaração de que o Espírito Santo (em sua função de inspirador de profecias) havia se afastado de Israel "Após a morte dos últimos profetas, Ageu, Zacarias e Malaquias, o Espírito Santo afastou-se de Israel, mas eles ainda se beneficiavam do bath qôl" (Talmude Babilônico, Yomah 9b repetido em Sota 48b, Sanhedrín 11 a, e Midrash Rabbah sobre o Cântico dos Cânticos, 8.9.3).· A comunidade de Qumran: (seita judaica que nos legou os Manuscritos do Mar Morto) também esperava um profeta cujas palavras teriam autoridade para substituir qualquer regulamento existente (veja 1QS 9.11), e outras declarações semelhantes são encontradas em outros trechos da literatura judaica antiga (veja 2Baruc 85.3 Oração de Azarias 15). Assim, escritos posteriores a cerca de 435 a.C. em geral não eram aceitos pelo povo judeu como obras dotadas de autoridade igual à do restante das Escrituras.

· O Novo Testamento: não temos nenhum registro de alguma controvérsia entre
Jesus e os judeus sobre a extensão do cânon. Ao que parece,Jesus e seus discípulos de um lado e os líderes judeus ou o povo judeu, de outro, estavam plenamente de acordo em que acréscimos ao cânon do Antigo Testamento tinham cessado após os dias De Esdras, Neemias, Ester, Ageu, Zacarias e Malaquias. Esse fato é confirmado pelas citações do Antigo Testamento feitas por Jesus e pelos autores do Novo Testamento. Segundo uma contagem,Jesus e os autores do Novo Testamento citam mais de 295 vezes, várias partes das Escrituras do Antigo Testamento como palavras autorizadas por Deus, mas nem uma vez sequer citam alguma declaração extraída dos livros apócrifos ou qualquer outro escrito como se tivessem autoridade divina. A ausência completa de referência à outra literatura como palavra autorizada por Deus e as referências muito freqüentes a centenas de passagens no Antigo Testamento como dotadas de autoridade divina confirmam com grande força o fato de que os autores do Novo Testamento concordavam em que o cânon estabelecido do Antigo Testamento, nada mais nada menos, devia ser aceito como a verdadeira palavra de Deus.

2. PORQUE A INCLUSÃO DOS APÓCRIFOS FOI ACIDENTAL.

A conquista da Palestina por Alexandre, o Grande, ocasionou uma nova dispersão dos judeus por todo o império greco-macedônico. Pelo ano 300 antes de Cristo, a colônia de judeus na cidade de Alexandria, Egito, era numerosa, forte e fluente. Morrendo Alexandre, seu domínio dividiu-se em quatro remos, ficando o Egito sob a dinastia dos Ptolomeus. O segundo deles, Ptolomeu Filadelfo, foi grande amante das letras e preocupou-se com enriquecer a famosa biblioteca que seu pai havia fundado. Com este objetivo, muitos livros foram traduzidos para o grego. Naturalmente, as Escrituras Sagradas do povo hebreu foram levadas em conta, apreciando-se também a grande importância que teria a tradução da Bíblia de seus antepassados da Palestina para os judeus cuja língua vernácula era o grego.

Segundo um relato de Josefo, Sumo Sacerdote de Jerusalém Eleazar enviou, a pedido de Ptolomeu Filadelfo, uma embaixada de 72 tradutores a Alexandria, com um valioso manuscrito do Velho Testamento, do qual traduziram o Pentateuco. A tradução continuou depois, não se completando senão no ano 150 antes de Cristo.

Esta tradução, que se conhece com o nome de Septuaginta ou Versão dos Setenta (por terem sido 70, em número redondo, seus tradutores), foi aceita pelo Sinédrio judaico de Alexandria; mas, não havendo tanto zelo ali como na Palestina e devido às tendências helenistas contemporâneas, os tradutores alexandrinos fizeram adições e alterações e, finalmente, sete dos Livros Apócrifos foram acrescentados ao texto grego como Apêndice do Velho Testamento. Os estudiosos acham que foram unidos à Bíblia, por serem guardados juntamente com os rolos de livros canônicos, e quando foram iniciados os Códices, isto é , a escrituração da Bíblia inteira em um só volume, alguns escribas copiaram certos rolos apócrifos juntamente com os rolos canônicos.

Todos estes livros, com exceção de Judite, Eclesiástico, Baruque e 1 Macabeus, estavam escritos em grego, e a maioria deles foi escrita muitíssimos anos depois de o profeta Malaquias, o último dos profetas da Dispensação antiga, escrever o livro que leva o seu nome. O que se pode concluir daí é que, quando a Septuaginta era copiada, alguns livros não canônicos para os judeus eram também copiados. Isso também poderia ter ocorrido por ignorância quanto aos livros verdadeiramente canônicos. Pessoas não afeiçoadas ao judaísmo ou mesmo desinteressadas em distinguir livros canônicos dos não canônicos tinham por igual valor todos os livros, fossem eles originalmente recebidos como sagrados pelos judeus ou não. Mesmo aqueles que não tinham os demais livros judaicos como canônicos certamente também copiavam estes livros, não por considerá-los sagrados, mas apenas para serem lidos. Por que não copiar livros tão antigos e interessantes? Estes livros, entretanto, têm a importância de refletir o estado do povo judeu e o caráter de sua vida intelectual e religiosa durante as várias épocas que representam, particularmente, a do período chamado intertestamentário (entre Malaquias e João Batista, de 400 anos); é, talvez, por estas razões que os tradutores os juntaram ao texto grego da Bíblia, mas os judeus da Palestina nunca os aceitaram no cânon de seus livros sagrados.

3. TESTEMUNHAS CONTRA OS APÓCRIFOS

Traremos agora o depoimento de várias personagens históricas que depõe contra a lista canônica "Alexandrina", como consta na Septuaginta, Vulgata e em todas as versões das Bíblias católicas existentes. Pelo peso de autoridade que representam esses vultos, são provas mais do que suficientes e esmagadoras contra a inclusão dos Apócrifos no Cânon bíblico.

Vejamos:

JOSEFO: A referência mais antiga ao cânon hebraico é do historiador judeu Josefo (37-95 AC). Em Contra Apionem ele escreve: "Não temos dezenas de milhares de livros, em desarmonia e conflitos, mas só vinte e dois, contendo o registro de toda a história, os quais, conforme se crê, com justiça, são divinos." Depois de referir-se aos cinco livros de Moisés, aos treze livros dos profetas, e aos demais escritos (os quais "incluem hinos a Deus e conselhos pelos quais os homens podem pautar suas vidas"), ele continua afirmando:
"Desde Artaxerxes (sucessor de Xerxes) até nossos dias, tudo tem sido registrado, mas não tem sido considerado digno de tanto crédito quanto aquilo que precedeu a esta época, visto que a sucessão dos profetas cessou. Mas a fé que depositamos em nossos próprios escritos é percebida através de nossa conduta; pois, apesar de ter-se passado tanto tempo, ninguém jamais ousou acrescentar coisa alguma a eles, nem tirar deles coisa alguma, nem alterar neles qualquer coisa que seja"

Josefo é suficientemente claro. Como historiador judeu, ele é fonte fidedigna. Eram apenas vinte e dois os livros do cânon hebraico agrupados nas três divisões do cânon massorético. E desde a época de Malaquias (Artaxerxes, 464-424) até a sua época nada se lhe havia sido acrescentado. Outros livros foram escritos, mas não eram considerados canônicos, com a autoridade divina dos vinte e dois livros mencionados.

ORÍGENES: No terceiro século d.C, Orígenes (que morreu em 254) deixou um catálogo de vinte e dois livros do Antigo Testamento que foi preservado na História Eclesiástica de Eusébio, VI: 25. Inclui a mesma lista do cânone de vinte e dois livros de Josefo (e do Texto Massorético) inclusive Ester, mas nenhum dos apócrifos é declarado canônico, e se diz explicitamente que os livros de Macabeus estão "fora desses [livros canônicos]”

TERTULIANO: Aproximadamente contemporâneo de Orígenes era Tertuliano.
(160-250 dc) o primeiro dos País Latinos cujas obras ainda existem. Declara que os livros canônicos são vinte e quatro.

HILÁRIO: Hilário de Poitiers (305-366) os menciona como sendo vinte e dois.

ATANÁSIO: De modo semelhante, em 367 d.C., o grande líder da igreja, Atanásio, bispo de Alexandria, escreveu sua Carta Pascal e alistou todos os livros do nosso atual cânon do Novo Testamento e do Antigo Testamento, exceto Éster. Mencionou também alguns livros dos apócrifos, tais como a Sabedoria de Salomão, a Sabedoria de Sirac, Judite e Tobias, e disse que esses “não são na realidade incluídos no cânon, mas indicados pelos Pais para serem lidos por aqueles que recentemente se uniram a nós e que desejam instrução na palavra de bondade”.

JERONIMO: Jerônimo (340-420.dc.) propugnou, no Prologus Galeatus. A citação pertinente de Prologus Galeatus é a seguinte:

“Este prólogo, como vanguarda (principium) com capacete das Escrituras, pode ser aplicado a todos os Livros que traduzimos do Hebraico para o Latim, de tal maneira que possamos saber que tudo quanto é separado destes deve ser colocado entre os Apócrifos. Portanto, a sabedoria comumente chamada de Salomão, o livro de Jesus, filho de Siraque, e Judite e Tobias e o Pastor (supõe-se que seja o Pastor de Hermas), não fazem parte do cânon. Descobri o Primeiro Livro de Macabeus em Hebraico; o Segundo foi escrito em Grego, conforme testifica sua própria linguagem”.

Jerônimo, no seu prefácio aos Livros de Salomão, menciona ter descoberto Eclesiástico em Hebraico, mas declara em sua; convicção que a Sabedoria de Salomão teria sido originalmente composta em Grego e não em Hebraico, por demonstrar uma eloqüência tipicamente helenística. “E assim”, continua ele, “da mesma maneira pela qual a igreja lê Judite e Tobias e Macabeus (no culto público) mas não os recebe entre as Escrituras canônicas, assim também sejam estes dois livros úteis para a edificação do povo, mas não para estabelecer as doutrinas da Igreja”). e noutros trechos, prima pelo reconhecimento de apenas os vinte e dois livros contidos no hebraico, e a relegação dos livros apócrifos a uma posição secundária. Assim, no seu Comentário de Daniel, lançou dúvidas quanto à canonicidade da história de Suzana, baseando-se no fato que o jogo de palavras atribuído a Daniel na narrativa, só podia ser derivado do grego e não do hebraico (inferência: a história foi originalmente composta em grego). Do mesmo modo, em conexão com a história de Bel e a do Dragão, declara; “a objeção se soluciona facilmente ao asseverar que esta história especifica não está incluída no texto hebraico do livro de Daniel. Se, porém, alguém fosse comprovar que pertence ao cânone, seríamos obrigados a buscar uma outra resposta a esta objeção”

MELITO: A mais antiga lista cristã dos livros do Antigo Testamento que existe hoje é a de Melito, bispo de Sardes, que escreveu em cerca de 170 d.C.

“Quando cheguei ao Oriente e encontrei-me no lugar em que essas coisas foram proclamadas e feitas, e conheci com precisão os livros do Antigo Testamento, avaliei os fatos e os enviei a ti. São estes os seus nomes: cinco livros de Moisés, Gênesis, Êxodo, Números, Levítico, Deuteronômio,Josué, filho de Num, Juizes, Rute, quatro livros dos Remos,’0 dois livros de Crônicas, os Salmos de Davi, os Provérbios de Salomão e sua Sabedoria,” Eclesiastes, o Cântico dos Cânticos,Jó, os profetas Isaías,Jeremias, os Doze num único livro, Daniel, Ezequiel, Esdras.”

É digno de nota que Melito não menciona aqui nenhum livro dos apócrifos, mas inclui todos os nossos atuais livros do Antigo Testamento, exceto Éster. Mas as autoridades católicas passam por cima de todos esses testemunhos para manter, em sua teimosia, os Apócrifos! AS HERESIAS DOS APÓCRIFOS

Uma das grandes razões, talvez a principal delas, porque nós evangélicos rejeitamos os Apócrifos, é devido a grande quantidade de heresias que tais livros apresentam. Fora isso, existem também lendas absurdas e fictícias e graves erros históricos e geográficos, o que fazem os Apócrifos serem desqualificados como palavra de Deus. A seguir daremos um resumo de cada livro e logo a seguir mostraremos seus graves erros.

RESUMO:

TOBIAS (200 a.C.) – É uma história novelística sobre a bondade de Tobiel (pai de Tobias) e alguns milagres preparados pelo anjo Rafael.

Apresenta:

· justificação pelas obras – 4:7-11; 12:8
· mediação dos Santos – 12:12
· superstições – 6:5, 7-9, 19
· um anjo engana Tobias e o ensina a mentir 5:16 a 19

JUDITE (150 a.C.) É a História de uma heroína viúva e formosa que salva sua cidade enganando um general inimigo e decapitando-o. grande heresia é a própria história onde os fins justificam os meios.

BARUQUE (100 a.D.) – Apresenta-se como sendo escrito por Baruque, o cronista do profeta Jeremias, numa exortação aos judeus quando da destruição de Jerusalém. Porém, é de data muito posterior, quando da segunda destruição de Jerusalém, no pós-Cristo.
Traz entre outras coisas, a intercessão pelos mortos – 3:4.

ECLESIÁSTICO (180 a.C.) – É muito semelhante ao livro de Provérbios, não fosse as tantas heresias:

· justificação pelas obras – 3:33,34
· trato cruel aos escravos – 33:26 e 30; 42:1 e 5
· incentiva o ódio aos Samaritanos – 50:27 e 28

SABEDORIA DE SALOMAO (40 a.D.) – Livro escrito com finalidade exclusiva de lutar contra a incredulidade e idolatria do epicurismo (filosofia grega na era Cristã).
Apresenta:

· o corpo como prisão da alma – 9:15
· doutrina estranha sobre a origem e o destino da alma 8:19 e 20
· salvação pela sabedoria – 9:19

1 MACABEUS (100 a.C.) – Descreve a história de 3 irmãos da
família “Macabeus”, que no chamado período ínterbíblico (400 a.C. 3 a.D)
lutam contra inimigos dos judeus visando a preservação do seu povo e terra.

II MACABEUS (100 a.C.) – Não é a continuação do 1 Macabeus, mas um relato paralelo, cheio de lendas e prodígios de Judas Macabeu.

Apresenta:

· a oração pelos mortos – 12:44 – 46
· culto e missa pelos mortos – 12:43
· o próprio autor não se julga inspirado -15:38-40; 2:25-27
· intercessão pelos Santos – 7:28 e 15:14

ADIÇÕES A DANIEL:

capítulo 13 – A história de Suzana – segundo esta lenda Daniel salva Suzana num julgamento fictício baseado em falsos testemunhos.

capítulo 14 – Bel e o Dragão – Contém histórias sobre a necessidade da idolatria.
capítulo 3:24-90 – o cântico dos 3 jovens na fornalha.

LENDAS, ERROS E HERESIAS

1. Histórias fictícias, lendárias e absurdas

- Tobias 6.1-4 – “Partiu, pois, Tobias, e o cão o seguiu, e parou na primeira pousada junto ao rio Tigre. E saiu a lavar os pés, e eis que saiu da água um peixe monstruoso para o devorar. À sua vista, Tobias, espavorido, clamou em alta voz, dizendo: Senhor, ele lançou-se a mim. E o anjo disse disse-lhe: Pega-lhe pelas guerras, e puxa-o para ti. Tendo assim feito, puxou-o para terra, e o começou a palpitar a seus pés.

2. Erros Históricos e Geográficos

Os Apócrifos solapam a doutrina da inerrância porque esses livros incluem erros históricos e de outra natureza. Assim, se os Apócrifos são considerados parte das Escrituras, isso identifica erros na Palavra de Deus. Esses livros contêm erros históricos, geográficos e cronológicos, além de doutrinas obviamente heréticas; eles até aconselham atos imorais (Judite 9.1O,13). Os erros dos Apócrifos são freqüentemente apontados em obras de autoridade reconhecida. Por exemplo:

O erudito bíblico DL René Paehe comenta: “Exceto no caso de determinada informação histórica interessante (especialmente em 1. Macabeus) e alguns belos pensamentos morais (por exemplo Sabedoria de Salomão).

Tobias…

contém certos erros históricos e geográficos, tais como a suposição de que Senaqueribe era filho de Salmaneser (1 .15) em vez de Sargão II, e que Nínive foi tomado por Nabucodonosor e por Assuero (14.15) em vez de Nabopolassar e por Ciáxares… Judite não pode ser histórico porque contém erros evidentes… [Em 2 Macabeus] há também numerosas desordens e discrepâncias em assuntos cronológicos, históricos e numéricos, os quais refletem ignorância ou confusão..

HERESIAS

3. Ensinam Artes Mágicas ou de Feitiçaria como método de exorcismo

a) Tobias 6.5-9 – “Então disse o anjo: Tira as entranhas a esse peixe, e guarda, porque estas coisas te serão úteis. Feito isto, assou Tobias parte de sua carne, e levaram-na consigo para o caminho; salgaram o resto, para que lhes bastassem até chegassem a Ragés, cidade dos Medos. Então Tobias perguntou ao anjo e disse-lhe: Irmão Azarias, suplico-lhe que me digas de que remédio servirão estas partes do peixe, que tu me mandaste guardar: E o anjo, respondendo, disse-lhe: Se tu puseres um pedacinho do seu coração sobre brasas acesas , o seu fumo afugenta toda a casta de demônios, tanto do homem como da mulher, de sorte que não tornam mais a chegar a eles. E o fel é bom para untar os olhos que têm algumas névoas, e sararão”

b) Este ensino que o coração de um peixe tem o poder para expulsar toda espécie de demônios contradiz tudo o que a Bíblia diz sobre como enfrentar o demônio.
c) Deus jamais iria mandar um anjo seu, ensinar a um servo seu, como usar os métodos da macumba e da bruxaria para expulsar demônios.

d) Satanás não pode ser expelido pelos métodos enganosos da feitiçaria e bruxaria, e de fato ele não tem interesse nenhum em expelir demônios (Mt 12.26).
e) Um dos sinais apostólicos era a expulsão de demônios, e a única coisas que tiveram de usar foi o nome de Jesus (Mc 16.17; At 16.18)

4. Ensinam que Esmolas e Boas Obras – Limpam os Pecados e Salvam a Alma

a) Tobias 12.8, 9 – “É boa a oração acompanhada do jejum, dar esmola vale mais do que juntar tesouros de ouro; porque a esmola livra da morte (eterna), e é a que apaga os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna”.

Eclesiástico 3.33 – “A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados”
b) Este é o primeiro ensino de Satanás, o mais terrível, e se encontrar basicamente em todas a seitas heréticas.

c) A Salvação por obras, destrói todo o valor da obra vicária de Cristo em favor do pecador. Se caridade e boas obras limpam nossos pecados, nós não precisamos do sangue de Cristo. Porém, a Bíblia não deixa dúvidas quanto o valor exclusivo do sangue como um único meio de remissão e perdão de pecados:

- Hb 9:11, 12, 22 – “Mas Cristo… por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santo lugar, havendo obtido uma eterna redenção …sem derramamento de sangue não há remissão.”

- I Pe 1:18, 19 – “sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo,”

d) Contradiz Bíblia toda. Ela declara que somente pela graça de Deus e o sangue de Cristo o homem pode alcançar justificação e completa redenção:

- Romanos 3.20, 24, 24 e 29 – “Ninguém será justificado diante dele pelas obras da lei… sendo justificados gratuitamente por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus. A quem Deus propôs no seu sangue. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei”.5. Ensinam o Perdão dos pecados através das orações
a) Eclesiástico 3.4 – “O que ama a Deus implorará o perdão dos seus pecados, e se absterá de tornar a cair neles, e será ouvido na sua oração de todos os dias”.

b) O perdão dos pecados não está baseado na oração que se faz pedindo o perdão, não é fé na oração, e sim fé naquele que perdoa o pecado, a oração por si só, é uma boa obra que a ninguém pode salvar. Somente a oração de confissão e arrependimento baseadas na fé no sacrifício vicário de Cristo traz o perdão (Pv. 28.13; I Jo 1.9; I Jo 2.1,2)

6. Ensinam a Oração Pelos Mortos

a) 2 Macabeus 12:43-46 – “e tendo feito uma coleta, mandou 12 mil dracmas de prata a Jerusalém, para serem oferecidas em sacrifícios pelos pecados dos mortos, sentindo bem e religiosamente a ressurreição, (porque, se ele não esperasse que os que tinham sido mortos, haviam um dia de ressuscitar, teria por uma coisa supérflua e vã orar pelos defuntos); e porque ele considerava que aos que tinham falecido na piedade estava reservada uma grandíssima misericórdia. É, pois, um santo e salutar pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados”.

b) É neste texto falso, de um livro não canônico, que contradiz toda a Bíblia, que a Igreja Católica Romana baseia sua falta e herege doutrina do purgatório.

c) Este é novamente um ensino Satânico para desviar o homem da redenção exclusiva pelo sangue de Cristo, e não por orações que livram as almas do fogo de um lugar inventado pela mente doentia e apostata dos teólogos católicos romanos.

d) Após a morte o destino de todos os homens é selado, uns para perdição eterna e outros para a Salvação eterna – não existe meio de mudar o destinos de alguém após a sua morte. Veja Mt. 7:13,13; Lc 16.26

7. Ensinam a Existência de um Lugar Chamado PURGATÓRIO

a) Este é o ensino herético e satânico inventado pela Igreja Católica Romana, de que o homem, mesmo morrendo perdido, pode ter uma Segunda chance de Salvação.

b) Sabedoria 3.1-4 – “As almas dos justos estão na mão de Deus, e não os tocará o tormento da morte. Pareceu aos olhos dos insensatos que morriam; e a sua saída deste mundo foi considerada como uma aflição, e a sua separação de nós como um extermínio; mas eles estão em paz (no céu). E, se eles sofreram tormentos diante dos homens, a sua esperança está cheia de imortalidade”.

c) A Igreja Católica baseia a doutrina do purgatório na ultima parte deste texto, onde diz: ” E, se eles sofreram tormentos diante dos homens, a sua esperança está cheia de imortalidade”.

- Eles ensinam que o tormento em que o justo está, é o purgatório que o purifica para entrar na imortalidade.

- Isto é uma deturpação do próprio texto do livro apócrifo. De modo, que a igreja Católica é capaz de qualquer desonestidade textual, para manter suas heresias.

- Até porque, ganha muito dinheiro com as indulgências e missas rezadas pelos mortos.

d) Leia atentamente as seguinte textos das Escrituras, que mostram a impossibilidade do purgatório : I Jo 1.7; Hb 9.22; Lc 23.40-43; I6: 19-31; I Co 15:55-58; I Ts 4:12-17; Ap 14:13; Ec 12:7; Fp 1:23; Sl 49:7-8; II Tm 2:11-13; At 10:43)

8. Nos Livros Apócrifos Os Anjos Mentem

a) Tobias 5.15-19 – “E o anjo disse-lhe: Eu o conduzirei e to reconduzirei. Tobias respondeu: Peço-te que me digas de que família e de tribo és tu? O anjo Rafael disse-lhe: Procuras saber a família do mercenário, ou o mesmo mercenário que vá com teu filho? Mas para que te não ponhas em cuidados,, eu sou Azarias, filho do grande Ananias. E Tobias respondeu-lhe: Tu és de uma ilustre família. Mas peço-te que te não ofendas por eu desejar conhecer a tua geração.

b) Um anjo de Deus não poderia mentir sobre a sua identidade, sem violar a própria lei santa de Deus. Todos os anjos de Deus, foram verdadeiros quando lhes foi perguntado a sua identidade. Veja Lc 1.19

9. Mulher que Jejuava Todos os Dias de Sua Vida

a) Judite 8:5,6 – “e no andar superior de sua casa tinha feito para si um quarto retirado, no qual se conservava recolhida com as suas criadas, e, trazendo um cilício sobre os seus rins, jejuava todos os dias de sua vida, exceto nos sábados, e nas neomênias, d nas festas da casa de Israel”

b) Este texto legendário tem sido usado por romana relacionado com a canonização dos “santos” de idolatria. Em nenhuma parte da Bíblia jejuar todos os dias da vida é sinal de santidade. Cristo jejuou 40 dias e 40 noites e depois não jejuou mais.

c) O livro de Judite é claramente um produção humana, uma lenda inspirada pelo Diabo, para escravizar os homens aos ensinos da igreja Católica Romana.

10. Ensinam Atitudes Anticristãs, como: Vingança, Crueldade e Egoísmo

a) VINGANÇA – Judite 9:2

b) CRUELDADE e EGOÍSMO – Eclesiástico 12:6

c) Contraria o que a Bíblia diz sobre:

- Vingança (Rm 12.19, 17)

- Crueldade e Egoísmo ( Pv. 25:21,22; Rm 12:20; Jo 6:5; Mt 6:44-48)

A igreja Católica tenta defender a IMACULADA CONCEIÇÃO baseando em uma deturpação dos apócrifos (Sabedoria 8:9,20) – Contradizendo: Lc. 1.30-35; Sl 51:5; Rm 3:23)

Diante de tudo isso perguntamos: Merecem confiança os livros Apócrifos ? A resposta obvia é, NÃO.

RESPOSTAS ÀS OBJEÇÕES ROMANISTAS

Os livros apócrifos do Antigo Testamento têm recebido diferentes graus de aceitação pelos cristãos. A maior parte dos protestantes e dos judeus aceita que tenham valor religioso e mesmo histórico, sem terem, contudo, autoridade canônica. Os católicos romanos desde o Concilio de Trento têm aceito esses livros como canônicos. Mais recentemente, os católicos romanos têm defendido a idéia de uma deuterocanonicidade, mas os livros apócrifos ainda são usados para dar apoio a doutrinas extrabíblicas, tendo sido proclamados como livros de inspiração divina no Concílio de Trento. Outros grupos, como os anglicanos e várias igrejas ortodoxas, nutrem diferentes concepções a respeito dos livros apócrifos. A seguir apresentamos um resumo dos argumentos que em geral são aduzidos para a aceitação desses livros, na crença de que detêm algum tipo de canonicidade e suas respectivas refutações.

OBJEÇÃO CATÓLICA:

1. Alusões no Novo Testamento. O Novo Testamento reflete o pensamento e registra alguns acontecimentos dos apócrifos. Por exemplo, o livro de Hebreus fala de mulheres que receberam seus mortos pela ressurreição (Hebreus 11.35), e faz referência a 2 Macabeus 7 e 12. Os chamados apócrifos ou pseudepígrafos são também citados em sua amplitude pelo Novo Testamento (Jd 14,15; 2Tm 3.8).

REFUTAÇÃO: Apela-se freqüentemente ao fato que o Novo Testamento usualmente emprega a tradução da LXX ao citar o Antigo Testamento. Portanto, já que a LXX continha os Apócrifos, decerto os Apóstolos do Novo Testamento reconheciam a autoridade da LXX inteira conforme então se constituía. Além disto, argumentam, é um fato que ocasionalmente apela-se a obras fora do “Cânone Palestiniano”. Wíldeboer’ e Torrey” colecionaram todas as instâncias possíveis de tais citações ou alusões a obras apócrifas, incluindo-se várias que apenas são hipotéticas. Mas toda esta linha de argumentos é realmente irrelevante para a questão em pauta, sendo que nem se alega que qualquer uma destas fontes seja proveniente dos Apócrifos Romanos.Na maioria dos casos as obras que supostamente foram citadas desapareceram há muito tempo – obras tais como o Apocalipse de Elias e a Assunção de Moisés (da qual sobrou um fragmento latino). Só num único caso, a citação de Enoque 1:9 em Judas 14-16, é que a fonte citada sobreviveu. Há citações de autores gregos pagãos, também no Novo Testamento. Em Atos 17:28, Paulo cita de Arato, Phaenomena, linha 5; em 1 Coríntios 15:33, cita da comédia de Menander, Thais. Certamente ninguém poderia supor que citações tais como estas estabelecem a canonicidade ou de Arato ou de Menander. Pelo contrário, o testemunho do Novo Testamento é muito decisivo contra a canonicidade dos quatorze livros Apócrifos. Demais disso, a alegação de que em muitas partes os escritos do Novo Testamento refletem influências dos livros Apócrifos, é deveras frágil demais para ser sustentada, pois se fosse assim, o livro de Enoque citado por Judas seria digno de muito mais crédito no sentido de canonicidade do que os Apócrifos romanos. Judas citada versículos inteiros deste livro, enquanto os Apócrifos adotados nas Bíblias romanas não aparece nenhuma vez com citações inteira ou em partes. Seguindo o mesmo raciocínio dos católicos poderíamos então canoniza-lo também! Então dizemos que virtualmente todos os livros do Antigo Testamento são citados como sendo divinamente autorizados, ou pelo menos há alusão a eles como tais. Embora acabe de ser esclarecido que a mera citação não estabelece necessariamente a canonicidade, é inconcebível que os vários autores do Novo Testamento pudessem ter considerado como canônicos os quatorze livros dos Apócrifos Romanos, sem ter feito uso deles em citações ou alusões.

OBJEÇÃO CATÓLICA:

2. Emprego que o Novo Testamento faz da versão Septuaginta. A tradução grega do Antigo Testamento hebraico, em Alexandria, é conhecida como Septuaginta (LXX). Foi a versão que Jesus usou e é a versão mais citada pelos autores do Novo Testamento e pelos cristãos primitivos. A LXX continha os livros apócrifos. A presença desses livros na LXX dá apoio ao cânon alexandrino, mais amplo, do Antigo Testamento, em oposição ao cânon palestino, mais reduzido que os omite.

REFUTAÇÃO: Mas não é de modo nenhum certo que todos os livros na LXX foram considerados canônicos, mesmo pelos próprios judeus de Alexandria. Bem decisiva contra isto é a evidência de Filon de Alexandria (que viveu no primeiro século d.C.), assim como o judaísmo oficial em outros lugares e épocas. Apesar de ter citado freqüentemente os livros canônicos do “Cânone Palestiniano”, não faz uma citação sequer dos livros Apócrifos. Isto é impossível reconciliar com a teoria de um “Cânone Alexandrino” maior, a não ser que porventura alguns judeus de Alexandria não tivessem recebido este “Cânone Alexandrino” enquanto outros o reconheciam.

Em segundo lugar, relata-se de fontes fidedignas que a Versão Grega de Áquila foi aceita pelos judeus alexandrinos no segundo século d.C., apesar de não conter os livros Apócrifos. A dedução razoável desta evidência seria que (conforme o próprio Jerônimo esclareceu) os judeus de Alexandria resolveram incluir na sua edição do Antigo Testamento tanto os livros que reconheciam como sendo canônicos, como também os livros que eram “eclesiásticos” i,é., foram reconhecidos como sendo valiosos e edificantes, porém sem ser infalíveis.

Apoio adicional para esta suposição (que livros subcanônicos possam ter sido conservados e utilizados juntamente com os canônicos) foi recentemente descoberto nos achados da Caverna 4 de Cunrã. Ali, no coração da Palestina, onde seguramente o “Cânone Palestiniano” deve ter sido autoritativo, pelo menos dois livros Apócrifos se fazem representar – Eclesiástico e Tobias. Um fragmento de Tobias aparece num pedacinho de papiro, outro em couro; há também um fragmento em hebraico, escrito em couro. Vários fragmentos de Eclesiástico foram descobertos ali, e pelo menos na pequena quantidade representada, concordam bem exatamente com mss de Eclesiástico do século onze, descobertos na Genizá de Cairo na década de 1890. Quanto a isto, a Quarta Caverna de Cunrã também conservou obras pseudoepigráficas tais como o Testamento de Levi, em aramaico, o mesmo em hebraico, e o livro de Enoque (fragmentos de dez mss.diferentes!). Decerto, ninguém poderia argumentar com seriedade que os sectários tão estreitos de Cunrã consideravam como canônicas todas estas obras apócrifas e pseudoepigráficas só por causa de terem conservado cópias delas. A Palestina é que era o lar do cânon judaico, jamais a Alexandria, no Egito. O grande centro grego do saber pertencia no Egito, não tinha autoridade para saber com precisão que livros pertenciam ao Antigo Testamento judaico. Alexandria era o lugar da tradução apenas, não da canonização. O fato de a Septuaginta conter os apócrifo apenas comprova que os judeus alexandrinos traduziram os demais livros religiosos judaicos do período intertestamentário ao lado dos livros canônicos.

OBJEÇÃO CATÓLICA:

3. Os mais antigos manuscritos completos da Bíblia. Os mais antigos manuscritos gregos da Bíblia contêm os livros apócrifos inseridos entre os livros do Antigo Testamento. Os manuscritos Aleph (N), A e B, incluem esses livros, revelando que faziam parte da Bíblia cristã original.

REFUTAÇÃO:
Isto, porém, é verdade apenas em parte. Certamente os Targuns aramaicos não os reconheceram. Nem sequer o Pesita siríaco na sua forma mais antiga continha um único livro apócrifo; foi apenas posteriormente que alguns deles foram acrescentados. Uma investigação mais cuidadosa desta reivindicação reduz a autoridade sobre a qual os Apócrifos se alicerçam a apenas uma versão antiga, a Septuaginta, e àquelas traduções posteriores (tais como a Itala, a Cóptica, a Etiópica, e a Siríaca posterior) que foram dela derivadas. Mesmo no caso da Septuaginta, os livros Apócrifos mantêm uma existência um pouco Incerta. O Códice Vaticano (“B”) não tem 1 e 2 Macabeus (canônicos segundo Roma), mas Inclui 1 Esdras (não-canônico segundo Roma). O Códice Sinaítico (“Alef”) omite Baruque (canônico segundo Roma), mas inclui 4 Macabeus (não-canônico segundo Roma). O Códice Alexandrino (“A”) contêm três livros apócrifos “não-canônicos”: 1 Esdras e 3 e 4 Macabeus. Então acontece que até os três mais antigos mss. da LXX demonstram considerável falta de certeza quanto aos livros que compõem a lista dos Apócrifos, e que os quatorze aceitáveis à Igreja Romana não são de modo algum substanciados pelo testemunho dos grandes unciais do quarto e do quinto séculos. Os escritores do Novo Testamento quase sempre fizeram citações da LXX, mas jamais mencionaram um livro sequer dentre os apócrifos. No máximo, a presença dos apócrifos nas Bíblias cristãs do século IV mostra que tais livros eram aceitos até certo ponto por alguns cristãos, naquela época. Isso não significa que os judeus ou os cristãos como um todo aceitassem esses livros como canônicos, isso sem mencionarmos a igreja universal, que nunca os teve na relação de livros canônicos.

OBJEÇÃO CATÓLICA:

4. A arte cristã primitiva. Alguns dos registros mais antigos da arte cristã refletem o uso dos apócrifos. As representações nas catacumbas às vezes se baseavam na história dos fieis registrada no período intertestamentário.

REFUTAÇÃO:
As representações artísticas não constituem base para apurar a canonicidade dos apócrifos. As representações pintadas nas catacumbas, extraídas de livros apócrifos, apenas mostram que os crentes daquela era estavam cientes dos acontecimentos do período ínter-testamentário e os consideravam parte de sua herança religiosa. A arte cristã primitiva não decide nem resolve a questão da canonicidade dos apócrifos.

OBJEÇÃO CATÓLICA:

5. Os primeiros pais da igreja. Alguns dos mais antigos pais da igreja, de modo particular os do Ocidente, aceitaram e usaram os livros apócrifos em seu ensino e pregação. E até mesmo no Oriente, Clemente de Alexandria reconheceu 2 Esdras como inteiramente canônico. Orígenes acrescentou Macabeus bem como a Epístola de Jeremias à lista de livros bíblicos canônicos.

REFUTAÇÃO:
Muitos dos grandes pais da igreja em seu começo, dos quais Melito (190), Orígenes (253), Eusébio de Cesaréia (339), Hilário de Poitiers (366), Atanásio (373 d.C), Cirilo de Jerusalém (386 d.C), Gregório Nazianzeno (390), Rufino (410), Jerônimo (420), depuseram contra os apócrifos. Nenhuns dos primeiros pais de envergadura da igreja primitiva, anteriores a Agostinho, aceitaram todos os livros apócrifos canonizados em Trento. Então será mais correto dizer que alguns dos escritores cristãos antigos pareciam fazer isto.

OBJEÇÃO CATÓLICA:

6. A influência de Agostinho. Agostinho (c. 354-430) elevou a tradição ocidental mais aberta, a respeito dos livros apócrifos, ao seu apogeu, ao atribuir-lhes categoria canônica. Ele influênciou os concílios da igreja, em Hipo (393 d.C.) e em Cartago (397 d.C.), que relacionaram os apócrifos como canônicos. A partir de então, a igreja ocidental passou a usar os apócrifos em seu culto público.

REFUTAÇÃO:
O testemunho de Agostinho não é definitivo, nem isento de equívocos. Primeiramente, Agostinho às vezes faz supor que os apócrifos apenas tinham uma deuterocanonicidade (Cidade de Deus,18,36) e não canonicidade absoluta. Além disso, os Concílios de Hipo e de Cartago foram pequenos concílios locais, influenciados por Agostinho e pela tradição da Septuaginta grega. Nenhum estudioso hebreu qualificado teve presente em nenhum desses dois concílios. O especialista hebreu mais qualificado da época, Jerônimo, argumentou fortemente contra Agostinho, ao rejeitar a canocidade dos apócrifos. Jerônimo chegou a recusar-se a traduzir os apócrifos para o latim, ou mesmo incluí-los em suas versões em latim vulgar (Vugata latina). Só depois da morte de Jerônimo e praticamente por cima de seu cadáver, é que os livros apócrifos foram incorporaos à Vulgata latina. Além disso quando um antagonista apelou para uma passagem de 2 Macabeus para encerrar um argumento, Agostinho respondeu que sua causa era deveras fraca se tivesse que recorrer a um livro que não era da mesma categoria daqueles que eram recebidos e aceitos pelos judeus.

Esta defesa ambígua dos Apócrifos, da parte de Agostinho, é mais do que contrabalançada pela posição contrária adotada por Atanásio (que morreu em 365), tão reverenciado e altamente estimado tanto pelo Oriente como pelo Ocidente como sendo o campeão da ortodoxia trinitária. Na sua Trigésima Nona Carta, parágrafo 4, escreveu: “Há, pois, do Antigo Testamento vinte e dois livros”, e então relaciona os livros que são aqueles que se acham no TM (Texto Massorético), aproximadamente na mesma ordem na qual aparecem na Bíblia Protestante. Nos parágrafos 6 e 7 declara que os livros extrabíblico (Lê., os quatorze dos Apócrifos) não são incluídos no Cânone, mas meramente são “indicados para serem lidos”. Apesar disto, a Igreja Oriental mais tarde demonstrou uma tendência de concordar com a Igreja Ocidental em aceitar os Apócrifos (o segundo Concílio Trulano em Constantinopla, em 692). Mesmo assim, havia muitas pessoas que tinham suas reservas quanto a alguns dos quatorze, e finalmente, em Jerusalém, em 1672, a Igreja Grega reduziu o número de Apócrifos canônicos a quatro; Sabedoria, Eclesiástico, Tobias e Judite.OBJEÇÃO CATÓLICA:

7. O Concílio de Trento. Em 1546, o concilio católico romano do pós-Reforma, realizado em Trento, proclamou os livros apócrifos como canônicos, declarando o seguinte:

O sínodo [...] recebe e venera [...] todos os livros, tanto do Antigo Testamento como do Novo [incluindo-se os apócrifos] – entendendo que um único Deus é o Autor de ambos os testamentos [...] como se houvessem sido ditados pela boca do próprio Cristo, ou pelo Espírito Santo [...] se alguém não receber tais livros como sagrados e canônicos, em todas as suas partes, da forma em que têm sido usados e lidos na Igreja Católica [...] seja anátema.

Desde esse concílio de Trento, os livros apócrifos foram considerados canônicos, detentores de autoridade espiritual para a Igreja Católica Romana.

REFUTAÇÃO:
A ação do Concílio de Trento foi ao mesmo tempo polêmica e prejudicial. Em debates com Lutero, os católicos romanos haviam citado Macabeus, em apoio à oração pelos modos (v. 2Macabeus 12.45,46). Lutero e os protestantes que o seguiam desafiaram a canonicidade desse livro, citando o Novo Testamento, os primeiros pais da igreja e os mestres judeus, em apoio. O Concílio de Trento reagiu a Lutero canonizando os livros apócrifos. A ação do Concílio não foi apenas patentemente polêmica, foi também prejudicial, visto que nem os catorze livros apócrifos foram aceitos pelo Concílio. Primeiro e Segundo Esdras (3 e 4 Esdras dos católicos romanos; a versão católica de Douai denomina 1 e 2Esdras, respectivamente, os livros canônicos de Esdras e Neemias) e a Oração de Manassés foram rejeitados. A rejeição de 2Esdras é particularmente suspeita, porque contém um versículo muito forte contra a oração pelos mortos (2Esdras 7.105). Aliás, algum escriba medieval havia cortado essa seção dos manuscritos latinos de 2Esdras, sendo conhecida pelos manuscritos árabes, até ser reencontrada outra vez em latim por Robert L. Bentley, em 1874, numa biblioteca de Amiens, na França.

CATÓLICOS CONTRA OS APÓCRIFOS?

Essa decisão, em Trento, não refletiu uma anuência universal, indisputável, dentro da Igreja Católica. Os católicos não foram unânimes quanto a inspiração divina nesses livros. Lorraine Boetner (in Catolicismo Romano) cita o seguinte: “O papa Gregório, o grande, declarou que primeiro Macabeus, um livro apócrifo, não é canônico. Nessa exata época (da Reforma) o cardeal Cajetan, que se opusera a Lutero em Augsburgo, em 1518, publicou Comentário sobre todos os livros históricos fidedignos do Antigo Testamento, em 1532, omitindo os apócrifos. Antes ainda desse fato, o cardeal Ximenes havia feito distinção entre os apócrifos e o cânon do Antigo Testamento, em sua obra Poliglota com plutense (1514-1517), que por sinal foi aprovada pelo papa Leão X. Será que estes papas se enganaram? Se eles estavam certos, a decisão do Concílio de Trento estava errada. Se eles estavam errados, onde fica a infalibilidade do papa como mestre da doutrina?. Tendo em mente essa concepção, os protestantes em geral rejeitaram a decisão do Concílio de Trento, que não tivera base sólida.

OBJEÇÃO CATÓLICA:

8. Uso não-católico. As Bíblias protestantes desde a Reforma com freqüência continham os livros apócrifos. Na verdade, nas igrejas anglicanas os apócrifos são lidos regularmente nos cultos públicos, ao lado dos livros do Antigo e do Novo Testamento. Os apócrifos são também usados pelas igrejas de tradição ortodoxa oriental.

REFUTAÇÃO:
O uso dos livros apócrifos entre igrejas ortodoxas, anglicanas e protestantes foi desigual e diferenciado. Algumas os usam no culto público. Muitas Bíblias contém traduções dos livros apócrifos, ainda que colocados numa seção à parte, em geral entre o Antigo e o Novo Testamento. Ainda que não-católicos façam uso dos livros apócrifos, nunca lhes deram a mesma autoridade canônica do resto da Bíblia. Os não-católicos usam os apócrifos em seus devocionais, mais do que na afirmação doutrinária.

OBJEÇÃO CATÓLICA:

9. A comunidade do Mar Morto. Os livros apócrifos foram encontrados entre os rolos da comunidade do Mar Morto, em Qumran. Alguns haviam sido escritos em hebraico, o que seria indício de terem sido usados por judeus palestinos antes da época de Jesus.

REFUTAÇÃO:
Muitos livros não-canônicos foram descobertos em Qumran, dentre os quais comentários e manuais. Era uma biblioteca que continha numerosos livros não tidos como inspirados pela comunidade. Visto que na biblioteca de Qumran não se descobriram comentários nem citações autorizadas sobre os livros apócrifos, não existem evidências de que eram tidos como inspirados. Podemos presumir, portanto, que aquela comunidade cristã não considerava os apócrifos como canônicos. Ainda que se encontrassem evidências em contrário, o fato de esse grupo ser uma seita que se separa do judaísmo oficial mostraria ser natural que não fosse ortodoxo em todas as suas crenças. Tanto quanto podemos distinguir, contudo, esse grupo era ortodoxo à canonicidade do Antigo Testamento. Em outras palavras, não aceitavam a canonicidade dos livros apócrifos.Resumo e conclusão

Resumindo todos esses argumentos, essa postura afirma que o amplo emprego dos livros apócrifos por parte dos cristãos, desde os tempos mais primitivos, é evidência de sua aceitação pelo povo de Deus. Essa longa tradição culminou no reconhecimento oficial desses livros, no Concílio de Trento, como se tivessem sido inspirados por Deus. Mesmo não-católicos, até o presente momento, conferem aos livros apócrifos uma categoria de paracanônicos, o que se deduz do lugar que lhes dão em suas Bíblias e em suas igrejas.

O cânon do Antigo Testamento até a época de Neemias compreendia 22 (ou 24) livros em hebraico, que, nas Bíblias dos cristãos, seriam 39, como já se verificara por volta do século IV a.C. As objeções de menor monta a partir dessa época não mudaram o conteúdo do cânon. Foram os livros chamados apócrifos, escritos depois dessa época, que obtiveram grande circulação entre os cristãos, por causa da influência da tradução grega de Alexandria. Visto que alguns dos primeiros pais da igreja, de modo especial no Ocidente, mencionaram esses livros em seus escritos, a igreja (em grande parte por influência de Agostinho) deu-lhes uso mais amplo e eclesiástico. No entanto, até a época da Reforma esses livros não eram considerados canônicos. A canonização que receberam no Concílio de Trento não recebeu o apoio da história. A decisão desse Concílio foi polêmica e eivada de preconceito, como já o demonstramos.

Que os livros apócrifos, seja qual for o valor devocional ou eclesiástico que tiverem, não são canônicos, comprova-se pelos seguintes fatos:

1. A comunidade judaica jamais os aceitou como canônicos.

2. Não foram aceitos por Jesus, nem pelos autores do Novo Testamento.

3. A maior parte dos primeiros grandes pais da igreja rejeitou sua canonicidade.

4. Nenhum concilio da igreja os considerou canônicos senão no final do século IV.

5. Jerônimo, o grande especialista bíblico e tradutor da Vulgata, rejeitou fortemente os livros apócrifos.

6. Muitos estudiosos católicos romanos, ainda ao longo da Reforma, Rejeitaram os livros apócrifos.

7. Nenhuma igreja ortodoxa grega, anglicana ou protestante, até a presente data,
reconheceu os apócrifos como inspirados e canônicos, no sentido integral dessas palavras.

À vista desses fatos importantíssimos, torna-se absolutamente necessário que os cristãos de hoje jamais usem os livros apócrifos como se foram Palavra de Deus, nem os citem em apoio autorizado a qualquer doutrina cristã. Com efeito, quando examinados segundo os critérios elevados de canonicidade, estabelecidos, verificamos que aos livros apócrifos falta o seguinte:

1. Os apócrifos não reivindicam ser proféticos.

2. Não detém a autoridade de Deus. O prólogo do livro apócrifo Eclesiástico (180 a.C.)
diz:

“Muitos e excelentes ensinamentos nos foram transmitidos pela Lei, pelos profetas, e por outros escritores que vieram depois deles, o que torna Israel digno de louvor por sua doutrina e sua sabedoria, visto não somente os autores destes discursos tiveram de ser instruídos, também os próprios estrangeiros se podem tomar (por meio deles) muito hábeis tanto para falar como para escrever. Por isso, Jesus, meu avô, depois de se ter aplicado com grande cuidado à leitura da Lei, dos profetas e dos outros livros que nossos pais nos legaram, quis também escrever alguma coisa acerca da doutrina e sabedoria…Eu vos exorto, pois a ver com benevolência, e a empreender esta leitura com uma atenção particular e a perdoar-nos, se algumas vezes parecer que, ao reproduzir este retrato da soberania, somos incapazes de dar o sentido (claro) das expressões.” Este prólogo é um auto-reconhecimento da falibilidade humana.

3. Contêm erros históricos (v. Tobias 1.3-5 e 14.11) e graves heresias, como a oração pelos mortos (2Macabeus 12.45,46; 4).

4. Embora seu conteúdo tenha algum valor para a edificação nos momentos devocionais, na maior parte se trata de texto repetitivo; são textos que já se encontram nos livros canônicos.

5. Há evidente ausência de profecia, o que não ocorre nos livros canônicos.

6. Os apócrifos nada acrescentam ao nosso conhecimento das verdades messiânicas.

7. O povo de Deus, a quem os apócrifos teriam sido originalmente apresentados, recusou-os terminantemente.

A comunidade judaica nunca mudou de opinião a respeito dos livros apócrifos. Alguns cristãos têm sido menos rígidos e categóricos; mas, seja qual for o valor que se lhes atribui, fica evidente que a igreja como um todo nunca aceitou os livros apócrifos como Escrituras Sagradas.

O TESTEMUNHO DOS PAIS DA IGREJA CONTRA OS APÓCRIFOS

É verdade que a igreja Católica aprovou os decretos e “declararam como matéria de fé” a autoridade dos padres e da tradição apostólica em seu favor, porém tal declaração não era verdadeira. Não tinha e nem tem o menor apoio na evidência dos fatos.

Paulo diz-nos que “aos judeus foram confiados os oráculos de Deus” e isto mesmo ele escreveu aos Romanos (Romanos 3.2), como se fosse um aviso profético. Os cristãos primitivos professavam ter recebido dos judeus o código ou cânon do Antigo Testamento.

Nem Cristo nem nenhum dos escritores inspirados do Novo Testamento jamais citou os livros apócrifos; nem sequer a eles se referiram.

Temos diferentes escritores cristãos que nos deixaram listas do cânon sagrado das Escrituras, segundo as respectivas épocas em que viveram. Logo citaremos alguns dos pais mais importantes da Primitiva Igreja Cristã e outros teólogos (todos pertencentes à Igreja de Roma), em cada século sucessivo, os quais não admitiram os “livros apócrifos”, dando-nos desta forma a medida da crença da Igreja em tal assunto nos diferentes séculos. Fácil será a qualquer um cotejar as citações que apresentamos no fim do presente capítulo.

A moderna Igreja de Roma, por conta do celebríssimo Concílio de Trento, (ano 1546), excomungou todos aqueles que rejeitassem os livros dos Macabeus, Eclesiástico, Tobias, Judite, Baruque, Sabedoria e que não os considerassem como fazendo parte do cânon inspirado das Escrituras (1).

Os Pais da Igreja que rejeitaram os apócrifos

Os livros apócrifos foram banidos do cânon sagrado, quer explicitamente, quer de uma maneira indireta, ao darem uma lista que os excluía, por (2):

Militão, bispo de Sardis, no segundo século.

Orígenes, no terceiro século.

No quarto século, baniram-nos igualmente os “santos” Atanásio, Hilário, Cirilo de Jerusalém, Cipriano, Gregório Nazianzeno e Eusébio, bispo de Cesaréia, Anfilóquio e os bispos reunidos no Concilio de Laodicéia (3), o qual foi confirmado por um decreto do Concilio Geral em Trulo (Can.2), e que, portanto, é obrigatório para a Igreja de Roma (4).

No quinto século: São Jerônimo e Epifánio.

No sexto: Junílio, bispo africano, e alguns mencionam também Isidoro, bispo de Sevilha.

No sétimo: Temos nada menos que a autoridade do próprio Papa Gregório, o Grande. A mesma edição Vaticana (5) das obras de Gregório prova que ele não admitia os livros “apócrifos”.

No oitavo: João Damasceno, fundador da teologia escolástica entre os gregos, e Alcuíno, abade de São Martinho de Tours, na França.

No nono: Nicéforo, patriarca de Constantinopla, e a “Glosa Ordinária”, começada por Alcuíno, ou por Estrebão, e concluída por vários escritores.

No décimo: O monge Flaviacense e Élfrio, abade de Malmesbury.

No décimo primeiro: Pedro, abade de Clugni.

O décimo segundo: Hugo de São Vítor, Ricardo de São Vítor, Roberto, abade de Duits e autor da “Glosa” sobre Graciano e da versão inglesa da Bíblia que existe na biblioteca da Universidade de Oxford.

No décimo terceiro: O cardeal Hugo e São Boaventura.

No décimo quarto: Ricardo Fitz Ralph, arcebispo de Armagh e primaz da Irlanda, Nicolau Lira e Viclef

No décimo quinto: Tomás Valdense e Dionísio Cartusiano.

No décimo sexto: Temos o famoso cardeal Caetano. Este ilustre prelado da Igreja Romana escreveu um comentário sobre os livros históricos do Antigo Testamento, oferecido ao Papa Clemente VIII. Este livro foi publicado só doze anos antes de reunido o Concílio de Trento. Na dedicatória, o cardeal faz sua a regra de São Jerônimo, relativa à clara distinção que este faz entre os livros canônicos propriamente ditos e os “apócrifos”. Eis as suas palavras:

“Bem-aventurado padre: A Igreja Latina Universal deve muitíssimo a São Jerônimo, não só por causa de suas notas sobre as Escrituras, como também porque fazia distinção entre os livros canônicos e os não canônicos, por cujo motivo nos pôs a salvo da acusação dos judeus que, de outra maneira, poderiam dizer que nós havíamos forjado livros ou parte de livros pertencentes ao antigo cânon, os quais eles nunca haviam recebido” (6).

Jerônimo (ano 418) claramente aderiu à lista dos livros que formavam o cânon judaico e expressamente rejeitou os livros “apócrifos” (7), e o mesmo fez o cardeal Belarmino (8).

E este prelado, um dos controversistas mais ilustres que a Igreja tem produzido, o que diz a estas autoridades?

Os fatos são demasiadamente notórios para poderem ser negados e, por isso, Belarmino aceita-os. Mas por modo indigno e torpe; “confessa e ilude a dificuldade”, como dizem os advogados. Não foi pecado, diz ele, nem heresia, Santo Agostinho, São Jerônimo e São Gregório rejeitarem estes livros, é por isso mesmo que nenhum Concílio Geral até aos dias em que viveram havia definido alguma coisa a este respeito (9). É provável que esta seja a razão mais concludente que se possa aduzir, porém não serve e nem pode servir de apoio à doutrina de Trento.

Temos citado em cada século, por sua ordem, alguns dos principais escritores, todos os quais (à exceção de Wicliffe) são reconhecidos pela Igreja de Roma como membros da sua comunhão que rejeitaram os livros apócrifos.Tiramos, portanto, as seguintes conclusões:

1º) Que até abril de 1546 os “livros apócrifos” não faziam parte do cânon da Escritura admitido pela Igreja Romana;

2º) Que fizeram parte do cânon só daquela data em diante;

3º) Que o Concílio de Trento inventou este novo código e que os romanistas, quando sustentam e afirmam que os “livros apócrifos” fazem parte do cânon sagrado da Escritura, apresentam um sistema novo e ensinam uma doutrina nova.

Os nossos leitores podem agora perguntar e, com razão: Teriam os padres de Trento alguma autoridade em que apoiassem o seu decreto?

Agora, resta-nos examinar as razões alegadas, visto este assunto ser altamente importante.

Referências às edições dos pais da Igreja mencionadas neste capítulo:

Militão – Ano 177. rejeita todos os livros apócrifos. Epis. Ad Omnes, apud Euseb., Ecles. IV, Cap. 26; Cantab. 1700; l3elarm, de Verbo Dei. Lih. 1, cap. XX, pg. 38, sec. 13, Praga, 1721.

Orígenes – Ano 200, rejeita, igualmente, os livros apócrifos. Expos. Primi. Psalrn. Ap. Euseb. 1-list. Eccles, lib. VI, cap. XXV, Edit. Reading., (iantab., 1 720.

Cipriano – Ano 250, ou Rufino, rejeita também os livros apócrifos. Bell de Verb. Dei., lib. Cap. XX, pg. 38, tom. 1, Praga, 1721.

Atanásio – Ano 340, rejeita os mesmos, à exceção de Baruque. Epist. In Alex. Aristeni, Epp. Sinopsi, Pandectas de Beveridge, II, Oxford, 1672. Atanas., Op. ln Sinops., tom. II, pg. 39, Paris, 1627.

Hilário – Ano 350, rejeita pela mesma forma todos os livros. Protege. In lib. Psalmo. Sect. 15, pg. 145, Wirceburg, 1785. Belarm. lib. 2, cap. 1, sect. 15, tom. II, Praga, 1721.
Cirilo de Jerusalém – Ano 370, nomeia apenas 22 e rejeita os livros apócrifos, porém, supõe-se que no número deles conta Baruque e as Epístolas de Jeremias. Catech. IV, sect. 20, Oxon., 1703.

Gregório Nazianzeno – Ano 370, rejeita todos os livros apócrifos. Ex ejus poematibus, pg. 194, tom. II, Paris, 1630.

Eusébio – Ano 315, rejeita também os mesmos livros. 1Iist. Eccles., Lib. IV, cap. 26, lib. VI, cap. 25, Cantab., 1700.

Concílio de Laodicéia – Ano 367, Can. LX, Labb. et Coss., tom. 1, coluna 1507, rejeita igualmente os livros apócrifos, Paris, 1671.

Anfilóquio – Ano 370, rejeita-os todos. Ex Jambis ad Selencum, Pandect. de Beveridge II, pg. 179, Oxford, 1672.

Epifânio – Ano 390, exclui-os todos. De Mens. et Ponder., tom. 11, pg. 161,Colon., 1682.
Jerônimo – Ano 392, igualmente os rejeita. Symbolum Ruffini,tom. IV,pg. 143; Proef in Prov. Salom., tom. 111,8. Proef inieremiam;ibid 9 in Daniel, in lib. Regum Basil 1525. Betl. de Verbo Dei, lib. 1,cap. 10, sct. XX, pg. 20, tom. 1, Praga, 1721.

Concílio de Calcedônia – Ano 451, confirma os cânones do Concílio de Laodicéia; Art. 15, de can. 1, Labb. Conc. IV, Paris, 1671.

Agostinho – Ano 420, exclui do sagrado cânon todos os livros apócrifos. De Mirah. Sac. Scrip., lib. 2. cap. 34;De Civit. Dei. tib. 18, cap. 36. Paris, 1686.

Junílio – Ano 545, exclui Judite, Sabedoria Macabeus. de Part. Divinae Leges, lib. 1. cap. 3, Veneza. 1765.

Gregório 1- Ano 601, aceita a lista de Jerônimo. Greg. Mor., lib. 19 sobre o cap. 39 de Tob., Edit. Bened., 1705.

Damasceno – Ano 787, rejeita todos os livros apócrifos. Orth. Fid., lib. IV, cap. 18, pg. 153, Basil., 1 539~ Cano Lug. Theol., lib. 2. cap. X, Col., 1605.

Alcumo – Ano 800, exclui igualmente os mesmos livros. Niceph. Patr. C. P. Canon. Script. in Qperibus Pithei, citado por H. Lynd, Via Deviasec, 5. pg. 159, Edit., 1850, Londres.

NOTA: Quanto às referências que aqui deixamos com data mais recente e que servem apenas para manifestar uma série não interrompida de valiosos testemunhos, o leitor pode recorrer à Via Devia de Lynd, sect. 5, Londres, 1850, e Port. Evidenc. de Birkbeck, Londres, 1849.

(1) Concil. Trid., Sex. IV.

(2) Alguns dos autores (poucos) que aqui se citam insereni na sua lista a Raruque, porém estas exceções se encontrarão na lista das edições que vai no fim do capítulo.

(3) Será conveniente notar-se aqui que, pelo que respeita ao Concílio de Laodicéia, os livros de Baruque, as Lamentações e as Epístolas estão inseridos em alguns exemplares (Labb. Et Cos., tom. 1. pg. 1507-8. Paris, 1671). Encontram-se na versão dc Gentiano Flervet, porém não fazem menção deles os exemplares latinos de data anterior. Nem Aristeno, nem Carranza os têm em suas obras.

(4) O terceiro Concílio de Cartago (ano 397, Can. 47) admite alguns dos livros, porém omite Baruque e os dois livros dos Macabeus, isto é, nenhum exemplar os admite, embora Dionisio Exíguo faça deles menção em sua coleção (Labb. EtCoss. Com., tom. II, Col.. 1177, Paris, 1671).

(5) Roma, 1608, Ex. Tipog. Vatican.. tom. III, pg. 899.

(6) Caetano Lpis. Dedic. Ad. P. Clem. VII ante Com. In lib. llist. V.T., Paris, 1546.

(7) Hier. Epis. Ad Paulinum, Opera. Edt. Bem.. 1693, tom. IV. Col. 571-4, e Praefat. ln Libros Salom., tom. 1. pg. 938, 939.

(8) De Verbo Dei lib. 1, c. X, sec. XX, tom. 1. pg. 20. Edmt. l~raga, 1721.

(9) DeVerboDei,lib.l,c.X,SCc.Vlll.pg. 18.

Alterando a palavra

O VATICANO EM SEUS CONCÍLIOS ALTERA AS DOUTRINAS CRISTÃS 
Os papas sempre desejaram uma linha de sucessão com S. Pedro, interpretando que Cristo edificou Sua Igreja sobre esse apóstolo. Para isso, embaralharam as palavras gregas ‘Petra e Petros” (ver Mat. 16:18), fizeram uma péssima exegese e trapacearam na interpretação confundindo a Cristandade. “Petros” quer dizer fragmento de pedra e “Petra” significa rocha (que no texto e no contexto é Cristo. Jesus disse a Pedro: “Sobre ESTA “Petra” edificarei Minha Igreja” e não disse. Sobre ESSA pedra, “petros”. Nenhum autor grego jamais empregou a palavra “petra” no sentido de “petros”. (H. Liddel, Grek English Lexicon, in loco). Cristo edificou Sua Igreja sobre Si mesmo e não sobre Pedro.

EMBAIXO AS PRINCIPAIS ALTERAÇÕES NAS DOUTRINAS CRISTÃS

1950 – “Decretaram” a Assunção de Maria.

1870 – Infalibilidade do papa.

1854 – Dogma da Imaculada Conceição.

1546 – acrescentaram livros apócrifos nas Sagradas Escrituras.

1229 – proibiram a leitura da Bíblia.

1215 – instituída a Transubstanciação.

1216 – iniciaram a “confissão auricular” (confissão de pecados aos padres).

1200 – instituíram a hóstia ao invés da Ceia do Senhor que Cristo deixou.

1190 – venda de indulgências, (perdão de pecados pôr dinheiro).

1184 – instituída a Inquisição. A Igreja faz milhares de vítimas.

1074 – “decretam” o celibato sacerdotal.

933 – instituem a “Canonização de santos”.

830 – começam usar “água benta e ramos bentos”.

783 – instituem o culto às imagens.

503 – “decretam” o Purgatório.

431 – instituído o Culto a Maria.

416 – iniciam pela primeira vez o Batismo infantil.

394 – substituem o Culto Cristão pôr missas.

325 – Imperador Constantino, a pedido de Eusébio de Nicomédia (um ariano), celebra o primeiro Concilio. (classificamos esse evento de gênesis do que viria a ser o Catolicismo)

320 – começam a usar velas nas Igrejas.

310 – instituído a “reza pêlos mortos”.

O Estado do Vaticano para ser honesto, deveria selecionar os Santos que exibe nos Calendários, não mencionando como católicos os que viveram antes das alterações das doutrinas. São Genaro, pôr exemplo, tão festejado, viveu no 3.o Século e não podia supor que os papas iriam decretar as vendas de indulgências, a Transubstanciação, o Celibato, a inquisição e os dogmas de Maria. Se ele e centenas de outros, do Calendário estivessem entre nós, fariam opção pôr outras Igrejas Cristas, pois viveram a fé genuína tendo como regra os mesmos textos bíblicos que elas praticam.

Fica claro que a Igreja Católica não é legítima, pois os Santos, os “pais da Igreja” e os apóstolos jamais cultuaram Maria e as imagens, não ensinaram transubstanciação, purgatório nem foram Celibatários.

A catequese e o 2º mandamento

Introdução

Católico a 19 anos, de família tradicionalmente católica, desde criança fui instruído no “Catecismo Católico”. Logo na infância, toda a criança é “obrigada” (nunca vi nenhuma criança que foi por livre e espontânea vontade) por seus pais a ingressar no estudo doutrinário, o qual o primeiro passo é a “Primeira Comunhão”. Assim aconteceu comigo. Após algum tempo aprendendo as doutrinas católicas sobre os mais diversos assuntos, tomei minha primeira “hóstia”, o corpo de Cristo transubstanciado, segundo a Teologia Romanista. Em seguida, fiz a “Perseverança”, próximo passo rumo à “Crisma” ou Confirmação, quando o candidato é selado com o Espírito Santo, celebração necessária como um complemento da Regeneração Batismal efetuada à criança. Até então, para mim, tudo normal. Hoje, aos 21 anos, um ano de verdadeira conversão ao Senhor Jesus Cristo, leitor assíduo da Palavra de Deus, vejo que Primeira Comunhão, Crisma, Batismo Infantil e muitas outras coisas mais carecem de bases bíblicas sólidas e não podem ser respondidas simplesmente pela “Tradição”, pois entram em conflito direto com os ensinamentos claros da Bíblia Sagrada.

Assim como eu, quando uma criança nasce, não escolhe ser católico, se torna por natureza, por hereditariedade, não por escolha pessoal e própria. Não é à toa que o Catolicismo mundial responde por número excedente aos um bilhão de adeptos… Assim é fácil! Grande parte dos católicos “cresce católico” e vai frequentemente à Igreja, sem ao menos concordar com as mais simples doutrinas bíblicas e muito menos com as decisões da Igreja católica. Duvida? Pare dez “católicos” na rua, pergunte a eles sobre questões como aborto, ou mais especificamente sobre a decisão do Vaticano sobre o uso de preservativos depois me diga o resultado… Falo isso porque convivo com isso diariamente. Assim se formam os “Católicos Universais”, a maior representação do Cristianismo (supostamente, pois na realidade…) na face da Terra. Desafio um católico sincero a me provar que, majoritariamente (existem exceções, é claro) estou errado.

O Segundo Mandamento

Senti a necessidade de escrever alguma coisa do gênero quando, logo depois de convertido, sentei-me a comparar o Livro1 o qual utilizei na minha “Crisma”, com a Bíblia Sagrada. Parei na página 35, sexto capítulo intitulado: Os Mandamentos: Nova Aliança. Encontrei o Seguinte texto transcrito:

“Os Dez Mandamentos da Igreja Católica apresentam os Mandamentos do Decálogo de Moisés em forma resumida:

Amar a Deus sobre todas as coisas
Não tomar Seu santo nome em vão
Guardar domingos e festas de guarda
Honrar pai e mãe
Não matar
Não pecar contra a castidade
Não furtar
Não levantar falso testemunho
Não desejar a mulher do próximo
Não cobiçar as coisas alheias.”

Abri então a Bíblia no Livro do Êxodo 20:1-17:

Então falou Deus todas estas palavras, dizendo:

2 Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.
3 Não terás outros deuses diante de mim.
4 Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.
5 Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.
6 e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos.
7 Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão.
8 Lembra-te do dia do sábado, para o santificar.
9 Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho;
10 mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas.
11 Porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia do sábado, e o santificou.
12 Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.
13 Não matarás.
14 Não adulterarás.
15 Não furtarás.
16 Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.
17 Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.

Para minha surpresa, os mandamentos da Catequese Católica não eram os mesmos da Bíblia Sagrada. Não contente com a pesquisa, julgando eu que o livro fosse “ultrapassado” (embora essa minha primeira impressão fosse completamente descabida, uma vez que as doutrinas bíblicas não mudam), supondo que a igreja tinha corrigido o erro, pesquisei na Internet e encontrei alguns sites (2) oficiais de Catecismo Católico com a mesma descrição doutrinária. Conclui então que havia uma séria discrepância. Abri então minha Bíblia Católica (3), que comprei recentemente com o objetivo de ler os livros apócrifos, e li o devido trecho da Escritura que era exatamente igual a minha Bíblia. E mais: ao lado de cada mandamento, o seu respectivo número assinalado em algarismos romanos, inclusive o segundo mandamento!!! Pergunto eu: se os teólogos romanos insistem em dizer que “… a questão já foi exaustivamente justificada ao longo dos séculos pela igreja…”, (4) porque então não reproduzem corretamente a porção do texto bíblico referente? Porque adulteram e contradizem a própria Bíblia Católica, incultando na mente dos jovens adolescentes, mandamentos que não correspondem a Palavra de Deus (uma vez que o segundo mandamento é excluído e o décimo repartido em dois)? Imagens…

Questão já amplamente discutida nos campos teológicos, não me colocarei aqui a repetir argumentos redundantes e já demonstrados de diversas formas. Desejo apenas contra – argumentar as afirmações contidas na matéria “As Imagens Permitidas” do site citado anteriormente (5), bem como algumas outras afirmações de alguns sites de apologética católica que não correspondem a verdade. Depois de colocar lado a lado versículos como Êxodo 20:4, Êxodo 25:18 e Números 21:8-9, o autor afirma que a proibição das imagens não foi feita de forma absoluta e aponta para a ordem do próprio Deus quanto aos querubins da arca e da serpente de bronze. É do conhecimento do leitor, bem como do próprio autor da matéria, que a serpente, assim como a arca da aliança forma “tipos”. Na Nova Aliança os tipos foram cumpridos e revelados (João 3:14, Hebreus 9) pelos seus antítipos correspondentes. Sendo as citações das imagens feitas, tipos apontando para uma revelação espiritual profundamente mais elevada, o argumento católico de “permissão” divina para confecção de imagens pode se conservar? É claro que não! Qualquer católico sincero sabe que a confecção da serpente de bronze foi um fato único, não há outro caso semelhante no Velho Testamento. E, como tudo na Bíblia, tinha um propósito, cumprido na crucificação de Cristo. Se pudéssemos utilizar tipos do Antigo Testamento para fundamentar doutrinas ou mesmo práticas da Igreja Cristã, será que poderíamos então tornar sagrado um simples pedaço de pão (não estou falando da hóstia, estou falando de um pão francês comum), como foi o maná para os israelitas guardado dentro da arca da aliança? Ou será que poderíamos pegar uma vara de árvore qualquer e santificá-la como a vara de Arão (Hebreus 9:4)? Todas essas considerações e muitas outras mais estão no mesmo contexto de Hebreus 9:1-7. Afinal de contas, tanto o pão, como a serpente no deserto apontam para Cristo, certo? O pão simboliza Cristo, nosso pão vivo descido do céu, o único capaz de saciar a fome espiritual do homem (não transubstanciado numa hóstia, mas vivo no coração de cada cristão genuíno e no governo de tudo o que acontece no Universo) -João 6:35-; a serpente simboliza Cristo, levantado numa cruz para a salvação dos homens -João 3:14-. Será que poderíamos pegar um fato isolado da história vetero-testamentária para justificar as práticas da atual Igreja Cristã? Ainda mais os tipos, que, uma vez revelados foram abolidos por serem “sombras” (Hebreus 8:5; Hebreus 10:1) do que agora vivemos?

Muitos dos fatos decorridos durante a história do povo de Israel (aliás, todo o Velho Testamento) teve essa finalidade, ou seja, apontar para o Cristo de Deus que viria ao mundo. De uma forma ou de outra, esses acontecimentos que o próprio Deus ordenou não são “permissões” para a confecção de imagens, mas fatos em que uma escultura seria simplesmente utilizada para tipificar o Santo de Israel e seus ofícios neo-testamentários, embora o povo não entendesse. Porque então,sendo a permissão não absoluta, não pôde ser desfrutada pelo povo de Deus pelos seus mais de dois milênios de história? Porque não confeccionaram eles uma “…iconografia que transcrevesse pela imagem a mensagem que a Sagrada Escritura transmite pela Palavra…” (6). Certamente um católico consciente dirá que o povo de Israel estava cercado de nações pagãs e isso seria um convite à idolatria. Mas não vivemos nós, não no meio de nações, mas num mundo globalizado onde o paganismo impera em todos os meios de comunicação e sob todos os tipos de influência? Não está o Ocidente cada vez mais orientalizado com suas práticas de yoga, suas meditações transcedentais entre muitos outros fatores, como a maior divulgação do carma reencarnacionista de Alan Kardec em todo o horário nobre da televisão brasileira? O próprio autor da matéria admite que no Catolicismo Popular existem “exageros de devoção” (7) às devidas imagens. Porque então fazer uso delas? Qualquer católico sincero terá que admitir que um desses exageros poderá ser visto nas declarações de qualquer um dos romeiros do Círio de Nazaré, ou de uma procissão do Pe. Cícero no Nordeste brasileiro. Se o que acontece com aqueles pobre católicos, “mal informados”, segundo os católicos “conscientes”, não puder ser chamado de idolatria, não sei mais qual será a definição para a palavra…

Prosseguindo no raciocínio, o autor afirma que, quando o povo começou a “idolatrar” a serpente de bronze, ela foi destruída, conforme II Reis 18:4, onde os israelitas queimavam incenso à ela. Será mera coincidência não poder ver no fato, um grave semelhança com a Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt, quadro de Maria com Jesus no colo que percorre as casas das cidades tradicionalmente católicas sendo rezado um terço na frente dela e colocado uma vela para queimar diante da figura? Ou mesmo numa simples missa, onde as imagens estão dispostas e, constantemente são queimadas velas e velas diante delas? Não me diga que estou enganado, pois, por dezenove anos fui católico, participei dos terços da Mãe Peregrina e fui às missas todos os domingos.Também não estou tentando ser implicante, apenas comparando fatos…

Logo em seguida, o argumento Católico para prostra-se diante das imagens é, a meu ver, o mais frágil. Relata o autor da matéria: “… não podemos acusar o patriarca Abraão de idólatra quando tendo levantado os olhos, apareceram-lhe três homens que estavam em pé junto dele; logo que os viu, correu da porta da tenda ao seu encontro, e prostrou-se por terra… (Gênesis 18:2)” (8). Não é preciso ter um conhecimento muito profundo de teologia para saber que entre o povo hebreu havia “costumes” e “hábitos” característicos e distintivos deles. Impressiona-me o autor não ter notado esse fato. A hospitalidade hebraica era apuradíssima. Quando um viajante vinha à casa de uma pessoa, essa lhe oferecia da melhor comida, lavava o pé (ou pelo menos oferecia água e toalha) do visitante e fazia uma série de cortesias que hoje em dia não se vê mais, inclusive a segurança total do hospede acolhido na casa (Gênesis 19:8). Já no tempo do Novo Testamento esse comportamento era estranho ao povo judeu. Ajoelhar-se perante outro homem era asperamente repugnado por ser um ato que simbolizava sujeição de autoridade ou admitia que o indivíduo queria prestar honra “extra humanas” à pessoa perante a qual se prostrava. Não foi exatamente o que aconteceu com Pedro e Cornélio em Atos 10:25? Não é isso demonstrado pelos escritos dos Pais Apostólicos? Sinceramente, justificar um ato que uma igreja supostamente cristã pratica através de um ato de hospitalidade de 2000 anos atrás é a mesma coisa de afirmar que as pessoas devam hoje em dia, se cumprimentar com um beijo na barba, como faziam os antigos hebreus, pois ambos os fatos estão no mesmo contexto bíblico. Absurdo não é? Aliás, como pode ser ilustrado esse fato, ao achegar-se Abraão aos seus visitantes, prostrado em terra atribui ao visitante o título de “meu senhor”, embora não soubesse ser uma teofania diante de si.Qualquer pessoa que resolver pesquisar um escritor profano que trate do comportamento do povo neotestamentário, ou mesmo as cartas apostólicas dirigidas as Igrejas, verá logo que chamar uma pessoa de “senhor” era atribuir a ela um título de Deus (Kirios). Não foi exatamente o que aconteceu com Abraão? Pergunto eu: Abraão teve a intenção de chamar o hóspede de “meu Deus?” Absolutamente! Isso, bem como o ato de prostrar-se em terra, fazia parte do comportamento do povo hebreu e que agora, como já nos tempos da Nova Aliança é completamente repugnado pelos cristãos verdadeiros. Não temos um “senhor” muito menos uma “senhora” mas temos a Jesus Cristo como Senhor absoluto (Filipenses 2:11) das nossas vidas, completamente. Não nos prostramos diante a nada nem a ninguém, pois o único digno de que nós nos prostremos diante dele em oração é Deus e Deus não pode ser simbolizado, embora os católicos afirmem que “… as fontes disponíveis tornaram possíveis a representação de Deus Filho… ” (9). Você acredita em Papai Noel? Então acredite nessa afirmação, pois nem mesmo os manuscritos bíblicos primordiais puderam ser guardados até os dias de hoje e se você quer acreditar numa tradição que transmitiu, ainda que não seja de maneira fiel o rosto do Mestre, acredite então no recurso eletrônico que o Fantástico usou algum tempo atrás para reproduzir o rosto de Cristo, afinal, a probabilidade é semelhante, ou seja, improvável, senão impossível.

Não me colocarei aqui a discutir os termos Veneração, Devoção e Adoração, pois já foi amplamente divulgado que na prática, tudo isso resulta em um só fim: IDOLATRIA. Se estou mentindo, cabe ao Catolicismo dar uma catequese mais apurada aos nossos irmãos católicos nordestinos, principalmente, do que deve ser feito na Dulia, Hiperdulia e Latria. Caberia aqui ainda uma citação do próprio site CACP, onde um fato bem observado pode ilustrar a confusão dos termos (o que é relativo nada mais nada menos do que ao “santo padre”, o Papa):

37. Durante a festa dedicada a João Paulo II em outubro de 1997 no Maracanã, foi dedicado ao Pontífice uma canção que dizia; “Ave Maria, NOS SEUS ANDORES, rogai por nós pecadores”, interpretada por Fafá de Belém. Tal canção não seria digna de grave censura, já que sabemos que estátuas não rogam e nem Maria vive em andores, perguntaria se o que caracteriza a idolatria não é precisamente o fato de ver o símbolo como sendo o próprio simbolizado? (10).Acho que a questão foi esclarecida e os mais desavisados poderão pensar sobre os frágeis argumentos da Tradição Católica, revestida de Bíblia e ler na própria Palavra a Verdade, tirando suas próprias conclusões. Penso ser meio difícil um leitor sincero, após ler o Velho e Novo Testamento, justificar as práticas paganizadas da Igreja Católica com argumentos “bíblicos”.

Protestantes…

Com o atual sincretismo religioso que impera no Brasil, estamos sendo tachados de “perseguidores”, “os que odeiam os católicos”, ou em suma, “os anti-católicos (11)”. Não acho isso estranho, pois já fui católico e tive a mesma opinião. Quero, porém, dizer que nenhum protestante, evangélico, ou seja, Cristão Autêntico, odeia os católicos, espíritas, muçulmanos, judeus, umbandistas, satanistas, ateus, ou qualquer outra espécie de religioso que existe. O que fazemos simplesmente (digo isso porque faz apenas pouco mais de um ano que saí da Igreja Católica) consiste em que, uma vez tendo pura e simplesmente a Verdade da Palavra em nossos corações, muito mais do que em nossos intelectos, queremos de qualquer maneira, lutar para que pessoas não caiam nas mãos do inimigo através da própria religião, que o homem deturpou por influência do Maligno para sua própria perdição. Hoje em dia, a Inquisição Católica que matou milhares de inocentes ao pregar o Evangelho pela espada (o que pode ser chamado de anticristão), deu lugar à cortesia, a liberdade religiosa. É certo que, como dizem os católicos, temos a liberdade de ter a religião que nos agrada. Contudo, em se tratando de religião, não estamos falando de uma compra no supermercado, estamos falando de ETERNIDADE. Se somos sal e luz, se somos ministros do Evangelho, ficaremos então calados em nome da liberdade religiosa? Algum tempo atrás, assistindo televisão, um padre aconselhou uma pessoa ao telefone, que, segundo relato, estava sofrendo muita “pressão” dos evangélicos em sua casa: “aquele que vem com pressão não é de Deus e sim do inimigo, porque, se fosse de Deus, viria com amor”. Pergunto eu: acaso Paulo não amava a Igreja de Corinto ao escrever a Primeira Epístola tão asperamente repreendedor (I Coríntios 3:1)? Amava sim e isso é afirmado uma dezena de vezes na sua segunda carta (II Coríntios 2:4). A perseguição que outrora o Catolicismo empregou para ganhar o mundo, hoje em dia dá lugar ao exclusivismo: “não costumamos falar mal de ninguém” freqüentemente se ouve da boca dos padres… Nós não falamos mal. Falamos o que é bíblico, e o que é bíblico tem que ser falado doa a quem doer. Não se pode crer em fantasias humanas criadas como Assunção de Maria, Imaculada Conceição de Maria, Intercessão dos Santos, e muitas outras coisas que o Romanismo traz e dizer que mesmo assim se crê na Bíblia, embora as argumentações “bíblicas” para tais doutrinas são excessivamente frágeis e difíceis de ser compreendidas verdadeiramente. As palavras de Deus foram fechadas de modo definitivo e plenário no Livro do Apocalipse. À semelhança da “Tradição” farisaica, a Tradição Católica dá ênfase e cria “estórias” para ludibriar o povo e para a própria perdição revestindo tudo de interpretações absurdas da Palavra de Deus como as quais foram demonstradas acima. E os católicos que nascem e crescem católicos, a semelhança da cronologia demonstrada na Introdução desse trabalho, concordam com tudo por comodismo ou discordam por opiniões pessoais, sem ao menos saber o que diz a Palavra de Deus.Quanto às doutrinas “bíblicas” que o catolicismo criou, como por exemplo, a doutrina do purgatório, como disse o autor do site descrito em nota “… a própria Sagrada Escritura ensina que existem céu, inferno e purgatório e outros estados ou lugares intermediários . Por favor, deixo abaixo o meu e-mail para que me mostre onde, nos Livro Bíblicos (apócrifos não valem!) algum lugar menciona Purgatório ou os lugares intermediários. Só peço uma coisa: não me venha com uma interpretação grotesca como aquele feita no caso de Abraão!!!

O povo é enganado com semelhantes afirmações: “a Igreja Católica foi a Igreja que Jesus Cristo fundou em Mateus 16:18″, “a Igreja Católica é a única instituição humana que tem 2000 anos de existência” e muitas outras… Falo isso porque ouvia isso semanalmente e me gabava por fazer parte de tão grande privilégio. Como quase todo católico, comodista, não procurava saber se o que ouvia era verdade ou não. Era um néscio, um insensato. Católicos amados, não sejam como eu era, questionem, não acreditem nas coisas “porque o padre falou”. Insisto: se algum católico bem informado tiver algum documento dos Pais da Igreja que concorde com as doutrinas atuais da Igreja Católica e afirme que ela foi fundada no ano 50 ou mesmo no ano 100 d.C.. mande um e-mail a mim e ao CACP.

Conclusão:

Se a “questão já foi tão amplamente discutida e esclarecida” volto a perguntar: porque não reproduzir a porção do texto sagrado de Êxodo 20:1-17 da maneira como ele se encontra transcrito nas Bíblias Católicas? Porque ensinar os jovens desde cedo a “decorar” os mandamentos como eu decorei, sem ser os legítimos e genuínos mandamentos de Deus? Se não há um interesse por trás de tudo isso, há pelo menos um grande sofisma, um embuste utilizado para sustentar a base de uma teologia que não encontra apoio sólido na Bíblia nem na prática dos membros das Igrejas Neotestamentárias Primitiva (antes da “conversão” de Constantino ao Cristianismo).

Nós, os crentes em Cristo Jesus, que temos nossa Certeza de Salvação (João 10:27-30), que temos nossa fé firmada única e exclusivamente no Deus que fez os céus (Genesis 1:1) e a terra e no único mediador entre Deus e os homens (I Timóteo 2:5), oremos a Deus, para que nossos missionários nacionais, estaduais e regionais encontrem corações abertos e sedentos pela segurança que somente o verdadeiro crente em Cristo Jesus tem de um dia estar com Ele no Paraíso. Peçamos, intercedendo a Deus, que ele quebrante os corações para ouvir a Palavra de que as pessoas não resistam ao Espírito Santo de Deus que deseja que todos se salvem. Trabalhemos com afinco e dedicação e com amor infinito pelas almas que se embrenham pelos caminhos que o inimigo usa atualmente para atrair o maior número de pessoas: a falsa religião. Que nós possamos dizer, incessantemente, que só Jesus Cristo salva pelo seu sacrifício na cruz do calvário, por meio da fé depositada nessa obra (Atos 16:31; Efésios 2:8-9), contrariando a apostasia católica demonstrada em perguntas retóricas tais como: “…onde a Bíblia afirma que a salvação é atingida somente pela fé? (12) Leitor católico, não se irrite comigo. Leia a Bíblia e tire suas próprias conclusões… Aposto que lendo apenas o Novo Testamento, você se conscientizará que pelo menos essa “Doutrina do Purgatório”, além de extra-bíblica é anti-bíblica, pois em cada página da Nova Aliança se vê o sangue de Jesus como o único remédio sobremaneira eficaz para salvar a humanidade dos seus pecados. Se não se convencer, achando a leitura bíblica “complicada” como os padres querem fazê-la parecer, acesse os sites de apologética católica (mas tem que ser os bons) e compare os argumentos com uma leitura simples da Palavra de Deus e verá que as citações bíblicas feitas são de uma interpretação que você certamente não teria lendo a Bíblia atentamente, ou seja, são fantasiosas, pois somente dessa maneira pode-se sustentar doutrinas “colocadas” na Bíblia.Que nós possamos ter o apreço de Paulo numa obra missionária dentro de nosso país que, paulatinamente, está sendo ganho para o Jesus Cristo Bíblico, não sacramentado, suficiente para salvar cada um que a Ele se achegue pelo seu sacrifício vicário de cruz, para viver uma vida santa, livre das cadeias que o diabo imprime na vida das pessoas “católicas” como eu era, mas que não querem buscar a Deus e o seu reino sobre todas as coisas…

Deus tenha misericórdia do Brasil e avive os seus filhos para que sua palavra seja pregada com cada vez mais força e mais poder, e que o império das trevas que insiste em se vestir de Bíblia seja despido e morto pelo sangue do Cordeiro vertido na Cruz do Calvário, para a purificação de todo o que nele crê!

Adorar e venerar

Para sair debaixo da sentença de condenação divina imposta pela santa lei de Deus, a Igreja Católica serve-se de sutilezas teológicas a fim de ludibriar os fiéis. Dizem e vivem a repetir os fâmulos católicos que os protestantes não levam em consideração a diferença entre venerar e adorar, argumentam ainda que o culto de adoração é prestado somente a Deus, mas que prestam um culto de veneração às imagens, às relíquias aos santos e a Virgem Maria. Dizem: “O católico venera os santos, não as imagens, mas o que elas representam, assim como sentimos amor por uma pessoa querida ao ver a sua foto. Veja que neste exemplo não sentimos amor pela foto, mas pela pessoa que nela está representada.”

Vejamos então se este argumento tem alguma consistência, e se há realmente, como alardeiam os católicos, diferença entre ADORAR e VENERAR.

Importante esclarecer que este mesmo argumento tem sido o slogan dos pagãos através dos tempos. Quando são colocados sobre pressão saem com este jargão de que não adoram ou veneram a imagem propriamente dita mas a sua honra ou veneração alcança o que está por trás das imagens. Esse era o argumento dos antigos povos e em particular, os gregos. Agostinho ao comentar os Salmos declara que esse era o argumento do paganismo para se safarem da acusação de adoradores de imagens. Essa é ainda a desculpa dos budistas que se prostram diante das imagens de Buda, dos hindus que rogam a Ganesa o deus hindu da boa sorte e aos seus milhões de deuses, dos Jainistas quando adoram os gigantescos pés de 17 metros de Gomatesvara, dos taoistas e outros. Observe essa declaração nos ensinamentos de Midai- Sama da Igreja Messiânica (seita oriental) sobre sua imagem da luz divina.

Ele ensina que deve coloca-la nos lares, nas igrejas porque através dela os fiéis estariam buscando mais a luz de Deus e conseqüentemente sendo mais iluminados e estariam assim para sempre sobre sua poderosa influência. Mas para não acusa-los de idolatria advertem:

“NÃO PRESTAMOS CULTO À IMAGEM DA LUZ DIVINA, MAS A DEUS, ATRAVÉS DESSA IMAGEM. SUA LUZ ALI SE FOCALIZA E SE INTENSIFICA CADA VEZ QUE ORAMOS PERANTE ELA”

Compare agora com este argumento católico:

“De fato, “a honra prestada a uma imagem se dirige ao modelo original”, e “quem venera uma imagem venera a pessoa que nela está pintada”. A honra prestada às santas imagens é uma “veneração respeitosa”, e não uma adoração, que só compete a Deus:

O culto da religião não de dirige ás imagens em si como realidades, mas as considera em seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não termina nela, mas tende para realidade da qual é imagem.”

O caso é que ninguém em pleno século XXI, iria admitir que adora uma imagem. É repugnante à moderna mente tecnológica de nosso século. Acontece que entre a teoria e a prática, há no entanto, um grande abismo!

Será que os católicos teriam por inocentes todas essas religiões citadas acima, tendo em vista o fato de que todas elas prostram-se, rogam, beijam, constroem templos, fazem procissões às suas imagens? Será que a sutil colocação de que não adoram as imagens seria o suficiente para isentá-los da quebra do segundo mandamento?

Os teólogos romanistas se vêm embaraçados para recriminar essas práticas idólatras, pois eles mesmos estão afundados até o pescoço nelas. É por isso que as missões católicas têm pouco sucesso entre os povos islâmicos e judeus, mas entre as nações cuja religião possuem similaridades com o catolicismo principalmente quanto ao culto das imagens conseguem, lograr algum êxito.

Não, o argumento de que não adoram imagens não prevalece, pois se fosse assim teríamos que ser coniventes também com os pagãos!

O biblista católico Mackenzie, já citado, diz o seguinte:

“No Egito e em Babilônia a imagem era levada em procissão nos dias festivos. Em Babilônia era levada como hóspede aos templos de outros deuses, cujas festividades eram celebradas. Isso tudo, entretanto, não era idolatria no sentido rude do termo…” prossegue ainda,

“Os pagãos adoravam o deus cuja imagem era a contraparte terrestre, não adoravam a imagem em si. Visto, porém, que os hebreus negavam qualquer realidade por trás da imagem, o culto teria recaído sobre a própria imagem, pois nenhuma outra coisa teria podido recebê-lo.” Então frisa algo que todo católico deveria meditar, “Portanto, os pagãos eram verdadeiros adoradores de ídolos também se não sabiam de o ser.” (grifo nosso) (ibdem pág. 435/6)

Bastaria uma consulta em nosso dicionário vernacular para desmascararmos essa suposta diferença, pois venerar e adorar são sinônimos sendo que venerar é palavra latina e adorar é palavra grega tendo o mesmo significado. Sendo assim, o dicionário coloca acertadamente: Adorar = venerar. Mas os católicos fazem vistas grossas a este fato e saem pela tangente com o argumento de que “Adorar e venerar pelo dicionário da língua portuguesa , nos dias atuais, não têm qualquer diferença. Mas, não se esqueça que a nossa fé tem mais tempo do que a história de Portugal e Brasil. Na literatura católica, há distinção entre adorar ( latria) e venerar (dulia). Mas como eles mesmos admitem e qualquer católico poderá conferir, “adorar” é o mesmo que “venerar” e isto é uma pedra de tropeço para a teologia católica.

Lançaremos mão agora de mais provas que pela força que tem são por natureza irrefutáveis. Invocaremos aqui o depoimento de autoridades católicas e apresentaremos evidências incontestáveis em suas próprias literaturas para fundamentar nossa alegação.Começaremos pelas traduções das Bíblias católicas.

No episódio já citado de Ártemis ou Diana dos Efésios, Demétrio diz que todo o mundo adorava essa deusa como de fato reza o texto: “…aquela a quem toda a Ásia e o mundo adoram.”Atos 19:27 (versão das Bíblias protestantes)

Essa também é a tradução da Bíblia católica editora “Ave Maria”, que traduziu o verbo como adorar. Entretanto, outra Bíblia católica, a conceituadíssima “Bíblia de Jerusalém” verteu esse mesmo verbo, dessa mesma passagem por “VENERAR”.

Ora, perguntamos: A deusa Ártemis foi adorada ou venerada?

Os próprios eruditos católicos são forçados a admitir a sinonímia dos dois termos.

Pela Bíblia de Jerusalém os católicos não podem acusar mais os efésios de idólatras, mas se por ventura quiserem fazer isso, terão que usar a versão da Bíblia “Ave Maria”!

Onde neste texto está a “substancial” diferença entre venerar e adorar como alegam os católicos? Veja que este argumento é de uma pobreza franciscana!

Comentando sobre a passagem do capítulo 19 de Atos, o livro: “São Paulo e o Seu Tempo” edições Paulinas na página 77, trás o seguinte comentário:

“A deusa venerada em Éfeso era muito mais uma deusa oriental da fecundidade do que a deusa caçadora dos gregos…”(grifo nosso). Novamente aí o termo venerar é aplicado à Ártemis pelos estudiosos católicos.

A respeito do falso deus Baal diz Mackenzie que ele era “venerado de modos diversos ou sob títulos diversos nos diversos lugares” quando ele menciona a adoração dos israelitas a Iahweh diz que ele era “venerado com os ritos de Baal” Veja como ele usa o termo venerar para ambos não fazendo nenhuma distinção.(ibdem pág. 100)

Invocaremos aqui como testemunha um Cântico composto por Tomás de Aquino cognominado de “doutor da Igreja”, intitulado de “TANTUM ERGO”, sua letra é dirigida à hóstia e diz: “Tantum ergo sacramentum veneremur cercui…”, cuja tradução pelo clero na língua vernácula é: “A este tão grande sacramento adoremos humildemente…”(grifo nosso) (A Mãe Das Prostituições pág. 59)

É Tão gritante as evidências, que no missal romano está escrito com letras garrafais: “ADORAÇÃO DA CRUZ”. Nessa cerimônia de adoração canta-se um hino em homenagem a este amuleto; “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo! Vinde, ADOREMOS! Adoramos, senhor, vosso madeiro; vossa ressurreição nós celebramos. Veio alegria para o mundo inteiro por esta cruz que hoje veneramos”(O Sinal da Besta pág.11) Novamente é usado de modo intercambiável os dois termos, adorar e venerar!

Frei Basílio Rower, em seu “Dicionário Litúrgico” na pág. 15 sobre o verbete: “Adoração da Cruz”, comenta:

“…Efetua-se a veneração da cruz…” e em seguida troca novamente os verbos: “A cerimônia da adoração da Cruz, na sexta feira santa, é antiqüíssima; desde o século XI…” (grifo nosso) Novamente fica patente como esses dois verbos se tornam sinônimos! Mas para não deixar transparecer o verdadeiro significado (idolatria) por trás dessas explicações demagógicas, tenta ele concertar a situação com esta explicação esdrúxula no verbete “Adoração”:

“A adoração, em ambos os sentidos expostos, pode ser absoluta e relativa.” Prossegue ainda: “As partículas do Santo Lenho, os instrumentos da Paixão de Cristo e a Cruz, na Sexta feira Santa, são adorados com adoração em sentido estrito, mas relativa.”

Devemos ressaltar que não existe um caso se quer na Bíblia em que servos de Deus praticaram adoração relativa. Isso não pode ser outra coisa se não um esforço desesperado para achar subterfúgios para a sôfrega doutrina do culto às imagens.

Suponhamos que realmente existe essa tal “adoração relativa”, o caso que não é, mas suponhamos por um momento que fosse real, ela teria que estar forçosamente estampada nas páginas da Bíblia. Mas o que nós vemos é totalmente o contrário.

Quero trazer à memória o incidente de Pedro e Cornélio. Pois bem, ali estaria uma grande oportunidade de Pedro, que dizem ter sido o primeiro “papa”, portanto infalível de acordo com os dogmas católicos, a legitimar essa prática, pois Cornélio não era pagão o bastante para não saber distinguir entre adoração ao Deus de Israel e uma veneração ao servo deste. Se fosse esse o caso, o de existir tal grau de adoração relativa, quando Cornélio prostrou aos pés de Pedro para o adorar, este não teria tido a reação que teve conforme narra Atos 10:25,26: “Quando Pedro ia entrar, veio-lhe Cornélio ao encontro e, prostrando-se a seus pés, o adorou. Mas Pedro o ergueu, dizendo: Levanta-te, que eu também sou homem.”. Pedro poderia ter aceitado isso como uma “adoração relativa”, uma “dulia” que através dele chegaria a Deus! Este ainda foi o caso de João perante o anjo de Deus em Apocalipse 22:8. Ambos não aceitaram tal suposta adoração pelo simples fato dela não existir. A Bíblia só apresenta um tipo de adoração e nada mais que isto, não adianta forjar termos inescrupulosos para servir de apoio para tamanhas heresias, se pela Bíblia já estão de antemão fadados ao fracasso!

No entanto, no final do comentário o pobre Frei acaba se entregando e diz que: “A ADORAÇÃO DOS SANTOS E DE SUAS RELÍQUIAS E IMAGENS CHAMA-SE GERALMENTE VENERAÇÃO.” (ênfase do autor)

Como dizia John Wycliff e Savanarola, este último cuja voz de protesto foi sufocada pelas fogueiras inquisitoriais: “Eles adoram, com efeito, no sentido próprio da palavra, as imagens, pelas quais sentem uma afeição especial” (A Imagem Proibida pág. 280)

Eles nunca vão conseguir comprovar que uma, e a mesma coisa, são duas

CANONIZAÇÃO: Como se faz um santo

Temos vivido nestes últimos meses um verdadeiro frenesi social e religioso motivado pela vinda do atual papa Bento XVI ao Brasil. Mas não se trata apenas de uma visita formal. Dentro dos objetivos de Joseph Ratzinger (nome real do papa), que inclui participar da “5ª Conferencia Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe”, está o de reavivar a velha e utópica esperança de combater o avanço do que chamam de as “seitas evangélicas”. Contudo, o verdadeiro motivo que está arrebatando os ânimos católicos é a inédita canonização do primeiro “santo” brasileiro – o ex-franciscano Frei Galvão.

Frei Galvão ficou famoso pelas suas “pílulas milagrosas”, às quais são atribuídos vários milagres. As pílulas são bastante simples: confeccionadas de papel arroz num canudinho contendo uma oração a Maria em latim.

Depois do anúncio da data de canonização aumentou em 50% a procura pelas tais pílulas, de 60 mil, a produção mensal do “santo remédio” saltou para 90 mil e, junto a isso, o consumo de imagens praticamente esgotou os estoques. No entanto, nosso objetivo neste pequeno artigo não recai em focar tais questões, mas antes discorrer sobre como se dá a “fabricação” de um santo.

Como se faz um santo

Não pense que para galgar o status de santo dentro da igreja católica é tão fácil assim. Não! Para que um fiel possa figurar nos altares das igrejas romanas é preciso percorrer um longo caminho. Esse processo se chama “canonização” e demanda tempo, política e muito dinheiro, conforme veremos.

Canonizar é o ato pelo qual a igreja declara em estado de santidade o já falecido fiel católico. Após esta declaração do papa, ele pode ser objeto de adoração ou, como dizem, de veneração dos fiéis.

Foi Sisto V quem organizou o sistema moderno de canonização, e o confiou à Congregação dos Ritos, órgão da cúria romana.

O primeiro santo canonizado de forma solene foi o bispo de Augsburgo, Ulrich (santo Ulrico), morto em 973 e proclamado santo por João XV, no Concílio de Latrão, em 993.

Mas antes do fiel ser canonizado, ele precisa receber a beatificação, a partir do que já é admitido o culto público à sua pessoa, embora com algumas restrições.

O processo é o seguinte: a etapa inicial de investigação é conduzida pelo bispo local, que nomeia um postulador da causa, espécie de advogado de defesa (para defender as causas dos santos brasileiros aqui no Brasil esse trabalho ficou por conta da freira Célia Cadorin), e um promotor da fé – o famoso “advogado do diabo” – que irá vasculhar a vida do santo, tentando achar algum erro, tanto em questões morais ou doutrinárias. Reunido o material e comprovada a fama de santidade do indicado, os autos são encaminhados a Roma. Cabe ao papa proclamar solenemente o novo “beato”. No processo, são exigidas provas da realização de pelo menos dois milagres. Estes milagres apesar do rigor vaticanista às vezes deixa a desejar na sua investigação. A conhecida Madre Teresa de Calcutá, beatificada pelo papa João Paulo II, recebeu a beatificação pelo milagre da cura de um câncer no estômago efetuado em uma mulher indiana. O problema é que o médico que tratava da doente disse que ela não tinha tumor algum, mas sim, tuberculose, tratada com medicamentos (Época, 27/10/03). Não podemos esquecer também que muitos ditos “santos”, foram assassinos, tais como José de Anchieta e Inácio de Loyola, hereges como Afonso de Ligório e outros até nunca existiram como acreditam muitos.

Além disso, são gastos milhares de dólares durante todo o processo. Por exemplo, a canonização de Madre Paulina chegou a consumir cerca de 100 mil dólares (Veja, 06/03/2002).

O Lobby organizado pela arquidiocese de São Paulo em prol da beatificação de Frei Galvão custou a bagatela de 95.000 reais. Fora isso, foram 20 viagens ao Vaticano, 7028 relatos de cura, 2702 partos felizes, 332 curas de problemas nos rins, 123 conversões para uma vida de virtudes, e mais 13744 outras graças (Veja, 11/12/1998) Ufa! Como é trabalhoso virar santo!

Entretanto, algo que nos chama a atenção é que estes santos, enquanto vivos não realizavam milagres, mas, depois de mortos, disparam a conceder graças de todos os tipos. Isto não é no mínimo curioso?

Bento XVI com vistas ao maior pais católico do mundo que ainda não tinha um santo nacional, resolveu agora nos últimos anos, investir pesado no país e cumprir uma ambiciosa promessa de seu antecessor que certa vez chegou a declarar que o Brasil precisava de muitos, muitos santos (Isto É, 18/12/91).

E a igreja católica no Brasil se afina no mesmo diapasão tentando criar seu próprio panteão nacional.

Depois de Frei Galvão e madre Paulina, a próxima é a irmã Dulce. A candidata já tem um milagre e o seu processo já está em estudo, há mais ou menos cinco anos, no Vaticano. (Época, 24/03/2004). Também foi reaberto o processo de canonização do padre Cícero Romão Batista, o “Padim Ciço”. É notório a todos que este controvertido personagem ligado à história do povo nordestino não foi nenhum “santo” quando vivo, mas que agora, pode se transformar em um deles, por causa da insistência dos fiéis.

Finalmente, cumpridas todas as etapas do processo, o papa invoca publicamente a ajuda divina e a canonização é celebrada com toda pompa, na basílica de São Pedro. Posteriormente, é marcado um dia para celebrar a memória do santo.

A imagem é a alma do negócio

Depois de resolvido o caso da beatificação, começa o marketing em cima das imagens dos “santos”. Uma imagem que não apresenta um visual contextualizado com as tendências da época precisa ser modificada para ficar mais atraente à devoção popular. Cada vez que a teologia católica muda, muda também o visual das imagens. Assim como o rosto de Jesus, a imagem de Maria passou por uma grande transformação. Por exemplo, nas pinturas da renascença ou do barroco, Maria é retratada como uma mulher da época, com contornos corporais de mulher, seios fartos amamentando o menino Jesus. Hoje, Maria é mostrada toda coberta e praticamente sem seios. Mais alguns exemplos típicos são as imagens de Madre Paulina e do índio Juan Diego. O retrato da santa mostrava uma jovem muito séria. Já a versão recente e oficial vai mostrar a madre amparando uma criança, de forma a parecer mais maternal e protetora. Por sua vez, o tal índio mexicano, que teve a suposta visão da Virgem de Guadalupe, é retratado com feições espanholas e não de um aborígine.

É digno de nota que o mariano João Paulo II foi o papa que mais canonizou “santos” na história do catolicismo, chegando a 1.790 beatificações e canonizações, durante o seu pontificado. A última novidade de Wojtyla até o momento de sua morte foi canonizar a pediatra italiana Gianna Beretta Molla, a primeira santa casada da história do catolicismo romano (Veja, 26/05/04; Isto É, 26/05/04).

Sem apoio bíblico

Apesar das apaixonadas defesas católicas a respeito da suposta legitimidade bíblica para esta doutrina, ela enfrenta sérias objeções que gostaríamos que o leitor, católico ou não, refletisse desarmado de quaisquer preconceitos.

Primeiramente, a doutrina católica sobre os santos esbarra no bom senso, na lógica e na teologia. Ora, se os santos católicos atendem de fato as orações de seus milhares de devotos, isto implicaria que eles possuem o atributo da onisciência, coisa que é impossível ao ser humano, pois só Deus a possui. Só Deus pode atender várias orações ao mesmo tempo, pois isto é intrínseco à sua divindade. A menos que os católicos não queiram considerar seus santos como semi-deuses como faziam os pagãos, eles precisam negar tal atributo aos seus santos.

Ademais, a doutrina dos santos postula também que tais personagens podem interceder pelas pessoas, mas neste particular também a doutrina católica esbarra na doutrina paulina da mediação exclusiva de Jesus junto a Deus. Só Jesus é nosso intercessor (1Tm 2.5). O próprio processo da mediação desenvolvida pela igreja romana, reflete não uma realidade divina, mas a realidade da própria instituição católica que sempre foi pautada pelo monarquianismo, onde os status e funções sempre estiveram definidos hierarquicamente.

Em face disso tudo, concluímos considerando que muito mais poderia ser dito aqui sobre a questão, o que poderia nos levar a escrever um livro. Todavia, nosso objetivo esteve em mostrar que a doutrina católica dos santos não faz parte do tesouro doutrinário da igreja cristã. O conceito de santidade não pode ser modificado ao nosso bel prazer. Santos são todos aqueles que entregaram suas vidas a Jesus Cristo e agora participam de sua santidade. Não depende da autorização de nenhuma instituição religiosa. Essa doutrina católica é invenção posterior, moldada mais pelo sincretismo religioso com as religiões pagãs e instituições seculares do que fruto de piedosa reflexão cristã.

Idolatria

Idolatria tem origem nas palavras: Eidolon (imagem) + latreia (culto). A princípio, poderíamos achar que se trata apenas do culto a imagens. Mas ultrapassa isso: repare que, hoje em dia, alguém diz que o cantor tal é seu ídolo. E não está incorreto.
O catolicismo alega que ídolo é um objeto inanimado ao qual se atribui vida própria e poder. Seria uma imagem pagã, um deus. Em vista disso, dizem que não podemos classificar de deuses os “santos” nem à estátua destes, porque eles não são o Criador do Universo nem o Juiz de vivos e de mortos, tanto que não – por ser adoração – não podem receber culto de latria, devido só a Deus. Mas não é bem assim. A Bíblia diz que:

“… a avareza… é idolatria” (Cl 3.5).

Não foi mencionado, aí, o caso de objeto inanimado nem de deus pagão. Trata-se do apego que alguns têm ao dinheiro. Perguntamos: Então a avareza é o Criador dos céus e da terra ou o Julgador de vivos e de mortos para receber culto de latria? É certo que não. Ela nem tem como ser esculpida.

Analisemos mais dois versículos:

“… O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre…” (Fp 3.19),

Esse é o motivo por que a gula está incluída entre as obras da carne, que impedem o homem de herdar o reino de Deus (Gl 5.19,21). É o que acontece com quem usa mal ou com ganância o poder:

“… fazem-se culpados estes cujo poder é o seu deus” (Hc 1.11).

Concluímos que idolatria vai além do amor a imagens pagãs ou não-pagãs, além de se querer atribuir vida e poder a um objeto inanimado. Ídolo é qualquer coisa ou pessoa que colocamos no fundo do coração, em primeiro lugar, depositando nela grande confiança, o que faz dela um deus (com “d” minúsculo). Sendo assim, idolatria pode ser a dedicação a uma imagem, a um ídolo, a um líder religioso, a um deus, a um “santo”, ao ventre, ao poder e a seres ou coisas concretas ou não, reais ou imaginárias, uma vez que até deuses pagãos são criações da mente. É possível idolatrar-se um emprego, um automóvel, um filho e a nós ou a atitudes nossas, o que faz com que Deus perca a primazia.

A idolatria é tão detestável que – quando o povo que acompanhava Moisés pelo deserto convenceu Arão a esculpir um animal, este “edificou um altar diante dele (do bezerro de ouro) e, apregoando, disse: Amanhã será festa ao Senhor”, ou seja, “será festa a Yahweh” (Êx 32.5), ao Deus verdadeiro de Israel (e não ao deus Ápis, do Egito, que era um boi) –, o Altíssimo, ao invés de se alegrar, se irou, pois não gosta de ser representado em forma astros, estrelas, de animal, seres humanos, aves, quadrúpedes nem de répteis. Ele detesta que tentem reproduzi-lo. O capítulo 1 de Romanos diz que, por esse comportamento, entregou homens e mulheres a desejos carnais reprováveis.

Não obstante isso, a televisão exibiu a cidade de Trindade, em Goiás, onde sacerdotes participam de procissões com uma imagem composta de quatro figuras: de Jesus, do Espírito Santo (simbolizado por uma pomba), de Deus (com a aparência de um velho)… e de Maria. Note que a mãe de Jesus está entre eles. Desse jeito, já não teríamos uma Trindade, mas um Quarteto.

O catolicismo, para se defender da condenação que está nos Dez Mandamentos, diz que imagens católicas são como fotografias de nossos parentes, servindo para nos lembrarmos dos santos homens do passado. Entretanto não nos encurvamos perante fotos de familiares nem oramos a elas ou defronte delas nem confiamos nelas. Mas o Decálogo proíbe fotografias usadas para esse fim. Como pode ser, se elas não haviam sido inventadas? Devemos estar atentos a que no segundo Mandamento (Gn 20.4-6), indevidamente omitido nos catecismos católicos, está escrito: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança (ou figura) alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás nem lhes darás culto; porque eu sou o Senhor, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”. Convém lembrar que não se poderia omitir um jota ou til da Lei de Deus (Mt 5.18) e que as imagens de “santos”, que os católicos possuem, são de indivíduos que, acreditam eles, estariam “em cima nos céus”. Mas podem nem estar lá.

Imagem não é sinônimo de escultura, tanto que aí está “imagem de escultura”, isto é, imagem em formato de escultura. A proibição abrange semelhança, que, em certas traduções, está figura. Não existiam fotografias, mas as pessoas ou animais podiam ser retratados por pinturas, desenhos, esculturas e, hoje, por fotos.

O erro não está na imagem ou figura em si, mas no culto que alguns oferecem a elas até sem notar. Nenhum evangélico condena esculturas nem gravuras de Santos Dumont, de D. Pedro II, etc., por ninguém se ajoelhar ante elas. Mas, se alguém o fizer, serão condenadas da mesma forma.

O segundo Mandamento contém promessa, mas, por outro lado, maldição até aos descendentes de quem o transgride. Se é vedada a fabricação desse tipo de imagens, incabível o argumento de que poderiam ser usadas como retratos. Ao esculpi-las (“Não farás…”) o artífice já é um transgressor da Lei de Deus. E quem as compra se transforma em cúmplice dele. Venerá-las é mais sério do que muitos pensam.

O catolicismo diz que Deus não condena imagens como as católicas, mas ídolos, no sentido, como vimos, de objetos aos quais o povo atribui vivência. Todavia as encontradas na Igreja Romana são ídolos. Ainda que não o fossem, a reprovação bíblica atinge ídolos (Êx 32; 2 Rs 21.11; Sl 115.3-9; 135.15-18; Is 2.18; At 15.20; 21.25; 2 Co 6.16) e imagens (Êx 20.1-6; Nm 33.52; Dt 27.15; Is 41.29; Ez 8.9-12). Prestemos atenção à clareza deste versículo:

“Não fareis para vós outros (1) ídolos, nem vos levantareis (2) imagem de escultura nem (3) coluna, nem poreis (4) pedra com figuras na vossa terra, para vos inclinardes a ela; porque eu sou o Senhor vosso Deus” (Lv 26.1).

A proibição é geral: não foi feita exceção para “santos”. O catolicismo alega que Deus permite imagens porque determinou a Moisés esculpir uma cobra no deserto (Nm 21.8) e a Salomão construir querubins para o propiciatório da Arca da Aliança (1 Rs 6.23). Não ensinam é que a escultura desse réptil foi feita em pedaços pelo rei Ezequias, porque o povo passou a lhe dedicar incenso, como ocorre hoje em templos, inclusive em procissões, nem ensinam que os querubins – uma classe de anjos, com quatro asas, quatro faces: de homem, boi, leão e águia e planta dos pés semelhante à de bezerros – não podiam ser cultuados pelos judeus. A imagem deles, um enfeite permitido como a palmeira o era, foi colocada no Santo dos Santos, onde somente o Sumo Sacerdote podia entrar, uma vez por ano (Hb 9.3-7); não havia como ser vista nem venerada. Eles exprimiam a presença de Deus. Quanto à cobra de bronze, devemos refletir que, tendo sido construída por determinação direta de nosso Pai celeste e este não a tenha mandado destruir, quem a despedaçou teve sua postura considerada reta por ele (2 Rs 18.4). Hoje quantos subterfúgios criam para manter, até em templos, obras elaboradas por vontade humana.Não é porque Deus mandou fazer algo, que nos vemos no direito de imitá-lo. É muito diferente quando ele diz “não farás para ti imagens” e quando determina que sejam feitas por sua exclusiva vontade. Ele sabe o que é melhor para nós. E, como Senhor que é, pode determinar o que quer. Veja: É do desejo dele que o adoremos, mas nem por isso poderemos reivindicar o direito de nos adorar; Ele quer que o amemos sobre todas as coisas, mas não aprova que o façamos em relação a nós mesmos.

Imagens geram controvérsias até dentro do catolicismo. Em 730 foram incentivadas; Em 731 houve excomunhão de seus destruidores; Em 754 o Sínodo de Hieréia foi favorável à sua destruição ao decidir: “Representar imagens de Cristo, além de impossível é prejudicial, já que estas imagens separariam a humanidade da divindade e seu culto seria fatalmente desencaminhado”; Em 787 foi oficializado seu culto; Em 794 voltaram atrás, dizendo que não deveriam ser veneradas, servindo para lembrança; Em 843 voltou o culto a elas. O Concílio de Trento (Sess. 25), realizado em 1546, deliberou que “as imagens de Cristo e da Virgem Maria, Mãe de Deus, e de outros santos devem ser possuídas e guardadas, especialmente nas Igrejas e devem ser alvo de honra e veneração.” Interessante é que as decisões dos concílios e dos papas, consideradas infalíveis – isso é idolatria –, são sempre retificadas.

Ao dizermos a católicos que imagens não podem ser adoradas, eles, instruídos por seus líderes, retrucam que não as adoram; o que fazem é prestar veneração aos “santos” que elas representam. Esse argumento é uma evasiva ou desconhecimento, uma vez que a decisão do concílio mostra que determinam a veneração a elas sim.

Falando em veneração, vamos analisar de que se trata. Segundo o catolicismo, o culto se divide em dois: 1) Culto de adoração = latria, que só pode ser outorgado a Deus; b) Culto de veneração, que, por sua vez, é subdividido em dois: dulia, destinado a “santos” e a anjos, e hiperdulia, dedicado a Maria.

Como se vê, a veneração a “santos”, anjos e até a imagens é um culto. E no 2.° Mandamento está: “Imagens… não as adorarás, nem lhes darás culto” e Jesus, dirigindo-se a Satanás, disse: “Vai-te Satanás… Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto” (Mt 4.10). Satanás, nessa passagem, não era nenhuma imagem de escultura, mas um ser, um anjo. Por conseguinte, a Bíblia proíbe, sem sombra de dúvidas, a veneração a “santos”, anjos, a seres de modo em geral e a imagens. Culto deve ser dado a Deus.

Pesquisando em dicionários, constataremos que culto, adoração e veneração podem ser usados como sinônimos. E vamos mostrar o engano do catolicismo quanto à maneira de interpretá-los.

O vocábulo latria (latreia), traduzido como adoração – que, com acerto, dizem ser exclusividade de Deus – é, na verdade, a cerimônia do culto exterior, a religião externa, o encurvar-se ou se prostrar; já dulia (douleúo), trasladado para nosso idioma como culto – que ensinam, de maneira equivocada, ser reservado a “santos” e a anjos –, significa servir, ser servil, trabalhar. Qual é mais importante: a cerimônia, o ritual, o ato externo, ou o servir, que é partido do íntimo, dedicação, serviço? É claro que servir (cultuar) está acima de rituais (adoração).

Para não parecer que estamos inventando, eis o que constatamos, em Êxodo 20.5, na Bíblia Sagrada da Edição Palavra Viva e na Bíblia de Jerusalém, ambas católicas, com respeito a imagens e figuras:

“Não te prostrarás diante delas” (BPV) nem as “… servirás” (BJ);

Mas na Bíblia editada pela Barsa esse texto está:

“Não as adorarás nem lhes darás culto”.

Compare: 1) Nas duas primeiras está prostrarás, porém na outra está adorarás. Portanto, prostrar (encurvar) é, para eles, adorar; 2) Na Bíblia de Jerusalém consta servirás, mas na editada pela Barsa está culto.

Confirmemos com outros versículos: Veja cultuar, com o significado de servir: “Não podeis servir (douleuein) a Deus e às riquezas” (Mt 6.24). Agora adorar, mostrando tratar-se de ato externo: “Observai este culto (latreia) e quando vossos filhos vos perguntarem que significa este culto (latreia)…” Conseguimos observar o que é exterior.

É bom frisar que, no catolicismo, Maria recebe culto de hiperdulia, que não é uma simples honra, mas um hiperserviço, ao passo que a Deus é dada somente adoração.

Há padres que dizem só ser proibida imagem de Deus, mas vimos que na cidade de Trindade apóiam a de Deus, visto como um falho e limitado ser humano velho, em decadência. E na abóbada da capela Sistina, no Vaticano, local em que os cardeais se reúnem para eleger o papa, existe um afresco de Deus. Eles poderão alegar que não os adoram, mas Deus proibiu representá-lo, ainda que sem fins de adoração. E podemos dizer que o catolicismo, que diz que ídolo é um objeto inanimado ao qual se atribui vida própria, acaba conferindo-a a um objeto feito de trigo: a hóstia consagrada. Tendo conhecimento de que ele prometeu que voltará, em corpo, uma segunda vez (Hb 9.28), adoram-na, chamam-na de Santíssimo, e dizem ser ela Jesus, em carne, osso, espírito e divindade. Eis a idolatria, hostiolatria. Se Cristo voltasse, corporalmente, em todas as missas e ficasse imóvel em ostensórios, as Escrituras estariam erradas, porque ele já teria voltado e, por sinal, bilhões de vezes.

Diz a Bíblia que “os ídolos são como espantalhos em pepinal, e não podem falar; necessitam de quem os leve, porquanto não podem andar: não tenhais receio deles, pois não podem fazer o mal, e não está neles o fazer o bem” (Jr 10.5). O Salmo 115 (ou 113-B da BJ) diz que eles têm boca, e não falam; têm olhos e não vêem; têm nariz, e não cheiram… Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem e quantos neles confiam.” Cremos que não há quem atribua vida a espantalhos.

Lendo os livros bíblicos, muitas vezes encontramos que cidades ou pessoas praticavam prostituição. Nem sempre a referência é a relações sexuais ilícitas, mas à idolatria. Por quê? Porque Deus se diz o marido da Igreja, que não é um templo de tijolos, concreto e ferro. Igreja somos nós, que passamos a ser templos vivos. Ora, se ele é o marido dela e seus membros praticam idolatria, ou, explicando, servem, admiram, se prostram, fazem orações e promessas a outrem, ele se considera um esposo traído. Quem trai o cônjuge está praticando prostituição.

Provado está que é ilícito adorar, cultuar ou venerar imagens e pessoas vivas ou mortas, sejam santas ou não. Se alguém alegar que apenas reza ao “santo” que está nos céus, dizemos que esse modo de agir também é adoração. Segundo ensina o catolicismo, adorar vem de adorare, que significa fazer oração. Se orar é adorar, com o que não discordamos, ao se rezar a um “santo” ele estará sendo adorado.

Quem pratica qualquer dessas condutas mencionadas está, quer queira quer não, quer concorde quer não, praticando idolatria, que é um pecado abominado por Deus. Ele quer que confiemos nele e que dirijamos nossas súplicas a ele, que o adoremos, o cultuemos e o veneremos com exclusividade absoluta. Sua honra e sua glória não podem ser divididas com ninguém (Is 42.8).Na Bíblia está escrito que Deus lança para longe de diante dele, ou de seu povo, aquele que consultar mortos (Dt 18.11). E sabemos que são falecidos todos os “santos” a quem são feitas rezas. Se eles tivessem a possibilidade de ouvir as que lhes são dirigidas em todas as partes do globo terrestre, às vezes até em pensamento e no mesmo instante, teriam de ser oniscientes (ter ciência de tudo) ou onipresentes (estar presentes em todos os lugares), contudo esses são atributos específicos do Todo-poderoso. Ele tem ciúme de nós (Tg 4.5). Em vista disso, recorrer a “santos” é lhes atribuir poderes de Deus, considerando-os deuses. De novo, a idolatria. Santos mortos não sabem o que aqui se passa.

“… ao Senhor, vosso Deus, temereis, e ele vos livrará das mãos de todos os vossos inimigos. Porém eles não deram ouvidos a isso; antes, procederam segundo o seu antigo costume. Assim, essas nações temiam o Senhor e serviam as suas próprias imagens de escultura; como fizeram seus pais, assim fazem também seus filhos e os filhos de seus filhos, até ao dia de hoje” (2 Rs 17.39-41).

É lamentável que todos os distritos e cidades de nosso País, muitas propriedades agrícolas e pontos comerciais ou industriais sejam dedicados a um deus, a um “santo”. Têm devoção a eles, considerando-os padroeiros, o que nos traz graves conseqüências. E, depois, o povo que aprova esse procedimento se queixa.

“… ó Judá, segundo o número das tuas cidades, são os teus deuses… Tu, pois, não ores por este povo, nem levantes por eles clamor nem oração; porque não os ouvirei quando eles clamarem a mim, por causa do seu mal” (Jr 11.13-14).

Devemos, por amor ao idólatra, conscientizá-lo de seu erro. Conformarmo-nos com a idolatria, jamais.

Não há salvação fora da Igreja católica

Apesar de Pedro que dizem ter sido o primeiro papa afirmar que fora de Jesus não há salvação[Atos 4:12], os supostos sucessores de São Pedro afirmam exatamente o contrário. Passando por cima da autoridade do próprio apóstolo, os papas através de seus concílios, bulas e encíclicas afirmaram durante toda a história do catolicismo que fora de sua igreja não havia salvação. Vejamos as declarações heréticas de alguns deles contidas num site católico do qual foi extraído o artigo logo abaixo:

“Papa Inocêncio III (1198-1216): “De coração cremos e com a boca confessamos uma só Igreja, que não de hereges, só a Santa, Romana, Católica e Apostólica, fora da qual cremos que ninguém se salva”.

IV Concílio de Latrão (1215), infalível, Canon I: “…Há apenas uma Igreja universal dos fiéis, fora da qual absolutamente ninguém é salvo…”. Canon III: “Nós excomungamos e anatematizamos toda heresia erguida contra a santa, ortodoxa e Católica fé sobre a qual nós, acima, explanamos…”.

Papa Bonifácio VIII (1294-1303): “Por apego da fé, estamos obrigados a crer e manter que há uma só e Santa Igreja Católica e a mesma apostólica e nós firmemente cremos e simplemente a confessamos e fora dela não há salvação nem perdão dos pecados (…) Romano Pontífice, o declaramos, o decidimos, definimos e pronunciamos como de toda necessidade de salvação para toda criatura humana.

Concílio de Florença (1438-1445): “Firmemente crê, professa e predica que ninguém que não esteja dentro da Igreja Católica, não somente os pagãos, mas também, judeus, os hereges e os cismáticos, não poderão participar da vida eterna e irão para o fogo eterno que está preparado para o diabo e seus anjos, a não ser que antes de sua morte se unirem a Ela(…).

O Concílio infalível de Trento (1545-1563) além de condenar e excomungar os protestantes, reiterou tudo o que os Concílios anteriores declararam, e ainda proferiu : “… nossa fé católica, sem a qual é impossível agradar a Deus…”

Papa Pio IV (1559-1565), um dos papas do Concílio de Trento: “… Esta verdadeira fé católica, fora da qual ninguém pode se salvar…” (Profissão de fé da Bula “Iniunctum nobis” de 1564)

Papa Benedito IV (1740-1758): “Esta fé da Igreja Católica, fora da qual ninguém pode se salvar…”.

Papa Gregório XVI (1831-1846), Mirari Vos: “Outra causa que tem acarretado muitos dos males que afligem a Igreja é o indiferentismo, ou seja, aquela perversa teoria espalhada por toda a parte, graças aos enganos dos ímpios e que ensina poder-se conseguir a vida eterna em qualquer religião, contanto que se amolde à norma do reto e honesto. Podeis com facilidade, patentear à vossa grei esse erro tão execrável, dizendo o Apóstolo que há um só Deus, uma só fé e um só batismo (Ef. 4,5): entendam, portanto os que pensam poder-se ir de todas as partes ao Porto da Salvação que, segundo a sentença do Salvador, eles estão contra Cristo, já que não estão com Cristo(Luc. 11,23) e os que não colhem com Cristo dispersam miseravelmente, pelo que perecerão infalivelmente os que não tiverem a fé católica e não a guardarem íntegra e sem mancha(Simb. Sancti Athanasii).(…) Desta fonte lodosa do indiferentismo promana aquela sentença absurda e errônea, digo melhor disparate, que afirma e que defende a liberdade de consciência. Esse erro corrupto que abre alas, escudado na imoderada liberdade de opiniões que, para confusão das coisas sagradas e civis, se estende por toda parte, chegando a imprudência de alguém asseverar que dela resulta grande proveito para a causa da religião. Que morte pior há para a alma do que a liberdade do erro?, dizia Santo Agostinho (Ep. 166)”.

Teses condenadas, pelo Papa Pio IX (1846-1878), no Sillabus:

15a “É livre a qualquer um abraçar o professar aquela religião que ele, guiado pela luz da razão, julgar verdadeira”.

16a “No culto de qualquer religião podem os homens achar o caminho da salvação e alcaçar a mesma eterna salvação”.

17a “Pelo menos deve-se esperar bem da salvação eterna daqueles todos que não vivem na verdadeira Igreja de Cristo”.

18a “O protestantismo não é senão outra forma da verdadeira religião cristã na qual se pode agradar a Deus do mesmo modo que na Igreja Católica”.

21a “A Igreja não tem poder para definir dogmaticamente que a religião da Igreja Católica é a única religião verdadeira”

Outro texto de Pio IX: “(…) não temem fomentar a opinião desastrosa para a Igreja Católica e a salvação das almas, denominada por Nosso Predecessor, de feliz memória, de ‘loucura’ (Mirari Vos) de que a ‘liberdade de conciência e de cultos é direito próprio e inalienável do indivíduo que há de proclamar-se nas leis e estabelecer-se em todas as sociedades constituídas; (…) Portanto, todas e cada uma das opiniões e perversas doutrinas explicitamente especificadas neste documento, por Nossa autoridade apostólica, reprovamos, proscrevemos e condenamos; queremos e mandamos que os filhos da Igreja as tenham, todas, por reprovadas, proscritas e totalmente condenadas”. (Quanta Cura)

Papa Leão XIII (1878-1903), encíclica Libertas Praestantissimum: “(…) oferecer ao homem liberdade (de culto) de que falamos, é dar-lhe o poder de desvirtuar ou abandonar impunemente o mais santo dos deveres, afastando-se do bem imutável, a fim de se voltar para o mal. Isto, já o dissemos, não é liberdade, é uma escravidão da alma na objeção do pecado.”

Papa Pio XI (1922-1939), Mortalium Animus: ” Os esforços [do falso ecumenismo] não tem nenhum direito à aprovação dos católicos porque eles se apoiam sobre esta opinião errônea que todas as religiões são mais louváveis naquilo que elas revelam, e traduzem todas igualmente, se bem que de uma maneira diferente, o sentimento natural e inato que nos leva para Deus e nos inclina ao respeito diante de seu poder(…) Os infelizes infestados por esses erros sustentam que a verdade dogmática não é absoluta, mas relativa, e deve pois, se adaptar às várias exigências dos tempos e lugares às diversas necessidades das almas”.(…) “Os artesãos dessas empresas não cessam de citar ao infinito a Palavra de Cristo: ‘Que todos sejam um. Haverá um só rebanho e um só pastor’( Jo XVII,21; X,16), e eles repetem esses texto como um desejo e um voto de Cristo que ainda não teria sido realizado. Eles pensam que a unidade da fé e de governo, característica da verdadeira e única Igreja de Cristo, quase nunca existiu no passado e que não existe hoje… Eles afirmam que todas ( as igrejas) gozam dos mesmos direitos; que a Igreja só foi Una e Única, no máximo da época apostólica até os primeiros Concílios Ecumênicos(…). Tal é a situação. É claro, portanto, que a Sé Apostólica não pode por nenhum preço tomar parte em seus congressos, e que não é permitido, por nenhum preço, aos católicos aderir a semelhantes empreendimentos ou contribuir para eles; se eles o fizerem dariam autoridade a uma falsa religião cristã completamente estranha à única Igreja de Cristo”

Vejamos o que tem a dizer o maior papa do século, São Pio X (1903-1914), ele tem a autoridade dos papas e a virtude dos santos. Talvez seja a melhor pessoa, neste século, para falar sobre isso. Ele fez o chamado Catecismo Maior, em 1905. O primeiro Catecismo foi ordenado pelo Concílio de Trento, e foi publicado pelo Papa S. Pio V, em 1566, e é um resumo de toda doutrina principal que a Igreja sempre ensinou, colocada de forma fácil, para que todos possam compreender e obedecer.

“Catecismo da Doutrina Cristã”, voz infalível do ensinamento dos Papas e dos Concílios:

149- Que é a Igreja Católica?

A Igreja Católica é a sociedade ou reunião de todas as pessoas batizadas que, vivendo na terra, professam a mesma fé e a mesma lei de Cristo, participam dos mesmos sacramentos, e obedecem aos legítimos Pastores, principalmente ao Romano Pontífice.

153- Então não pertencem à Igreja de Jesus Cristo as sociedades de pessoas batizadas que não reconhecem o Romano Pontifice por seu chefe?
Todos os que não reconhecem o Romano Pontifice por seu chefe , não pertencem à Igreja de Jesus Cristo.

156- Não poderia haver mais de uma Igreja?
Não pode haver mais de uma Igreja, porque, assim com há um só Deus, uma só fé e um só Batismo, assim também não há nem pode haver senão uma só Igreja verdadeira.

168- Pode alguém salvar-se fora da Igreja Católica, Apostólica, Romana?
Não. Fora da Igreja Católica, Apostólica, Romana, ninguém pode salvar-se, como ninguém pôde salvar-se do dilúvio fora da arca de Noé, que era figura desta Igreja.

Ou, ainda em outro documento, São Pio X, condenando, as teses modernistas: “Toda religião, não excetuada sequer a dos idólatras, deve ser tida por verdadeira(…). E os modernistas de fato não negam, ao contrário, concedem, uns confusa, e outros manifestamente, que todas as religiões são verdadeiras(…). Quando muito, no conflito entre as diversas religiões, os modernistas poderão sustentar que a Católica tem mais verdade, porque é mais viva e merece mais o título de Cristã, porque mais completamente corresponde o título de Cristã, porque mais completamente corresponde às origens do cristianismo”.’

O autor (católico) deste artigo no original, ainda confirma convicto:

“Cremos ter provado que, pela Igreja Católica: só há uma Igreja verdadeira, fora da qual não há salvação; Além disso, havendo um só Deus, conseqüentemente, só pode haver uma Igreja verdadeira. Essas proposições valem para sempre.”

Agora já deu para perceber que a Igreja Romana é SEMPER EADEM, ou seja, sempre a mesma, nunca vai mudar. Engana-se quem pensa que o ecumênico João Paulo II, vai retirar todas essas afirmações heréticas proferidas pelos seus antecessores. Na verdade, ele nunca se posicionou contra, ou sequer mencionou como errôneo as dezenas de “anátemas” que o Concílio de Trento impetrou contra os protestantes. Nem poderia mesmo, pois fazendo assim, estaria automaticamente admitindo que seus predecessores não eram falíveis quando falavam ex-catedra. Ele nunca se colocaria debaixo destas maldições atoa, em nome de uma falsa união!
Diante de tudo isso só podemos dizer uma coisa: o ecumenismo pregado por JPII, nada mais é do que uma farsa, uma arapuca preparada para os protestantes.
Não obstante a Bíblia é categórica em dizer que: “E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos.”
E não queira sofismar aqui o clero católico em dizer que a Igreja está em Cristo e Cristo na Igreja, por isso os termos seriam equivalentes. Toda essa argumentação é erigida à margem da Palavra de Deus. Mesmo que a Igreja seja o corpo de Cristo e ao mesmo tempo sua noiva, mostrando assim um laço espiritual; no entanto, a Biblia não diz em lugar nenhum que essa Igreja, é a Igreja Romana.

Igreja única de Cristo

O Vaticano publicou nesta terça-feira documento afirmando que a Igreja Católica é, sempre foi e será a única igreja de Cristo.

Com o título Repostas a questões relativas a alguns aspectos da doutrina sobre a Igreja, o texto da Santa Sé procura esclarecer o que considera como “interpretações desviantes e em descontinuidade com a doutrina católica tradicional sobre a natureza da igreja”, que ocorreram depois da publicação do documento Iumem Gentium (“A luz das nações”), do Concílio Vaticano 2º (1962-1965), dizendo que a única Igreja de Cristo “subsiste” na Igreja Católica.

“Cristo constituiu sobre a terra uma única Igreja e instituiu-a como grupo visível e comunidade espiritual, que desde a sua origem e no curso da história sempre existe e existirá”, diz o texto. “Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste na Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele.” A nova publicação assinada pela Congregação para a Doutrina da Fé, responsável por promover e tutelar a doutrina da fé e a moral no mundo católico, diz que “com a palavra ‘subsistir’ o Concílio queria exprimir a singularidade e não a multiplicabilidade da Igreja de Cristo: a Igreja existe como único sujeito na realidade histórica”.

“Contrariamente a tantas interpretações sem fundamento, não significa que a Igreja Católica abandone a convicção de ser a única verdadeira Igreja de Cristo, mas simplesmente significa uma maior abertura à particular exigência do ecumenismo de reconhecer o caráter e dimensão realmente eclesiais das comunidades cristãs não em plena comunhão com a Igreja Católica”, diz o documento.

O tema já foi desmentido em inúmeras ocasiões pelos papas que comandaram o Vaticano antes de Bento 16. Entre elas, em 1973, com a declaração Mysterium Ecclesiae de Paulo 6º e, em 2000, com a Dominus Iesus, aprovada por João Paulo 2º.

No texto publicado nesta terça-feira pelo Vaticano é lembrada também a notificação de 1985 da Congregação para a Doutrina da Fé sobre os escritos do teólogo Leonardo Boff, segundo o qual a única Igreja de Cristo “pode também subsistir noutras igrejas cristãs”.

Naquela ocasião, a Congregação puniu o brasileiro pelo que considerou um equívoco e disse que o Concílio adotou a palavra subsiste, precisamente para esclarecer que existe uma só “subsistência” da verdadeira Igreja. Outras considerações importantes do documento devem gerar novos protestos das outras igrejas cristãs, como ocorreram anteriormente, principalmente a afirmação de que somente a Igreja Católica dispõe de todos os meios de salvação e de que, fora dela, existem apenas “comunidades eclesiais”.

“Embora estas claras afirmações tenham criado mal-estar nas comunidades interessadas e também no campo católico, não se vê, por outro lado, como se possa atribuir a essas comunidades o título de Igreja, uma vez que não aceitam o conceito teológico de Igreja no sentido católico e faltam-lhes elementos considerados eclesiais pela Igreja Católica”, diz o texto.

Segundo o vaticanista Andrea Tornielli, o objetivo da nova declaração é combater o que o papa Bento 16 considera como ‘relativismo eclesiológico’, segundo o qual todas as igrejas que dizem fazer parte do cristianismo têm o mesmo nível de verdade ou que cada uma delas não têm mais que uma parte desta verdade.

A divulgação do documento ocorre três dias depois de o papa Bento 16 ter assinado decreto que dá mais liberdade para os sacerdotes celebrarem missas em latim, uma concessão aos tradicionalistas.

Em uma carta aos bispos de todo o mundo, no último sábado, o pontífice rejeitou as críticas de que sua atitude poderia dividir os católicos.

No entanto, o documento gerou mal-estar e, segundo especialistas, poderá ameaçar também o diálogo entre cristãos e judeus

Maria

Textos rejeitados pela Igreja dizem que o avô de Cristo era um rico comerciante de gado, a avó era estéril e que Maria teve outros filhos.

A maioria dos fiéis não ousa imaginar a infância de Cristo como a de um menino mágico, capaz de fazer pássaros de barro voar, andar sobre raios de sol ou puxar amiguinhos para brincar através de frestas de janelas. Natural. A Igreja sempre rejeitou textos como o Livro da Infância do Salvador, do qual foram extraídas essas histórias, e os evangelhos apócrifos, que contam em detalhes a vida do Messias. Por conta disso, tudo o que se sabe sobre Jesus é o que está nos evangelhos canônicos. Eles simplesmente ignoram seus avós, Ana – livre da esterilidade por intervenção divina – e Joaquim, um milionário que sempre pagava em dobro suas oferendas a Deus. Tampouco contam como Maria foi concebida ou se Jesus teve irmãos. São essas as histórias que as editoras começam a revelar, numa profusão nunca vista de livros sobre Jesus e sua família.

A mais recente obra sobre a vida familiar de Cristo é tão cheia de novidades que parece uma provocação. Tiago, Irmão de Jesus, lançado com certo atraso no Brasil pela editora Record, contesta o dogma da virgindade perpétua de Maria e assegura que essa não é afirmada em nenhuma passagem do Novo Testamento.

O autor, Pierre-Antoine Bernheim, apresenta Tiago, chamado o Justo, como irmão uterino de Cristo, morto 30 anos após sua crucificação. E vai além: sustenta que Tiago, martirizado, foi até mais influente que Pedro na Igreja primitiva, justamente pelo parentesco com o Messias. Pedro e outros apóstolos defendiam a difusão da mensagem cristã para uma comunidade unificada de judeus e gentios. Tiago, não. Temia, segundo o estudioso Bernheim, que isso pudesse provocar um movimento de renovação dentro do judaísmo ou criar uma religião afastada de suas raízes.

Num texto apócrifo, Evangelho dos Hebreus, que a Igreja ignora, mas muitos estudiosos aceitam pelo valor histórico, o Cristo ressuscitado aparece pela primeira vez ao suposto irmão Tiago, o que estabelece sua preeminência sobre Pedro como autoridade suprema da Igreja. São Jerônimo jamais aceitou que Tiago fosse irmão de Jesus. Era seu primo, segundo o tradutor da Bíblia. Tiago seria filho de uma irmã de Maria que tinha o mesmo nome, Maria de Cléofas. A tradição católica admitiu sua teoria e acabou adotando-o como Tiago Menor, por oposição a Tiago Maior, filho de Zebedeu, ambos santos.

Intrigado com a implicância que os evangelistas tinham com os parentes de Jesus, o jornalista A.N. Wilson, autor de Jesus, um Retrato do Homem (Ediouro), faz outra afirmação chocante. Diz que o primeiro casamento do carpinteiro José, antes de conhecer a mãe de Cristo, ‘foi provavelmente inventado para satisfazer àqueles que, como os atuais católicos romanos, eram instigados a acreditar na virgindade perpétua de Maria’. O jornalista recorre ao Evangelho de São Marcos para afirmar que Jesus fazia parte de uma grande família e teve quatro irmãos – Tiago, José, Simão e Judas – e duas irmãs. E mais: lembra que praticamente todas as referências à família, tanto nos evangelhos canônicos como nos apócrifos, são de conflito. Os parentes de Jesus seriam briguentos. Nesses textos, observa Wilson, Jesus surge como homem rude, que repreende a mãe, abandona o lar, renuncia à família e parte para pregar.

O ex-jesuíta americano Jack Miles, autor do livro Cristo, uma Crise na Vida de Deus (Companhia das Letras), sustenta que esse comportamento por vezes áspero estava de acordo com o de um ser com poder divino, que não queria parecer excepcional com base nessa força. O Filho do Homem, argumenta o escritor, simplesmente poderia ter decidido tornar-se humano sem começar sua existência no útero de uma mulher, dispensando a família. Mas, se Deus estava ‘irrecuperavelmente envolvido’ no processo humano com esse nascimento, por que não teria casado, experimentado sexo e constituído família?, questiona Miles.

Segundo o livro Mãe – A História de Maria, a ser lançado em maio pela Editora Mercuryo, uma parteira compartilhou a mesma dúvida sobre a castidade da mãe do bebê Jesus e ultrapassou os limites da decência em sua pesquisa. Curiosa, a parteira Salomé queimou a mão ao tocar Maria com os dedos para atestar sua virgindade. Responsável pela compilação do volume, a editora Júlia Bárány diz que adotou como fonte principal para contar essa e outras histórias o Proto-Evangelho de Tiago, um apócrifo do século II teoricamente escrito pelo discutido irmão de Jesus citado nas epístolas paulinas.

O livro conta, entre outros episódios, como foi a concepção milagrosa de Maria pelas preces de sua mãe, Ana, a avó de Jesus. Inconformada por não poder ter filhos, Ana pediu a Deus que abençoasse seu ventre. Ele não só atendeu à súplica, como fez voltar seu velho marido, que, humilhado por ser justo e não gerar descendentes, foi para o deserto jejuar. Como na história de sua filha Maria, um anjo desceu até ele e garantiu que ela seria bendita entre as mulheres. O Novo Testamento fala pouco da mãe de Jesus, mas o Proto-Evangelho de Tiago, esquecido pelo catolicismo, é rico em detalhes. Curiosamente, foi adotado por artistas que pintaram cenas da vida da Virgem por encomenda da própria Igreja.

É por intermédio de Tiago que conhecemos os pais de Maria, avós de Jesus, a estéril Ana e o milionário criador de rebanhos Joaquim, que receberam a graça prometida pelo anjo. A Igreja não conseguiu eclipsar seus nomes. Apesar de ausentes no Novo Testamento, a tradição católica absorveu bem a história do Proto-Evangelho de Tiago. Diz o texto que Joaquim não teve filhos durante 20 anos de casamento até o nascimento de Maria, menina prodígio que sabia dançar aos 3 anos e ficou grávida aos 16. Criada por donzelas, foi recebida pelos sacerdotes do Templo por promessa dos pais. Segundo o apócrifo Evangelho de Maria, em que a mãe de Jesus narra suas memórias a João Evangelista, seus pais sabiam que ela iria gerar o Messias. Do Templo, ela só sairia para casar com José, ao atingir a adolescência. Antes mesmo da primeira menstruação – os religiosos daquele período acreditavam que o sangue maculava o Templo -, a menina casou com o velho carpinteiro, de cujo cajado brotou uma flor – sinal de ter sido eleito pelo Senhor para tutelar a Virgem. Apesar disso, José, que teria mais de 80 anos, relutou em aceitar uma jovem como esposa com medo de ser objeto de zombaria. No livro O Evangelho Secreto da Virgem Maria (Mercuryo), do padre católico espanhol Santiago Martín, a Virgem teria concebido o filho numa gruta (e não num estábulo), antes mesmo de seu casamento com José. O Proto-Evangelho de Tiago faz Jesus nascer nessa gruta, mas cria informações contraditórias, ao assumir o parto num lugar miserável, incompatível com alguém que era neto de um homem rico como Joaquim. Outros historiadores defendem ter sido José um grande construtor, pertencente à alta classe da Palestina. As contradições não param por aí. No evangelho apócrifo de Maria, a Virgem garante que Jesus era um menino ‘lindíssimo’, em nada parecido com aquele feioso e primitivo hominídeo paleolítico que os jornais andaram estampando como a ‘descoberta científica’ do século.

No Evangelho Pseudo-Mateus, outro apócrifo, o menino Deus é retratado como um aluno impaciente, que desafia seu primeiro professor, Zaqueu, a explicar o que representam as letras alfa e ômega. De acordo com outro apócrifo, o paciente José teve de aturar o gênio difícil do filho até os 111 anos. Morreu sem um dente estragado e enxergando muito bem. Jesus teria, então, 18 anos. Prometeu ao pai que seu corpo não entraria em decomposição, permanecendo intacto até o dia da primeira ressurreição. Jesus ficou mais 12 anos sem sair de Nazaré, herdando dele a carpintaria – ou a firma de construção, que teria, inclusive, trabalhado para o tirano Herodes Antipas, segundo alguns pesquisadores. Ficaram para trás as brincadeiras e sua turma, a única da cidade que não se divertia brincando de matar romanos. A Igreja Católica consagrou a história de José carpinteiro, mas, em aramaico, a palavra naggar tanto pode significar artesão como erudito, lembra o jornalista A.N. Wilson.

Adulto, Jesus abandonou o anonimato e começou a pregar, seguindo a carreira do primo João Batista. As relações com a família nunca foram cordiais, revelam os apócrifos. A mãe ficou aflita por Jesus ter se perdido na cidade aos 12 anos. Ele não a consolou, mas repreendeu-a. Mesmo Marcos, o evangelista do Novo Testamento, narra um episódio em que a mãe e os irmãos de Jesus tentam interromper uma pregação sua e este, irritado com quem o alertou da presença familiar, pergunta: ‘Quem é minha mãe? E meus irmãos?’ (Marcos 3, 31-35). Bernheim, autor de Tiago, Irmão de Jesus, julga que a pergunta seca seria uma resposta à oposição familiar a seu comportamento subversivo, que colocava em risco os parentes. ‘Designando os que estão sentados em volta dele como sua verdadeira família, ele indica claramente que sua família biológica não faz parte daqueles que cumprem a vontade de Deus’, observa Bernheim. A rispidez é recíproca. A família chamou-o de louco.

No evangelho apócrifo de Maria, ela chega a desconfiar das visões do filho. Nele, a mãe de Jesus conta que o primeiro contato de Cristo com a morte foi aos 6 anos, ao ver o avô Joaquim no sheol, o lugar dos mortos dos judeus. Ao ser inquirido sobre como obteve essa informação sobre o mundo sobrenatural, Jesus teria respondido: ‘De meu Pai’. Maria olhou fixamente o filho e perguntou mais uma vez: ‘José lhe disse que seu avô está vivo? Falou da ressurreição dos mortos?’ Conclusivo, Jesus teria respondido: ‘Não, não foi José’. Tal informação só poderia, então, ter partido do próprio Deus.

Assim como existem dois pais, também existem dois Jesus para os historiadores. Um seria Cristo. Outro seria o judeu Yeshua, condenado à morte por desafiar os romanos e o Templo de Jerusalém em plena Páscoa. O historiador Flávio Josefo escreveu sobre sua morte. Ele também conta que o sumo sacerdote Anás convocou uma sessão do Sinédrio e obrigou Tiago, ‘o irmão de Jesus, chamado o Cristo’, a apresentar-se diante dele. ‘Qualquer leitor sem preconceitos concluiria que Maria e José tiveram outros filhos’, diz o autor do polêmico livro O Outro Jesus, Antonio Piñero, da Universidade Complutense de Madri. Para o estudioso, Maria teve relações normais com José depois do nascimento prodigioso de Cristo. Ou seja, não criou os filhos do viúvo, mas teve os próprios depois de Jesus. Só mesmo uma mãe cheia de filhos poderia ter perdido um deles numa peregrinação e só se dar conta quase um dia depois.

Piñero refere-se ao episódio descrito no evangelho canônico de Lucas, quando Maria encontra finalmente o filho perdido de 12 anos, discutindo no Templo com eruditos e doutores da Lei. E por que não pregando aos irmãos? ‘Porque eles não acreditavam em Jesus e, em algum momento, tentaram mesmo boicotar sua carreira’, responde o catedrático. Não conseguiram. Numa sexta-feira, um cadáver foi sepultado por Nicodemos e José de Arimatéia. Na manhã do domingo, ressurgiu dentre os mortos. Era Jesus. Não o histórico, mas o Deus encarnado. É essa ressurreição que milhões de cristãos comemoram na Páscoa.

A verdade sobre maria

Introdução

Leia isto primeiro

A propósito do livro “Irmãos de Jesus e filhos de Maria”, de autoria do Pe. Paulo Horneaux de Moura Filho onde ele defende a posição Católica a respeito da Mãe de Jesus, resolvi escrever este livro, mostrando a concepção bíblica quanto a Maria.

Se você, leitor, for um Católico, gostaria que lesse o livro até o fim, principalmente se você conhece o trabalho do Pe. Paulo, pois assim poderá fazer um julgamento mais profundo, conhecendo “os dois lados da moeda”.

Uma certa vez ouvi um adágio mais ou menos assim: “em toda discussão existe sempre a sua versão, a versão do outro e a verdade.” Por isso animo-o tentar descobrir a verdade. Até porque, se a posição protestante-evangélica for a errada, você terá mais segurança no que crê.

Ao final do livro coloquei um apêndice com todos os versículos bíblicos importantes, para, caso você não esteja com uma Bíblia em mãos, possa consultar a referência sem maiores dificuldades. Lembre-se, devemos sempre fazer como os cristãos de Beréia em At 17.10-11 “E logo, de noite, os irmãos enviaram Paulo e Silas para Beréia; tendo eles ali chegado, foram à sinagoga dos judeus. Ora, estes eram mais nobres do que os de Tessalônica, porque receberam a palavra com toda avidez, examinando diariamente as Escrituras para ver se estas coisas eram assim (grifo acresc.).

Em nenhum momento meu desejo é ofender a fé de ninguém. Procurei ser o mais simples possível e, se em algum momento uma palavra do livro lhe parecer rude, por favor queira me perdoar.

Que Deus possa nos abençoar e que a cada dia “conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como a chuva serôdia que rega a terra.” – Os 6.3.

O que é Deus

Pode parecer estranho dizer o que é Deus ao invés de quem é Deus, mas é isso mesmo que precisamos saber antes de mais nada.

Nós, cristãos evangélicos e católicos, acreditamos na Trindade, ou seja, na Pessoa do Pai, do Filho e do Espírito Santo como sendo o nosso Deus. Mas este fato tem sido ponto de muita polêmica e confusão pelo mau entendimento que se tem, por parte de alguns, acerca da Trindade.

Não é fácil de explicar, muito menos de entender quando a Bíblia fala que há um só Deus ( Dt 6.4; I Tm 2.5a, Rm 3.30, I Co 8.6, Ef 4.6.) e nós dizemos que eles são três.

Como explicar que há um só Deus em três pessoas distintas, Pai Filho e Espirito Santo.
Vamos aprender, primeiramente o que é uma pessoa e depois o que é uma pessoa divina. Ai então aprenderemos que a Trindade não é nenhum absurdo.

O que é uma pessoa ? Uma árvore é uma pessoa ? Um cachorro é uma pessoa ?

Deus é uma pessoa ? E os homens, são pessoas ? Qual a diferença entre uma pessoa e uma “não-pessoa” ?

Todos estes acima são seres. Temos aí ser humano, ser divino, ser animal e ser vegetal. Para que um ser seja considerado pessoa ele tem que reunir ao mesmo tempo três características: sentimento, vontade (volição) e intelecto.

A árvore, todos concordam, pode até possuir sentimento, mas com certeza não possui intelecto nem vontade. O cachorro possui sentimento e vontade, mas não intelecto.

Veja, não faça confusão entre instinto e intelecto. Se os animais tivessem intelecto eles seriam capazes de aprender matemática, por exemplo.

Sobraram dois seres para serem analisados: Deus e os homens. Quanto aos homens nenhuma dúvida. Você, e todos nós possuímos as três características, mas e Deus ?

Para não ser muito extenso, concluo que todos os leitores não tenham dúvida quanto a personalidade do Pai. Ele tem intelecto, sentimento e vontade. O mesmo se pode dizer de Jesus, que viveu na terra como um homem comum, por isso possui os três atributos de pessoas. Fica um pouco de dúvida em relação ao Espírito Santo, porém vejamos:

Intelecto: I Co 2.10-11, Jo 14.26

Sentimento: Ef 4.30

Vontade: I Co 12.11, At 8.29; 13.4

Outra categoria de pessoa é a dos anjos, pois eles também possuem intelecto ( I Pe 1.12 ), sentimento ( Lc 2.13 ) e vontade (Jd 6 ).

Conclusão:

Encontramos três classes de pessoas: pessoa humana; pessoa angelical; pessoa divina. A classe de pessoa humana é formada por cerca de 6 bilhões de seres humanos ( esta é a estimativa da população da terra hoje ). A classe de pessoa angelical é formada por “miríades de anjos” ( Hb 12.22 ) Veja ainda Ap 5.11 “E olhei, e vi a voz de muitos anjos ao redor do trono e dos seres viventes e dos anciãos; e o número deles era miríades de miríades; e o número deles era miríades de miríades e milhares de milhares”. No entanto, a classe de pessoa divina é formada por três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Agora poderemos esclarecer ainda outro detalhe: a questão da divindade. Seriam três deuses, já que provamos serem três pessoas distintas ? As características para uma pessoa ser considerada divina são: Onisciência ( ter todo o conhecimento, do passado, presente e futuro), Onipresença ( estar presente em todo lugar ao mesmo tempo ) e Onipotência ( possuir todo o poder ) e ainda a Eternidade (nunca ter tido princípio nem terá fim ). Mais uma vez, para não ser extenso, não vamos detalhar sobre a pessoa do Pai. Vamos nos deter na pessoa do Filho e do Espírito.

Com isso chegamos finalmente à conclusão final: o Deus dos cristãos é formado por três pessoas divinas. Esta conclusão é importante pois somente estas três são divinos. Ninguém mais é.

A despeito de serem três pessoas, não são três deuses. A dificuldade está no fato de, talvez, usarmos a palavra Deus quando nos referimos ao Pai e também quando nos referimos às pessoas da Trindade. Mas quando olhamos para exemplos humanos, o entendimento fica mais fácil.

Quantos governos de nível federal o país tem? Apenas um. O Brasil só tem um governo federal, no entanto ele é formado por vários homens. Um presidente, vários ministros, etc. Entretanto, é comum nos referirmos ao presidente como o governo. Ex.: O governo está aumentando impostos. Quando vemos um casal e seus filhos ( um ou mais ) dizemos que eles são uma família, a despeito de serem, no mínimo, três pessoas diferentes.

A natureza nos fornece um exemplo bastante claro. A água, formada pelos elementos químicos hidrogênio e oxigênio ( H2O ) se apresenta em três estados: líquido, gasoso e sólido. A essência é única, mas podemos ver três estados distintos. Por último, a palavra pai se refere ao homem que tem filhos. Mas a palavra pais, tanto pode ser o plural de pai como estar se referindo ao homem e a mulher que tiveram um filho.

Quando dirijo ao Pai com a palavra Deus, é como se estivesse falando do meu pai.

Quando me dirijo à Trindade, ou a uma das outras duas pessoas dela, seria como se eu falasse: meus pais são uma bênção ( ou seja, minha mãe e meu pai juntos ).Idolatria

A definição mais singela para idolatria é: colocar no lugar de Deus qualquer outra coisa.

Acredito que não há um só cristão que não concorde com esta afirmativa e é aqui que começa a diferença entre os católicos e protestantes. Os católicos se ofendem quando são chamados de idólatras, e se defendem com muitos argumentos, mas também não se pode negar que existe uma espécie de idolatria secularizada entre muitos evangélicos. Dizer que todos os católicos são idólatras é generalizar, bem como dizer que nenhum evangélico não é idólatra.

Como o ponto central deste trabalho é falar sobre a pessoa de Maria, a mãe de Jesus, vamos nos deter a ela, tomando o cuidado de não nos desviarmos para outros assuntos. Por outro lado, a intenção não é ofender nem denegrir o caráter e a pessoa de Maria. Ele é sem dúvida a mais bem aventurada mulher que já passou pela face da terra. Ela deve ser imitada e considerada com mais alta estima , porém, o que passar disso é idolatria.

As Marias

O NT fala de seis Marias: 1- Maria, mãe de Jesus; 2- Maria, mulher de Cléopas; 3- Maria Madalena; 4- Maria de Betânia, irmã de Lázaro e Marta; 5- Maria, mãe de João Marcos, primo de Barnabé; 6- Maria de Roma. Vamos ver o que a Bíblia fala de cada uma delas, começando pelas últimas.

Maria de Roma. Designada “de Roma” pelo simples fato de ser mencionada em Rm. 16.6 como membro da Igreja em Roma, e que tinha servido muito àquela Igreja. Nada mais se diz desta Maria.

Maria, mãe de Marcos, primo de Barnabé. At 12.12 cf Cl 4.10. A única coisa que se pode dizer desta Maria é que ela cedia sua casa para reuniões de oração. Decerto era uma mulher piedosa e muito fiel.

Maria, irmã de Lázaro e Marta. Lc 10.38-42; Jo 11. As referências bíblicas desta Maria são conclusivas, e não há nada que se precise acrescentar. Esta Maria era sem dúvida, uma das mais dedicadas ouvinte de Jesus.

Maria Madalena. Esta foi a mulher de quem Jesus expulsou 7 demônios, Mc 16.9; Lc 8.2. Nascida em Magdala, daí o nome Madalena, estava sempre em companhia das outras duas Marias, a mãe de Jesus e a mulher de Cléopas.

Maria, mulher de Cléopas. Esta é a Maria confundida como sendo irmã da Maria, mãe de Jesus. Jo 19.25. Ela era mãe de Tiago, o menor, e José, Mt 27.56; Mc15.40; Lc 24.10.

Infelizmente, por causa da coincidência de nomes, ficou “fácil” fazer as confusões em relação ao tema. Por isso vamos ter que ver quantos Tiagos e quantos Josés a Bíblia fala. Mas, antes de prosseguir, fica já aqui a primeira pergunta: por que os pais de Maria, mãe de Jesus e Maria, mulher de Cléopas poriam o mesmo nome nas duas filhas, caso elas fossem mesmo irmãs ?

Os Josés

Da mesmas forma como são vários Tiagos, a Bíblia fala de muitos Josés. No NT temos:

1. José, esposo de Maria, Mt 1.16; Lc 3.23.

2. José de Arimatéia, e membro do Sinédrio. Reclamou o corpo de Jesus para sepultá-lo após a sua morte, Mt 27.57-60;Mc 15.43; Lc 23.50-53; Jo 19.38

3. José Justo, também chamado de Barsabás ( filho de Sabás ). Foi um dos indicados para assumir a vaga de Judas Iscariotes, At 1.21-26.

4. José de Antioquia, mais conhecido por Barnabé, amigo íntimo de Paulo, At 4.36.

5. José, irmão de Tiago, filho de Maria, mulher de Cléopas, Mt 27.56; Mc 15.40; Jo 19.25.

6. José, irmão de Jesus e filho de Maria, Mt 13.55.Os Tiagos

O NT nos fala de quatro Tiagos diferentes:

1.Tiago, filho de Zebedeu. Mt 4.21; 10.2; Mc 1.19; 3.17. Foi um dos primeiros discípulos e um dos mais chegados. Era sócio dos irmãos Pedro e André num negócio de pescaria, Lc 5.10 e foi este Tiago que morreu à espada, a mando de Herodes Agripa I, At 12.2.

2. Tiago, filho de Alfeu ( Cléopas ou Cleofas são variações do nome Alfeu ). É o segundo Tiago nas listas dos 12 apóstolos, Mt 10.2-4; Mc 3.16-19; Lc 6.14-16.

3. Tiago, pai ou irmão do apóstolo Judas, não o Iscariotes, Lc 6.16; At 1.13.

4. Tiago, filho de Maria, mãe de Jesus. Mt 13.55-58; Mc 6.3. Tornou-se proeminente líder da Igreja apostólica e escreveu a epístola de Tiago. Gl 1.19 nos diz: “Mas não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor”. Este testemunho de Paulo é importante, pois ele não trata a ninguém mais com esta forma “irmão do Senhor”, além de distinguir este irmão dos demais apóstolos-irmãos

É verdade que a palavra irmão tem vários significados, porém, quando não há pontos em comum, duas pessoas não se consideram irmãs. É possível que eu trate por irmão um estranho pelo simples fato dele torcer pelo mesmo time que eu. Mas, ainda que seja alguém muito chegado, se ele torcer por outro time, eu nunca o tratarei como irmão. É preciso haver algum ponto de identificação.

No texto de Jo 7.1-5, ( “Depois disto andava Jesus pela Galiléia; pois não queria andar pela Judéia, porque os judeus procuravam matá-lo. Ora, estava próxima a festa dos judeus, a dos tabernáculos. Disseram-lhe, então, seus irmãos: Retira-te daqui e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque ninguém faz coisa alguma em oculto, quando procura ser conhecido. Já que fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo.

Pois nem seus irmãos criam nele” ) ( grifos acrescentados ), é claro quando João reproduz a fala de algumas pessoas, às quais ele chama de irmãos de Jesus. Pelo contexto e pelo modo de falar destes, o único sentido da palavra irmão é que só podiam ser irmãos de Jesus no sentido de serem filhos de mesmos pais.

É preciso analisar cuidadosamente o modo de falar: “teus discípulos vejam…” Esses que falavam com Jesus parece que não eram seguidores do Mestre; não se identificavam com ele. Portanto a palavra irmãos, neste texto pede um único significado: irmãos, filhos de mesmos pais.

Vejamos mais um texto, At 1.12-14 – “Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras, que está perto de Jerusalém, à distância da jornada de um sábado. E, entrando, subiram ao cenáculo, onde permaneciam Pedro e João, Tiago e André, Felipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão o Zelote, e Judas, filho de Tiago.

Todos estes perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele” ( grifos acrescentados ).

Aqui o evangelista Lucas faz questão de distinguir as demais mulheres de Maria; os apóstolos dos irmãos de Jesus. Se Lucas não tivesse se referindo ao sentido de irmãos como filhos de mesmos pais, por que esta forma de escrever? Devemos levar em consideração que Lucas já tinha em mente as diferenças de sentido da palavra irmãos, pois ele mesmo escreveu as palavras de Jesus em seu Evangelho, capítulo 8.19-21 “Ele, porém, lhes respondeu: Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e a observam”.Maria, Mãe de Jesus

Como já disse anteriormente, a maioria dos evangélicos têm Maria na mais alta estima, considerando-a a mais bem aventurada de todas as mulheres. A diferença é que nós não a adoramos como sendo aquilo que ela não é.

Infelizmente alguns evangélicos mais eloqüentes acabam exacerbando o tema e assim ofendendo a fé Católica. Não é este o objetivo deste trabalho. A bem da verdade muitos evangélicos partem para outro extremo, banalizando a pessoa de Maria.

Vamos ver o que Jesus falava de sua mãe.

Mt 12.46-50 “Enquanto ele ainda falava às multidões, estavam do lado de fora sua mãe e seus irmãos, procurando falar-lhe. Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, e procuram falar contigo. Ele, porém, respondeu ao que lhe falava: Quem é minha mãe? e quem são meus irmãos ? E, estendendo a mão para os seus discípulos disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Pois qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe”.

Mc 3.31-35 “Chegaram então sua mãe e seus irmãos e, ficando da parte de fora, mandaram chamá-lo. E a multidão estava sentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos estão lá fora e te procuram. Respondeu-lhes Jesus, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos! E olhando em redor para os que estavam sentados à roda de si, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos! Pois aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe”.

Lc 8.19-21 “Vieram, então, ter com ele sua mãe e seus irmãos, e não podiam aproximar-se dele por causa da multidão. Foi-lhe dito: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora, e querem ver-te. Ele, porém, lhes respondeu: Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e a observam”.

O que vemos nestes textos é a chegada de Maria com seus filhos legítimos tentando falar com Jesus. A tradição Católica afirma que estes eram primos de Jesus, filhos de Maria Cléopas. Já mostramos anteriormente que esta Maria Cléopas não era a irmã de Maria, mãe de Jesus. É importante que para concluir isto você leia todos os textos citados referindo-se aos dois filhos de Cléopas, Tiago e José, para confirmar esta afirmação.

A base para se dizer que eram primos de Jesus está nas últimas palavras de Jesus, quando ele aponta para todos os presentes e diz que todos eram seus irmãos, desde que fizessem a vontade do Pai. Se acompanharmos esta linha de raciocínio, somos obrigados a aplicá-la também a Maria. E o que Jesus diz? Qualquer mulher é igual a Maria, ou se olharmos por outro ponto de vista (perdoe-me, mas não quero ofender ninguém) Jesus rebaixa Maria a uma mulher comum. “Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e a observam”.

Deixe-me através da comparação de três versículos mostrar que a irmã de Maria é Salomé, e não Maria Cléopas.

Uma das mais “chatas” passagens para explicar é o episódio da bodas de Caná. Os Católicos afirmam que ali está a prova de que Maria é a intercessora dos homens.

Mas, muito mais esclarecedor são as palavras de Jesus. Jo 2.1-4 é traduzido assim por uma edição Católica publicada pelo Círculo do Livro. “No terceiro dia houve umas bodas em Caná da Galiléia e estava presente a mãe de Jesus. Também fora convidado para a festa de casamento Jesus com seus discípulos. Tendo acabado o vinho, disse a mãe para Jesus: ‘eles não têm vinho’. Respondeu-lhe Jesus: ‘Mulher, o que há entre mim e ti ?’”. ( grifos acrescentados )

A nota de rodapé desta mesma edição diz: “(…) A resposta, segundo outros paralelos bíblicos, significa divergência de interesses e mesmo recusa; agora, na vida pública, Jesus não pode mais obedecer à sua mãe como em Nazaré. Também os sinópticos relatam respostas semelhantes que significam o tempo de separação entre Mãe e Filho.” (grifos acrescentados).

Também comenta a nota de rodapé da Tradução Ecumênica: “…em certos contextos isto pode significar: por que te intrometes ? … Ela indica diferença de planos entre os interlocutores. Efetivamente, a ação de Jesus vai situar-se num nível que ultrapassa muitíssimo o nível que Maria devia normalmente ter em vista.”

Pode-se deduzir deste comentário, com clareza, que Maria não foi muito feliz quando tentou assumir o papel de intercessora dos homens, papel este que cabe a Jesus, exclusivamente.

A Bíblia é conclusiva quando diz: “porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” – I Tm 2.5.O Magnificat

Lucas 1.46ss – “Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador; porque atentou na condição humilde de sua serva. Desde agora, pois, todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes coisas; e santo é o seu nome. E a sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem. Com o seu braço manifestou poder; dissipou os que eram soberbos nos pensamentos de seus corações; depôs dos tronos os poderosos, e elevou os humildes.

Aos famintos encheu de bens, e vazios despediu os ricos. Auxiliou a Isabel, seu servo, lembrando-se de misericórdia (como falou a nossos pais) para com Abraão e a sua descendência para sempre. E Maria ficou com ela cerca de três meses; e depois voltou para sua casa”.

Entres o evangélicos mais sérios, nunca se discutiu a posição honrosa de Maria, mas os Católicos se utilizam desta passagem para endeusar a mãe de Jesus. Se Maria fosse Imaculada sem pecado desde o ventre de sua mãe, porque ela mesmo testemunha que precisa de um Salvador ?

Quando Isabel saúda Maria com um “bendita” ou “bem aventurada” não há porque maximizar as palavras da prima e dizer daí que Maria foi a única mulher digna de tal saudação. Veja Mt 5.1-11 – “Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo se assentado, aproximaram-se os seus discípulos, e ele se pôs a ensiná-los, dizendo: Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque eles serão fartos.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus. Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguiram e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa” ( grifos acrescentados )

Não podemos deixar de mencionar também uma outra mulher que chamou Maria de Bem-aventurada. Vejamos Lc 11.27-28 – “Ora, enquanto ele ( Jesus ) dizia estas coisas, certa mulher dentre a multidão levantou a voz e lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que te amamentaste. Mas ele respondeu: Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus, e a observam”. Se a saudação de Isabel valida uma posição divina para Maria, Jesus diz que mais do que Maria seriam todos os demais que obedecem a Deus.

A origem da Rainha dos Céus

O título de Rainha dos Céus teve uma origem totalmente pagã e há que se levar em conta a “coincidência” de informações e concluir que há um certo sincretismo pagão e pecaminoso.

Um artigo baixado da Internet que trata do Natal, nos fornece informações valiosas sobre a Rainha dos Céus.

“Ninrode, neto de Cão, filho de Noé, foi o verdadeiro fundador do sistema babilônico que até hoje domina o mundo – Sistema de Competição Organizado – de impérios e governos pelo homem, baseado no sistema econômico de competição e de lucro. Ninrode construiu a Torre de Babel, a Babilônia primitiva, a antiga Nínive e muitas outras cidades. Ele organizou o primeiro reino deste mundo. O nome Ninrode, em Hebraico, deriva de ‘Marad’ que significa ‘ele se rebelou, rebelde’.

Sabe-se bastante de muitos documentos antigos que falam deste indivíduo que se afastou de Deus. O homem que começou a grande apostasia profana e bem organizada, que tem dominado o mundo até hoje. Ninrode era tão perverso que se diz que casou-se com sua mãe, cujo nome era Semíramis. Depois de sua morte prematura, sua mãe-esposa propagou a doutrina maligna da sobrevivência de Ninrode como um ente espiritual. Ela alegava que um grande pinheiro havia crescido da noite para o dia, de um pedaço de árvore morta, que simbolizava o desabrochar da morte de Ninrode para uma nova vida.

Todo ano, no dia de seu aniversário de nascimento ela alegava que Ninrode visitava a árvore ‘sempre viva’ e deixava presentes nela. O dia de aniversário de Ninrode era 25 de dezembro, esta é a verdadeira origem da ‘Árvore de Natal’!

Por meio de suas artimanhas e de sua astúcia, Semíramis converteu-se na ‘Rainha do Céu’ dos Babilônicos, e Ninrode sob vários nomes, converteu-se no ‘Divino Filho do Céu’.

Por gerações neste culto idólatra. Ninrode passou a ser o falso Messias, filho de Baal: o deus-Sol. Nesse falso sistema babilônico, ‘a mãe e a criança’ ou a ‘Virgem e o menino’ (isto é, Semíramis e Ninrode redivivo), transformaram-se em objetos principais de adoração.

Esta veneração da ‘virgem e o menino’ espalhou-se pelo mundo afora; o presépio é uma continuação do mesmo, em nossos dias, mudando de nome em cada país e língua. No Egito chamava-se Isis e Osiris, na Ásia Cibele e Deois, na Roma pagã Fortuna e Júpiter, até mesmo na Grécia, China, Japão e Tibete encontra-se o equivalente da Madona (minha dona ou minha senhora), muito antes do nascimento de Jesus Cristo!

Portanto durante os séculos quarto e quinto, quando centenas de milhares de pagãos do mundo romano adotavam o novo ‘cristianismo popular’ levando consigo as antigas crenças e costumes pagãos, cobrindo-os sobre nomes cristãos, popularizou-se também a idéia da ‘virgem e o menino’ ( Maria após o nascimento de Jesus, manteve relações íntimas com seu marido segundo as escrituras – Mateus 1:24-25 – ‘E José, tendo despertado do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu sua mulher; e não a conheceu enquanto ela não deu à luz um filho; e pôs-lhe o nome de JESUS.’ Dizer que ela permaneceu virgem é um reflexo claro desta doutrina satânica pagã ) especialmente durante a época do Natal. Os postais de Natal, as decorações e representações, do presépio, as músicas da noite de Natal, como seu tema ‘Noite Feliz’, repetem ano após ano esse tema popular da ‘virgem e o menino’”.

Podemos tecer mais algumas considerações. O Evangelho de Marcos foi escrito por volta do ano50 d.C., 20 anos após a ressurreição de Cristo. Por que ele não falou nada sobre a morte, a ressurreição e ascensão de Maria. João escreveu seu Evangelho por volta de 85-90 d.C. Há que se levar em conta que ele ficou responsável por cuidar de Maria, Jo 19.27. Por que também ele foi tão relapso a respeito ?De acordo com o Pe. Paulo Horneaux de Moura Filho, Maria se casou com cerca de 16 ou 17 anos. Jesus nasceu quando ela tinha 18. Se somarmos à data mais recuada do evangelho de João, 85 d.C., teremos Maria com 121 anos. Se Maria Ganhou tanta proeminência a ponto de ser tida como a Rainha dos Céus, por que João não fala nada a respeito ? Por que nenhum historiador, cristão ou não, que viveu até tal data, ou um pouco mais, deixou de registrar acontecimento tão importante.

Um argumento fraco, mas que deve ser levado em consideração é que naquela época raríssimas mulheres chegavam a idade tão avançada. Há uma grande possibilidade de Maria ter morrido antes de João, já que há indícios de que o apóstolo chegou a regressar do exílio em Patmos e fixar residência em Éfeso. Como Apocalipse foi escrito em Patmos, em não menos de 90 d.C., e há também indícios de que João ainda vivia em 107 d.C., como ele pôde “abandonar” assim a Mãe de Jesus depois da recomendação do Mestre ? Será que Maria viveu pelo menos até depois da morte de João, com 143 anos no mais completo anonimato ???

Os Católicos recorrem às tradições para explicar coisas quando elas não têm fundamento bíblico. Se ao chegar a este ponto, você leitor, usar deste artifício, nada posso dizer mais. Quanto a mim, entre ficar com uma tradição, que não possui documento, ainda que histórico, confiável, prefiro ficar com o que a Bíblia diz.

Jesus versus Maria

Foi muito oportuna a matéria publicada pela revista Defesa da Fé, do Instituto Cristão de Pesquisas ( www.backnet.com.br/icp, e-mail: icp.sp@zaz.com.br, tel. (011)7396-1565 ), “Odeiam os evangélicos Maria, mãe de Jesus ?” Ali há uma séria de comparações acerca do que os Católicos Romanos dizem sobre Maria mas que a Bíblia os atribui a Jesus. Ei-los abaixo:

De acordo com a revista, as citações sobre o que diz a Igreja Católica foram extraídas do livro “‘Glórias de Maria’/ Santo Afonso Maria de Liguori, versão da 11a edição italiana pelo Pe. Geraldo Pires de Souza – 3a edição, Aparecida, SP; Editora Santuário, 1989″.

Diz a Igreja Católica, Diz a Bíblia

“Maria, âncora da Salvação”. Jesus, âncora da salvação – I Tm 1.1; At 4.12

“Confiança em Maria” Confiança em Jesus – Ef 1.21-23

“Maria é a Rainha da Misericórdia”. Jesus é o Sumo-Sacerdote de quem recebemos misericórdia – Hb 4.15-16

“Maria, protetora dos pecadores”. Jesus, o Salvador dos Pecadores – Hb 7.25; Jo 6.37

“Maria sofreu por nós” Jesus sofreu por nós – Hb 10.12-14

“Maria não pode deixar de nos amar Jesus é quem tem o maior amor – Jo 15.13

“Maria deu sua vida por nós”. Jesus deu a vida por nós – Rm 5.8; I Jo 3.16;Jo 10.15

“Maria, portadora da graça “. Jesus é o portador exclusivo da graça – Jo 1.17

“Perdão de Pecados por intercessão de Maria” Perdão de Pecados é obra exclusiva de Jesus- I Jo 1.7; 2.12

“Maria acolhe os pintinhos sob suas asas” Jesus acolhe os pintinhos sob suas asas – Mt 23.37

“Maria, o caminho da Salvação” Jesus, o caminho da Salvação – Jo 14.6; AT16.30

“Maria é nosso conforto – …Como fogem os demônios à presença de N.Sª” Jesus é o nosso conforto – Mt 11.28; Mc 16.17 ” em meu nome expelirão demônios”

“Maria é nosso auxílio no tribunal divino” Jesus é nosso auxílio – I T 1.1,15

“Maria é a esperança de todos os homens” Jesus é a esperança de todo os homens – At

“Maria, nossa advogada” Jesus é nosso advogado – I Jo 2.1

“Maria, nossa redentora” Jesus, nosso redentor – Jo 6.37; I Tm 2.6

“Maria é onipotente” Jesus é onipotente – Mt 28.18; Ap 1.8

“Maria esmagou a cabeça da serpente” Jesus esmagou a cabeça da serpente – Lc 10.17,19; Rm 16.20

“Maria, coluna de nuvem e fogo” Jesus, coluna de nuvem e fogo – Jo 1.9; 8.12

“Toda honra deve ser tributada a Maria” Toda honra deve ser tributada a Jesus – Jo5.23; Ap 5.11,12

“Maria, nossa medianeira” Jesus, nosso único mediador – Jo 14.6; I Tm 2.5

“Maria concebida sem pecado” Jesus o único concebido sem pecado – Lc 1.46; Gl 3.22; Hb 7.26; Rm 3.10; 6.23;

“Maria, Rainha do céu” Jesus é o rei dos reis – Jr 7.18; I Co 8.5-6; I Tm 6.14-15

Os Irmãos de Jesus

O Dr. John D. Davis diz o seguinte sobre o tema: “Relação de parentesco atribuída a Tiago, José, Simão e Judas, Mt 13.55; Mc 6.3, que aparecem em companhia de Maria, Mt 12.47-50; Mc 3.31-35; Lc 8.19-21, foram juntos para Cafarnaum no princípio da vida pública de Jesus, Jo 2.12, mas não creram nele senão no fim da sua carreira, Jo 7.4-5.

Depois da ressurreição, eles se acham em companhia dos discípulos, At 1.14 e mais tarde os seus nomes aparecem na lista dos obreiros cristãos, I Co 9.5. Tiago, um deles, salientou-se como líder na Igreja de Jerusalém, At 12.17; 15.13; Gl 1.19; 2.9, e foi autor da epístola que traz o seu nome. Em que sentido eram eles irmãos de Jesus?

Tem sido assunto de muitas discussões. Nos tempos antigos julgava-se que eram filhos de José, ( marido de Maria ) do primeiro matrimônio. O seu nome não aparece mais na história do evangelho. Sendo José mais velho que Maria, é provável que tivesse morrido logo e que tivesse casado antes. Esta opinião é razoável, mas em face das narrativas de Mt 1.25; e Lc 2.7 não é provável. No quarto século, S. Jerônimo deu outra explicação, dizendo que eram primos de Jesus, pelo lado materno, filhos de Alfeu ou Cléofas com Maria, irmã da mãe de Jesus. Esta explicação se infere, comparando Mc 14.40 com Jo 14.25, e a identidade dos nomes Alfeu e Cléofas.

Segundo esta idéia, Tiago, filho de Alfeu, e talvez Simão e Judas, contados entre os apóstolos, fossem irmãos de Jesus. Porém, os apóstolos se distinguem dos irmãos, estes, nem ao menos, criam nele, e não é provável que duas irmãs tivessem o mesmo nome. Outra idéia muito antiga é que eles eram primos de Jesus pelo lado paterno e outros ainda supõem que eram filho da viuva ou irmão de José, Dt 25.5-10. Todas estas opiniões ou teorias, parecem ter por fim sustentar a perpétua virgindade de Maria. O que parece mais provável e mais natural é que eles eram filhos de Maria depois do nascimento de Jesus. Que esta teve mais filhos é claramente deduzido de Mt 1.25; Lc 2.7 que explica a constante associação dos irmãos do Senhor com Maria.”1

O Pe. Paulo H.M. Filho, em seu livro “Irmãos de Jesus e filhos de Maria” refuta os demais filhos com uma certa conta matemática. Ela diz que Maria teve Jesus com 18 anos. Cita Lc 2.41-52 dizendo que até aos 12 anos de Jesus, este era seu único filho.

Diz também que o possível último filho nasceu quando Maria tinha 48 anos e conclui que isto seria um absurdo.

Vejamos: a Bíblia não fala que Jesus era o único filho no episódio de Lc 2.41-52. ela simplesmente omite, daí é razoável achar que estes irmão ( pelo menos dois ou três ) já existissem. Por outro lado, não é nenhum absurdo achar que Maria não pudesse conceber aos 48 anos. Sara, mulher de Abraão deu à luz Isaque com 91 !A Virgindade de Maria

Alguns textos totalmente fora de seu contexto são citados para “provar” a eterna virgindade de Maria. Não quero aqui estender o assunto, até porque já está provado que os irmãos de Jesus não eram primos, eram irmãos mesmo.

Dizer que o ventre santo de Maria iria se macular por outra gravidez, é uma idéia ascética e puritana. Afinal, o sexo foi criado por Deus e, dentro do matrimônio, ele é abençoado pelo Pai, Hb 13.4.

Não há a mínima base Bíblica para se afirmar tal fato. O que existe é uma base pagã para mostrar que essa idéia é distorcida, e, digamos, perigosa, como já foi visto um pouco mais atrás.

Mariolatria

Os Católicos não aceitam quando dizemos que adoram Maria, mas é isto que se vê quando analisamos o que se diz sobre Maria no meio católico e as inúmeras invocações a ela. ÊXODO 20.1-7 “Então falou Deus todas estas palavras, dizendo: Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.

Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos. Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão.

Os Católicos dizem que não adoram Maria, mas no livro Orações de Poder, da editora Raboni, encontramos um grande número de orações e invocações, não só a Maria, mas a um outro tanto número de “santas”. Expressões de louvor como “mãe de Deus”, “santa”, “imaculada”, “excelsa” permeiam todo o livro.

Imagem e fotos de Maria são colocadas em vários lugares. Procissões carregando imagens de Maria são comuns em todas as partes do país. Maria é invocada em todas as igrejas locais católica. O que é isso senão idolatria ? Como interpretar estas atitudes de católicos à luz de Ex 20 ?

Citam os católicos a imagem da serpente, que Moisés levantou no deserto. Esquecem que o episódio não foi para adorarem a serpente. Ela era um tipo de Cristo, que deveria ser levantado numa cruz. Quando os israelitas passaram a adorar a serpente, veja o que fez o Rei Ezequias em II Rs 18.4 “Tirou os altos, quebrou as colunas, e deitou abaixo a Asera; e despedaçou a serpente de bronze que Moisés fizera (porquanto até aquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso), e chamou-lhe Neüstã.

Ainda é tempo de os católicos fazerem o mesmo. Não gostaria que todos os católicos “virassem crentes”, mas sim que conhecessem a verdade e a ensinassem como a Bíblia diz.

Para terminar, li em algum lugar que uma certa feita, um grupo de certos profissionais liberais, em sua associação comentavam que achavam um absurdo a Igreja Católica ensinar sobre a virgindade de Maria. Neste ínterim, eis que um colega que a tudo ouvia interrompe dizendo que este absurdo já durava 20 séculos, calando assim os críticos.

Se eu estivesse lá, diria ao nobre colega: meu amigo, como Católico que você é, diga-me o que acha de consulta aos mortos ? Talvez ele me citasse Dt 18.10-12.

Pois é, concluiria eu, este absurdo de consulta a mortos já dura muito mais de 20 século. Não é por durar muitos anos, que uma mentira passa a ser verdade.

A revista já citada termina de uma maneira que gostaria de fazer minhas as palavras dela:

“Somos inimigos da Maria bíblica ?

A resposta só pode ser uma: NÃO.

Cabe aqui a citação de Paulo em Gálatas 4.16:

‘Fiz-me acaso vosso inimigo, dizendo a verdade’”

Aparecida padroeira do Brasil

O Padre Júlio J. Brustoloni, missionário redentorista, no seu livro História de Nossa Senhora da Conceição Aparecida — A Imagem, o Santuário e as Romarias – p. 115, após achar que a imagem é motivo de contradição para muitos crentes (protestantes, evangélicos, especialmente Pentecostais), diz: O mais grave não é negar o culto à imagem de Nossa Senhora Aparecida, mas sim não aceitar o papel de Maria no plano de salvação estabelecido por Deus. Eles aceitam que o seu Filho nasceu de uma mulher, Maria, mas não reconhecem o culto devido àquela Mulher que esmagou com sua descendência a cabeça do demônio, e que, por vontade de Deus, foi colocada em nosso caminho de salvação para interceder por nós.

Com um único versículo da Bíblia, provavelmente muito conhecido pelo padre, sua teoria é desmontada: Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto (Mt 4.10b). Além do mais, não acreditamos que aquela imagem de barro, intitulada Nossa Senhora da Conceição Aparecida, seja um retrato de Maria, mãe do Senhor Jesus Cristo, conforme nos revela a Bíblia Sagrada.

São declarações como as do padre Júlio J. Brustoloni, ou o espantoso livro de S. Afonso de Ligório “As Glórias de Maria”, que transferem, sem a menor cerimônia, todos os atributos e honras que pertencem exclusiva-mente ao Senhor Jesus para Maria ou a tentativa malabarista da CNBB com o livreto “Com Maria, Rumo ao Novo Milênio” -uma forçosa tentativa de justificar o culto mariano, é que nos faz pronunciar, mostrando um outro caminho, aquele da Bíblia, sem retórica ou esforço, um caminho cândido, sereno e verdadeiro, com todo respeito e amor aos católicos ro­manos, que todo cristão deveria ter, apresentando-se firmes no tocante a sã doutrina (2 Tm 4.1-5).

Trata-se de uma pequena imagem de barro, medindo 39 centímetros e pesando aproximadamente 4,5 kg, sem o manto e a coroa, que foram acrescentados1. As Anuas dos Padres Jesuítas de 15 de janeiro de 1 750, dizem que, aquela imagem foi moldada em barro, de cor azul escuro; é afamada por causa dos muitos milagres realizados2. Dr. Pedro de Oliveira Neto, que estudou a imagem, apresentando o resultado em 13 de abril de 1967, afirma, em contrapartida:

A imagem encontrada pelos pesca-dores junto ao Porto de ltaguaçu, e que hoje se venera na Basílica Nacional, é de barro cinza claro, como constatei, barro que se vê claramente em recente esfola-dura no cabelo3. A mesma conclusão chegaram os artistas do MASP — Museu de Artes de São Paulo – em 1978, declarando:

Constatamos pelos fragmentos da Imagem em terracota, que ela é da primeira meta­de do século XV!!, de artista seguramente paulista, tanto pela cor como pela qualidade do barro empregado e, também, pela própria feitura da escultura (4). Essa pequena imagem feita de barro representa Maria para o catolicismo romano.

Segundo o Dr. Pedro de Oliveira Neto, a imagem de barro foi feita por um discípulo do Frei Agostinho da Piedade: A Imagem de Nossa Senhora Aparecida é paulista, de arte erudita, feita provavelmente na primei­ra metade de 1600, por discípulo, mas não pelo próprio mestre, do beneditino Frei Agostinho da Piedade. Os estudiosos, observando o estilo da imagem, concluíram que o autor da imagem foi o Frei Agostinho de Jesus, sendo provavelmente esculpida em 1650, no mosteiro beneditino de Santana de Parnaíba, SP (5).

Apresentaremos algumas hipóteses razoáveis, embora nunca tenhamos a certeza do fato. Nossa análise levará em consideração apenas as possibilidades culturais, religiosas e históricas. O livro de Gilberto Aparecido Angelozzi, Aparecida a Senhora dos Esquecidos, Ed Vozes; Capítulo III — p. 55-66, expõe alguns possíveis motivos sobre o assunto em questão.

Partindo do princípio de que realmente os pescadores acharam a imagem da Conceição Aparecida no rio, podemos então desenvolver as seguintes idéias:

A teoria de que a imagem foi trazida pelos colonizadores brancos

• Por famílias que se instalaram no vale do Paraíba;

pelos bandeirantes, pois eles carregavam imagens de Maria por onde quer que passas­sem;

• pelos missionários carmelitas, franciscanos e jesuítas que passaram por aquela região;

por algum comerciante ou vendedor ambulante e ter sido quebrada em sua bagagem;

poderia fazer parte de um oratório familiar e, ao ter sido quebrado o pescoço da imagem, ter sido lançada ao rio.

A teoria de que a imagem foi lançada no rio por escravos negros

Algum escravo negro, devido ao sincretismo religioso, poderia associar a imagem à de algum orixá, especialmente aos que estão associados às águas;

poderia ter lançado a imagem nas águas como um oferecimento a algum orixá, fazendo pedidos relacionados à saúde: engravidar, gravidez de risco, proteção à criança etc;

poderia ter sido lançado nas águas para se obter riquezas ,ouro, dinheiro, pedras preciosas etc.

A teoria das lendas indígenas

Uma lenda indígena relata que eles criam na grande cobra que habitava nos rios a Cobra Norato. Durante o dia era uma terrível cobra e à noite era um jovem que dançava com as moças. Algum padre teria lançado a imagem para proteger os índios;

Outra lenda diz que, na cidade de Jacareí, apareceu uma grande cobra e alguém a enfrentou lançando a imagem da Imaculada Conceição ao rio, fazendo com que a cobra fugisse. A teoria oficial da Igreja Católica Romana

O catolicismo romano possui duas fontes sobre o achado da imagem, que se encontram no Arquivo da Cúria Metropolitana de Aparecida (1 Livro do Tombo da Paróquia de Santo Antônio de Guaratinguetá) e no Arquivo Romano da Companhia de Jesus, em Roma (Annuae Litterae Provinciae Brasilíanae, anni 1748 et 1749)6.

A narrativa diz basicamente que, no ano de 1719, os pescadores Domingos Martins García, João Alves e Filipe Pedroso lançavam suas redes no Porto de José Corrêa Leite, prosseguindo até o Porto de ltaguassu. Lançando João Alves a sua rede de rastro neste porto, tirou o corpo da Senhora, sem cabeça. Lançando mais abaixo outra vez a rede, conseguiu trazer a cabeça da mesma Senhora. Não tinham até aquele momento apanhado peixe algum. A partir de então, fizeram uma copiosa pescaria que encheu as canoas de peixes. Após esse milagre, surgiram outros relacionados à imagem.

A explicação do Dr. Aníbal Pereira dos Reis

Segundo o Dr. Aníbal Pereira dos Reis ex-sacerdote, ordenado em 1949, formado em Teologia e Ciências Jurídicas pela Pontifica Universidade Católica de São Paulo, em seu livro A Senhora Aparecida, Edições Caminho de Damasco Ltda, SP, 1988; trata-se de uma grande armação do padre José Alves Vilela , pároco da matriz local. Segundo suas investigações, foi o padre José Alves Vilela quem colocou a imagem no rio e iniciou planejadamente a divulgação dos supostos milagres, além de estar manipulando todo tempo a imagem e divulgando seus supostos milagres.

Pequena cronologia da Imagem

1717— Pescadores apanharam no rio a Imagem da Conceição Aparecida

1745-1903 — A festa principal da Conceição Aparecida é celebrada em 08 de dezembro;

1888 — No dia 06 de novembro, a princesa Isabel visita pela segunda vez a basílica e deixa como ex-voto uma coroa de ouro cravejada de diamantes e rubis;

1929 — Celebração dos 25 anos da Coroação de Maria em um Congresso Mariano;

1930— No dia 16 de julho, o Papa Pio XI assina o decreto, declarando Conceição Aparecida a Padroeira do Brasil;

1931 — No dia 31 de maio, a imagem de barro da Conceição Aparecida é declarada, oficialmente, na Capital Federal a Padroeira do Brasil. Getúlio Dornelles Vargas, era o presidente naquela época.

Segundo o padre Júlio J. Brusto­loni, Na Esplanada do Castelo, outra multidão aguardava a chegada da Imagem Milagrosa. No grande estrado, junto do altar da Padroeira, encontravam-se o Presidente da Re­pública, Dr. Getúlio Dornelles Vargas, Ministros de Estado, membros do Corpo Diplomático credenciados junto do nosso governo,

e outras autoridades civis, militares e eclesiásticas. O Sr. Núncio Apostólico, Dom Aloísio Masella, estava ao lado do Presidente e sua família. Na Esplanada, a Imagem percorreu as diversas quadras para que o povo pudesse vê-la de perto, e, ao chegar ao altar, Dom Leme deu-a a beijar ao Presidente e sua família. Um silêncio profundo invadiu a Esplanada, quando a Imagem foi colocada no altar. Após o discurso de saudação, Dom Leme iniciou o solene ato da proclamação de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil7. Segundo relata o padre Júlio, após a cerimônia, o povo católico romano gritou: Senhora Aparecida, o Brasil é vosso! Rainha do Brasil, abençoai a nossa gente. Paz ao nosso povo! Salvação para a nossa Pá­tria! Senhora Aparecida, o Brasil vos ama, o Brasil em vós confia! Senhora Aparecida, o Brasil vos aclama, Salve Rainha!8

O QUE É IDOLATRIA

Vejamos algumas definições: Ídolo. S.m. 1. Estátua ou simples objeto cultuado como deus ou deusa, 2. Objeto no qual se julga habitar um espírito, e por isso venerado. 3. Fig. Pessoa a quem se tributa respeito ou afeto excessivo. Idólatra. Adj. 2 g. 1. Respeitante à, ou próprio da idolatria. 2. Que adora ídolos. 3. Idolátrico (2). * s. 2 g. 4. Pessoa que adora ídolos; Idolatrar. V t. d. 1. Prestar idolatria (1) a; amar com idolatria (1); adorar, venerar. 2. Amar com idolatria (2), com excesso, cegamente. Int. 3. adorar ídolos; praticar a idolatria (1). Idolatria. SE. 1. Culto prestado a ídolos. 2. Amor ou paixão exa­gerada, excessiva9. Idolatria- 1. Essa palavra vem do grego, eídolon, ídolo, e latreúein, adorar. Esse termo refere-se à adoração ou veneração a ídolos ou imagens, quando usado em seu sentido primário. Porém, em um sentido mais lato, pode indicar veneração ou adoração a qualquer objeto, pessoa, instituição, ambição etc, que tome o lugar de Deus, ou que lhe diminua a honra que lhe devemos ( 10).

O culto à imagem esculpida, deuses de fundição, imagem de escultura, estátua, figura de pedra, imagens sagradas ou ídolos é idolatria e profanam a ordem divina.

Não farás para ti imagens esculpidas, nem qualquer imagem do que existe no alto dos céus, ou do que existe embaixo, na terra, ou do que existe nas águas, por debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto (Ex 20.4)

Não vos voltareis para os ídolos, nem fareis para vós deuses de fundição. Eu sou o Senhor vosso Deus (Lv 19.4)

Não fareis para vós ídolos, nem para vós levantareis imagem de escultura nem estátua, nem poreis figura de pedra na vossa terra para inclinar-vos diante dela. Eu sou o Senhor vos­soDeus (Lv26.1)

Confundidos sejam todos os que adoram imagens de esculturas, que se gloriam de ído­los inúteis… (SI 9 7.7)

Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos do homem. Têm boca, mas não fa­lam, têm olhos, mas não vêem; têm ouvidos, mas não ouvem, têm nariz, mas não cheiram; têm mãos, mas não apalpam, têm pés, mas não andam; nem som algum sai da sua gar­ganta; Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem, e todos os que neles confiam. (SI .115.4-9 e 135.15-18)

A tua terra está cheia de ídolos, inclina­ram-se perante a obra das suas mãos, diante daquilo que fabricaram os seus dedos. Pelo que o homem será abatido, e a humanidade humilhada; não lhes perdoes! (Is 2.8-9)

… Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás (Mt 4.11; Lc 4.8)

O principal de todos os mandamentos é: Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor! Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a sua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças (Mc .12.29-30; Mt 22.37).

Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, pois o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e impor­ta que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade (Jo.4.23-24)

Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em si mesmo vendo a cidade tão entregue à idolatria (At 1 7.16)

Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus (1 Co 6.10-11; Ef5.5)

Não vos façais idólatras, como alguns deles; como está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar (1 Co 10.7).

E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Pois vós sois santuários do Deus vivente… (2 Co 12.2)

As obras da carne são conhecidas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras pelejas, dissensões, facções, invejas, bebedices, orgias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos preveni, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus (GI 5.5)

Filhinhos, guardai-vos dos ídolos(1 Jo5.21)

* Mas, quanto aos medrosos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos adúlteros, e aos feiticeiros, e aos idólatras, e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, que é a segunda mor­te (Ap 21.8)

Ficarão de fora os cães, os feiticeiros, os adúlteros, os homicidas, os idólatras, e todo aquele que ama e pratica a mentira (Ap. 22.1 5). Deus proibiu ao seu povo a confecção e o culto a imagens, estátuas etc, visto que os povos pagãos atribuíam a esses artefatos de barro, madeira ou outro material corruptível, um caráter religioso. Acreditavam, além do mais, que a divindade se fazia presente por meio dessa prática. O Deus Todo-Poderoso ensinou seu povo a não cultuar imagens. Sua palavra era tão poderosa no coração do seu povo, que, embora muitos homens santos, profetas e sacerdotes, homens exemplares, com todas as virtudes para serem canonizados (os heróis da Bíblia), não foram pretextos para serem adorados ou cultuados, nem fizeram suas imagens e nem lhes prestaram culto. Deus proibiu seu povo de fabricar imagens de escultura, de fundir imagens para cultuá-las (Ex 20.23 e 34.1 7).

Algumas imagens que Deus mandou fazer não tinham por objetivo elevar a piedade de Israel e nem ser­viam de modelo para reflexão ou conduta. Eram apenas símbolos decorativos e representativos. Deus mandou fazer a Arca da Aliança; mandou fazer figuras de querubins no Tabernáculo e no Templo, entre outros utensílios (1 Rs 6.23-29; 1 Cr 22.8-1 3; 1 Rs 7.23-26) , além de outros ornamentos (1 Rs 7.23-28). Essas figuras, porém, jamais foram adoradas ou veneradas, ou vistas como objeto de culto. Se os filhos de Israel tivessem adorado, cultuado ou venerado esses objetos, sem dúvida, Deus mandaria destruí-los. Foi isso o que aconteceu com a serpente de bronze, levantada por Moisés no deserto, quando se tornou objeto de culto (2 Rs 18.4).

Quando analisamos esta questão na história da nação de Israel, o povo que recebeu os mandamentos de Deus e a preocupação dos judeus religiosos em manter-se fiéis, podemos entender que, apesar do Antigo Testamento proibir a confecção de imagens relativamente, no entanto a adoração ou culto a imagens era absolutamente proibido: Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto (Ex 20.4b).

Em algumas sinagogas do século III e até hoje encontramos pinturas de heróis da fé em seus vitrais etc, jamais, entretanto, veremos judeus orando, cultuando ou invocando Moisés, Abraão ou Ezequiel.

Não encontramos argumento algum que justifique o culto, veneração ou a fabricação de imagens no Novo Testamento.

• A Bíblia mostra que Paulo sofria por ver o povo entregue a idolatria: Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria (At 1 7.1 6).

• Paulo foi atacado pelos artífices, ourives e comerciantes de imagens: Certo ourives, por nome Demétrio, que fazia de prata miniaturas do templo de Diana, dava não pouco lucro aos artífices. Eles os ajuntou, bem como os oficiais de obras semelhantes, e disse: Senhores, vós bem sabeis que desta indústria vem nossa prosperidade. E bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que fazem com as mãos. Não somente há perigo de que a nossa profissão caia em descrédito, mas também de que o próprio templo da grande deusa Diana seja estimado em nada, vindo a ser destruída a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo veneram. Ouvindo isto, encheram-se de ira, e clamaram: Grande é a Diana dos efésios! (Atos 19.24-28)

O culto aos santos só começa a partir de cem anos, aproximadamente, depois da mor­te de Jesus, com uma tímida veneração aos mártires11. A primeira oração dirigida expressamente à Mãe de Deus é a invocação Sub tuum praesidium, formulada no fim do século III ou mais provavelmente no início do 1V12. Não podemos dizer que a veneração dos santos — e muito menos a da Mãe de Cristo — faça parte do patrimônio original13. Se o culto aos santos e a Maria fosse correto, João, que escreveu o último evangelho, aproximadamente no ano 100 d.C. , certamente falaria sobre o assunto e incentivaria tal prática. Ele, porém, nos adverte: Filhinhos, guardai-vos dos ídolos (1 Jo 5.21). Na luta para justificar o culto às imagens, bem como seu uso nas Igrejas, os católicos apresentam a teoria da pedagogia divina.

D. Estevão Bettencourt resume assim a teoria: . . .0s cristãos foram percebendo que a proibição de fazer imagens no Antigo Testamento tinha o mesmo papel de pedagogo (condutor de crianças destinado a cumprir as suas funções e retirar-se) que a Lei de Moisés em geral tinha junto ao povo de Israel. Por isto, o uso das imagens foi-se implantando. As gerações cristãs compreenderam que, segundo o método da pedagogia divina, atualizada na Encarnação, deveriam procurar subir ao Invisível passando pelo visível que Cristo apresentou aos homens; a meditação das fases da vida de Jesus e a representação artística das mesmas se tornaram recursos com que o povo fiel procurou aproximarse do Filho de Deus14. Assim criaram a idéia de que, nas igrejas as imagens torna­ram-se a Bíblia dos iletrados, dos simples e das crianças, exercendo função pedagógica de grande alcance. E o que notam alguns escritores cristãos antigos: O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente (S. Gregório de Nissa, Panegírico de S. Teodoro, PG 46,73 7d). O que a Bíblia é para os que sabem ler, a imagem o é para os iletrados (São João Damasceno,De imaginibus 1 1 7 PG 94, 1 248c)5 Levando-se em consideração que um dos objetivos da Igreja Católica Romana é ensinar a Bíblia ao povo através das imagens, especialmente aos menos alfabetizados, surge-nos algumas perguntas: Por que se faz culto a elas, se o objetivo é ensinar a Bíblia? Por que após passar dezenas de anos, com milhares de católicos alfabetizados, ainda insistem em cultuar imagem? Se realmente a imagem fosse o livro daqueles que não sabem ler, por que os católicos alfabetizados são tão devotos e apegados às imagens? Será que podemos desobedecer a Bíblia para superar uma deficiência de entendimento? Onde está a base bíblica para esta Teoria da Pedagogia Divina? Será que a encarnação do verbo poderia servir de base para se fazer imagens dos santos e cultuá-los?

A Igreja Católica Romana apresenta basicamente duas fontes para justificar o culto às imagens: a tradição e as opiniões de seus líderes. Em resumo: opinião dos homens. Citam a Bíblia quando existe alguma possibilidade de apoio às suas doutrinas. Esquecem o ensino do famoso clérigo católico romano, Padre Vieira: As palavras de Deus prega­das no sentido em que Deus as disse, são palavras de Deus; mas pregadas no sentido em que nos queremos, não são palavras de Deus, antes podem ser palavras do demônio16. A Palavra de Deus condena o culto às imagens.

Os argumentos do catolicismo romano a favor do culto às imagens fazem-nos lembrar de um rei na Bíblia, chamado Saul, que quis agra­dar a Deus com sua opinião, mesmo contrariando frontalmente a Palavra de Deus (1 Sm 15.1-23). O catolicismo romano, de modo semelhante, contrariando a Bíblia, entende que a imagem é o livro daqueles que não sabem ler. O rei Saul, achava que oferecer sacrifícios era melhor, mais lógico, mais correto, mais racional. Acreditava que estava prestando um grande serviço a Deus (1 Sm 15.20-21). Deus, no entanto, o reprovou, dizendo: Tem o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à sua palavra? Obedecer é melhor do que sacrificar, e atender melhor é do que a gordura de carneiros (1 Sm15.22). Deus proíbe terminantemente o culto a ídolos e imagens (Ex 20.1 -6; Lv 26.1; Nm 33.52; Dt.27.15; 2 Rs .21.11; Sl115.3-9; 135.15-18; 1s2.18; 41.29; Ez 8.9-12; Mt4.1 1; At 15.20; 21.25; 2 Co 6.16).

O catolicismo romano ensina o culto à imagem inventando uma teoria, contrária à Bíblia e insiste em dizer que está fazendo isso para ajudar a obra de Deus. Ainda que Saul pensas­se estar prestando um serviço a Deus, como fazem aqueles que prestam culto à imagem da Conceição Aparecida, seu ato foi uma desobediência à Palavra de Deus, e isso é considerado rebelião (1 Sm 15.21-26).A Bíblia diz: rebelião é como pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a iniqüidade de idolatria. Por­quanto rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou… (1 Sm 1 5.2 3).

Prezado leitor, o culto às imagens será sempre uma abominação a Deus. E a marca e a continuidade do paganismo. Cristianismo é a fé exclusiva na obra do Senhor Jesus (Jo.3.1 6; Rm5.8; Ef2.8-9;1 Tm2.5;Tt2.11).E adoração exclusiva a Deus: .. Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás (Mt 4.11; Lc 4.8). O principal de todos os mandamentos é Ouve, á Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor! Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a sua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças (Mc 1 2.29-3Q~ Mt 92 37). Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, pois o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade (Jo 4.23-24).

ENTENDENDO A ESTRUTURA PIRAMIDAL DO CULTO DA IGREJA CATÓLICA

LATRIA – ADORAÇÃO A DEUS

HIPERDU LIA – DEVOÇÃO Á MARIA

DULIA- DEVOÇÃO AOS SANTOS E AOS ANJOS

A Dificuldade do Catolicismo Romano para justificar essa Teoria.

Se os católicos romanos se limitassem a exaltar os heróis da fé, e a propô-los como modelo a ser seguido, não haveria nenhum problema. Assim agem também os cristãos genuínos.

Infelizmente, não é isso que acontece. Por mais que o líderes católicos romanos se esforcem em suas infindáveis apologias ou explicações, elas não passam de tentativas vãs e superficiais. Exemplo dessa tentativa é a teoria de três tipos de devoção: a dulia, a hiperdulia e a latria. Perguntamos: qual a diferença que pode haver entre a dulia e a hiperdulia? Qual a diferença das duas com a latria? A verdade é que os três termos se confundem. Os dois termos (dulia e hiperdulia) podem estar envolvidos com a latria e tudo se torna uma distinção que não distingue coisa alguma. As pessoas que se prostram diante de uma imagem da Conceição Aparecida, ou de São João, ou de São Sebastião ou de Jesus sabem que estão cultuando em níveis diferentes? Para elas não seria tudo a mesma coisa?

Imagine um católico romano bem instruí­do que vai para o culto. Primeiramente ele pretende cultuar São João. Dobra então seus joelhos diante da imagem de São João e pratica a dulia. Depois, irá prestar culto a Maria, deixando, nesse momento, de praticar a dulia e passando a praticar a hiperdulia. Finalmente, com intenção de cultuar a Deus, ele começa a praticar a latria.

Não acreditamos que o povo católico ro­mano saiba diferenciar a dulia, a hiperdulia e a latria, e mesmo que soubesse diferenciá-las, dificilmente conseguiria respeitar os limites de cada uma.

Qual é a diferença?

Adoração e Veneração. Há diferença entre adorar e prestar culto? Se prostrar-se diante de um ser, dirigir-lhe orações e ações de graça, fazer-lhe pedidos, cantar-lhe hinos de louvor não for adoração, fica difícil saber o que o catolicismo romano entende por adoração. Chamar isso de veneração é subestimar a inteligência humana.

Culto aos santos. Analisando essas práticas católicas à luz da Bíblia e da história, fica claro que são práticas pagãs. O papa Bonifácio IV, em 610, celebrou pela primeira vez a festa a todos os santos e substituiu o panteão romano (templo pagão dedicado a todos os deuses) por um templo cristão para que as relíquias dos santos fossem ali colocadas, inclusive Maria. Dessa forma o culto aos santos e a Maria17 substituiu o culto aos deuses e as deusas do paganismo.

Maria é deusa para os católicos? Os católicos manifestam um sentimento de profunda tristeza quando afirmamos que Maria é reconhecida como deusa no catolicismo. Dizem que não estamos sendo honestos com essa declaração, mas os fatos falam por si mesmos.O livro Glórias de Maria, publicado em mais de 80 línguas, da autoria de Afonso Maria de Ligório, canoniza­do pelo Papa, atribui à Maria toda a honra e toda a glória que a Bíblia confere ao Senhor Jesus Cristo. Chama Maria de onipotente, além de mencionar outros atributos divinos:

Sois onipotente, á Maria, visto que vosso Filho quer vos honrar, fazendo sem demora tudo quanto vós quereis18. .Os pecadores só por intercessão de Maria obtém o per­dão19…, O mãe de Deus vossa proteção traz a imortalidade; vossa intercessão, a vida20. Em vós, Senhora, tendo colocado toda a minha esperança e de vós espero minha salvação, . . . Maria é toda a esperança de nossa salvação, acolhei-nos sob a vossa proteção se salvos nos quereis ver; pois só por vosso intermédio esperamos a salvação21.

Os querubins. A passagem bíblica dos querubins do propiciatório da arca da aliança (Êx 25.18-20), advogada pelos teólogos católicos romanos, não se re­veste de sustentação alguma, pois não existe na Bíblia uma passagem sequer em que um judeu esteja dirigindo suas orações aos querubins, ou depositando sua fé neles, ou lhes pagando promessas. Esse propiciatório era a figura da redenção em Cristo (Hb 9.5-9). A Bíblia condena terminantemente o uso de imagem de escultura como meio de cultuar a Deus (Êx 20.4, 5; Dt 5.8,

9). O culto aos santos e a adoração à Maria, à luz da Bíblia, não apresentam o catolicismo romano como religião cristã, mas como idolatria (1 Jo 5.21). Jesus disse:

Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás (M t 4.10). O anjo disse a João: Adora somente a Deus (Ap .19.10; 22.9). Pedro recusou ser adorado por Cornélio (At.10.25,26).

Embora a Igreja Católica Apostólica Romana tenha declarado que a imagem de barro da Conceição Aparecida seja a Padroeira e Senhora da República Federativa do Brasil, consagrando o dia 12 de outubro a esse culto estranho às Escrituras Sagradas, os cristãos evangélicos, alicerçados na autoridade da Bíblia Sagra­da, declaram como Paulo: E toda língua confesse que JESUS CRISTO E O SENHOR, para glória de Deus Pai(Fl 2.11).

O DOGMA DA ASSUNÇÃO DE MARIA

I. Explicação e História

A Igreja Católica Romana crê e ensina que Maria, a mãe de nosso Senhor, subiu ao céu em corpo e alma. Sob o titulo de Assunção, os católicos romanos celebram três festas em honra a Maria: uma é a do trânsito de sua alma, sem o corpo, ao céu; outra é quando pouco depois se juntou e se reuniu a mesma alma com o corpo, e com inefável glória subiu ao céu; a terceira é de sua coroação como Rainha dos anjos e Senhora do universo. O imperador grego Mauricio (582-602) ordenou que a festa fosse celebrada em 15 de agosto, o que se faz até nossos dias, e por esse mesmo tempo também o Papa Gregório, o Grande, fixou a mesma data para o Oeste, onde anteriormente, por razoes desconhecidas, celebrava-se a festa em 18 de janeiro. A palavra “ASSUNÇÃO”, que em um tempo se aplicava geralmente à morte dos santos, especialmente de mártires, e a sua entrada no céu, chegou a aplicar-se agora exclusivamente a Maria, e isso a distingue do termo “ascensão” no sentido de que esta é aplicada unicamente a Jesus Cristo, que ascendeu por seu próprio poder ao céu, enquanto a assunção significa que Maria foi levada por seu Filho ao céu.

Esta crença é uma derivação do dogma da perpétua virgindade e da imaculada conceição de Maria, e marca um passo mais na tendência romanista à exaltação de Maria como objeto de culto religioso. Antes de sua definição oficial, o Papa Pio XII havia consultado todos os bispos católicos do mundo, na Carta Apostólica “Deiparae Virginis”, em 1 de maio de 1946, sobre a conveniência e possibilidade de declarar como dogma a crença na Assunção de Maria. A resposta do episcopado foi favorável à idéia da proclamação. E, com efeito, a 1 de novembro de 1950, o Papa Pio XII, na Constituição Apostólica “Munificentissimus Deus”, fez o seguinte pronunciamento: “Nós pronunciamos, declaramos e definimos que é um dogma revelado por Deus, no qual a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, foi levada aos céus em corpo e alma quando terminou o curso de sua vida na terra.”

II. Defesa do Dogma

Afirma-se que este novo dogma foi revelado por Deus, mas não se dão as razões bíblicas do caso. Os apologistas do dogma, no entanto, citam um ou outro versículo isolado das Escrituras, os quais, segundo eles, aludem indiretamente à conveniência da Assunção e glorificação de Maria. Naturalmente, os mesmos versículos que usam para provar a imaculada Conceição (Gên. 3:15; Luc. 1:28) são empregados também para deduzir deles a necessidade da Assunção. Salmos 16:10; 45:9 e João 12:26, trazidos ao caso, em correta exegese, jamais poderão ser tomados como apoio à Assunção de Maria, já que eles claramente se referem, em sua ordem, à ressurreição de Jesus Cristo, à Igreja como a esposa de Cristo e aos crentes em geral.

1. A Tradição

Mas é na tradição, propriamente, onde se pretende basear esta crença, argumentando-se que por ser dita tradição antiga e unânime na Igreja Primitiva, a mesma deve ter sido originada dos apóstolos. Mas quando se faz uma análise séria de tal posição, se descobre que não foi senão até o século VI que apareceram os primeiros indícios de que se comemorava a morte de Maria e começava a celebrar-se a festa da Assunção.

A lenda da Assunção é mencionada pela primeira vez nos fins do século IV em vários escritos apócrifos, como “La Dormición de Maria y El Trânsito de Maria”, os quais foram expressamente condenados como apócrifos e heréticos pelo Papa Gelásio no index expurgatorious em princípios do século VI. Foi Gregório de Tours (594 d. C.) o primeiro escritor ortodoxo que os aceitou como autênticos, e, tempos depois, no século VIII, João Damasceno apresentou a Assunção como uma doutrina de antiga tradição católica. No entanto, Benedito XIV declarou, em 1840, que a tradição era insuficiente como doutrina, pois não tinha classe necessária para ser elevada ao nível de artigo de fé.(l)

2. Relato de como Foi a Assunção

As várias tradições a que se recorre contêm marcadas discrepâncias entre si. “Sabido é que há duas tradições, uma favorável à morte de Maria, a outra favorável à sua imortalidade.” (2) “A opinião mais comum ensina que Maria ressuscitou ao terceiro dia, como Jesus Cristo; no entanto, alguns dizem que ressuscitou quinze dias depois de sua morte, e outros, quarenta.”(3) Nestes relatos há detalhes fantásticos, episódios inverossímeis e até suposições pueris que não se coadunam com o teor sério e autêntico dos Evangelhos canônicos.

Segundo essas tradições, a mãe de nosso Salvador, sendo já uma anciã e cansada de viver neste mundo, suplicou a seu Filho no céu que a levasse o quanto antes para estar com ele. Jesus então enviou-lhe um anjo para que lhe anunciasse sua morte, nova que Maria recebeu com imenso júbilo, mandando arrumar muitas velas e enfeitar o aposento. Para estar presente no momento da morte de Maria, todos os apóstolos, com excessão de Tomé, marcaram encontro em Belém, onde ela morava. João veio da cidade de Éfeso, cavalgando em uma nuvem, e do mesmo modo viajaram os demais apóstolos desde os diferentes países em que se encontravam pregando.
————————————————————————-
(1) Opera, VoI. X, p. 499, ed. 1851.

(2) P. Parente, Dlcclonario de Teologia Dogmática, p. 38.

(3) Consultor dei Clero, p. 441. Fizeram-se também presentes Hieróteo, Timóteo e Dionisio, o Areopagita, levando todos eles muitas velas, ungüentos perfumados e espécies aromáticas.

Ante a ameaça de ser assaltada por adversários judeus a casa onde eles estavam, Maria e os apóstolos são transportados outra vez em uma nuvem a casa dela em Jerusalém. Ali suscitaram-se diálogos, e ela os consola e os abençoa, dizendo: “Ficai com Deus, filhos meus mui amados; não choreis porque os deixo, e, sim, alegrai-vos, porque vou para meu Querido.” (1) Logo, apresentando seu testamento, recomendou a João, o Evangelista, que repartisse duas túnicas suas para duas jovens que a haviam servido e acompanhado por muitos anos. Chegando o momento de sua morte, ela se recostou em sua cama, enquanto os apóstolos, de joelhos e em pranto e pesar, a beijavam e se despediam. Anjos do céu começaram a chegar e depois Jesus Cristo mesmo, descendo em outra nuvem e rodeado de seres angelicais, apareceu perante sua mãe e, em meio de uma luz deslumbrante e de doces harmonias celestiais, levou a alma de Maria ao céu (em uma variante, Jesus põe a alma dela nas mãos do anjo Gabriel, para que este a leve). Assim foi a morte de Maria, e seu cadáver não se corrompeu, desprendendo delicadíssimos perfumes.

Depois os apóstolos conduziram o corpo exânime de Maria em maca, e deram-lhe honrosa sepultura no vale de Josafá. Sua morte, acontecida quando tinha setenta e dois anos de idade, viu-se acompanhada de muitos milagres, como cura de enfermos, etc. Ao terceiro dia de sepultada, chega Tomé, montado em uma nuvem, e, por engano, desce no Monte das Oliveiras, mas nesse mesmo instante observa o maravilhoso espetáculo do trânsito de Maria aos céus, em corpo e alma, levada por seu Filho Jesus e circundada das hostes celestiais. Logo Tomé procura os outros apóstolos e lhes dá a nova da Assunção, mas eles se mostram cépticos e argumentaram que eles mesmos haviam enterrado Maria. A instância de Tomé vão ao sepulcro e descobrem que este está vazio, o que os convence da ressurreição e assunção de Maria ao céu.

3. São Afonso Maria de Ligório e a Assunção

A viagem de Maria através das esferas siderais e sua entrada na glória são descritas em altos vôos imaginários e com frases ao extremo pitorescas e lisonjeiras pelos panegiristas da Assunção. Por exemplo, São Afonso Maria de Ligório, consumado assuncionista, expressa-se assim: “Jesus a leva pela mão, e a Mãe, felicíssima, corta os ventos, passa as nuvens, atravessa as altas esferas e chega às portas do céu. Ali os anjos que a acompanham levantam a voz e, à semelhança do que disseram quando o Senhor entrou triunfante de volta do desterro, repetiram agora também aos que lá dentro a aguardavam: Abri, príncipes, essas portas e levantai-vos, portas eternas, para que entre a Rainha da glória. No mesmo instante abriram-se de parem par, e entrou vitoriosa na pátria celestial, e, ao vê-la tão formosa, aqueles espiritos soberanos perguntaram uns aos outros:”Quem é esta que chega do deserto, lugar de espinhos e de abrolhos? Quem é esta que vem tão pura e cheia de virtudes, sustentada em seu Amado e tão honrada dele?’ E os anjos que a acompanhavam respondiam: ‘É a Mãe de nosso Rei, nossa Rainha, a bendita entre todas as mulheres, a cheia de graça, a Santa dos Santos, a querida de Deus, a Imaculada, a mais formosa de todas as criaturas.” (1)
————————————————————————
(1) P. Pedro de Ribadeneira, Vida de ia Virgem Maria, p. 97.

Ao referir-se a mesma obra, mais adiante, ao ato da coroação de Maria, diz que, por seu turno, se aproximaram de Maria todos os santos, o apóstolo Tiago, o Maior, os profetas, Zacarias e Isabel, São Joaquim e Santa Ana, José e os santos anjos, e saudaram-na, felicitaram-na e honraram-na, e que depois as três Pessoas da Santíssima Trindade a coroaram, pondo em suas mãos o poder, a sabedoria e o amor e que “. . .colocando seu trono ao lado da Santíssima Humanidade de Jesus Cristo, a declararam Rainha do céu e da terra, mandando aos anjos e a todas as criaturas que como tal a reconhecessem, obedecessem e servissem”. (2)

III. Refutação

1. Os Pais e Doutores da Igreja

A Assunção de Maria ao céu, de ser certa, seria um fato histórico, e como tal deve ser examinado. Mas acontece que não há certeza quanto ao lugar de sua morte, se foi em Éfeso ou em Jerusalém; não houve testemunhas de seu trânsito ao céu, as tradições em que se baseia a doutrina se contradizem, estão escritas em uma linguagem extravagante, contém relatos inverossímeis; quanto à antiguidade, não chegam nem sequer ao terceiro século. Os Pais e Doutores da Igreja não fizeram alusão a elas nem falaram na Assunção durante os primeiros cinco séculos, o Papa Gelásio condenou-as e o Papa Benedito XIV qualificou-as de testemunho insuficiente, e, no entanto, é sobre esta obscura e débil tradição, sem comprovação histórica nem apoio bíblico, que se levanta o “dogma revelado” da Assunção.

2. Razões de Conveniência

As chamadas razões teológicas ou de conveniência tampouco podem com propriedade ser invocadas a favor deste dogma, pelo simples fato de que Maria não foi divina nem sem pecado nem é co-redentora. A circunstância de sua morte física, reconhecida pela mesma Igreja Católica Romana, é uma prova incontrovertível de que Maria pertencia em todo sentido ao gênero humano e que, como tal, ela participou do pecado de Adão e sofreu a conseqüência universal do pecado original, que é a morte.
———————————————————————–
(1) Las Giorias do Maria, p. 339.

(2) Ibid., p. 403.3. Silêncio do Novo Testamento

Mais eloqüente, porém, é o silêncio absoluto que os escritores do Novo Testamento guardam no tocante ao tema da Assunção. Silêncio que implicitamente desvirtua o fundo histórico desta crença, pois é de todo ponto de vista estranho e inexplicável que um acontecimento de tanta transcendência, como o seria o da Assunção, houvesse passado inadvertido para eles, e mais, tendo em conta o fato de que a ascensão de nosso Senhor ao céu ficou plenamente testemunhada nos documentos escritos do Novo Testamento.

Se a Assunção realmente aconteceu, que razões importantes haveria para que os escritores dos livros do Novo Testamento nem sequer a houvessem mencionado, ainda que fosse de passagem? Paulo, por exemplo, em todas as suas cartas apostólicas, faz só uma menção a Maria, e isto acidental e indiretamente, quando, falando da vinda de Jesus ao mundo, diz que foi ((nascido de mulher” (Gál. 4:4), mas não acrescenta nenhum detalhe que pudesse dar margem a essa suposta crença. Pelo contrário, há uma passagem na qual, se fosse certa a Assunção, Paulo teria feito alusão a ela. Falando da ressurreição futura dos crentes, diz ele: ((Cada um, porém, na sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda” (1 Cor. 15:23). Como a tese assuncionista afirma que Maria ressuscitou primeiro e ascendeu ao céu depois, é lógico que Paulo teria feito menção dela neste versículo, dizendo-nos que Maria, à semelhança de seu Filho Jesus, já havia ressuscitado, O que claramente se depreende desta referência bíblica é que Maria, assim como todos os crentes em Jesus Cristo cujos corpos dormem no sepulcro, serão ressuscitados pelo poder de Deus quando soar a trombeta final e o Senhor descer do céu à terra para arrebatar os seus.

4. Silêncio Impressionante de João

De um modo particularíssimo, o silêncio do apóstolo João quanto a este assunto constitui um desfavorável testemunho ,implícito, visto que, por sua mui estreita associação com Maria, teria razão de sobra, e ainda mais que qualquer outro, para haver-se referido, em seus escritos, ao evento da Assunção; e oportunidade teve para havê-lo feito, pois, no livro de Apocalipse, ele descreve suas visões do céu aberto, e, apesar de ter visto a Jesus Cristo como o Rei da Glória e os anjos e as hostes redimidas ao seu redor, não diz nada sobre ter visto Maria como Rainha do céu e sentada em um trono ao lado de seu Filho Jesus. Também no Evangelho que leva seu nome, cap. 3 e v. 13, João registra as palavras que Jesus disse a Nicodemos: “Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem.” Como o evangelista escreveu seu Evangelho em fins do primeiro século, isto é, suficiente número de anos depois da suposta Assunção de Maria ao céu, é de supor que, ao citar ele a afirmação feita pelo Senhor, houvera incluído também uma referência ao caso excepcional de Maria, tal como o faz no último capitulo (21 :20-23) do Evangelho, no qual, ao relatar a resposta que Jesus lhe dera à pergunta de Pedro “e deste que será?”, João acrescenta, muitos anos depois do incidente e para proveito de seus leitores, a seguinte declaração: “Jesus, porém, não disse que não morreria, mas: Se eu quiser que ele fique até que eu venha, que tens tu com isso?”

5. A Carta aos Hebreus e a Assunção

Há, porém, algo mais. A doutrina da glorificação e a mediação de Maria aparece na teologia católica intimamente ligada à doutrina de sua Assunção. Acontece que a Carta aos Hebreus, escrita também anos depois do suposto trânsito de Maria ao céu, expõe com claridade meridiana a doutrina do ministério de intercessão de Jesus Cristo no céu em favor de seus filhos na terra, mas não há nem a mais leve alusão a que Maria esteja desempenhando parecidas funções acima na glória. O escritor sagrado expressa-se assim: “Tendo, portanto, um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou os céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno” (Heb. 4:14-16). Sendo que as Escrituras nos foram dadas para nossa instrução e edificação (II Tim. 3:16,17), é moralmente inconcebível que elas nos privassem não só do conhecimento, senão também do consolo da mediação de Maria. A inferência do Novo Testamento sobre o dogma da Assunção de Maria ao céu é uma prova mui forte da falsidade histórica e doutrinal do mencionado dogma.

IV. O Concilio Vaticano II

No Concílio Vaticano II, não se trouxe a debate o dogma da Assunção. Simplesmente foi dado como aceito e confirmado, segundo as seguintes palavras: “Finalmente, preservada livre de toda culpa de pecado original, a Imaculada Virgem foi levada em corpo e alma à glória celestial, ao terminar sua viagem terrenal. Ela foi exaltada pelo Senhor como Rainha de todos, a fim de que pudesse ser mais completamente configurada a seu Filho, o Senhor dos senhores (cf. Apoc. 19:16) e o conquistador do pecado e da morte.”(l)

Teria Maria pecado?

A Igreja Católica ensina que Maria foi concebida sem pecado e nasceu sem mancha de pecado original, ou seja, que Maria foi gerada pelo seu pai, porém o seu nascimento foi imaculado. Esta é a fórmula de dogma de fé que Pio IX proclamou a oito de dezembro de 1854, na bula ineffabilis:

“É de Deus revelada, a doutrina que mantém que a bem-aventurada Virgem Maria no primeiro instante do seu nascimento, pela singular graça e privilégio do Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha do pecado original”.

Os cristãos protestantes manifestam que este dogma não tem nenhum fundamento bíblico. Pio IX separa Maria da sua condição humana, e a faz uma exceção ao lado de Jesus. A Bíblia, que cremos ser a Palavra de Deus, declara que todos somos pecadores: “… todos estão debaixo do pecado. Como está escrito: não há um justo, nem um sequer” (Romanos 3.9-10).
Como se atreve o apóstolo Paulo a garantir que não há sequer um justo, se existia a exceção de Maria? Como é que Deus escreveu por meio dos seus santos profetas e apóstolos, colunas da verdade revelada, que não há nem um só justo, se estava a Virgem Imaculada concebida sem pecado?

A Bíblia não ensina que Maria estivesse livre do pecado original, por uma graça especial, desde o mesmo instante do seu nascimento. Maria não reclamou para si o privilégio de ser sem pecado. A própria Maria não cria porque no seu magnificat, reconhece ser pecadora e faz menção do seu Salvador. A virgem Maria, a mais bem-aventurada entre todas as mulheres, falou de Deus, na pessoa de Jesus Cristo, como “Meu Salvador”, ao dizer: “A minha alma engrandece ao Senhor; e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador” (Lucas 1.46-47). Se ela não fosse pecadora, não teria a necessidade de um Salvador.

Ao falar nesses termos de bendita virgem, não queremos dizer que a escolhida por Deus não fosse a melhor e mais pura entre as mulheres. Porém, não era imaculada, pois ela mesma declara levar como todos nós, a marca do pecado quando invoca a Deus, chamando-lhe “Meu Salvador”. Por que chamou assim a Deus? Por que ela, do mesmo modo que todos os homens, necessitou se salvar e obter a vida eterna através do arrependimento e fé.

A Bíblia é igualmente clara em mostrar a doutrina da universidade do pecado: “Certamente em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu a minha mãe” (Salmos 51.5); “Não há homem justo sobre a terra, que faça o bem e nunca peque” (Eclesiastes 7.20); “Pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3.23). Nessas passagens não se indica a exceção de Maria; ela como descendente de Adão, participou não só das conseqüências da queda, senão também do pecado; “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram… assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens” (Romanos 5.12-18).

O argumento que usam alguns católicos, de que Jesus não podia ser imaculado (ou seja, sem pecado original), se a que Lhe concebeu não tivesse sido, está carente de razão. Vejamos:

1º) Porque Jesus nasceu por obra do Espírito Santo, não de um varão, porém a virgem foi filha em verdade de Ana e Joaquim.

2º) Porque Jesus é Deus, na qualidade de Segunda Pessoa da Trindade, mas Maria era humana. Cristo não tinha necessidade de que a sua mãe fosse santa, porque foi concebido pelo Espírito Santo; Ele é santo ainda que nascido de uma mulher pecadora, porque no seu corpo “havia a plenitude da Divindade”.

3º) Se todos os homens herdam a mancha do pecado, os pais da virgem Maria também a herdaram, e os seus filhos foram igualmente herdeiros da natureza pecaminosa do homem. Não há nenhuma base para crer que alguns dos seus filhos a herdaram, enquanto que a sua filha Maria não a herdou.

4º) Porque, pela mesma razão, tinha sido necessário que fossem imaculados os seus pais Joaquim e Ana, para que pudesse ser a virgem, e as avós para que o fosse Ana; assim sucessivamente, e assim deveríamos estabelecer que foi uma cadeia ininterrupta de mulheres, desde Eva. Esses argumentos não lhe soam ridículos? Se em algum caso tinha que operar-se o milagre de nascer um imaculado, seja quem for, deveria ter sido Jesus, que era divino.

Respeitamos Maria com o mesmo respeito com que o fizera o anjo da Anunciação. Sentimos por ela um profundo carisma ao ver que foi eleita providencialmente por Deus para ser mãe, segundo a carne, do Salvador. E cremos que é bem-aventurada entre as mulheres não porque seja uma semi-deusa, senão como membro da comunidade dos remidos, como Paulo, Pedro, João e etc.

Jesus teve irmãos

Indubitavelmente, este é um assunto já resolvido no meio protestante tradicional devido à abundância de textos nas Escrituras neotestamentária que o elucidam. Poderíamos até considerá-lo obsoleto se não fosse pelo mariocentrismo, doutrina da Igreja Católica Romana que teima em admitir que Maria permaneceu virgem após o parto (virginitas post partum), o que torna parte dessa teologia um ­verdadeiro desvario e um grande óbice ao verdadeiro cristianismo ortodoxo.

Durante séculos, a mariologia tem sofrido evoluções cada vez mais ousadas, e o tempo é testemunha disso:

• Em 400 d.C, Maria foi proclamada “Mãe de Deus”;

• Em 1854, a “Imaculada Conceição de Maria” torna-se dogma;

• Em 1950, a “Assunção de Maria” vira artigo de fé.

Hoje, cogita-se em colocar Maria junto à Trindade divina, formando assim uma quaternidade. O catolicismo está criando cada vez mais uma Maria totalmente diferente daquela apresentada pelos evangelhos. Ao inventarem supostos pais para Maria, Santa Ana e São Joaquim, ­baseados em livros apócrifos, os católicos ao mesmo tempo omitiram a verdadeira família de Maria e roubaram-lhe a nobre missão de mãe.

Origens dessa doutrina

Não se sabe ao certo onde e como começou a acreditar-se que os irmãos de Jesus, de quem tanto a Bíblia fala e “de modo explícito”, eram apenas seus primos ou irmãos em sentido espiri­tual (versão Romana) ou meio-irmãos de um casamento anterior de José (versão Grega). Parece que isso surgiu com uma deturpação da resposta de um soldado romano chamado Pantera aos judeus que acusavam Maria de cometer adultério (Atos de Pilatos 11.3 e Talmud, séc. II). No ponto de vista judaico, Jesus seria um filho bastardo desse suposto soldado.

O fato é que essa doutrina ganhou força somente após o século IV, com Jerônimo. Até então, era praticamente desconhecida pelos antigos escritores pré-niceno. Como de praxe, é mais uma das invencionices da Igreja Católica.

Um dos pais primitivos que mais colaborou para que essa distorção criasse corpo foi Orígenes, que se baseou em duas obras apócrifas: o “Proto-Evangelho de Tiago” e o “Evangelho de Pedro”, de meados do século II. Não demorou muito, Epifânio seguiu os passos de Orígenes e acabou abraçando tal idéia.

É interessante notar que Orígenes, Epifânio e Jerônimo eram adeptos do ascetismo e da vida monástica que incluía a castidade. Orígenes, segundo alguns historiadores, chegou a castrar-se! Mais tarde, porém, essa teoria sobre os irmãos de Jesus foi desenvolvida e aperfeiçoada. Empacotada de modo sofismável pelos teólogos católicos, é agora um dos dogmas do catolicismo romano.

O que muitos protestantes talvez não saibam é que até mesmo os primeiros reformadores como Lutero e Calvino criam na virgindade perpétua de Maria. Mas, por outro lado, é bom frisarmos que muitos pais primitivos como Hegesipo, Tertuliano, Irineu e, posteriormente, Eusébio e Helvídio defendiam a idéia de que os irmãos de Jesus eram de fato seus irmãos carnais. A mesma defesa é feita atualmente por uma maioria esmagadora de protestantes e também por alguns teólogos católicos.

Analisando o evangelho de Mateus

O texto de Mateus 1.25 afirma o seguinte: “e não a conheceu enquanto (até que) ela não deu à luz um filho; e pôs-lhe o nome de Jesus”.

Para os protestantes, a referência bíblica em apreço parece ser, a princípio, uma fortaleza inexpugnável, e não é para menos, pois diz categoricamente que José não a conheceu “até” ou “enquanto” (heos, hou) ela não deu à luz. Ora, o que depreende e subentende-se é que, após o parto, Maria teve relações sexuais com seu marido como qualquer casal judeu normal de seu tempo! Parece ser esta a preocupação principal do evangelista ao transmitir sua mensagem. Mas, por outro lado, devemos concordar com nossos antagonistas romanos em que há casos em que Mateus usa a preposição “até” para dizer que não houve mudança após a ocorrência de determinado evento. Por exemplo, “Não esmagará a cana quebrada, e não apagará o pavio que fumega, até que faça triunfar o juízo” (Mt 12.20). É claro que o texto não está dizendo que o manso Messias será um ditador cruel após o triunfo do juízo.

Outros textos bíblicos, além de Mateus, podem ser usados como exemplo: Salmo 110.1 e 1 Timóteo 4.13. Mas podemos ver Mateus usando a preposição “até” (que indica um limite de tempo, nos espaços, ou nas ações) quando o contexto diz claramente que há mudança. Vejamos: “E, havendo eles se retirado, eis que um anjo do Senhor apareceu a José em sonho, dizendo: Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito, e ali fica até que eu te fale; porque Herodes há de procurar o menino para o matar” (Mt 2.13).

Assim, tomar este trecho de forma isolada não é de modo nenhum conclusivo para ambas as partes; não resolve o problema. Se quisermos obter uma idéia mais clara do assunto teremos de nos voltar para um contexto maior e achar algo fora desse trecho que complete esta lacuna e dirima a incógnita. Será que Mateus usou a preposição “até” para indicar mudança ou não? Resolveremos isso usando dois princípios de interpretação: o contexto imediato e o contexto mais lato.

É notório que os casamentos orientais da época de Jesus eram, sem sombra de dúvida, bem diferentes dos do nosso tempo. Mateus declara que Maria estava desposada (entenda-se noiva) com José. Diz ainda que ele não a “conheceu até” (Mt 1.18). Algumas vezes a palavra “conhecer” é usada na Bíblia de modo figurado, significando relação sexual (Gn 4.25), e, neste caso, o contexto apóia este sentido.A voz dos outros evangelistas

Outro fator que corrobora com a interpretação acima é o fato de Lucas ter usado a expressão grega pro­totokos, que significa “Primogênito”, em relação ao nascimento de Cristo: “e teve a seu filho primo­gênito…” (Lc 2.7).

Se Lucas quisesse dizer que Jesus foi o único filho de Maria, teria usado, de modo inequívoco, a expressão monogenes (unigênito, em português) que significa “[filho] único gerado”, como acontece em João 3.16. Mas não, ele usou, de modo consciente, o termo certo: “primogênito”, indicando que Jesus foi apenas o “primeiro” filho de Maria, e não o “único”.

Se Jesus tivesse sido o único filho de Maria, os evangelistas mostrariam isso, de modo explícito, em seus escritos. Mas não é isso que constatamos no Novo Testamento.

O que diz o Novo ­Testamento

Uma leitura superficial do Novo Testamento, em especial dos evangelhos, mostrará, sem sombra de dúvida, que Jesus Cristo teve irmãos e irmãs (Mt 12.46,47, 13.55-56; Mc 6.3). E ainda nos dão os nomes dos irmãos: Tiago, José, Simão e Judas. E essas pessoas aparecem sempre relacionadas com Maria, mãe de Jesus, o que nos dá a impressão de que os escritores e os evangelistas quiseram nos transmitir o quadro de uma família composta por mãe e filhos. Vejamos: “Enquanto ele ainda falava às multidões, estavam do lado de fora sua mãe e seus irmãos, procurando falar-lhe. Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, e procuram falar contigo” (Mt 12.46-47).

Depois do milagre em Caná, Maria e os irmãos do Senhor aparecem juntos: “Depois disso desceu a Cafarnaum, ele, sua mãe, seus irmãos, e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias” (Jo 2.12).

Em outra ocasião, Maria e seus irmãos mandam chamá-lo: “Chegaram então sua mãe e seus irmãos e, ficando da parte de fora, mandaram chamá-lo” (Mc 3.31). João acrescenta que nem os seus criam em Jesus: “Pois nem seus irmãos criam nele” (Jo 7.5). E, por último, os irmãos de Jesus aparecem no cenáculo orando com Maria: “Todos estes perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele” (At 1.14).

Resposta a um suposto argumento
Não conseguindo desmentir o consenso cristalino das Escrituras, os mestres romanistas acabam forjando sofismas cada vez mais mascarados de piedade que, aos poucos, vão alcançando a mente e o coração dos adeptos católicos. Todavia, quando confrontados com a Bíblia, tais disparates revelam ser apenas paliativos ardilosos que, por vezes, acabam sendo pulverizados diante dos fartos argumentos bíblicos. Na tentativa de esquivar-se dos argumentos protestantes, os líderes católicos desenterram, das ruínas medievais, teses falaciosas floreadas com terminologias teológicas modernas para causar impressão. Uma dessas teses tenta transferir os irmãos de Jesus para uma outra Maria e, para alcançar esse objetivo, faz verdadeiro malabarismo com os nomes bíblicos. ­Con­segue fazer uma combinação en­genhosa com os textos de Marcos 6.3, 3.18, 15.14, 16.1 e João 19.25. Diz que Maria, mãe de Tiago (o menor) e de José é irmã de Maria (a mãe de Jesus) e mulher de Cleofas, a quem confundem com Alfeu. Resumindo: esses “irmãos” (Tiago e José) de Marcos 6.3, segundo essa teoria, na verdade seriam primos de Jesus. Uma explicação plausível e uma suposta base “bíblica” para a questão. Ledo engano!

Um argumento de fácil refutação

Contudo, não há nada no texto que insinua ser Alfeu cunhado de Maria! Naquela época, esses nomes eram comuns! Demais disso, a Bíblia não relata o nome da irmã de Maria, e é pouco provável que duas irmãs tivessem o mesmo nome. Suponhamos, por um momento, que isso fosse verdade! Não é estranho que esses personagens apareçam sempre junto a Maria, sua “tia”, e nunca junto à sua verdadeira mãe ?!

Outros ainda insistem no fato de que aqueles irmãos de Jesus na verdade seriam seus discípulos, simplesmente porque na igreja todos os discípulos de Cristo são chamados de “irmãos”.

Esse parece ser o argumento mais inócuo, pois a Bíblia faz nítida distinção entre ‘seus discípulos” e os “irmãos” do Senhor (Jo 2.12; At 1.13,14). Todavia, a ­maior dificuldade enfrentada por esse argumento é que o texto diz que nem “seus irmãos criam nele” (Jo 7.3,5,10). Ora, como então poderiam ser seus discípulos?!O significado de irmãos na Bíblia

Em Mateus 12.47, na Bíblia católica, versão dos “Monges Maredsous”, o tradutor teceu o seguinte comentário sobre os “irmãos” de Jesus no rodapé da página: “Irmãos: na língua hebraica esta palavra pode significar também ‘parentes próximos’ ou ‘primos’, como neste caso. Exemplo: Abraão, tio de Lot, chama-o com a designação de irmão (Gn 11.27; 13.8)”.

Outro estudioso católico afirma: “Assim sendo, é possível que por detrás dos ‘irmãos’ e ‘irmãs’ de Jesus estejam seus ‘primos’ ou ‘parentes’1.

Refutação bíblica: Não existe um só caso na Bíblia, e principalmente no Novo Testamento, em que a palavra grega adelphós (irmão) é traduzida por primo ou parente. Das 343 vezes em que o N.T usa o termo adelphós, ele apresenta dois sentidos para a palavra “irmão”: a de irmão legítimo (carnal) e o metafórico.

Sentido metafórico: Neste sentido, enquadram-se todos os textos sobre os seguidores de Jesus (Mc 3.35), os cristãos da igreja (1Co 1.1), os judeus (Rm 9.3) e os seres humanos em geral (Hb 2.11,17). É obvio que as referências nos evangelhos e nas epístolas aos “irmãos” (filhos de Maria) de Jesus não se enquadram nesta categoria.

Sentido literal: É justamente neste sentido que a palavra irmãos (no plural) é usada, em sua grande maioria, na Bíblia. Nenhum estudioso católico jamais traduziu esta palavra como primos ou irmãos espirituais. As Escrituras não deixam nenhuma dúvida quanto a esse assunto. Duvido que alguém leia os textos que seguem e consiga empregar o sentido de primo ou irmão espiritual onde aparece a palavra irmãos.

“E, passando mais adiante, viu outros dois (irmãos) Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, no barco com seu pai Zebedeu, consertando as redes; e os chamou” (Mt 4.21).

“E todo o que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras, por amor do meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna” (Mt 19.29).

A Bíblia deixa patente que quando a palavra “irmãos” aparece junto aos termos “pai” e “mãe” ela denota filiação legítima de sangue, e isto ninguém consegue eclipsar. Compare: “Não é este o filho do carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas?” (Mt 13.55).

Nas quinze ocorrências em que é empregado o termo adelphós em relação a Jesus o sentido básico é de irmãos legítimos. Mas alguns podem objetar dizendo que a palavra hebraica ah (irmão) aparece várias vezes significando irmãos não de sangue, mas primos ou sobrinhos. É verdade que a língua hebraica tinha um vocabulário um pouco pobre e, por isso, não possuía uma palavra específica para primos ou parentes. Então utilizava a expressão “irmão” de modo lato (Gn 29.12, 24.48)

Esse artifício, no entanto, não é suficiente para que os católicos se esquivem da derrocada teológica! A palavra “irmão”, no hebraico, pode significar primo, mas, mesmo neste caso, temos de tomar cuidado. Geralmente, quando a palavra “irmão” é empregada no sentido de parente próximo o contexto esclarece a questão (1Cr 23.21-22). Além disso, o Novo Testamento foi escrito em grego, e não em hebraico. Será que no grego Coiné, língua na qual foi escrito o Novo Testa­mento, existia esta distinção ­praticamente ausente no hebraico? Vejamos.

Termos do Novo ­Testamento para irmãos e primos

Não devemos nos esquecer de que quando o Novo Testamento faz referências aos irmãos de Jesus o contexto não traz nenhum tipo de esclarecimento adicional, como acontece no Antigo Testamento. Além disso, os escritores sabiam a diferença entre os termos irmão (adelphós), primo (anepsiós) e parentes (sungenes). Mesmo Paulo, que usava bastante metáfora, sabia usar com distinção essas palavras. Tanto é que escreveu sobre os “irmãos” de Jesus sem deixar nenhuma dúvida ao laço carnal entre o Senhor e seus irmãos. Vejamos: “Não temos nós direito de levar conosco esposa crente, como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas?” (1Co 9.5). “Mas não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor” (Gl 1.19).

Como já falamos, e isso é interessante, o apóstolo Paulo sabia perfeitamente usar a palavra correta para primo (anepsiós) e parente (sungenes) em suas epístolas. Não havia motivo de confusão! “Saúda-vos Aris­tarco, meu companheiro de prisão, e Marcos, o primo de Barnabé…” (Cl 4.10). “Saudai a Herodião, meu parente” (Rm 16.11).

Caso a tese católica estivesse correta, o apóstolo poderia muito bem ter usado a expressão hoi anepsiós Kyriou (primos do Senhor), e não adelphói tou Kyriou (irmãos do Senhor), até porque os irmãos de Jesus estavam vivos quando o apóstolo escreveu as duas epístolas.Argumentos ­contraproducentes

Diante do exposto, a única consideração plausível a que podemos chegar é que os “irmãos” de Jesus eram realmente seus irmãos legítimos. É justamente esse o sentido do termo adelphós no Novo Testamento. Apesar de todo o esforço empregado pelos católicos para defender a virgindade perpétua de Maria, seus argumentos são totalmente contraproducentes.

O Salmo 69 é um texto profético com força suficiente para desmantelar o arcabouço erigido pelas artimanhas teológicas católicas. Qualquer exegeta que ler esse salmo terá de admitir que se trata de um salmo messiânico, ou seja, um salmo que fala sobre o ministério e a vida de Jesus, o Messias. No verso 8, o autor descreve perfeitamente a família de Jesus sem deixar dúvidas quanto à legitimidade carnal de parentesco entre eles. Vejamos: “Tornei-me como um estranho para os meus irmãos, e um desconhecido para os filhos de minha mãe”.

“Disseram-lhe, então, seus irmãos: Retira-te daqui e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque ninguém faz coisa alguma em oculto, quando procura ser conhecido. Já que fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo. Pois nem seus irmãos criam nele. Disse-lhes, então, Jesus: Ainda não é chegado o meu tempo; mas o vosso tempo sempre está presente. O mundo não vos pode odiar; mas ele me odeia a mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más. Subi vós à festa; eu não subo ainda a esta festa, porque ainda não é chegado o meu tempo”.

Compreendemos agora, por meio desse texto, o porquê de Jesus ter deixado sua mãe aos cuidados de João, e não de seus irmãos!

Maria pode ser promovida

Uma enorme caixa, cheia de pedidos, chegou ao Vaticano solicitando que o Papa João Paulo II exerça seu absoluto poder para proclamar um novo e controvertido dogma: que a virgem Maria é co-redentora com Jesus e coopera plenamente com seu filho na redenção da humanidade. O líder desse movimento é o Sr. Miravalle, 41 anos, professor de Mariologia (o estudo de Maria) numa das mais conservadoras universidades católicas da Itália. Desde então, o papa já recebeu mais de seis milhões de assinaturas de 148 países solicitando que ele conceda a Maria a mais alta promoção.

Além disso, o Sr. Miravalle recebeu o apoio de 550 bispos e 42 cardeais, incluindo o Cardeal John O’Connor e a Madre Teresa de Calcutá antes de suas mortes. Essa idéia, porém, não é novidade. Desde o século 14 vem sendo cogitada a promulgação desse dogma. Também existem precedentes históricos para campanhas como a do Sr. Míravaíle. Dois outros dogmas marianos o dogma da Assunção de Maria, promulgado em1950, que declarava que Maria foi levada para o céu, corpo e alma, depois da morte, e o dogma da Imaculada Conceição de 1854, que estabelecia que Maria foi preservada do pecado original – foram ambos precedidos por uma enxurrada de petições. O dogma que Miravalle advoga, porém, toca em duas outras frentes de batalha: coloca a autoridade máxima do papa em xeque diante da sociedade pós-moderna e atravanca o avanço do ecumenismo, coisa que o Vaticano tanto cobiça.

O papa João Paulo II, toda­via, não esconde sua devoção a Maria. Seu motto é ‘~Totus tuus” (que em latim significa “totalmente teu”), através do qual ele dedica seu papado a ela. Enquanto isso, na prática, milhões de católicos crêem e fazem o que o episcopado católico ainda discute. E não há papa que se oponha.

A missa

A MISSA É UM SACRIFÍCIO

Começaremos definindo alguns termos. Usaremos o termo Eucaristia que se refere ao sacrifício envolvido na missa. O termo missa refere-se à celebração da Eucaristia ou sacrifício. O Catolicismo ensina que, na missa, o pão e o vinho são transformados no corpo e no sangue de Cristo e então apresentados a Deus como sacrifício pelo qual Deus é tranqüilizado e se obtém a expiação dos pecados.
O Catolicismo ensina que o sacrifício do Senhor Jesus Cristo é oferecido vez após vez na missa. O Catecismo de Baltimore diz, acerca da questão #161, “A missa é como o sacrifício da cruz”.
O Catolicismo diz que o sacrifício da cruz é tão eficaz para tirar o pecado quanto foi o sacrifício do Calvário. O Catecismo de Baltimore diz, acerca da questão #154:

“A Sagrada Eucaristia é um sacramento e um sacrifício; nela, nosso Salvador Jesus Cristo, corpo e sangue, alma e divindade, sob a aparência de pão e vinho, encerra-se, é oferecido e recebido”.

A questão #356 desse mesmo catecismo diz:

“Por que Deus dá-nos seu próprio corpo e sangue na sagrada Eucaristia?…para permanecer sempre em nossos altares como prova do Seu amor por nós e para ser adorado por nós”.

De acordo com o ensinamento Católico Romano, a Eucaristia envolve literalmente o corpo e o sangue de Cristo, ainda que isso não pareça acontecer. A questão #160 do Catecismo de Baltimore diz:

“A missa é o sacrifício da Nova Lei, na qual, Cristo, através do sacerdote, oferece a Si mesmo a Deus sem sangue, sob as aparências de pão e vinho”.

No Catecismo de Baltimore revisto, chamado “Catecismo da Doutrina Cristã”, lemos:

“A Santa Missa é tão sacrifício como o da cruz, visto que Cristo, que ofereceu a Si mesmo como vítima sangrenta a Seu Pai Celestial, continua a oferecer-se no altar, ainda que sem sangue, através do ministério dos Seus sacerdotes”.

Segundo a freqüentemente chamada doutrina da transubstanciação, na missa, de alguma forma, o pão realmente torna-se o corpo de Jesus Cristo e o vinho, o sangue. A palavra transubstanciação significa simplesmente mudança de substância e, na missa, a substância do pão é supostamente transformada na substância do corpo de Cristo e a substância do vinho é supostamente transformada na substância do sangue de Jesus Cristo.

A questão #355 do Catecismo de Baltimore diz:

“Os sacerdotes exercem seu poder de transformar pão e vinho no corpo e no sangue de Cristo repetindo, na consagração da Missa, as palavras de Cristo: ‘Isto é o Meu corpo…isto é o Meu sangue’”.

Isso se refere ao trabalho miraculoso que os sacerdotes fazem quando transformam o pão e o vinho realmente no corpo e no sangue de Cristo e lhes oferecem como sacrifício pelos pecados.
Alphonsus Liguori, uma das principais autoridades sobre a Lei Católica Romana Canônica, diz, em seu livro A Dignidade e Dever do Sacerdote:

“Quando eles pronunciam as palavras de consagração, o Deus encarnado obriga-se a obedecer e vir às suas mãos sob a aparência sacramental do pão e do vinho. Somos tomados pela admiração de que, em obediência às palavras de Seus sacerdotes, … o Próprio Deus desce ao altar, de que Ele vem sempre que O chamam, tão freqüentemente que O chamam, e toma lugar em suas mãos ainda que sejam Seus inimigos. Depois de ter vindo, permanece inteiramente ao seu dispor e eles O movem de um lugar a outro como lhes agrada”.

De acordo com essa doutrina Católica, quando uma pessoa comunga na missa de maneira apropriada, realmente come o corpo de Jesus Cristo e, quando o sacerdote toma o cálice, realmente bebe o sangue de Jesus Cristo.
Na missa, a hóstia e o vinho transformados devem ser adorados ou venerados assim como Cristo. Referem-se àquela massa consagrada e transformada como hóstia. A hóstia é levantada pelas mãos do sacerdote para ser adorada e venerada pelo povo.
O Catolicismo tenta basear essa doutrina da transubstanciação nas palavras do Senhor Jesus Cristo em Lucas 22:19, onde ele diz, com relação ao partir do pão na Ceia do Senhor: “Isto é o meu corpo”. A questão #156 do Catecismo de Baltimore diz:

“Quando nosso Senhor disse: ‘Isto é o meu corpo’, o pão transformou-se em Seu corpo; e, quando disse: ‘Isto é o meu sangue’, o vinho transformou-se em seu sangue”.

O Conselho de Trento declarou no Cânone 1, cujo título é Sobre o Sacramento da Santíssima Eucaristia,

“Se alguém nega que, no sacramento da santíssima Eucaristia, encontram-se verdadeira, real e substancialmente o corpo e o sangue juntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo e, conseqüentemente, todo o Cristo, e diz, ao contrário, que ele está lá apenas em forma de sinal, figura ou virtuosamente: seja um anátema”.

A Missa era desconhecida até aproximadamente 800 d.C., quando foi proposta por um monge beneditino chamado Radbertus, mas não se tornou parte oficial do Catolicismo até ser oficialmente reconhecida pelo conselho de Lateran, em 1215, quando ao papado do Papa Inocêncio III. A MISSA É UM SACRAMENTO

Um sacramento é um sinal visível que confere graça a uma pessoa. É algo que possui eficácia salvadora. É algo do qual alguém participa a fim de ganhar ou ajudar a ganhar a salvação.
O Catecismo de Baltimore, acerca da questão #154, diz:

“A Santíssima Eucaristia é um sacramento e um sacrifício”. O Catecismo da Igreja Católica, de 1994, diz, acerca da questão #1393: “Por essa razão a Eucaristia não pode unir-nos a Cristo sem que, ao mesmo tempo, limpar-nos de pecados futuros”.

Vê-se que a Igreja reivindica que a missa tanto une uma pessoa a Cristo como a limpa de pecados.
A missa realmente põe a salvação nas mãos do sacerdote. Os supostos corpo e sangue de Cristo são, na missa, levantados diante do altar pelas mãos do sacerdote e oferecidos a Deus pelos pecados, tanto dos vivos quanto dos mortos. A questão #1371, do Catecismo da Igreja Católica, de 1994, diz:

“O sacrifício da Eucaristia é oferecido também pelos fiéis que partiram em Cristo, que estão mortos, mas que não são totalmente purificados, podendo assim tornar-lhes capazes de entrar na vida e paz de Cristo”.

Grandes somas de dinheiro são coletadas pela Igreja Católica para celebrar a Missa para os mortos. Se alguém paga ao sacerdote uma quantia prescrita, ele celebra uma missa para aliviar o sofrimento da alma do ente querido no purgatório.

O QUE A PALAVRA DE DEUS DIZ SOBRE A MISSA

Muito brevemente podemos dizer que a Palavra de Deus não diz absolutamente nada sobre a Missa ou sobre a transubstanciação! Não há nenhum versículo que autoriza a missa ou a transubstanciação. Na Palavra de Deus não há nenhuma referência sequer a celebração de missas. Na Palavra de Deus não há nenhuma promessa, nenhuma ordenança e nenhum exemplo de que tenha havido missas ou transubstanciação. Essas coisas nunca foram ensinadas por Cristo ou seus apóstolos. O Novo Testamento não nos dá absolutamente nenhuma instrução de como celebrar missas. O Senhor Jesus Cristo enviou seus discípulos a fazer, batizar e ensinar discípulos, não a rezarem missas! No Novo Testamento, a Ceia do Senhor nunca é chamada de sacrifício e nunca são mencionados altares, sacerdotes e consagrações nas igrejas do Novo Testamento em respeito a Ceia do Senhor. Sacramentos, altares e sacerdotes são resíduos do Judaísmo que o Senhor Jesus aboliu com sua morte na cruz.

Mais de 100.000 missas são rezadas em todo o mundo a cada dia. Isso significa, de acordo com a doutrina Católica da missa, que o Senhor Jesus Cristo sofre as terríveis agonias do Calvário mais de 100.000 vezes por dia nesse mundo!
Porém, de acordo com a Palavra de Deus, não é possível repetir o sacrifício de Cristo. O Novo Testamento anuncia o término de todos os sacrifícios estabelecendo que apenas Cristo é nosso verdadeiro sacrifício e que Ele se ofereceu uma vez para sempre, encerrando para sempre, portanto, todos os sacrifícios. Segundo a Palavra de Deus, há apenas um sacrifício pelo pecado. De acordo com as Escrituras, o perfeito sacrifício de Cristo expia o pecado de todos os eleitos de Deus em todos os tempos e nunca mais será repetido.

O livro de Hebreus, no Novo Testamento, tem muito a dizer sobre o sacrifício de Jesus Cristo na cruz, sendo, uma vez, o sacrifício final pelo pecado. É como se esse livro tivesse sido escrito com o propósito de refutar a doutrina Católica da missa. Vejamos várias passagens do livro de Hebreus que nos dizem que o sacrifício de Cristo na cruz pelo pecado de todos foi uma vez para sempre, portanto, o sacrifício final pelo pecado e, que por esse sacrifício, o Senhor Jesus obteve eterna redenção para nós.

Veja primeiro Hebreus 7:27. Fala-se do Senhor Jesus. “Que não necessitasse, como os sumos sacerdotes (os sacerdotes do Velho Testamento), de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo”. Veja agora Hebreus 9:11-12. “Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação, nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado (o verbo está no passado, ele já a obteve) uma eterna redenção (a redenção obtida por Cristo na cruz tem duração eterna e, por isso, não precisa ser repetida)”.

Veja, na seqüência, Hebreus 9:26-28. “De outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez (significando ‘uma vez para sempre’) se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. (O pecado não precisa ser repetidamente aniquilado porque já foi tirado para o povo de Deus) E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação”.

Veja agora Hebreus 10:10-18. “Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez. E assim todo o sacerdote aparece a cada dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar os pecados; mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus, daqui em diante esperando até que seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés. Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados. E também o Espírito Santo no-lo testifica, porque depois de haver dito: esta é a aliança que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: porei as minhas leis em seus corações, e as escreverei em seus entendimentos; acrescenta: e jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniqüidades. Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado”.

Alguma coisa poderia ser mais clara do que o fato de que o sacrifício de Jesus Cristo oferecido na cruz do Calvário valeu de uma vez por todas e que, por isso, não necessita ser repetido? Mas, se Cristo é oferecido a cada vez que uma missa é rezada, os versículos que temos visto até então não são verdadeiros. O Catolicismo reivindica continuar um ato que a Palavra de Deus diz ter-se completado 2.000 anos atrás. A missa Católica Romana é, portanto, um grave insulto à obra que Cristo terminou na cruz!

O Catolicismo nega a suficiência do sacrifício de Cristo. Contradizem Romanos 6:9, que diz: “Sabendo que tendo sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não mais tem domínio sobre ele”. Fazem o que Hebreus 6:6 condena, crucificam o Filho de Deus e o expõem ao vitupério! O Catolicismo ensina que a transubstanciação ocorre na missa ainda que o pão e o vinho continuem parecendo pão e vinho. Ensinam que a transubstanciação é fato, ainda que não o pareça. Lemos pouco atrás uma declaração oficial do Catolicismo que chama a missa de “sacrifício não sangrento”. Que tipo de sangue é não sangrento? Desde que o Catolicismo admite que não há sangue na missa, ela não pode ser sacrifício por pecado algum, porque Hebreus 9:22 diz que “sem derramamento de sangue não há remissão” de pecados. Um sacrifício sem sangue é um sacrifício ineficaz.
Como apontamos no início, o Catolicismo tenta justificar suas doutrinas de transubstanciação referindo-se a Lucas 22:19, onde o Senhor Jesus disse sobre o pão, na Ceia do Senhor: “Isto é meu corpo”. Mas, como poderia o Senhor literalmente dizer que aquele era seu corpo, se seu próprio corpo estava segurando o pão naquele momento? Cristo tinha dois corpos quando disse: “Isto é meu corpo”?

Não, o que Jesus Cristo quis dizer quando falou Isto é meu corpo foi: Isto representa meu corpo, isto parece meu corpo! Não disse: Isto se transforma em meu corpo ou Isto se tornou meu corpo, mas Isto representa meu corpo, Isto se parece com meu corpo! A Igreja Católica não pode interpretar “Isto é meu corpo” literalmente, a não ser que também possa interpretar literalmente outras afirmações similares, como Eu sou a porta e As sete vacas são os sete anos.

Qual a diferença entre a transubstanciação e o canibalismo? Canibalismo é a prática que alguns seres humanos possuem de comer carne humana e/ou beber sangue humano. A Palavra de Deus proíbe o canibalismo em versículos como Levítico 17:10-12. Vejamos. “E qualquer homem da casa de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinarem entre eles, que comer algum sangue, contra aquela alma porei a minha face, e a extirparei do seu povo. Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que fará expiação pela alma. Portanto tenho dito aos filhos de Israel: Nenhum dentre vós comerá sangue, nem o estrangeiro, que peregrine entre vós, comerá sangue”.

É importante que, em conecção com a doutrina Católica, tenhamos idéia de onde o corpo de Jesus Cristo está neste momento. Jesus Cristo tem um corpo finito. Um corpo finito apresenta-se num determinado lugar num determinado momento, portanto, se o corpo de Jesus está no céu, não pode estar sobre essa terra ao mesmo tempo.
O corpo de Cristo está num lugar neste momento, e esse lugar é o céu. Hebreus 1:3 diz, sobre Cristo: “havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas”. Hebreus 10:12, que lemos a pouco, diz: “Mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus”.

É verdade que, num certo sentido, ele está em todo lugar, mas na Pessoa do Seu Espírito Santo. Seu corpo está no céu neste momento e não pode ser visto ou tocado, muito menos oferecido mais uma vez como sacrifício sobre o altar e comido pelos Católicos comungantes! O corpo de Cristo está no céu, onde nunca pode ser humilhado outra vez e onde certamente não pode estar presente sobre milhares de altares Católicos ao redor do mundo ao mesmo tempo! Jesus Cristo tem apenas um corpo, e não muitos corpos, ao mesmo tempo, como requer a transubstanciação Católica Romana! O ressurrecto corpo de Jesus Cristo está, neste momento, sentado à direita do Pai no céu e lá permanecerá até que volte corporalmente para julgar os vivos e os mortos.

Em Mateus 24:26, o próprio Senhor Jesus diz: Não acredite naqueles que te dizem que Ele voltou à terra! “Portanto, se vos disseres: Eis que ele está no deserto, não saiais. Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis”.
A missa Católica é uma complicada perversão da Ceia do Senhor, na qual os comungantes vão à frente da igreja, ajoelham-se, fecham seus olhos e abrem suas bocas, na qual o sacerdote coloca uma pequena massa, que é supostamente a hóstia. A cerimônia da missa é bastante complicada. Nela, o sacerdote faz o sinal da cruz 16 vezes, vira-se para a congregação 6 vezes, levanta seus olhos para o céu 11 vezes, beija o altar 8 vezes, junta as mãos 4 vezes, golpeia seu peito 10 vezes, abençoa o altar com o sinal da cruz 30 vezes, põe sua mão aberta sobre o altar 29 vezes, ora secretamente 11 vezes, ora em voz alta 13 vezes, cobre e descobre o cálice 10 vezes, vai para frente e para traz 20 vezes e MUITAS outras coisas!

Contrastando a cena acima, quando o Senhor instituiu a Ceia foi tudo muito simples. Paulo esboça tudo em quatro versículos, em I Coríntios 11:23-26. Na ordenança da Ceia do Senhor, no Novo Testamento, há apenas quatro ações referentes ao pão e duas em relação ao cálice.

Segundo o Novo Testamento, a Ceia do Senhor é simplesmente um memorial da morte do Senhor até que ele retorne. I Coríntios 11:23-26 diz: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: E que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha”. É isso! Essa é a descrição do Novo Testamento para a Ceia do Senhor.

Não foi dada para ser um sacrifício. Ela comemora o término do sacrifício do Calvário. Um memorial não é a realidade. É apenas para nos lembrar do real. Posso mostrar uma foto e dizer: Esta é minha esposa. Você entenderia perfeitamente que aquela foto não é minha esposa, mas uma representação dela!
A Palavra de Deus nunca menciona a Eucaristia como algo que ajuda pessoas mortas. Na Bíblia, ninguém nunca recebeu a Eucaristia em favor de uma pessoa morta. Ao contrário, Romanos 14:12 diz que todos devemos dar conta de nós mesmos a Deus. “De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus”.

CONCLUSÃO

Ninguém pode seguir dois caminhos. Ninguém pode concordar com o Catolicismo e com a Palavra de Deus! É preciso escolher Hebreus 9 e 10 e um Salvador que morreu uma vez ou o Catolicismo com as suas constantes repetições não-bíblicas das missas. As pessoas deveriam lembrar-se de que, quando entram em Roma, deixam de fora um sacrifício completo, perfeito e eterno por Cristo

O batismo

O argumento católico de que o batismo é necessário para a salvação é muito semelhante ao dos opositores de Paulo na Galácia que afirmavam que a circuncisão era necessária para salvação. A resposta de Paulo é que os que exigem a circuncisão estão pregando um outro evangelho (Gal. 1:6). Ele diz que «todos os que confiam nas obras da lei estão sob maldição (3.10) e fala com muita severidade aos que procuram acrescentar qualquer forma de obediência como exigência para a justificação (31 5.4). Portanto precisamos concluir que nenhuma obra é necessária para a salvação. E, portanto, o batismo não é necessário para a salvação..

Mas o que dizer de João 3.5? O versículo diz: “Se alguém não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus”. Embora alguns entendam que essa é uma referência ao batismo, é melhor entender o texto com base no ambiente da promessa da nova aliança em Ezequiel 36:25,27.

“Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias, e de todos os vossos ídolos, vos purificarei.Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis.”

Ezequiel fala aqui de um lavar “espiritual” que acontecerá nos dias da nova aliança, quando Deus colocar seu Espírito em seu povo. Á luz disso, nascer da água e do Espírito é um lavar espiritual tal quando ocorre quando nascemos de novo, assim como também quando recebemos um coração” espiritual, e não físico.

De modo semelhante Tito 3.5 não especifica batismo de água mas “o lavar regenerador declarando explicitamente que se trata da doação espiritual de uma nova vida. O batismo nas águas simplesmente não é mencionado nessa passagem. Um lavar espiritual e não literal esta em vista em Efésios 5.26, onde Paulo afirma que Cristo entregou-se a si mesmo pela igreja «para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da palavra”. É a Palavra de Deus que efetua o lavar aqui, não a água. Quanto a posição da igreja católica de que o batismo confere graça separadamente da posição subjetiva do batizado ou do ministro (posição coerente com as crianças batizadas que não exercem fé por si mesmas), precisamos reconhecer que não existe nenhum exemplo no Novo Testamento que comprove esse ponto de vista, nem há nenhum testemunho neotestamentario que indique isso. Pelo contrário, as narrativas que falam dos que foram batizados indicam que eles primeiro chegaram à fé salvadora. E quando há declarações doutrinárias sobre o batismo, essas também indicam a necessidade de fé salvadora para o batismo. Quando Paulo afirma «tendo sido sepultados, juntamente no qual fostes ressuscitados”, imediatamente ele especifica mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos» (Cl 2.12).

Finalmente que dizer de lPedro 3.21, onde Pedro escreve: “batismo [...] agora também voz salvará”? Será que o texto não apóia claramente a posição católica de que o batismo, por si só pode conceder graça salvadora ao batizado? Não, porque ao usar essa frase, Pedro pros­segue no mesmo período para explicar o que ele quer dizer com isso.

Ele afirma que o batismo salva “não sendo a remoção da imundícia da carne” (isto é, não como ato físico, externo, que lava a sujeira do corpo — essa não é a parte que salva), “mas a indagação de uma boa consciência para com Deus” (isto é, Como uma transação espiritual, interna, entre Deus e o individuo, transação simbolizada pela cerimônia externa do batismo). Poderíamos parafrasear a declaração de Pedro, dizendo: «o batismo, agora também vos salva — não a cerimônia física externa do batismo, mas a realidade espiritual interna que o batismo representa». Desse modo, Pedro preserva-se de qualquer posição sobre o batismo que atribuísse poder salvífico automático à. cerimônia física em si.

A frase de Pedro «a indagação de uma boa consciência para com Deus e outra maneira de dizer “um pedido de perdão de pecados e um novo coração”. Quando Deus dá a um pecador uma “consciência clara», tal pessoa tem a segurança de que todo pecado foi perdoado e que ela está em um relacionamento correto com Deus Em Hb 9.14 e 10.22, falam desse modo sobre a purificação da consciência através de Cristo. Ser batizado corretamente é fazer tal “indagação» para com Deus, Na verdade, equivale a dizer: “Por favor, ó Deus, enquanto entro nesse batismo que limpará o meu corpo externamente, peço-te que limpes o meu coração internamente, perdoes os meus pecados e me tornes justo diante de ti”. Entendido dessa forma, o batismo é um símbolo adequado do início da vida cristã.’

Assim, lPedro 3.21 por certo não ensina que o batismo salva automaticamente ou confere graça ex opere operato. O texto não ensina nem sequer que o ato do batismo em si tem poder salvífico, mas sim que a salvação ocorre através do exercício de fé interior representado pelo batismo (cf. Cl 2.12). De fato, os protestantes que defendem o batismo de convertidos podem bem achar em lPedro 3.21 algum apoio para a sua posição: o batismo, pode ser argumentado, é corretamente ministrado a quem tem suficiente idade para fazer “uma indagação de uma boa consciência para com Deus”.”

Concluindo, os ensinos católicos de que o batismo é necessário para a salvação, de que o ato do batismo em si confere graça salvadora e de que o batismo é, portanto, corretamente ministrado a crianças não são convincentes segundo os ensinos do Novo Testamento.

Segunda alternativa: a posição protestante pedobatista. Em contraste com a posição católica que acaba de ser discutida, outro ponto de vista importante é que o batismo é corretamente ministrado a todas as crianças que sejam filhos de pais cristãos. Essa posição é muito comum em muitas igrejas protestantes (especialmente luteranas, episcopais, meto­distas, presbiterianas e reformadas). Essa posição é às vezes conhecida como o argumento da aliança em favor do pedobatismo. É chamada argumento da “aliança” porque depende de interpretar que os filhos dos cristãos fazem parte da «comunidade da aliança” do povo de Deus. O termo “pedobatismo” significa que o Costume de batizar crianças (o prefixo paido expressa a idéia de “criança” e é derivado da palavra grega pais, “criança”).’” Estarei interagindo principalmente com os argumentos de Louis Berkhof, que explica com clareza e defende bem a posição pedobatista.

O argumento de que crianças nascidas de cristãos devem ser batizadas depende principalmente destas três colocações:

a- As crianças eram circuncidadas na antiga aliança. No Antigo Testamento. a circuncisão era o sinal externo de ingresso na comunidade da aliança ou na comunidade do povo de Deus. A circuncisão era ministrada a todas as crianças israelitas (do sexo masculino) quando completavam oito dias de vida.b- O batismo é paralelo à circuncisão. No Novo Testamento, o sinal externo de ingresso na “comunidade da aliança” é o batismo. Portanto, o batismo é o equivalente neotestamentario da circuncisão. Segue-se que o batismo deve ser ministrado a todas as crianças nascidas de pais cristãos. Negar-lhes tal benefício é privá-las de um privilégio e de um benefício que lhes pertence por direito — o sinal de pertencer à comunidade do povo de Deus, a «comunidade da aliança». O paralelo entre a circuncisão e o batismo é visto claramente em Colossenses 2:

Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despo­jamento da carne, que é a circuncisão de Cristo, tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos” (Cl 212).

Aqui se diz que Paulo faz uma nítida relação entre a circuncisão e o batismo.

c. O batismo de famílias. Outro apoio para a prática do batismo infantil é encon­trado nos “batismos de famílias” relatados em Atos e nas epístolas, particularmente no batismo da casa de Lídia (At 16.15), da família do carcereiro de Filipos (At 16.33) e da casa de Estéfanas (lCo 1.16). Também se alega que Atos 2.39, que declara que a bênção prometida do evangelho é “para vós outros e para vossos filhos”, serve de base para tal prática.

Em resposta a esses argumentos em favor do pedobatismo, as seguintes considerações podem ser feitas:

(1) Não há dúvida de que o batismo e a circuncisão são semelhantes em vários aspectos, mas não podemos esquecer que o que simbolizam também é diferente em alguns aspectos importantes. A antiga aliança tinha um sinal externo, físico, do ingresso na “comunidade da aliança». Alguém se tornava judeu quando nascia de pais judeus. Portanto todos os judeus do sexo masculino eram circuncidados. A circuncisão não se restringia aos que tinham uma verdadeira vida espiritual interior, mas era feita a todos as que viviam entre o povo de Israel Deus disse:

Todo macho entre vós será circuncidado [...] O que tem oito dias será circuncidado entre vós, todo macho nas vossas gerações, tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro, que não for da tua estirpe. Com efeito, será circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro; a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua (Gn 17 10-13).

Não eram apenas os de descendência física do povo de Israel que eram circuncidados,

mas também os escravos por eles comprados, que viviam entre eles. A presença ou a

ausência de vida espiritual interior não fazia nenhuma diferença para alguém ser

circuncidado

. Assim «tomou, pois, Abraão a seu filho Ismael, e a todos os nascidos escravos em sua casa, e a todos os comprados por seu dinheiro, todo macho dentre os de sua casa, e lhes circuncidou a carne do prepúcio de cada um, naquele mesmo dia, como Deus lhe ordenara» (Gn 1223; conf Js 5.4).

Devemos reconhecer que a circuncisão foi dada a cada homem (ou menino) que vivia no meio do povo de Israel embora a verdadeira circuncisão seja algo interior e espiritual:

“Circuncisão é a que é do coração, no espírito, não segundo a letra» (Pan 2.29). Além disso, Paulo declara explicitamente que “nem todos os de Israel são, de fato, israelitas” (Rm 9.6). Todavia, embora houvesse no tempo do Antigo Testamento (e mais plenamente no Novo Testamento) um reconhecimento da realidade espiritual interior que a circun­cisão pretendia representar, não houve nenhuma tentativa de restringir a circuncisão apenas àqueles cujo coração era de fato espiritualmente circuncidado e que tinham genuína fé salvadora. Mesmo entre os homens adultos, a circuncisão era aplicada a todos, não apenas aos que davam prova de fé interior.

(2) No entanto, sob a nova aliança a situação é muito diferente. O Novo Testamento não fala de uma “comunidade da aliança” constituída de convertidos e seus filhos, parentes e servos descrentes que estejam vivendo entre eles. (De fato, na discussão do batismo, a frase “comunidade da aliança” usada pelos pedobatistas tende com freqüência a funcionar como um termo genérico e vago que obscurece as diferenças entre o Antigo e o Novo Testamento nessa questão.) Na igreja do Novo Testamento, a única questão que importa é ter fé salvadora e ser incluído no corpo de Cristo, a verdadeira igreja. A única “comunidade da aliança” discutida é a igreja, a sociedade dos redimidos.

Mas como alguém se torna membro da igreja? O meio de ingresso na igreja é voluntário, espiritual e interior. Alguém tornar-se membro da verdadeira igreja através do novo nascimento e da fé salvadora, e não de um nascimento físico. Isso ocorre não por um ato externo, mas pela fé interior do coração. Com certeza é verdade que o batismo é o sinal de ingresso na igreja, mas isso significa que este deve ser ministrado aos que dão prova de serem membros da igreja, somente os que professam fé em Cristo.

Não devemos ficar surpresos com o fato de ter havido uma mudança do modo de ingressar na comunidade da aliança no Antigo Testamento (nascimento físico) para o modo de ingressar na igreja no Novo Testamento (nascimento espiritual). Há muitas mudanças análogas entre a antiga e a nova aliança também em outros casos. Enquanto os israelitas alimentavam-se do maná físico no deserto, os crentes do Novo Testamento alimentavam-se de Jesus Cristo, o verdadeiro pão que desce do céu (Jo 6.48-51). Os israelitas beberam água que jorrou da rocha no deserto, mas os que crêem em Cristo bebem da água viva da vida eterna que ele dá (Jo 4.10-14). A antiga aliança tinha um templo material ao qual Israel se dirigia para cultuar, mas na nova aliança os cristãos são edificados para serem um templo espiritual (lPe 2.5). Os crentes da antiga aliança ofereciam sacrifícios de animais e de colheitas num altar, mas os do Novo Testamento oferecem “sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por meio de Jesus Cristo» (lPe 2.5; cL Hb 13.15- 16). Os crentes da antiga aliança receberam de Deus a terra física de Israel que ele lhes tinha prometido, mas os crentes do Novo Testamento receberam “uma pátria superior, isto é, celestial” (Hb 11.16). Do mesmo modo, na antiga aliança aqueles que eram semente física ou descendentes de Abraão eram membros do povo de Israel, mas no Novo Testamento os que são “semente” ou descendentes espirituais de Abraão pela fé são membros da igreja (Gl 3.29; cf. Rm 4.11-12).

Em todos esses contrastes vemos a verdade da distinção que Paulo enfatiza entre a antiga e a nova aliança. Os elementos e as atividades materiais da antiga aliança eram apenas sombra das coisas que haviam de vir”, mas a verdadeira realidade, a “substância”, é encontrada no relacionamento da nova aliança que temos em Cristo (Cl 2.17). Portanto, é coerente com tal mudança de sistema que os meninos fossem automaticamente circuncidados na antiga aliança, visto que a descendência e a presença físicas deles na comunidade do povo judeu mostrava que eles eram membros daquela comunidade, na qual a fé não era um requisito de ingresso. Todavia, na nova aliança é apropriado que as crianças não sejam batizadas e que o batismo seja ministrado apenas aos que dão prova de fé salvadora genuína, porque ser membro da igreja está baseado em uma realidade espiritual interna e não na descendência física.(3) Os casos de batismo de famílias no Novo Testamento não são realmente decisivos em favor de uma ou de outra posição. Quando olhamos para os casos mais de perto, vemos que em alguns deles há indicações de fé salvadora por parte de todos os batizados. Por exemplo, é verdade que a família do carcereiro de Filipos foi batizada (At 16.33), mas também é verdade que Paulo e Silas «lhe pregaram a palavra de Deus e a todos os de sua casa” (At 16.32). Se a Palavra do Senhor foi pregada a todos os da casa, há uma pressu­posição de que todos tinham idade suficiente para entender a palavra e crer nela. Além disso, depois que a família foi batizada, lemos que o carcereiro de Filipos, “com todos os seus,demonstrava grande alegria, por terem crido em Deus” (At 16.3 4). Portanto, temos não apenas o batismo da família, mas também a aceitação da Palavra de Deus por parte da família e uma grande alegria na fé em Deus igualmente por parte da família. Esses fatos indicam com muita clareza que toda a família demonstrara fé em Cristo individualmente.

Com respeito ao fato de que Paulo batizou «a casa de Estéfanas” (lCo 1.16), preci­samos também notar que Paulo diz no final de lCoríntios que “a casa de Estéfanas eram as primícias da Acaia e que se consagraram ao serviço dos santos” (lCo 16.15). Logo, eles não foram apenas batizados; foram também convertidos e tinham trabalhado servindo outros cristãos. Uma vez mais o exemplo de batismo de famílias indica fé de famílias.

Na verdade, há outros exemplos em que o batismo não é mencionado, nos quais vemos testemunho explícito do fato de que uma família inteira demonstrou fé. Depois que Jesus curou o filho de um oficial, lemos que o próprio pai “creu e toda a sua casa” (Jo 4.53). Semelhantemente, quando Paulo pregou em Corinto, «Crispo, o principal da sinagoga, creu no Senhor, com toda a sua casa” (At 18.8).

Isso significa que de todos os exemplos de “batismos de famílias” no Novo Testamen­to, o único que não mostra alguma indicação de fé também da família é Atos 16.14-15, que fala de Lídia: “O Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia. Depois de ser batizada, ela e toda a sua casa…”. O texto simplesmente não contém informação alguma sobre se havia crianças na casa de Lídia ou não. O texto é ambíguo e não há evidência clara em favor do batismo infantil. A passagem por si só deve ser considerada inconcludente.

Com respeito à declaração de Pedro no Pentecostes, “a promessa é para vós outros e para vossos filhos”, devemos observar que a proposição prossegue: “Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar (At 2.3 9). Além disso, o mesmo parágrafo especifica não que os filhos de cristãos e de descrentes eram batizados, mas sim que “os que lhe aceitaram apalavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas” (At 2.4 1).

(4) Outro argumento que faz objeção à posição pedobatista pode ser apresentado quando fazemos uma simples pergunta: “Que benefício traz o .batismo?” Em outras palavras, podemos perguntar: “Que o batismo de fato efetua?

Os católicos romanos têm uma resposta clara para essa pergunta: o batismo produz regeneração. E os batistas têm também uma resposta clara: o batismo simboliza o fato de que ocorreu regeneração interna. Os pedobatistas, porém, não podem adotar nenhuma dessas respostas. Eles não querem afirmar que o batismo produz regeneração, nem podem dizer (com respeito às crianças) que simboliza uma regeneração já ocorrida. A única alternativa parece ser dizer que simboliza uma regeneração que ocorrerá no futuro, quando a criança já tiver idade suficiente para exercer fé salvífica. Mas até mesmo isso não resolve inteira­mente a questão, porque não se pode ter certeza de que a criança será regenerada no futuro

— algumas crianças batizadas nunca chegam a fé salvífica mais tarde. Assim, a melhor explicação pedobatista do simbolismo do batismo é que ele simboliza uma provável regenera ção/fútura. O batismo não produz regeneração, nem simboliza regeneração real; portanto, deve ser entendido como símbolo de uma regeneração provável em algum tempo no futuro.

Mas nesse ponto parece claro que a compreensão pedobatista do batismo é bem diferente da concepção do Novo Testamento, que nunca vê o batismo como algo que simboliza uma provável regeneração futura. Os autores do Novo Testamento não dizem:

“Pode alguém negar a água do batismo aos que provavelmente serão salvos um dia?” (cl. At 10.47), ou ainda: “Todos quantos fostes batizado. em Cristo algum dia de Cristo vos revestireis” (cf. Gl 3.27), ou também: «Porventura ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus algum dia provavelmente seremos batizados na sua morte?” (Rm 6.3). Simplesmente esse não é o modo usado pelo Novo Testamento para falar do batismo. Batismo no Novo Testamento é um sinal do novo nascimento, da purificação do pecado e do início da vida cristã. Parece adequado reservar esse sinal para os que dão prova de que isso é de fato verdadeiro em suas vidas.

Outra perspectiva do simbolismo do batismo é apresentada por Michael Green. Ele diz:

“O batismo infantil enfatiza a objetividade do evangelho. Aponta para a obra consu­mada do Cristo crucificado e ressurreto, quer respondamos a ela, quer não [.1 Não que venhamos a receber algo dela sem arrependimento e fé. Mas é a firme demonstração de que a nossa salvação não depende de nossa própria fé falível; depende do que Deus fez por nós (p. 76).”Ele prossegue, afirmando:

“O batismo infantil afirma a iniciativa de Deus na salvação [...1 Deve ser ele rela­cionado primordialmente à resposta humana ou à iniciativa divina? Esse é ponto central da questão [.11 Para um batista, o batismo dá testemunho primordialmente do que fazemos em resposta à graça de Deus. Para um pedobatista, o batismo dá testemunho primordialmente do que Deus

fez para torná-la inteiramente possível” (p. 76-77, ênfase de Green).

Todavia vários pontos podem ser observados em resposta a Green. (a) Sua análise negligencia o fato de que o batismo não somente simboliza a morte e a ressurreição de Cristo, como vimos na análise dos textos do Novo Testamento já apresentada, mas também simboliza a aplicação da redenção a nós, como resultado de nossa resposta de fé. O batismo representa o fato de que fomos unidos com Cristo em sua morte e ressurreição, e o lavar da água simboliza que fomos purificados de nossos pecados. Ao dizer que os pedobatistas enfatizam a iniciativa de Deus e que os batistas enfatizam a resposta humana, Green apresenta ao leitor duas alternativas incorretas como opção, porque o batismo representa os dois aspectos e outros mais. O batismo representa (1) a obra redentora de Cristo, (2) minha resposta de fé (quando venho para ser batizado) e (3) a aplicação de Deus dos benefícios da redenção para a minha vida. O batismo de convertidos representa todos os três aspectos (não apenas a minha fé, como Green dá a entender), mas segundo o ponto de vista de Green o pedobatismo representa apenas o primeiro aspecto. Não é uma questão de qual aspecto é «primordial”; a questão é qual ponto de vista sobre o batismo engloba tudo o que o batismo significa.

(b) Quando Green afirma que nossa salvação não depende de nossa fé mas da obra de Deus, a expressão “depende de” é passível de várias interpretações. Se «depende de” significa “em que confiamos”, naturalmente ambas as posições concordariam que confia­mos na obra de Cristo e não em nossa fé. Se “depende de” significa que não faz diferença para a nossa salvação se cremos ou não, nenhuma das posições concordaria: O próprio Green diz na frase anterior que o batismo em nada nos beneficia se não nos arrepen­dermos e crermos, Portanto, se o batismo de alguma forma representa a aplicação da re­denção à vida do cristão, então não é suficiente praticar uma forma de batismo que somente retrate a morte e a ressurreição de Cristo; devemos retratar também nossa resposta em fé e a posterior aplicação de redenção para conosco. Em contraste com isso, do ponto de vista de Green, há um perigo real de retratar uma posição (da qual Green discordaria) de que é possível ter salvação de Deus independente de crer.

(5) Finalmente, os que defendem o batismo de convertidos com freqüência expressam preocupação diante das conseqüências práticas do pedobatismo. Eles argumentam que a prática do pedobatismo na igreja de hoje muitas vezes leva pessoas batizadas na infância a presumir que foram regeneradas, e assim não sentem a urgência da necessidade que têm de virem a ter fé pessoalem Cristo. Em alguns anos, essa tendência provavelmente resultará em número crescente de membros não convertidos na “comunidade da aliança”, os quais não são verdadeiramente membros da igreja de Cristo. Naturalmente, isso não fará de uma igreja pedobatista uma falsa igreja, mas a tornará uma igreja menos pura, que com freqüência estará enfrentando tendências doutrinárias liberais ou outros sinais de incredulidade trazidos para a igreja pelos membros não regenerados

Corpus Crist

Qual a origem desta festa?

O governo brasileiro extinguiu a proibição do trabalho em grande parte dos dias considerados santos pelos católicos. Entretanto, um dos feriados religiosos que ainda permanecem de pé é o dia em que se comemora a festa de Corpus Christi (expressão latina que significa “Corpo de Cristo”).

A festa é celebrada anualmente, mas não tem um dia fixo, ou seja, sua data é móvel e deve sempre ocorrer numa quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. Neste ano, será comemorada em 10 de junho.

Na realidade, a observação da festa deveria ocorrer na quinta-feira da semana santa, o dia da última Ceia, mas foi transferida para outra data para que não fosse prejudicada por causa das celebrações em torno da cruz e da morte de Jesus Cristo, na sexta-feira santa.

Origem das comemorações

Tudo começou com a religiosa Juliana de Cornellon, nascida na Bélgica, em 1193. Segundo alegou, teve insistentes visões da Virgem Maria ordenando-lhe a realização de uma grandiosa festa. Juliana (mais tarde Santa Juliana) afirmava que a festa seria instituída para honrar a presença real de Jesus na hóstia, ou seja, o corpo místico de Jesus na Santíssima Eucaristia.

Ainda quando era bispo, o papa Urbano IV teve conhecimento dessas visões e resolveu estendê-la à Igreja Universal, o que então já era uma verdadeira festa. Pela bula “Transituru do Mundo”, publicada em 11 de agosto de 1264, Urbano IV a consagrou em todo o mundo, com uma finalidade tríplice:

Prestar as mais excelsas honras a Jesus Cristo

Pedir perdão a Jesus Cristo pelos ultrajes cometidos pelos ateus
Protestar contra as heresias dos que negavam a presença de Deus na hóstia consagrada

No Brasil

No Brasil, a festa de Corpus Christi chegou com os colonizadores portugueses e espanhóis. Na época colonial, a festa tinha uma conotação político-religiosa. É que dias antes das procissões, as câmaras municipais exigiam que as casas de moradia e de comércio fossem enfeitadas com folhas e flores. Na época, quando o Brasil ainda era uma colônia, participavam da procissão membros de todas as classes, incluindo os escravos, os leigos das ordens terceiras e os militares. Durante muitos anos, o entrosamento do povo com o governo, e vice-versa, foi praticamente completo. Um exemplo que comprova esse fato ocorreu em 16 de junho de 1808, quando D. João VI acompanhou a primeira procissão de Corpus Christi, realizada no Rio de Janeiro.

As procissões

O que marca a festa de Corpus Christi são as procissões, quando ocorrem as ornamentações das ruas com tapetes feitos de vários tipos de materiais, como papel, papelão, latinhas de bebidas, serragem colorida, isopor, etc. Desenhos são elaborados nessa ornamentação com as figuras de Jesus, do cálice da Ceia e da Virgem Maria. Utilizam-se toneladas de materiais para formar os tapetes vistosos e admirados pelos que acompanham as procissões.

O mais importante

O momento mais solene da festividade de Corpus Christi é quando o hostiário, onde estão depositadas as hóstias ainda não consagradas, é conduzido nas procissões por um líder da alta hierarquia católica. No momento em que o hostiário passa, um silêncio profundo é observado por todos os presentes e, de uma extremidade a outra, toca-se a sineta que anuncia a passagem do cortejo. As reações das pessoas são as mais variadas. Algumas se comovem ao extremo e choram, outras se ajoelham diante do hostiário. De ponto em ponto, há uma parada, quando, então, se entoam cânticos tradicionais. Segundo a liderança romana, as ornamentações são feitas para que o Corpo de Cristo possa passar por um local digno, para ser visto por todas as pessoas. Representa uma manifestação pública da fé na presença real de Jesus Cristo na Eucaristia.

Eucaristia

Ensinando sobre a Eucaristia, diz a Igreja Católica: “A Eucaristia é um Sacramento que, pela admirável conversão de toda a substância do pão no Corpo de Jesus Cristo, e de toda a substância do vinho no seu precioso sangue, contém verdadeira, real e substancialmente o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, debaixo das espécies de pão e de vinho, para ser nosso alimento espiritual”.

Ensina, ainda, que na Eucaristia está o mesmo Jesus Cristo que se encontra no céu. Esclarece também que essa mudança, conhecida como transubstanciação, “ocorre no ato em que o sacerdote, na santa missa, pronuncia as palavras de consagração: ‘Isto é o meu Corpo; este é o meu sangue’”.

O catecismo católico traz uma pergunta com relação ao Sacramento da Eucaristia nos seguintes termos: “Deve-se adorar a Eucaristia?”. E responde: “A Eucaristia deve ser adorada por todos, porque ela contém verdadeira, real e substancialmente o mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor”.

O que diz a Bíblia?

Os católicos procuram justificar a festa de Corpus Christi com a Bíblia citando partes dela que supostamente dão base para o dogma da Eucaristia. Os textos mais freqüentemente são os de Mateus 26.26-29; Lucas 22.14-20 e João 6.53-56.

Essa doutrina é contrária ao bom senso e ao testemunho dos sentidos: o bom senso não pode admitir que o pão e o vinho oferecidos pelo Senhor aos seus discípulos na Ceia fossem a sua própria carne e o seu próprio sangue, ao mesmo tempo em que permanecia em pé diante deles vivo, em carne e osso. É manifesto que Jesus, segundo seu costume, empregou uma linguagem simbólica, que queria dizer: “Este pão que parto representa o meu corpo que vai ser partido por vossos pecados; o vinho neste cálice representa o meu sangue, que vai ser derramado para apagar os vossos pecados”. Não há ninguém, de mediano bom senso, que compreenda no sentido literal estas expressões simbólicas do Salvador. A razão humana não pode admitir tampouco o pensamento de que o corpo de Jesus, tal qual se encontra no céu (Lc 24.39-43; Fp 3.20-21), esteja nos elementos da Ceia.

Biblicamente, a Ceia é uma ordenança e não uma Eucaristia; era empregado o pão e não a hóstia; é um memorial, como se lê em 1Coríntios 11.25,26, e sua simbologia está em conformidade com o método de ensinamento do Senhor Jesus, que usou muitas palavras de forma figurada: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8.12); “Eu sou a porta” (Jo 10.9); “Eu sou a videira verdadeira” (Jo 15.1). Quando Jesus mencionou na última Ceia os elementos “pão” e “vinho”, não deu qualquer motivo para se crer na transubstanciação.

Não se engane, adorar a Eucaristia também é um ato de idolatria!

Indulgências

O CÉU EM LIQUIDAÇÃO

O dogma do Purgatório, ensinado pela Igreja Católica (IC), é conhecido como a sua “galinha dos ovos de ouro”. Ensinam os católicos que existem quatro lugares no outro mundo: Céu, Inferno, Purgatório e Limbo.

Para o Limbo vão as crianças que morrem sem batismo. E um lugar de sombras, sem penas, sem sofrimento, mas também sem alegria alguma. Porém, a Bíblia nada diz sobre o Limbo, sendo que o próprio Jesus declarou:

Deixai os meninos, e não os estorveis de vir a mim; porque dos tais é o relho dos céus. (Mt 19.14) Para Jesus, os meninos são do reino dos céus, mesmo sem batismo; mas a IC os manda para o Limbo.

Sobre o Purgatório ensinam que: As almas do purgatório padecem um tormento muito semelhante ao das almas do inferno, com a única diferença de que as últimas nunca poderão sair do inferno, enquanto que, as do purga­tório hão de sair de lá. (Concílio de

Florença, em 1439). De acordo com este ensino, as missas celebradas pelos parentes constituem o recurso para que as almas sejam aliviadas e deixem mais depressa o Purgatório. Naturalmente, as missas para sufrágios dos parentes mortos, são cobradas, constituindo-se na “galinha dos ovos de ouro” do Catolicismo —sua rentabilíssíma indústria purgatoriana. A doutrina do Purgatório implica na ad­missão da insuficiência do sangue de Cristo, embora leiamos em 1 Jo 1.7 que o sangue de Jesus Cristo... nos purifica de todo o pecado. Repetindo: não de alguns pecados, mas de todo o pecado. Será que o fogo do purgatório é mais eficaz do que o sangue de Cristo? Para que serve então o sangue de Cristo’? A “Grande Multidão” de Ap 7.9- 15 possuía algo em comum: todos tinham lavado suas vestiduras no sangue do Cordeiro e, por isso, estavam diante do Trono de Deus no céu. Não foi preciso o fogo de Purgatório para que se purificassem.

INDULGÊNCIAS

Não satisfeita com a sua “galinha dos ovos de ouro” do Purgatório, agora a Igreja Católica, no ano de 2000, verá seus cofres recheados com dinheiro da visita de milhões de pessoas ao Vaticano, as quais entrarão pela porta de São Pedro para receber esse favor católico das “INDULGÊNCIAS”.

A Igreja Católica define como indulgência . . .a remissão da pena temporal devida pelos pecados já per­doados quanto à culpa, remissão que a Igreja concede fora do Sacramento da Penitência.

Assim, ensinando que o papa é o vigário de Cristo e o cabeça da Igreja, pode ele sacar do “Tesouro da Igreja” os bens de que ela é depositária.

A IC constrói a sua doutrina sobre Mt 16.19, onde se lê: ... o que ligares na terra, terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra, terá sido desligado no céu.

O papa sustenta que tem poder de outorgar qualquer destas indulgências a toda a Igreja ou a qualquer membro da Igreja, individualmente. Em 1903, o papa delegou autoridade a outros sacerdotes, permitindo aos cardeais outorgarem indulgência por duzentos dias, cada um em sua própria diocese; aos arcebispos, por cem dias; aos bispos, por cinqüenta dias, cada um em sua própria diocese.

O PODER DE “LIGAR E DESLIGAR”

O poder de “ligar e desligar”, dado a Pedro, só pode ser exercido segundo as condições que o próprio Jesus estabeleceu: por meio da pregação do Evangelho. O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho. (Mc 1.15)

Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse e ao terceiro dia ressuscitasse dos mortos. E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão de pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém. (Lc 24.46- 47)

Arrependimento e fé, eis as condições imutáveis mediante as quais o perdão é oferecido ao pecador e pode ser recebido por ele. Pedro, em suas mensagens, pregou-as e insistiu nelas (At 2.38; 3.19; 10.43).

HISTORIA

A Bíblia estabelecia para os israelitas O Ano do Jubileu. Diz a Bíblia:

E santificareis o ano qüinquagésimo, e apregoareis liberdade na ter­ra a todos os seus mora­dores; ano de jubileu vos será, e tomareis cada um à sua possessão, e tornareis, cada um à sua família. O ano qüinquagésimo vos será jubileu (Lv 25.10-11). Com base no jubileu bíblico, os católicos estabeleceram o primeiro jubileu relacionado com as peregrinações à Roma. Foi instituído por Bonifácio VIII, em 1300, tomando a forma de indulgência plenária, outorgada a todos os fiéis que visitassem as basílicas romanas de São Pedro, São Paulo, Santa Maria Maior e São João Latrão, e recebessem os Sacramentos da Penitência e da Eucaristia. Os jubileus católicos, a princípio eram celebrados de cem em cem anos, porém, em 1350, os cidadãos de Roma pedi­ram ao papa Clemente VI que declarasse aquele ano santo, ano do jubileu. Assim, o intervalo entre um jubileu e outro passou a ser de cinqüenta anos. Posteriormente, os jubileus foram reduzidos para 33 anos por Urbano VI, em 1389, e a 25 anos, por Paulo II, em 1470. Diz o ensino católico: O Jubileu, que ordinariamente se concede todos os 25 anos, é uma indulgência plenária, à qual es­tão anexos muitos privilégios e concessões particulares, como o poder de obter-se a absolvição de alguns pecados reservados e de censuras, e a comutação de alguns votos.


OS TIPOS DE INDULGÊNCIAS

Existem modalidades diferentes de indulgências: quanto ao tempo de duração e quanto ao lugar. Quanto ao tempo de duração existem as indulgências plenárias ou completas e as indulgências parciais. Nas indulgências plenárias ou completas o pecador é isento das penalidades desta vida e da que há de vir no Purgatório. O ensino católico sobre as indulgências plenárias é: A indulgência plenária é a que perdoa toda a pena temporal devida pelos nossos pecados. Por isso, se alguém morresse depois de ter recebido esta indulgência, iria logo para o céu, inteira­mente isento das penas do Purgatório. Nas indulgências parciais a isenção das penas é dada por um tempo determinado de dez, vinte ou trinta dias.

Quanto ao lugar as indulgências universais são para uso de todas as Igrejas em toda parte. As indulgências particulares são para uso das Igrejas específicas ou de relicários.

PRONUNCIAMENTO DE MARTINHO LUTERO

Muitos historiadores católicos admitem que, no passado, se abusou mui­to grosseiramente da prática da indulgência, fato que deu origem a severas críticas. Foi o que aconteceu em 31 de outubro de 1517, quando Martinho Lutero afixou na Igreja de Wittemberg, na Alemanha, um texto em latim com 95 teses que contrariavam os dogmas da Igreja Católica. Condenava, por exemplo, a “venda” de indulgências que o Papa Leão X estava promovendo para construir a Basílica de São Pedro em Roma. Um dos textos muito lembrado por Lutero era o de Rm 1.17: o justo viverá da fé.

Um dos nomes mais conhecidos em Roma, nessa ocasião da construção da Basílica de São Pedro, foi o do cardeal João Tetzel que viajava pelo mundo católico recolhendo contribuições para essa construção. Uma das suas declarações relacionadas à oportunidade das pessoas escaparem do Purgatório por meio de indulgências se tomou célebre: No momento em que uma moeda tilinta no fundo do gazofilácio, uma alma escapa do purgatório. A IC tem duas inesgotáveis “galinhas dos ovos de ouro”: o Purgatório e as Indulgências — sendo estas para salvar os ricos, os que têm dinheiro com que resgatar os seus pecados. Jesus, quando viu o jovem rico afastar-se dele por não se dispor a vender seus bens para segui-lo, declarou:

Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino de Deus. (Mt 19.23). Entretanto, dentro do ensino católico, essa entrada se tomou fácil para os ricos: as indulgências abrem-lhe as portas.

E os pobres que continuem sofrendo neste mundo e que paguem no purgatório por séculos sem fim, o castigo dos seus pecados, porque não têm dinheiro para missas e indulgências, mui­to embora Jesus houvesse dito: ... aos pobres é anunciado o evangelho (Mt 11.5) (A Bíblia e o Catolicismo Romano, p. 113). O Papa Leão X ensinava que uma pessoa rica poderia doar terras e bens materiais à Igreja e assim comprar um lote de terreno no paraíso.

Não é por acaso que a Igreja Católica é um dos maiores proprietários de terras e imóveis em todo o mundo.

Na tese 82, Martinho Lutero declarava: Por que o papa não tira duma só vez todas as almas do purgatório, movido por santíssima caridade e em face da mais premente necessidade das almas, que seria justíssimo motivo para tanto, quando, em troca de vil dinheiro para a construção da Catedral de 5. Pedro, livra um sem-número de almas, logo por motivo bastante insignificante? Martinho Lutero foi excomungado em 1521, mas seu pro­testo virou uma nova denominação — o LUTERANISMO.

O QUE DIZ A BÍBLIA

A Bíblia afirma que após a morte segue-se o juízo (Hb 9.27). Como afirmamos, existem dois lugares apontados para depois desta vida e, num dos dois, todos os homens se encontrarão. Jesus falou do céu ao afirmar: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. E falou do inferno, dizendo: Apartai-vos de mim, mal­ditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. . . .E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna. (Mt 25.34,41,46). Jesus disse ao ladrão arre­pendido: Hoje estarás comigo no paraíso. (Lc 23.43). À mulher perdida, que ungiu os pés de Jesus com suas lágrimas, arrependida dos seus pecados, ele disse: Os teus pecados te são perdoa­dos. (...) A tua fé te salvou; vai-te e não peques mais. (Lc 7.48,50)

Paulo não esperava o purgatório nem admitia Indulgências. Falou o seguinte: Para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. (Fp 1.21)

SOBRE O ACORDO RECENTE ENTRE CATÓLICOS E LUTERANOS

O que pretende realmente a IC com o recente acordo firmado com os Luteranos? Renunciar a alguns dos seus dogmas? Certamente que não, pois justamente a prática das indulgências foi o que deu margem ao rompimento de Martinho Lutero com a Igreja Católica. Perguntamos: Foi ela abandonada pela IC? Ao contrário, essa prática da indulgência tem sido amplamente divulgada e o será durante o ano 2000. É o ano do Jubileu Católico quando se oferecerá o perdão de pecados para os que visitarem o Vaticano. O que tem em vista, então, esse acordo? Isto nada mais é do que uma estratégia para silenciar os evangélicos em todo o mundo. É o conhecido Ecumenismo implantado a partir do Concílio Vaticano II pelo papa João XXIII. Alguns luteranos menos afeitos à leitura da Bíblia estão eufóricos com a celebração desse acordo ocorrido em 31 de outubro de 1999. Como título UMA LiNDA FESTA, um leitor do Estadão, edição de 9-11-99, escreveu na coluna FÓRUM DE DEBATES: Quase cinco séculos depois que o monge Martin Luther começou a reforma da Igreja, católicos e luteranos do mundo se uni­ram formalmente com a assinatura da Declaração Conjunta Católica-Luterana, em Augusburg, na Alemanha... Quero agradecer ao Estadão, em meu nome e no de 58 milhões de luteranos de todo o mundo, pela reportagem sobre um assunto tão importante que é a fraternização universal dos servos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas, nem todos os luteranos são desavisados e aceitaram esse acordo. A FOLHA UNIVERSAL, de 14-11-99, declarou que . . .nem to­das as igrejas luteranas aceitaram o acordo e, pelo menos, 22 já manifestaram publicamente a rejeição. A maioria delas, no Brasil, pertence à ramificação da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, e tem diferenças importantes de interpretação bíblica da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. Por meio de um seu representante, a IELB declarou que, na prática, as pendências que separam luteranos e católicos continuarão existindo: O documento afirma que a salvação e o per­dão são graças de Deus, mas não é isso que João Paulo II tem anunciado. A Bíblia deixa aberta a pergunta, difícil de responder: Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo? (Am 3.3). Um acordo incoerente, e condenado pela Bíblia em 2 Co 6.16:

E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porventura a IC abandonou a idolatria? A mariolatria? O dogma do Purgatório? A prática da Indulgência? Certamente que não! Logo, fica em pé a recomendação de Ap 18.4-5: E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não incorras nas suas pragas. Porque já os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou das iniqüidades dela. O acordo, portanto, é impróprio.

"A Doutrina da Justificação Pela Fé Somente"

"Como eu, pecador injusto, posso ser colocado em uma posição correta diante de um Deus Santo?". Esta é basicamente a pergunta à qual a doutrina que será tratada brevemente neste artigo traz a resposta. Trataremos de uma verdade essencial à sã doutrina da salvação: a Justificação pela fé somente. Este é o artigo de fé pelo qual a Igreja permanece de pé ou cai, conforme Lutero disse. É o eixo em torno do qual toda a religião gira, como também disse Calvino.

De fato, o Apóstolo Paulo já afirmara em seu tempo que aqueles que tentam combinar Cristo às obras, e tentam unir a graça de Deus com o mérito, na justificação, estão desligados de Cristo (Gl 5.2,4). Mais ainda, ele afirmou que se deve considerar sob anátema todos quantos ensinem uma outra mensagem (cf. Gl 1.8), que distorça a doutrina da justificação pela fé somente, a qual era o cerne do Evangelho que ele próprio pregava - daí o Apóstolo chamar tal doutrina de "a verdade do evangelho" em Gl 2.5. Destarte, não devem ser considerados algo de somenos importância deslizes acerca deste ponto doutrinário.

A Reforma Protestante, do século XVI, nasceu a partir da batalha pela recuperação dessa verdade evangélica. Ao dizermos que esta foi uma verdade "recuperada", porém, faz-se necessário asseverar que não tencionamos afirmar a falsa idéia de que a Justificação pela fé somente havia sido completamente perdida na história da Igreja desde os apóstolos - uma vez que, como pode ser demonstrado, além de não ter sido inventada por Lutero, esta foi uma doutrina que já havia sido confessada anteriormente, na Igreja primitiva. Falamos recuperação, porém, no sentido de que, com a Reforma, esta doutrina gloriosa, presente nas Escrituras Sagradas, foi ensinada com claridade igual àquela em que o tema se apresenta na Bíblia - mesmo tendo vivido os reformadores numa época em que os conceitos de justificação em muito divergiam do texto bíblico.

Perto de sua morte, Lutero relembrou como, ainda sendo monge, foi impactado por esta verdade da Escritura, isto é, a verdade da Justificação Pela Fé Somente - aquele princípio que, mais adiante, seria conhecido como o princípio material da Reforma, aquilo que dá substância à fé evangélica. Segundo ele próprio, a expressão "justiça de Deus", presente em Romanos 1.17, sempre lhe foi motivo de terror. "Eu odiava esta expressão 'justiça de Deus'", disse o Rev. Dr Martinho Lutero. Tal aversão se devia ao seu entendimento desta expressão como referência à justiça mediante a qual Deus pune os pecadores injustos e ao seu reconhecimento acerca de si próprio como alguém que estava em falta com este Deus.
Embora como monge Lutero buscasse viver irrepreensivelmente, ele se percebia como um pecador diante de um Deus Santo; percebia que, por melhores que fossem as "folhas de figueira" que as suas justiças pessoais pudessem lhe prover, nada que ele fizesse seria o bastante para cobrir a sua injustiça diante do Deus que é "puríssimo de olhos", nem para satisfazer o padrão de perfeição exigido pelo Altíssimo. Passar tempos sem se alimentar ou dormir no chão frio não bastaram para comprar-lhe a paz com Deus. "Não podia acreditar que Deus era aplacado por minha satisfação", dizia aquele pecador sobre sua condição.

Após meditar dia e noite, ele descobriu o sentido da tão odiada expressão "justiça de Deus", em Rm 1.17. Pela graça de Deus, a palavra tão grandemente "odiada" passaria, desde então, a ser alvo do seu amor.

"Eu prestei atenção ao contexto das palavras, a saber, 'A justiça de Deus é revelada, como está escrito, 'O justo viverá pela fé'. Comecei, então, a entender que a justiça de Deus consiste em que o justo vive por um dom de Deus, a saber, pela fé. E este é o significado: a justiça de Deus é revelada pelo evangelho, a saber, a justiça passiva de Deus com a qual Ele nos justifica pela fé, como está escrito, 'O justo viverá pela fé'. Senti como se estivesse nascendo de novo e tivesse entrado no paraíso por portões abertos... E eu celebrei minha doce palavra com um amor tão grande quanto o ódio com o qual anteriormente odiei a expressão 'justiça de Deus'. Desta forma, aquela passagem em Paulo veio a tornar-se para mim verdadeiramente o portão do paraíso"

O que Lutero compreendera, neste momento descrito acima, é que a "justiça de Deus" não é somente algo que Deus requer, mas, também, algo que Ele próprio concede livremente àqueles que crêem no Seu Filho - a saber, "a justiça de Deus mediante a fé em Cristo, para todos e sobre todos os que crêem" (Rm 3.22). Não obstante, a doutrina bíblica da justificação em toda a sua extensão foi se tornando clara a ele somente com o tempo - após as grandes disputas procedentes da publicação das Noventa e Cinco Teses. Somente em 1535, com o seu Comentário aos Gálatas, o reformador daria uma exposição mais completa, profunda e exata acerca da justificação pela fé somente e do caráter alheio desta justiça, segundo as Escrituras.

Com o nascimento da Reforma, e o espalhar-se da mensagem da fé evangélica, e os escândalos envolvendo o clero, veio a contra-reforma católica romana. E, com ela, veio também a definição clara do que era a posição da Igreja Católica Romana acerca da Doutrina bíblica da Justificação, no Concílio de Trento. O Concílio esclareceu aquilo que, ainda hoje, é crido pelos católicos romanos acerca da justificação, através de cânones que são, segundo a definição de Roma, irrevogáveis. O Ensino Católico Romano acerca da Justificação

Roma entende que a justificação é um processo que se inicia no batismo e que se estende por toda vida. Uma graça recebida que, no entanto, pode ser perdida, e recuperada através do sacramento da penitência. Para a Igreja Romana, a justificação deve ser compreendida como a obra da graça de Deus no coração do crente, que causa uma justiça inerente, a qual, por sua vez, serve de base para a aceitação do indivíduo diante de Deus e merece a justificação final. Justiça esta que também se obtém, aumenta e preserva através das boas obras, pelos crentes, assistidos pela graça, cf. Trento, Sessão VI, Cân. 24: "Se alguém disser que a justiça recebida não se conserva nem tão pouco se aumenta perante Deus pelas boas obras, mas que as boas obras são meramente frutos e sinais da justificação que se alcançou, e que não é causa de tal aumento - seja anátema".

No âmbito soteriológico, segundo a doutrina católica romana, justificar tem a ver com "fazer justo" e não, essencialmente, com "declarar justo"; ao sustentar isto, Roma se mostra em concordância com a interpretação mais proeminente entre os mestres medievais, seguindo a tradução de Jerônimo da Vulgata Latina, na qual a palavra grega "diaikosune", cujo significado é "declarar justo", foi vertida como "justificare", que significa "tornar justo". Isto, por sua vez, aponta para a realidade de que, segundo a doutrina católica oficial, a justificação diante de Deus tem a ver com uma mudança moral que ocorre no indivíduo e não, com algo estritamente forense. Por isso, no capítulo VII da Sessão VI do Concílio de Trento, que descreve a visão católica da justificação, diz-se que: "[a justificação] não é somente uma remissão de pecados, mas também a santificação e renovação do homem interior pela voluntária recepção da graça e dos dons mediante os quais o homem injusto se torna justo…”. Aqui, fica absolutamente clara a identificação entre santificação e justificação, que a teologia romana realiza.

Com efeito, o conceito de justificação forense pela fé somente, segundo o qual se diz que somos justificados pela imputação da Justiça de Cristo somente, é rejeitado de modo expresso pela Igreja Romana, nos cânones 9 e 11 da mesma Sessão acima referida: “Se alguém disser que o ímpio é justificado somente pela fé, entendendo que nada mais se exige como cooperação para conseguir a graça da justificação… que seja anátema”; “Se alguém disser que os homens são justificados somente pela imputação da justiça de Cristo… que seja anátema”. Embora alguns teólogos católicos romanos de nossos dias, comprometidos com o Ecumenismo, tentem dar a entender o oposto, tais declarações são repúdios à posição protestante.

Destarte, de modo simples, poder-se-ia contrastar as visões do Catolicismo Romano e do Protestantismo ortodoxo como segue: Processo versus Ato declarativo; Justificação moral versus Justificação forense; Infusão versus Imputação; Justificação pela fé e pelas obras, inspiradas pela graça, versus Justificação mediante a fé somente, por Cristo somente. As primeiras palavras de cada uma dessas frases tendo a ver com a concepção católica e as posteriores, com a protestante. Uma Defesa Bíblica da Doutrina Evangélica da Justificação Pela Fé Somente

Uma Definição desta Doutrina bíblica. A Justificação é o ato de Salvação, da parte de Deus, mediante o qual Ele nos declara justos com base no que Cristo fez por nós (cf. At 13.39; Rm 3.22,24-26; 5.1,9-10,16-21; 8.1,33-34; 10.4; 1 Co 1.30; 2 Co 5.19,21; Ef 1.6; Fp 3.8-9, etc). Na justificação, Deus não somente perdoa os nossos pecados, imputando-os ao Cristo Crucificado (cf. Is 53.6; Rm 4.7-8,22-25; 5.18; 2 Co 5.19,21; Gl 3.13), como também nos imputa a justiça perfeita de Cristo (cf. Fp 3.8-9; Rm 5.19; 10.4; 1 Co 1.30; Jr 23.6; Is 61.10), isto é, a obediência perfeita de sua vida em perfeita consonância com a lei de Deus, na qual o Senhor Jesus cumpriu “toda a justiça” de Deus (cf. Mt 3.15) por nós.

Um Ato declarativo e não, um Processo. Uma evidência – de que nos ensinos de Cristo a justificação do pecador diante de Deus é instantânea – é a descrição feita pelo Amado Jesus da justificação de um cobrador de impostos que, após ter clamado a Deus por misericórdia, “desceu justificado”(cf. Lc 18.14); mesmo antes de crescer na graça santificante e de receber qualquer sacramento, aquele publicano recebeu de Deus a bênção da justificação, completa e definitiva. Segundo o Senhor, quando um indivíduo ouve o evangelho e crê, naquele momento, passa da morte para a vida: “Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida”(Jo 5.24). Não há processo aqui, da mesma forma como não há em qualquer lugar que a Bíblia fale da justificação diante de Deus. Deveras, não é de se admirar, diante disso, que a justificação dos crentes seja referida pelos escritores bíblicos como um evento completo, um ato divino perfeito e não, como um processo de aperfeiçoamento a ser completado no futuro – e dependente do homem. Daí ser dito que “Justificados, pois, pela fé, temos paz com Deus por intermédio do Senhor Jesus Cristo… logo, muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5.1,9); e também: “Portanto, agora, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). “…Agora, já não há nenhuma condenação” implica dizer, necessariamente, que a justificação já é um fato para aqueles que foram unidos a Cristo Jesus. O cristão foi transferido de um estado para outro, houve uma mudança do seu status diante de Deus; de uma posição de “condenação” para uma de “justificação” diante do Juiz do Universo, desde quando creu em Cristo, pois está escrito que “Quem nele crê não é condenado”, enquanto “o que não crê já está julgado; porquanto não crê no unigênito do Filho de Deus” (Jo 3.18).

O sentido comum da palavra “justificar” nas Escrituras Sagradas. “Justificar” é uma palavra usada profusamente nas Escrituras Sagradas com um sentido forense e jamais, com o sentido de aperfeiçoamento moral. Não é por acaso que justificar, tanto no AT quanto no NT, aparece repetidas vezes contrastado com termos relativos à condenação, v. Dt 25.1; Pv 17.5; Rm 5.16,18; 8.33-34; isto ocorre porque o verbo justificar é usado pelos escritores bíblicos como o antônimo de condenar – denotando o caráter eminentemente judicial dos termos. Tal contraste estabelecido nas Escrituras é harmônico com a posição protestante (pois o oposto de condenar é “absolver” ou “declarar justo ou inocente”), mas serve de óbice para a interpretação papista, de vez que, se justificar fosse usado nas Escrituras significando “tornar justo”, o seu oposto jamais seria “condenar”, mas, sim, “tornar ímpio” ou “depravar” – contudo, espécie semelhante de contraste não se encontra.

O uso paulino da palavra. A palavra grega traduzida por “justificar”, no NT, é dikaioo. Ela aparece cerca de 40 vezes e Paulo, quando a usava, o fazia num sentido judicial. Este parece ter sido o uso comum da palavra, na época. Tanto é assim que alguns papiros do século I apresentam a palavra supracitada referindo-se a certas decisões judiciais. De fato, mesmo outras palavras correlatas à justificação no ensino de Paulo, como logizetai, traduzida como “imputada” ou “creditada” ou “atribuída”, também se tratam de termos legais – denotando, inclusive, tanto o sentido objetivo desta justificação como a verdade de que não se está tratando de uma justiça inerente ou “comunicada”. Deveras, a própria Bíblia jamais fala de justificação em termos de infusão de justiça (como pretenderiam os papistas), mas, sim, em termos de imputação de justiça, cf. Rm 4.3-8,12,22-25 (tal como sustentaram os Reformadores, muito acertadamente).

Uma justiça que é extrínseca. O caráter alheio desta justiça, que demonstra ser a justificação algo extrínseco, também pode ser provado de muitos outros modos. Na passagem de Rm 4.5, vemos que Deus justifica o indivíduo não com base no fato de que ele já iniciou uma vida de santidade ou com base no fato de que ele já é santo interiormente (daí ser dito que Deus “…justifica o ímpio”), mas, sim, em função de uma justiça perfeita que lhe é externa e creditada. O que demonstra a justificação não se baseia em algo que esteja no indivíduo. Isto, aliás, harmoniza-se mui perfeitamente com Filipenses 3.8-9, onde o Apóstolo das gentes diz: “… perdi todas as coisas e as considero refugo, para ganhar a Cristo, e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, mas somente a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, através da fé”. Aqui, vemos mais uma vez que a característica desta justiça, mediante a qual somos justificados, é que ela não está nós (daí ser dito “…não tendo justiça própria”), nem é fruto do nosso trabalho e piedade pessoal, mas procede de Deus e a recebemos como uma dádiva (vs. 9; cf. Rm 1.17; 3.19-22) – razão pela qual é chamada de “dom da justiça” (Rm 5.17).

Uma justiça recebida somente pela fé. Este “dom da justiça” é recebido somente pela fé. Se, por um lado, é verdade que não há uma declaração explícita da frase “justificação pela fé somente”, também é verdade que este é o ensino que perpassa toda a Escritura. Não há como escapar deste ensino quando Paulo declara enfaticamente que “ao que não trabalha, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça. E por isso diz Davi ser bem-aventurado o homem a quem Deus imputa justiça, independentemente de obras”, em Romanos 4.5-6. Que a fé é o único meio de justificação para Paulo fica suficientemente claro na passagem anterior, mas isto também é afirmado de outros modos. Outro modo pelo qual Paulo ensina isto é quando ele rejeita qualquer outro meio de justificação, exceto a fé. “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (Rm 3.28). “… sabendo, contudo, que o homem não é justificado pelas obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus…” (Gl 2.16). E para que não se digam que tais passagens referem-se a somente uma classe de obras e que as obras não são de todo excluídas, na concepção paulina de justificação, basta que se cite passagens onde ele explicitamente faz a exclusão de qualquer tipo de obras, a exemplo de Efésios 2.8-9: “Visto que pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie”. Pela graça, mediante a fé e não de obras – isto não pode significar outra coisa além de que a salvação é “somente pela graça e somente mediante a fé”, visto que, se obras forem acrescentadas, não poderá mais se dizer que “não vem das obras” e nem tampouco que é “pela graça”; pois, “se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça” (Rm 11.6).

Entendendo um pouco melhor a doutrina da Justificação. A Santidade de Deus requer que Ele odeie e puna os pecados (cf. Gn 18.25; Jr 44.4; Ez 18.4; Hb 1.13; Sl 5.4-6; Rm 1.18; 2.5). Destarte, Deus puniu os pecados do Seu povo em Cristo (cf. Rm 3.25-26), a fim de permanecer justo ao justificar os crentes. Por outro lado, a natureza perfeita e santa deste Deus, refletida em Sua Lei moral, requer de nós uma perfeição (i.e., uma justiça perfeita) para que, assim, Ele possa nos declarar justos aos Seus olhos (v. Gl 3.10ss; cf. Tg 2.10; Mt 5.48). Não basta uma ausência de débito, há, pois, a necessidade de um crédito para que sejamos justificados. O problema é que nenhum de nós detém uma obediência perfeita para que a ofereçamos a Deus (v. Is 64.6; Rm 3.10,23). De fato, já nascemos pecadores e culpados diante de Deus, em função da Queda (cf. Sl 51.5; Rm 5.12). Mais ainda, não raro pecamos contra a Sua lei (cf. 1 Jo 1.10), e mesmo depois de crentes, embora estejamos crescendo em santidade, nada que possamos engendrar fará com que atinjamos uma justiça perfeita (cf. Ecl 7.20; Rm 7.14-15,18; Pv 20.9; Jó 25.4-6; Sl 143.2). Para nossa felicidade (e não é por acaso que chamamos isto de “boas novas”), Deus o Filho veio realizar aquela obra que não poderíamos fazer (cf. Mt 1.21; Lc 19.10); Ele não somente morreu em nosso favor e em nosso lugar (cf. Is 53.11-12; Mc 10.45; Rm 4.22ss; 5.8; 2 Co 5.14; Gl 3.13; Cl 2.14; 1 Tm 2.6), aplacando a ira divina (cf. 1 Jo 2.2; 4.10), como também viveu uma vida perfeita e adquiriu uma justiça perfeita diante de Deus em nosso favor (cf. Rm 5.18-19). Uma justiça que recebemos gratuitamente quando cremos (cf. Rm 3.22ss; 10.4) e que, justamente por ser perfeita, não precisa de qualquer acréscimo de nossas justiças pessoais imperfeitas para que Deus nos aceite – somos aceitos por Deus em Cristo, cf. Rm 8.1; Ef 1.6-7.

Verdadeiramente, o Senhor nosso Deus “não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniqüidades” (Sl 103.10), porque Jesus Cristo satisfez todas as exigências dos padrões divinos em nosso benefício (cf. Rm 8.3-4; 10.4; Gl 3.22-29; 4.4-5; Jo 19.30; Is 53.11-12).

Casos de salvação na Bíblia contrariam a doutrina católica romana da justificação. Dado o fato de que o padrão divino é a perfeição (cf. Mt 5.20,28), é somente se tivermos em vista a doutrina da imputação da justiça de Cristo que poderemos entender relatos como os da salvação do publicano pecador e do ex-ladrão, casos relatados respectivamente em Lc 18 e 23. Os dois indivíduos não detinham uma perfeição que lhes fosse inerente, mas foram justificados instantaneamente por Deus. Em que base Deus fez isto, afinal? Só pode tê-lo feito com base na justiça perfeita de um substituto, uma justiça imputada – assim como ocorre com todos os crentes, quando confiam em Cristo para salvação, cf. Rm 10.4; Fp 3.6-9; v.tb.1 Co 1.30; 2 Co 5.21. No caso do publicano, vemos aquele pecador sendo justificado diante de Deus mediante a fé somente, ao ter se humilhado diante de d’Ele e clamado, em fé, por misericórdia – reconhecendo, pois, a sua total impotência de salvar-se a si mesmo. Jesus, na passagem, declara que aquele homem “desceu justificado”, cf. Lc 18.14 – e isto, diga-se, antes mesmo dele ter começado a crescer em santidade. Semelhantemente, no caso do ex-ladrão, vemo-lo sendo salvo sem ter feito qualquer coisa para merecer a justificação (v. Lc 23.42-43) e sem ter participado de qualquer sacramento supostamente necessário para a salvação; colocando doutro modo, vemos aquele indivíduo também sendo salvo somente por meio da fé.

Fatos como estes ainda fazem desmoronar por completo outra crença papista: a de que o batismo é a causa instrumental da justificação. Uma crença que é insustentável biblicamente, de vez que a mesma Bíblia que afirma categoricamente que “não fomos salvos pelas nossas obras de justiça” (Tt 3.5) também afirma que o batismo é, sim, uma obra de justiça (cf. Mt 3.15).

Tais casos não foram exceções por indivíduos serem salvos somente mediante a fé. De Gênesis a Apocalipse, o Evangelho perpassa as Escrituras – quer de modo mais implícito nas várias predições do Messias Redentor e da obra que Ele realizaria (AT), quer nas explanações do que este Cristo de Deus realizou (NT) para a salvação dos pecadores. E o cerne dessa mensagem a que chamamos de “boas-novas” é Deus fazendo pelo homem aquilo que este não poderia fazer por si próprio. É Deus providenciando os meios pelos quais o homem injusto pode se colocar numa posição correta diante d’Ele. No campo da justificação, é Deus providenciando uma justiça perfeita ao homem, à parte de quaisquer obras pessoais do indivíduo que crê, à parte dos esforços humanos, para que a glória da salvação seja somente d’Ele. Não admira que, quando o carcereiro de Atos 16 perguntou a Paulo e Silas o que deveria fazer para ser salvo (vs. 30), os homens de Deus tenham respondido simplesmente: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa”(vs. 31). Deveras, tanto os santos do Antigo quanto os do Novo Testamento foram salvos somente por meio da fé; enquanto estes foram salvos mediante a fé com base no que Cristo fez (Rm 4.22-25), aqueles foram salvos mediante a fé com base naquilo que Cristo faria (Rm 4.5-6). Tanto em Rm 4.3ss quanto em Gl 3.6ss, Paulo lembra a justificação de Abraão, citando Gênesis 15.6, como o exemplo da forma como todos os crentes são justificados diante de Deus; e nesta passagem veterotestamentária citada, não encontramos Abraão “cooperando” com a graça em um processo de infusão de justiça, nem participando de um sacramento, assim como também não o vemos realizando quaisquer boas obras ou penitências; antes, é-nos dito simplesmente: “Abraão creu e isso lhe foi imputado como justiça”; bastou ele confiar nas promessas graciosas de Deus para instantaneamente ser justificado diante do Senhor. Isto é Sola Fide, e nada mais. Como também é demonstração desta mesma verdade a passagem registrada no Evangelho Segundo Marcos 2.5, quando Jesus pronuncia o perdão a um paralítico meramente porque viu sua fé: “Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados”. Verdadeiramente, como os profetas anunciavam, “por meio do seu nome, todo aquele que nele crê recebe a remissão de pecados” (cf. At 10.43), e “por meio dele [Cristo], todo o que crê é justificado de todas as coisas das quais vós não pudestes ser justificados pela lei de Moisés” (At 13.39).

Ademais, que a justificação é uma obra de Deus somente, à parte de qualquer obra humana, também fica claro quando, nos contextos nos quais a justificação é incluída, Deus é o agente único dela. “…Sendo justificados, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça… tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser o justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus”(Rm 3.24-26); “Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios… Deus prova seu amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue…”(Rm 5.6,8-9); “Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo” (Rm 5.17); “E aos que [Deus] predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós, o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica” (Rm 8.30-33).

Justificação não é santificação; mas isso não quer dizer que os crentes não crescem em santidade. Justificação (Rm 3.28-4.6) e Santificação (Ef 2.10; 2 Pd 3.18) são bênçãos distintas – ainda que sejam reais para todos os que são de Cristo (cf. 1 Co 6.11). Biblicamente, a justificação é a obra de Deus por nós que nos declara justos; enquanto a santificação é a obra de Deus em nós que nos faz justos. Pelos casos citados acima, bem como pelo ensino geral das Escrituras, fica patente que a santificação não é condição para justificação.

Na verdade, a santificação é o resultado da justificação. Os que forem verdadeiramente justificados crescerão em santidade. Afinal, de acordo com a Bíblia, em virtude da união com Cristo (v. Cl 1.27; Jo 15.4; 1 Co 1.30; Gl 2.20), os crentes, durante sua peregrinação neste mundo, permanecem sendo moldados à imagem do Filho de Deus (Rm 8.29), e, conquanto sejam sempre falhos na terra (cf. Pv 20.9; Sl 130.3; Jó 25.4-6; Ecl 7.20; 1 Jo 1.10), há uma transformação gradativa (2 Co 3.18), de crescimento em santidade (2 Pd 3.18), que é realidade neles e atingirá a sua plenitude na glorificação (1 Jo 3.2).

Outrossim, não discordamos dos católicos romanos que haja uma renovação moral no pecador – apenas não confundimos isto com a justificação, que é coisa distinta. Negamos, porém, que a regeneração (o ato inicial da salvação, em que Deus faz nascer de novo o pecador e o vivifica, cf. Jo 1.12-13; Ef 2.1-5; 2 Co 5.17, etc) e a santificação (o processo de crescimento em santidade) possam ser de alguma forma a base de nossa aceitação diante de Deus, porquanto “Cristo Somente” (sua satisfação pelos pecados e a justiça de sua vida) é o único fundamento da nossa relação com Deus e a causa única de nossa aceitação diante do Deus Santo, cf. Rm 4.22-25; 5.8-10,16,18; 10.3-4; 1 Co 1.30; 2 Co 5.19-21; Ef 1.6; Fp 3.8ss, etc.

A justificação não pode ser revogada ou perdida. Na mesma epístola em que o Apóstolo chama a vida eterna de um “dom gratuito”(Rm 6.23) e a justificação de “dom da justiça”(Rm 5.17), ele também diz que os dons são irrevogáveis (cf. Rm 11.29) – o que significa dizer que a vida eterna e a justificação são dons irrevogáveis. Deveras, a Escritura diz que aqueles a quem Deus justifica, a esses Ele também glorifica: “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou”(Rm 8.30). O que a Escritura está dizendo é que todos quantos são declarados justos (justificação) decerto participarão do aspecto futuro da salvação, quando a santificação terá atingido o seu alvo e os crentes em Cristo terão sido final e completamente conformados à imagem de Cristo (cf. Rm 8.29). A idéia de uma justificação perdível, tal como Roma ensina, é estranha às Escrituras, porque esta é uma bênção que repousa completamente fora do crente, a saber, repousa em Cristo e n’Ele somente – conforme já dissemos anteriormente. Esta é a explicação bíblica para a justificação ser descrita, no presente, tão certa quanto no futuro: “Logo, muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida” (Rm 5.9-10). O ensino de Tiago acerca da fé e das obras não contradiz o de Paulo. Como entender que Paulo ensine que os homens são “justificados pela fé”, e “à parte de obras”, em Romanos 4 e Gálatas 3, e Tiago afirme que somos “justificados pelas obras, e não pela fé sozinha”(cf. Tg 2.14-26)? Trata-se de uma apenas aparente contradição. Mas, se cremos que os dois apóstolos em discussão estavam falando sob a inspiração do Espírito Santo, e Deus não pode falhar e nem se contradizer, segue-se que a possibilidade deles haverem efetivamente se contradito não existe realmente. Para que não haja um entendimento equivocado, que coloque em oposição Escrituras inspiradas, bastam algumas observações breves mas importantes.

Em Romanos e Gálatas, o Apóstolo Paulo está explicando como um homem pode ser declarado justo diante de Deus, isto é, como o homem pode ser transferido de um estado de condenação para um de justificação diante do tribunal de Deus. Por outro lado, o Apóstolo Tiago, em sua Epístola inspirada, está explicando o que caracteriza a fé verdadeira, como os homens demonstram ser justos diante dos homens dando prova da sua fé. Enquanto Paulo está repudiando o erro daqueles que, em seu tempo, a exemplo dos papistas de hoje, tentavam combinar a graça com as obras, a justiça de Cristo com os esforços pessoais do indivíduo, condicionando a graça a certos rituais necessários para salvação, Tiago, por sua vez, está condenando aquilo que se chama de “antinomismo” – que era aderido por pessoas que, em seu tempo, pareciam não compreender que a fé genuína é manifesta na obediência. Logo, a pergunta a que Paulo trata responder é distinta daquela que Tiago se empenha em elucidar. Paulo está elucidando a questão de “Como eu, pecador, posso ser colocado numa posição de retidão diante de Deus?”; já Tiago, diferentemente, está elucidando a questão de “Como eu posso saber que minha fé é genuína?”.

Deve-se observar, ainda, que “justificar” em Tiago refere-se a algo distinto daquilo a que Paulo referencia com o termo. Em Paulo, “justificar” está se referindo unicamente à justificação “diante de Deus” (ver Gl 3.11), mas, em Tiago 2, o mesmo termo é usado em referência à justificação diante dos homens (cf. Tg 2.18, “… mostra-me a tua fé… te mostrarei a minha fé pelas minhas obras”). Justificação, no contexto de Paulo, tem a ver com o ato declarativo de Deus; mas “justificação”, no contexto de Tiago, tem a ver com uma vindicação de justiça, em que o indivíduo que professa ter fé é justificado diante dos homens pelas obras. Enquanto Paulo fala do meio instrumental da salvação, Tiago está falando da evidência da fé genuína e do fruto da salvação – “porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração”(1 Sm 16.7). Deus conhece o meu coração e sabe da fé que existe nele; mas você não o conhece, portanto, as minhas obras testificam, diante de mim e de você, a existência da fé genuína. Se eu disser que creio, Deus saberá perfeitamente se falo a verdade; mas, a menos que eu mostre a você a minha fé pelas obras, jamais você saberá de tal coisa. É precisamente por isso que, embora diante de Deus sejamos justificados somente mediante a fé (no sentido de sermos colocados numa posição correta diante d’Ele), somos “justificados” diante dos homens (no sentido de que provamos nossa fé diante deles) pelas nossas obras. Para Tiago, assim como para Paulo, uma fé falsa (i.e., meramente histórica) é morta. Mas é absolutamente certo que, tanto para Paulo quanto para Tiago, a fé genuína, pela sua natureza, é uma fé viva e jamais morta, porquanto o crente verdadeiro tem pela fé a vida de sua alma (Rm 1.17), e a Cristo como a vida de sua fé (Gl 2.20).

A justificação é “pela fé” no sentido de ser “mediante a fé” e não, no sentido de ser baseada nela. As Escrituras Sagradas ensinam que os crentes são justificados dia pisteos, em Rm 3.25, que quer dizer “mediante a fé”; pistei, em Rm 3.28, que quer dizer “pela fé”; e ek pisteos, em Rm 3.30 e 5.1, que quer dizer “por fé”. De fato, a própria Bíblia estabelece que a salvação é “pela graça… por meio da fé” (dia pisteos), em Ef 2.8 – denotando, assim, a função de meio instrumental que a fé possui, no que concerne ao recebimento da salvação. Mas, mesmo isto sendo verdade, jamais é dito que os crentes são justificados dia pistin, i.e, por causa da fé.

A verdade é que a fé não é uma “obra meritória” (v. Ef 2.8ss) e nem a base de nossa salvação. Não somos salvos “por causa da fé”, mas por causa de Cristo somente. A suficiência da fé repousa na de Cristo; e a excelência da fé não está em Si mesma, mas em Seu objeto (v. 1 Co 1.30). De sorte que o cerne da verdade da justificação pela fé somente não é que a nossa fé seja a “maior ou mais meritória de todas as obras”, mas, sim, que Cristo é suficiente para – somente por causa de quem Ele é e do que Ele fez – livrar-nos da condenação eterna e colocar-nos numa posição correta diante de Deus.
A justificação do pecador não é, pois, uma recompensa de Deus devido ao fato do indivíduo crer, mas, sim, algo que é concedido gratuitamente, à parte de qualquer obra ou merecimento humano, e que é simplesmente recebido pela fé – esta, no caso, é comparável a um “estender das mãos” da alma do crente para receber a dádiva de Deus, o “presente” da vida eterna; é também comparável a um olhar confiante da parte do crente que se volta ao Deus Salvador (v. Is 45.22), na pessoa do Mediador, o Cristo Crucificado (cf. Jo 3.14-15), e que espera n’Ele e somente n’Ele, pelas promessas do santo Evangelho, a salvação. Destarte, se somos justificados mediante a fé somente, é porque o somos por causa de Cristo Somente.

Conclusão

A Doutrina da Justificação Pela Fé Somente tem servido de conforto para os servos de Deus, em todas as épocas. A verdade de que nada daquilo que possamos fazer poderá nos justificar diante de Deus é um insulto para o homem não-cristão, para aquele que confia em sua própria justiça quanto à salvação (v. 1 Co 1.18-23). No entanto, para aqueles que foram confrontados com a ira de Deus, e que estão, por conseguinte, cônscios de sua própria pecaminosidade, esta é uma doutrina que serve para lembrá-los para onde devem olhar, quando se sentirem acusados por Satanás e aterrorizados pela lei: Cristo.

Saber que nossa posição diante de Deus não depende de nossas justiças pessoais, mas que somos justificados somente devido à satisfação que Cristo ofereceu na cruz e à obediência que Cristo cumpriu, é algo que traz paz e segurança. Na beleza do Cristo crucificado podemos encontrar cada um dos nossos pecados julgados, punidos, condenados. E na valiosíssima e puríssima justiça de Cristo, temos as “vestes” de que necessitamos para nos apresentar diante do Senhor.Leitor, caso você ainda não tenha confiado somente em Cristo para a salvação, pois até hoje confiou, pelo menos em parte, em si mesmo e em sua obediência pessoal (obras) para salvar-se; saiba que o bendito e gracioso Jesus o convida a lançar sobre Ele o seu fardo de culpa e receber d’Ele o Seu manto de justiça. E isto gratuitamente, mediante a fé somente e para sempre. “Eis, agora, o dia da salvação” – se hoje você confiar em Cristo Jesus, em Sua obra e justiça, estará conhecendo em verdade àquele Deus a quem o Seu povo chama jubilosamente de “Senhor, justiça nossa” (Jr 23.6; cf. 1 Co 1.30). Sim, você regozijará grandemente, tal como todos os que recebem de Deus a Sua justiça imputada, mediante a fé somente: “Regozijar-me-ei muito no Senhor, a minha alma se alegra no meu Deus; porque me cobriu de vestes de salvação e me envolveu com o manto de justiça, como noivo que se adorna de turbante, como a noiva se enfeita com as suas jóias” (Is 61.10).

A salvação que lhe foi anunciada, nesta página, é realmente digna de ser chamada de “tão grande salvação” (Hb 2.3), como a chamou o escritor bíblico. Trata-se de algo eterno, que se baseia somente em Cristo, na Sua graça e é recebido mediante a fé somente. Trata-se de uma salvação que não requer um “estado de purificação dos eleitos”, como um purgatório, porquanto o que verdadeiramente liberta de toda mancha de pecado é o sangue daquele “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”; trata-se, também, de uma salvação que não requer que você acrescente o seu mérito e a sua justiça pessoal à justiça de Cristo, para que possa ser salvo, visto que estamos falando de uma justiça perfeita, concedida mediante a fé somente. Afinal, a salvação que aqui foi tratada não é outra senão uma que foi providenciada por um Salvador, perfeito e suficiente. Que este Salvador do mundo possa ser, hoje, o seu Salvador pessoal, para a glória de Deus – esta é a nossa oração. Amém.
“Imediatamente recebi o poder para crer nisto, e os raios plenos do ‘Sol da Justiça’ brilharam sobre mim. Vi a suficiência da propiciação que Ele [Cristo] havia feito, meu perdão selado em Seu sangue, e toda a plenitude e perfeição de Sua justificação. Num instante, eu cri e recebi o Evangelho… Não fosse o braço do Todo-Poderoso por detrás de mim, penso que eu deveria ter morrido com gratidão e alegria. Meus olhos se encheram de lágrimas e minha voz ficou embargada de emoção; eu só podia olhar para o céu em temor silente, tomado de amor e adoração” (William Cowper, cit. “O Sorriso Escondido em Deus”, de John Piper, pág.35 – Edições Vida Nova, 1ª Edição – Fevereiro de 2002).

O purgatório

A idéia do purgatório tem suas raízes no Budismo e noutros sistemas religiosos da antiguidade. Até a época do Papa Gregório 1, porém, o purgatório não tinha sido oficialmente reconhecido como parte integrante da doutrina romanista.

Esse papa adicionou o conceito de fogo purificador ao lugar entre o céu e o inferno, para onde (segundo a crença então corrente) eram enviadas as almas daqueles que não eram tão maus, a ponto de merecerem o inferno, mas também, não eram tão bons, a ponto de merecerem o céu. Assim surgiu a crença de que o fogo do purgatório tem poder de purificar a alma dos seus pecados, até fazê-la apta a se encontrar com Deus.

Alegadas Razões Desse Dogma

Para provar a existência do purgatório, a Igreja Romana apela para algumas passagens bíblicas, das quais deriva apenas inferências, e nada mais. Entre os verskulos preferidos destacam—se os seguintes:

“Se alguém pra ferir alguma palavra contra o Filho do homem ser—lhe—a perdoado; mas 8e alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir (Mt 12.32).

“Diqo-vos que toda palavra frívola que pra ferirem 0s homens, dela dará conta no dia do juízo (Mt 12.36).

“… se a obra de alguém se queimar sofrera ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo” (1 Co 3.15).

Uma Descrição do Purgatório

De acordo com a teologia romanista, o purgatório além de ser um lugar de purificação de pecado é também um lugar onde a alma cumpre pena; pelo que o fogo do purgatório deve ser temido grandemente. O fogo do purgatório será mais terrível do que todo o sofrimento corporal reunido. Um único dia neste lugar de expiação poderá ser comparado a milhares de dias de sofrimentos terrenos. (SPIRITUAL BOUQUET OFFEREV IN PL’RGATORY).

O escritor católico Mazzarellí faz seus cálculos à base de trinta pecados veniais por dia, e, para cada pecado, um dia no purgatório, perfazendo o grande total de mil e oitocentos anos, caso o pecador tenha sessenta anos de vida na terra, devendo-se acrescentar aos veniais os pecados mortais absolvidos, mas não plenamente expiados.

Quem Vai Para o Purgatório?

A pergunta: Que espécie de gente é que vai para o purgatório? Responde o Papa Pio IV:

“1. As que morrem culpa­das de pecados menores — que costumamos chamar veniais, e que muitos cristãos cometem — e que, ou por morte repentina ou por outra razão, são chamados desta vida, sem que se tenham arrependido destas faltas ordinárias.

2. As que, tendo sido formalmente culpadas de pecados maiores, não deram plena satisfação deles a justiça divina” (A BASE DA DOUTRINA CATÓL1CA CONTIDA NA PROFISSÃO DE FÉ).

A despeito do fato das almas no purgatório, segundo o ensino da Igreja Romana, terem sido já justificadas no batismo e pelo batismo, a justiça divina, contudo não ficou plenamente satisfeita. Desse modo a alma, embora escape do Inferno, precisa suportar, por causa dos seus pecados que ainda restam por expiar de­pois da morte, a punição temporária do Purgatório. Isso foi categoricamente afirmado pelo Concilio de Trento: Se alguém disser que, depois de receber a graça da justificação, a culpa é perdoa­da ao pecador penitente, e que é destruída a penalidade da punição eterna, e que nenhuma punição fica para ser paga, ou neste mundo ou no futuro, antes do livre acesso ao reino ser liberto, seja anátema” (Seção VI).

Sufrágios a Favor dos Que se Acham no Purgatório

Entre os sufrágios que assistem aos que se encontram no purgatório, há três que se destacam rio ensino católico, que são:

1. Orações pelos mortos – - Ë de se supor que a prática romanista de interceder pelos mortos tem se gerado da falsa interpretação de 1 Timóteo 2.1: Antes de tudo, pois, exorta que se use a prática de suplicas, orações, intercessões, ações de graça , em favor de todos os homens”.

2. As missas são tidas como os principais recursos empregados em beneficio das almas que estão no purgatório; pois, segundo o ensino romanista a missa beneficia não só a alma que sofre no purgatório, como também acumula méritos àqueles que as mandam dizer.

3. Dar esmolas com a intenção de aplicá-las nas necessidades da alma que pena no purgatório, “é jogar água nas chamas que a devoram”. Pretende a Igreja Romana que, “exatamente como a água apaga o fogo mais violento, assim a esmola lava o pecado”. Ainda sobre o purgatório, o Concilio de Trento declarou:

“Desde que a Igreja Católica, instruída pelo Espírito Santo, nos sagrados escritos e pela antiga tradição dos Pais, tem ensinado nos santos concílios, e, ultimamente, neste Concilio Ecumênico, que há Purgatório, e que as almas nele retidas são assistidas pelos sufrágios das missas, este santo concilio ordena a todos os bispos a que, diligentemente, se esforcem para que a salutar doutrina concernente ao purgatório — transmitida a nós pelos veneráveis pais e sagrados concílios — seja crida, sustentada, ensinada e pregada em toda parte pelos fiéis de Cristo” (Seção XXV).

O purgatório é não só uma fábula engenhosamente montada; a sua doutrina se constitui num vergonhoso sacrilégio a Deus e desrespeito â obra perfeita efetuada por Cristo na cruz do Calvário. Essa doutrina além de absurda e cruel, supõe os seguintes disparates e blasfêmias:

1. Não obstante Deus declare que já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus (Rm. 8.1), contudo, contradiz a si mesmo quando lança o salvo no purgatório, para expiar os pecados já purgados!

2, Deus não mandaria seus filhos para as chamas do purgatório para satisfazer a sua justiça, já satisfeita pelo sacrifício de Cristo, o qual foi perfeito, completo e capaz!

3. Ao lançar seus filhos no purgatório, Deus está com isso dizendo que o sacrifício do seu Filho foi insuficiente!

4. Jesus, que dos céus intercede pelos pecadores, vê-se impossibilitado de livrar as almas que estão no Purgatório, porque só o Papa possui a chave daquele cárcere!

5. Dizer-se que as almas expiam suas faltas no purgat6rio, é atribuir ao suposto fogo do purgatório o poder do sacrifício de Jesus, e ignorar completamente a obra que Ele efetuou no Gólgota!

Estes e outros disparates provêm dum erro da teologia católica romana que ensina que a obra expiatória de Jesus Cristo satisfez a pena devida aos pecados cometidos antes do batismo, e não daqueles que foram cometidos depois do batismo.

Todas estas incoerências sobre o dogma do Purgatório estão em contradição com as seguintes afirmações Bíblicas:

a. Quanto a perfeita libertação do pecado

….. e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.32,36).

b. Quanto à completa libertação do juízo

“Em verdade, em verdade vos digo: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida

“Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.2).

c. Quanto à completa justificação pela fé “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus, por meio de NOSSO Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes;.e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus” (Rm 5.1,2).

d. Quanto á intercessão de Cristo

“Filhinhos meus, estas cousas vos escrevo para que não pe que is. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 Jo 2.1).

e. Quanto o atual estado dos salvos mortos

“Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estareis comigo no paraíso” (Lo 23.43).

“Então ouvi uma voz do céu, dizendo: Escreve: Bem aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois aa suas obras os acompanham” (Ap 14.23).

f. Quanto a bem aventurada esperança do salvo

“Porquanto, para mim o viver e Cristo, e o morrer e lucro. Ora, de um e outro lado estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” (Fp 1.21,23).

“Entretanto estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor” (2 Co 5.8).

A Bíblia não trata de purgatório nenhum. Ela fala claramente do Inferno ou Geena, aonde os ímpios impenitentes serão lançados, e de lá jamais sairão. Ali o suplício e eterno. Leia Lucas 16.19—31 e veja que nada poderá ser feito em favor dos que forem lançados nesse lugar de suplício. Para esses, por causa da sua impiedade, depois da morte lhes veio o juízo divino, conforme Hb .9.27.

CONCLUSÃO

A salvação oferecida por Cristo é uma salvação perfeita e total, pois ela é o resultado da misericórdia de Deus e do sangue expiador do seu Filho.

“Se, porem, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado… ”.

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” (1 Jo 1.7,9).

O “purgatório” do crente é o sangue de Jesus Cristo, que nos purifica de todo pecado (1 Jo 1.7). É evidente que a doutrina do purgatório romanista não pode resistir diante deste glorioso fato; dai, não poder ser crida, sustentada e pregada pelos fiéis de Cristo, como exige o Concilio de Trento.

O rosário

E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos; não vos assemelheis, pois, a eles …” (Mt 6.7,8).
As pessoas não-evangélicas, quando lêem a Bíblia e se deparam com os ensinamentos de Jesus, em Mateus 6.5-15, sobre como se deve orar, não têm a atenção voltada para o que está nos vv 7 e 8. Neles consta que não devemos usar de vãs repetições, segundo o costume dos gentios, os quais pensavam que, por suas repetições sucessivas, seriam ouvidos. Mas quem eram os gentios? Eram os que não faziam parte do povo de Deus. Jesus estava dizendo, em outras palavras, o seguinte: “E ao conversar com Deus, não usem de repetições ocas, vazias, fúteis, sem valor, como os pagãos, os idólatras; porque imaginam que, pelo seu muito falar, serão ouvidos; não se tornem, pois, semelhantes a eles; não os imitem…”

A ênfase não recai apenas na palavra vãs, mas também em repetições. É certo que Paulo disse: “Orai sem cessar. Em tudo dai graças, porque essa é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1 Ts 5.17,18), mas aqui é diferente, pois o apóstolo nos está incentivando ao costume incessante da oração, principalmente com o fim de louvarmos a Deus, o que a maior parte das pessoas se esquece de fazer, preocupadas apenas em pedir.

Oração é conversa franca, espontânea e respeitosa com Deus, louvando-o, agradecendo-lhe e fazendo-lhe pedidos. É também adoração. Adorar, do latim adorare, significa fazer oração. Sendo assim, como se trata de uma conversa com Deus e adoração a ele, jamais pode ser dirigida a um santo. E é lógico que nosso Pai quer que conversemos com ele com nossas próprias palavras, o que não acontece nas rezas. Normalmente os rezadores, em momentos alegres ou tristes, só conseguem repetir o Pai-nosso, a ave-maria e outras rezas ensinadas pela igreja. Não sabem falar com Deus, espontaneamente.

Por que Jesus condenou o uso de repetições de frases? Além de a maior parte das pessoas não dizerem o que lhes está no fundo do coração, pois apenas decoram e repetem o que outrem escreveu, nem sempre apropriado para o momento, trata-se de invenção dos gentios, os quais criaram e usavam uma espécie de rosário para se dirigir a seus deuses. Ralph Woodrow, falando da origem do rosário, esclarece:

“A The Catholic Encyclopedia diz: ‘Em quase todos os países, então, encontramo-nos com algo na natureza de contas de oração ou contas de rosário.’ Continua até citar um número de exemplos, incluindo uma escultura da antiga Nínive, mencionada por Layard, de duas mulheres com asas, rezando diante de uma árvore sagrada, cada uma segurando um rosário. Por séculos, entre os maometanos, uma corrente de contas consistindo de 33, 66 ou 99 contas tem sido usada para contar os nomes de Alá. Marco Pólo, no século treze, ficou surpreso de encontrar o rei de Malabar usando um rosário de pedras preciosas para contar suas orações. São Francisco Xavier e seus companheiros ficaram igualmente atônitos em ver que os rosários eram universalmente familiares aos budistas do Japão. Entre os fenícios um círculo de contas, parecendo um rosário, era usado no culto a Astarte, a deusa-mãe, em torno de 800 a.C. Esse rosário é visto em algumas moedas fenícias mais recentes. Os brâmanes desde tempos primitivos têm usado rosários com dezenas e centenas de contas. Os adoradores de Vishnu dão aos seus filhos rosários de 108 contas. Um rosário semelhante é usado por milhões de budistas na Índia e no Tibete. O adorador de Shiva usa um rosário sobre o qual repete, se possível, todos os 1.008 nomes de seu deus. Contas para contagem de orações eram conhecidas na Grécia Asiática. Tal era o propósito, de acordo com Hislop, do colar visto na estátua de Diana…” (Babilônia: a Religião dos Mistérios, pp. 27/28).

Tratando-se de costume pagão, o rosário não poderia ter entrado numa igreja que se diz cristã, o que aconteceu através de Pedro, o Eremita, em 1090 d.C. Ao invés de o rejeitarem, foi aceito como uma inovação, e esta, hoje, faz parte de suas tradições. Tertuliano (falecido em 230) já dizia que “Cristo se intitulou a Verdade, mas não a tradição… Os hereges são vencidos com a Verdade e não com novidades.” E Venâncio (ano 450), acrescenta que “inovações são coisas de hereges e não de crentes ortodoxos” (Raimundo F. de Oliveira, Seitas e Heresias, Um Sinal dos Tempos, p. 29,30).

Os católicos sempre fizeram uso do rosário. Muitos o chamam de terço. Usam-no, em miniatura, até mesmo como enfeite ou amuleto na lapela, sem terem analisado sua procedência nem se está de acordo com a Palavra de Deus, ainda mais que, na atualidade, um padre carismático incentiva, pela televisão, o uso do terço bizantino, o qual nos parece um método de repetição mais inconveniente que o outro, pois repete não a reza completa, mas cada palavra várias vezes seguidas.

Até à atualização feita em 2002 pelo papa João Paulo II, através da Carta Apostólica Rosaium Virginis Mariae, cada rosário – que continua sendo uma enfiada de cento e sessenta e cinco contas -, era composto de três blocos (por isso mesmo chamados de terços), cada um deles consagrado a honrar cinco mistérios da vida de Jesus e de Maria – ciclos litúrgicos:

· Primeiro terço: cinco mistérios gozosos ou da alegria – Finalidade: honrar a anunciação do arcanjo a Maria; a visita dela a Isabel; o nascimento de Jesus; a apresentação dele no templo/a purificação de Maria; e o menino encontrado entre os doutores;

· Segundo terço: cinco mistérios dolorosos ou da dor – Agonia de Jesus no horto; sua prisão e os açoites; a coroa de espinhos; seus passos carregando a cruz; e sua crucificação;

· Terceiro terço: cinco mistérios gloriosos ou da glória – Ressurreição; ascensão do Senhor; Pentecostes; assunção de Maria (?); e coroação da Virgem como Rainha do Céu e da Terra (?).

Acontece que, a partir da atualização feita pelo papa, lhe foi introduzido mais um grupo de mistérios: os luminosos ou da luz – Jesus sendo batizado no rio Jordão; ele nas bodas de Caná, quando transformou a água em vinho; ele anunciando o reino de Deus e convidando à conversão; sua transfiguração no monte Tabor; e a Santa Ceia, com a instituição da eucaristia.

Porém João Paulo II não notou que, com a inclusão de mais um bloco – também composto de cinco mistérios -, estaria criando o “quarto terço”, o que, no caso, é impossível, pois se trataria um rosário inteiro (três terços) e de mais um pedaço (um terço) em separado. E, para haver o quarto bloco, os tradicionais “terços do rosário” teriam, pela lógica e bom senso, de deixar de existir.

Soubemos que, em vista disso, teria sido ventilada a possibilidade de serem os novos cinco mistérios distribuídos entre os três “terços” antes existentes. Mas isso também seria incoerente.

Vejamos:

a) Não daria resultado exato a divisão dos novos cinco mistérios entre três blocos. Dois destes, por exemplo, passariam a ter sete mistérios e um apenas seis. De qualquer outra forma que fosse feita a divisão sempre haveria pelo menos um bloco menor que os outros, com o que não poderiam ser chamados de “terços”, pois, para tanto, todos deveriam ter quantidades exatamente iguais.

b) Além disso, se os mistérios luminosos fossem distribuídos, não mais se poderia dizer que o primeiro terço seria composto de mistérios gozozos, o segundo de dolorosos nem o terceiro de gloriosos, pois, entremeados aos três haveria mistérios luminosos.
Um católico, que responde perguntas sobre sua igreja pela internet e ataca os evangélicos, disse que o Vaticano fez apenas sugestões, deixando a cada fiel a decisão de manter o rosário como sempre foi ou acrescentar-lhe os mistérios luminosos. Cremos não ser isso possível. Tanto assim que um padre disse que a “a solução é simples e já vem sendo adotada pelo próprio Papa e por algumas comunidades. A Palavra Rosário significa um punhado de rosas. O Rosário é dividido em quatro coroas. Aliás, a expressão ‘coroa de Nossa Senhora’ sempre foi usada na Igreja para significar o antigo terço. Então, daqui para frente, o Rosário será dividido em quatro coroas…” Ele deve ter dito “antigo terço” baseando-se em que coroa era um rosário composto de sete padres-nossos e sete dezenas de ave-marias.
Se foi dito que “a solução é simples e já vem mesmo sendo adotada” pelo pontífice, é sinal de que concordam que houve erro ou, pelo menos, problemas. Mas nem os auxiliares papais que, segundo dizem, são de elevadíssima cultura, notaram isso? Se o papa falhou em uma simples e fácil fração, cometendo erro primário, como podem continuar a achá-lo infalível, inclusive em questões difíceis?

Mas perguntamos: Alguém tem dito que vai “rezar o quarto” ou “rezar a coroa”? O que continuamos a ouvir, de modo geral, seja de cultos ou iletrados, é “rezar o terço”. Inclusive no opúsculo O Novo Rosário, com os Mistérios da Luz, 4.ª ed, Paulus. 2002, no “Oferecimento” (p. 7), deparamo-nos com o seguinte: “Divino Jesus, nós vos oferecemos este terço que vamos rezar…” Já em pleno vigor os quartos, continuam a chamá-los de terços. É ilógico alguém dividir qualquer coisa em quatro partes e, ainda assim, dizer que cada uma delas corresponda a um terço. O sistema fracionário perderia toda a lógica. Com isso, acontece mais uma coisa incrível e absurda no catolicismo: João Paulo II passa para os católicos que 1/4 agora é igual a 1/3. E eles têm aceitado, alguns talvez sem o notar.

Se o católico passar a dizer: “Vou rezar o quarto”, alguém poderá interpretar que irá exorcizar um compartimento de dormir. Mas se disser: “Vou rezar a coroa”, poderá parecer que estará usando gíria, ou seja, estará dizendo que irá rezar uma solteirona ou uma senhora idosa, o que poderá parecer abuso com as coisas de Deus. E o pior: em algumas regiões, “rezar a coroa” é o mesmo que rezar a glande, a cabeça do pênis.

Rezas com terços, principalmente quando por determinação do padre como penitência, ganham aspecto de castigo. Oração, porém, nunca deve ser vista como punição, mas como necessidade e prazer.

Jesus, logo após ter condenado as vãs repetições, deu-nos um modelo de oração, que é o Pai-nosso (Mt 6.9,13). Isso demonstra que este não deve ficar sendo repetido sucessivamente, como acontece no rosário. Ele ainda esclareceu que “de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia de juízo” (Mt 12.36). Como palavras frívolas e vãs significam a mesma coisa, os rezadores se surpreenderão na presença de Deus, pois, em lugar de ser justificados, terão de prestar contas de seu erro, uma vez que, mesmo que aleguem ignorância, “Deus jamais inocenta o culpado” (Na 1.3). Não é porque alguém julga que alguma coisa agrada a Deus que deverá praticá-la sem antes confrontá-la com as Escrituras, pois “há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte” (Pv 14.12).

Os adeptos de repetições, como as do rosário, se justificam citando os Salmos 118.1-4 e o 136 (Bíblia de Jerusalém: 117.1-4; 135). Mas os Salmos são textos poéticos, escritos para ser cantados. A expressão neles repetida foi usada pelos cantores à frente do exército (2 Cr 20.21). Também a cantaram os sacerdotes e levitas quando foram lançados os alicerces do templo em Jerusalém (Ed 3.11). Mesmo assim, devemos notar o seguinte: no 118, as tribos, umas após as outras, iam dizendo a frase; não a repetiam. No 136, ela era repetida complementando o sentido das diversas outras nunca iguais.

Outros se justificam dizendo que Jesus, no Getsêmani (Mt 26), teria repetido uma oração três vezes. Todavia, se examinarmos o texto, veremos que não foram frases idênticas, embora o pedido o fosse. Muito menos decoradas. Ele estava conversando com o Pai.

Se você quer orar, saiba que na Bíblia inteira, da primeira à última página, orações são dirigidas só a Deus. No Antigo Testamento, elas não eram feitas em nome de Jesus Cristo pelo fato de que ele ainda não tinha vindo ao mundo como homem para nos salvar e ser nosso único Mediador (1 Tm 2.5) – aquele que intervém em nossa reconciliação com o altíssimo -, e vive “sempre para interceder” por nós (Hb 7.25), além de ser nosso Advogado (1 Jo 2.1).

Vindo ele, em seus ensinamentos confirma, como não poderia deixar de ser, que devemos pedir diretamente ao Pai, porém agora através de seu nome (Jo 14.6,13; 15.16; 16.24). Apenas uma vez, em João 14.14, ele abre uma exceção, dizendo: “Se me pedirdes alguma coisa, em meu nome, eu o farei”. Em outros termos, ele ensinou que devemos pedir diretamente ao Pai, em seu nome, mas se lhe pedirmos (a ele, Jesus) alguma coisa, ainda assim não deveremos utilizar o nome de ninguém mais a não ser o dele, que ele nos atenderá.

Não obstante a igreja católica determinar que sejam rezadas atualmente, pelo rosário, duzentas ave-marias, vinte Pais-nossos (dez vezes mais a ela que a Deus) e que sejam dadas vinte glórias ao Pai (sem se mencionar o imprescindível nome Jesus nem ao menos uma única vez sequer), afirmamos que Cristo jamais ensinou que devemos ir a si através de Maria. Isso é acréscimo feito por homens. A Bíblia assim se expressa com relação a quem os faz: “Nada acrescentes às suas palavras (de Deus), para que não te repreenda, e sejas achado mentiroso” (Pv 30.6).

Não podemos fazer orações a nenhum morto (no caso, “santos”), pois, segundo vimos, além de orações só poderem ser dirigidas a Deus, a Bíblia proíbe que consultemos quem já faleceu (Dt 18.11,12). E orações, promessas, rezas, pedidos, etc., a quem já partiu deste mundo são bem mais que consulta.

Não use frases decoradas, escritas por quem você nem ao menos conheceu. Converse com o Altíssimo como você conversaria com um pai amigo, que está disposto a ouvi-lo a qualquer hora e sem burocracias. Orações feitas em desacordo com o que ele estipulou acabam sendo desobediência, pecado.

O sete Sacramentos

Diz a Igreja Católica: “Pela palavra sacramento entende-se um sinal sensível e eficaz da graça instituído por, Jesus Cristo, para santificar nossas almas” (“Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã”, Editora Vera Cruz Ltda., 1a edição, agosto de 1976, p. 100, resposta à pergunta 516).

Contudo, em nenhum lugar da Bíblia encontramos o ensino de que rituais externos conferem graça e salvação ao pecador.

Diz a Igreja Católica: “Os sacramentos são sete: Batismo, Confirmação ou Crisma, Eucaristia, Penitência, Extrema-unção, Ordem e Matrimônio” (“Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã”, Editora Vera Cruz Ltda., 1a edição, agosto de 1976, p. 101, resposta à pergunta 519).

Não obstante, a Bíblia declara que Jesus instituiu somente duas ordenanças: santa ceia e batismo. Demais disso, o nº de 7 sacramentos só veio a ser aceito na idade média.

I – Quais são os sacramentos mais necessários para nossa salvação?

Os sacramentos mais necessários para nossa salvação são dois: o batismo e a penitência; o batismo é necessário absolutamente para todos, e a penitência é necessária para todos aqueles que pecaram mortalmente depois do batismo.

A Bíblia não afirma em lugar algum que o batismo é necessário à salvação, caso contrário, o ladrão da cruz nunca poderia ter entrado no paraíso prometido por Jesus.

II – Qual é o maior de todos os sacramentos?

O maior de todos os sacramentos é o sacramento da Eucaristia, porque contém não só a graça, mas também o mesmo Jesus Cristo, autor da graça e dos sacramentos (“Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã”, Editora Vera Cruz Ltda., 1 a edição, agosto de 1976, p. 104).

ANÁLISE BÍBLICA

1. BATISMO

O batismo é o sacramento pelo qual renascemos para a graça de Deus e nos tornamos cristãos. O sacramento do batismo confere a primeira graça santificante, que apaga o pecado original e também o atual, se o há; perdoa toda a pena por eles devida; imprime o caráter cristão; faz-nos filhos de Deus, membros da Igreja e herdeiros do Paraíso, e torna-nos capazes de receber os outros sacramentos. O batismo é absolutamente necessário para a salvação, porque o Senhor disse expressamente: Quem não renascer na água e no Espírito, não poderá entrar no reino dos céus (“Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã”, Editora Vera Cruz Ltda., 1a edição, agosto de 1976, pp.105-106,108 resposta às perguntas 549-550, 564).

Resposta Apologética:

O batismo é uma ordenança de Jesus, mas não um sacramento. Batizamo-nos porque somos salvos e não nos batizamos para sermos salvos (Mt 28.19; Mc 16.15-16). O versículo 16 declara que quem não crer será condenado e não quem não for batizado (Lc 5.24-34, 23.43; At 16.30-31) Jesus ensinou sobre as crianças que elas não se perdem (Mt 18.1-4; 19.13-14).

2. CONFIRMAÇÃO OU CRISMA

A Confirmação, ou Crisma, é um sacramento que nos dá o Espírito Santo, imprime na nossa alma o caráter de soldados de Cristo, e nos faz perfeitos cristãos (“Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã”, Editora Vera Cruz Ltda., 1a edição, agosto de 1976, resposta à pergunta 575, p. 110).

Resposta Apologética:

O Espírito Santo é dado ao que aceita o Senhor Jesus como Salvador (Jo 16.7-9;14.16-18-26;16.13-14) e não a incrédulos. Como confirmar o batismo de alguém que não foi biblicamente batizado? A fé precede o batismo (At 8.36-38) e o batismo precede a fé. Uma criança recém-nascida não tem condições de crer e confessar Jesus como Salvador.

3. EUCARISTIA:

Ensinando sobre a Eucaristia, diz a Igreja Católica: A Eucaristia é um sacramento que, pela admirável conversão de toda a substância do pão no Corpo de Jesus Cristo, e de toda a substância do vinho no seu precioso sangue, contém verdadeira, real e substancialmente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade do mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, debaixo das espécies de pão e de vinho, para ser nosso alimento espiritual. Ensina que na Eucaristia está o mesmo Jesus Cristo que está no céu. Esclarece ainda que essa mudança conhecida como transubstanciação ocorre no ato em que o sacerdote, na santa Missa, pronuncia as palavras de consagração: Isto é o meu Corpo; este é o meu sangue.

Deve-se adorar a Eucaristia?

A Eucaristia deve ser adorada por todos, porque ela contém verdadeira, real e substancialmente o mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor (“Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã”, Editora Vera Cruz Ltda., 1a edição, agosto de 1976, resposta à pergunta 619).

Resposta Apologética:

Esta doutrina é contrária ao bom senso e ao testemunho dos sentidos – o bom senso não pode admitir que o pão e o vinho oferecidos pelo Senhor aos seus discípulos, na Ceia, fossem a sua própria carne e o seu sangue, ao mesmo tempo em que permanecia em pé diante deles vivo, em carne e osso. E manifesto que Jesus, segundo seu costume, empregou uma linguagem simbólica, que queria dizer: este pão que parti representa meu corpo que vai ser partido por vossos pecados; o vinho neste cálice representa meu sangue, que vai ser derramado para apagar os vossos pecados. Não há ninguém, de mediano bom senso, que compreenda, no sentido literal, estas expressões simbólicas do Salvador: Eu sou a porta, eu sou a videira, eu sou o caminho. A razão humana não pode admitir tampouco o pensamento de que o corpo de Jesus, tal qual se encontra no céu (Lc 24.39; Fp 3.20), esteja nos elementos da Ceia. Como se admitir que Jesus desça aos altares romanistas revestido do corpo que teve sobre e terra, a se deixe prender nos altares católicos.

A Ceia é uma ordenança e não Eucaristia; era usado pão e não hóstia; é um memorial como se lê em 1 Coríntios 11.25-26; o Senhor Jesus usou muitas palavras de forma figurada: Eu sou a luz do mundo (Jo 8.12); Eu sou a porta (Jo 10.9); Eu sou a videira verdadeira (Jo 15.1). Jesus chamou na última Ceia os elementos de pão e vinho, sem dar qualquer motivo para se crer na transubstanciação. Adorar a Eucaristia é um ato de idolatria.4. PENITÊNCIA:
A penitência, chamada também confissão, é o sacramento instituído por Jesus Cristo para perdoar os pecados cometidos depois do batismo. Depois de feito o sinal da Cruz, o católico deve dizer: Eu me confesso a Deus todo poderoso, à bem-aventurada sempre Virgem Maria, a todos os Santos, e a vós, Padre, porque pequei. As obras de penitência podem reduzir-se a três espécies: à oração, ao jejum, à esmola. Os que morrem depois de ter recebido absolvição não vão logo para o céu vão para o purgatório, para ali satisfazer a justiça de Deus e se purificarem inteiramente. As almas podem ser aliviadas no Purgatório com orações, com esmolas, com todas as demais obras boas e com as indulgências, mas, sobretudo, com o Santo Sacrifício da missa. (“Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã”,Editora Vera Cruz Ltda., 1ª edição, agosto de 1976, resposta à pergunta 788, p. 144).

Resposta Apologética:

Não há um só caso de alguém que tenha confessado os seus pecados a homens ou mesmo aos apóstolos. Em 1 João 1.7-9, João ensinou que devemos confessar nossos pecados a Jesus e que Ele é suficiente para perdoar. Se Pedro estivesse investido do poder de perdoar pecados, por que não pediu a Simão que se ajoelhasse em confissão, para resgate do seu pecado? Exortou a Simão que recorresse a quem tinha tal poder de perdoar pecados (At 8.22). Jesus disse à mulher pecadora, perdoados são os teus pecados (Lc 7.48), não ouviu Ele a confissão da mulher. Jesus ensinou a oração do Pai-nosso ao dizer: Perdoa-nos as nossas dívidas, assim, como nós perdoamos aos nossos devedores (Mt 6.12). Na celebração da Ceia, Paulo recomendou que cada um de nós fizesse exame introspectivo (1 Co 11.28).

5.EXTREMA-UNÇÃO

A extrema-unção é o sacramento instituído para alívio espiritual e também temporal dos enfermos em perigo de vida (“Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã”, Editora Vera Cruz Ltda., 1a edição, agosto de 1976, resposta à pergunta 805, p. 147).

Resposta Apologética:

Em Tiago 5.14-16, se recomenda chamar o presbítero para orar pelo enfermo para sua cura e não receber extrema-unção como uma recomendação do corpo sem a qual não se procede ao sepultamento cristão do corpo.

6. ORDEM:

A ordem é o sacramento que dá o poder de exercitar os ministérios sagrados que se referem ao culto de Deus e à salvação das almas, e que imprime na alma de quem o recebe o caráter de Deus (“Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã”, Editora Vera Cruz Ltda.,1a edição, agosto de 1976, resposta à pergunta 811, pp. 148-149).

Resposta Apologética:

No Antigo Testamento, o sacerdócio era exercido por uma classe especial de homens que eram os descendentes de Arão. Hoje no Novo Concerto o sacerdócio é exercido por todos os cristãos e não por uma classe sacerdotal intermediária entre Deus e os homens. O apóstolo Pedro escreveu que como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrificios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo (1 Pe 2.5). Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (1 Pe 2.9).

7. MATRIMÔNIO:

O matrimónio é um sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, que estabelece uma união santa e indissolúvel entre o homem e a mulher, e lhes dá a graça de se amarem um ao outro santamente, e de educarem cristãmente seus filhos (“Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã”, Editora Vera Cruz Ltda., 1a edição, agosto de 1976, resposta à pergunta 826, p. 151).

Resposta Apologética:

O casamento é uma instituição divina e não um sacramento (Gn 2.18-24; Mt 19.4-6). Pedro foi considerado o primeiro papa e, entretanto, era casado (Mt 8.14-15). Paulo recomenda que o ministro seja casado (1 Tm 3.1-3).

O papado e o vaticano

O Sistema Político-religioso Católico Romano pôr ser de grande envergadura mereceu menção especial nas Sagradas Escrituras. O Profeta Daniel (ano 600 A-C.) e o apóstolo João que escreveu o Apocalipse (ano 90 D.C.) foram os que mais se ocuparam de Roma c sua “igreja”. Fascinados teólogos e exegetas de todo o mundo comparam textos bíblicos com as características do Papado e encontram identidade: Profetas e apóstolos descreveram esse pequeno reino advindo de um império desfeito que assemelha-se ao Vaticano sem deixar dúvidas!

Esse pequeno estado teria segundo as profecias bíblicas:

1-Carater religioso.

2-Ambicionaria ocupar na terra o lugar de Deus.

3-Destruiria os “Santos do Altíssimo”.

4-Teria sede numa cidade edificada sobre 7 montes.

5-Teria um número de identificação. Tome sua Bíblia e confira:

1 – A Bíblia refere-se a um pequeno Reino (Ponta Pequena) brotando de um império desfeito. (Apocalipse 13:12 e Daniel 7:8). Foi o que sucedeu quando o Império Romano desintegrou-se no ano 476 DC, surgindo dele o Papado conservando o latim como língua.

2 -As Sagradas Escrituras registram que esse pequeno Reino teria caráter religioso, pois assentar-se-ia no “Trono de Deus” (II Tess. 2:4). Está certa a profecia. Os papas dizem que na terra ocupam o lugar de Deus. A palavra Vigário tem esse sentido.

3 – O profeta Daniel escreveu que esse pequeno Reino seria cruel, pois “Destruiria os Santos do Altíssimo”. (Daniel 7:25). Essa vatícinação feita antes de Cristo, assenta-se bem ao papado que somente durante a Idade Média (anos 500 a 1700 DC) eliminou 50 milhões de Cristãos não católicos. Se os historiadores estiverem certos, os papas nesse período fizeram mais mortes que as duas Guerras Mundiais juntas. (Rasto de Sangue, pag. 26. Corról. JM).

4 – Para não deixar dúvidas, o apóstolo João disse que essa Instituição religiosa falsa teria Sede numa cidade edificada sobre 7 montes. (Apocalipse de João 17:9). Roma, o Centro do Catolicismo, está edificada sobre 7 montes bem conhecidos na Itália: O Quirinal, o Viminal. o Esquilino, o Caélio, o Aventino, o Palatino e o Capitolino. O profeta acertou na mosca.

5 – A liderança desse pequeno Reino tem na Bíblia vários nomes tais como Ante-Cristo, Besta-Cordeiro, com um número que o identifica: 666 (Seiscentos e sessenta e seis) Apocalipse 13:18. Santo Irineo, ano 130, discípulo de Policarpo, que havia sido discípulo de João, autor do Apocalipse descobriu o número 666 na palavra latino, “LATEINOS” no original. Como o Papado leva na Crista o nome latino pôr ser chefe de uma religião latina, corresponde-lhe o algarismo fatídico. Santo Irineo que era bispo de Esmirna tomou a palavra Lotemos letra pôr letra em valores gregos ( O apocalipse foi escrito em grego) e fez a descoberta como segue:

L vale 30. A vale 1. T vale 300. E vale 5. I vale 10. N vale 50. O vale 70 e S vale 200. Somando temos 666, o número da besta. (Pochet Bible Handbook).

6 – O apóstolo João previu que esse pequeno Reino religioso “Enganaria as nações com feitiçarias”. (Apocalipse 18:23). Enganar com feitiçaria significa atrair e seduzir pessoas com ritos e cerimônias artificiais simulando poder para dominar. Aí está o Catolicismo com sua: Água benta. Ramos bentos. Rosário, Amuletos, Velas, Imagens mortas. Cruz de cinza na testa, Purgatório, Limbo, tudo tão estranho nas Escrituras Sagradas. Farto material de feitiçaria.

Tradição

O Fundamento Da Teologia Católica.

Mesmo de relance poder-se-á constatar ser a maior parte das doutrinas da dogmática católica procedente de fonte diversa da Bíblia.

Suas informações relativas aos sacramentos, a mariologia, a sucessão e colegialidade dos bispos, a infalibilidade e primado do papa, à sua organização eclesiástica, ao purgatório e sufrágio dos mortos, ao culto dos santos, alicerçada, aliás, na pretendida sucessão apostólica dos seus bispos?

Essa fonte diferente é chamada de TRADIÇÃO.

E o que seria do catolicismo sem os sacramentos? Sem a mariologia? Sem a sua organização eclesiástica alicerçada, aliás, na pretendida sucessão apostólica dos seus bispos?

O que seria do catolicismo sem o purgatório e o sufrágio dos mortos?

O que seria do catolicismo sem o culto dos santos?

O que seria, enfim, do catolicismo sem a TRADIÇÃO que invalida a Palavra de Deus?

Em conseqüência, é impossível conhecer-se a dogmática católica sem o esclarecimento do conceito de sua TRADIÇÃO, vocábulo retirado etimologicamente do verbo latino TRANSDO, que quer dizer: entrego ou trans­mito qualquer coisa. Ë a transmissão de suas doutrinas de geração em geração, ou a própria doutrina recebida por esta via.

Os Teólogos católicos, na esteira do Concilio Tridentino, definem a TRADIÇÃO COMO O CONJUNTO DE DOUTRINAS REVELADAS REFERENTES À FÉ E À MORAL, NÃO CONSIGNADAS NAS ESCRITURAS SA­GRADAS, MAS ORALMENTE TRANSMITIDAS POR DEUS À IGREJA (Sessão IV, de 8 de Abril de 1546, sob o pontificado de Paulo III).

Pelo próprio fato de haver o catolicismo engendrado outra fonte de Revelação Divina que não a Bíblia, demonstra o seu menosprezo a esta. Conseqüentemente, se ele quisesse agora aceitá-la com todo o seu valor de único e exclusivo depósito de fé, deveria, alto e bom som, proclamar sua repulsa à Tradição, pantanal da congérie de suas aberrações.

O Concilio Vaticano II, porém, e em que pesem suas propostas ecumenistas, «seguindo as pegadas dos Concílios Tridentino e Vaticano 1!» (Constituição Dogmática «Dei Verbum>>, promulgada na sessão IV do Concílio Vaticano II, em 18 de Novembro de 1965, sob o pontificado de Paulo VI – § 1), deliberou confirmar a atitude católica perante o alicerce de suas doutrinas.

Realmente no § 9 dessa sua Constituição promulga­da nas vésperas do seu encerramento, se lê: «… A SA­GRADA TRADIÇÃO.., transmite integralmente aos sucessores dos Apóstolos a Palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos Apóstolos para que, sob a luz do Espírito de Verdade, eles em sua pregação, fielmente, a conservem, exponham e difundam».

Por conseguinte, a Tradição se apresenta como outro manancial de informes dentro da própria Revelação Divina. Manancial anterior, mais completo, mais claro três mais seguro do que as Escrituras.

E sob este aspecto que o Concilio Vaticano II lembra: Pela mesma Tradição.., as próprias Sagradas Escrituras são nela cada vez melhor compreendidas e se fazem sem cessar atuantes» (Constituição Dogmática «Dei Verbum — § 8).

Reconhecem os teólogos católicos haver, às vezes, coincidência em algum ponto doutrinário entre a Bíblia e a Tradição, no caso, chamada INESIVA, como por exemplo, a ressurreição de Cristo.

A TRADIÇÃO EXCEDENTE ou CONSTITUTIVA, o verdadeiro arsenal da dogmática católica, abrange todas as doutrinas não encontradas na Bíblia e que se constituem em totalidade na dogmática católica.

Ë evidente que esta Revelação Oral, posteriormente pôde conservar-se e propagar-se por escrito. Essa escrita, distinta das Sagradas Escrituras, encontra-se, por exemplo, nas obras de escritores eclesiásticos do catolicismo primitivo.

E julgadas como um mesmo e integro depósito da Revelação, o Concilio Vaticano II, cumprindo o seu de­sígnio de seguir as pegadas dos Concílios de Trento e Vaticano 1, exige o mesmo sentimento de reverência e piedade para a Tradição e para a Bíblia: «ambas (Escritu­ra e Tradição) devem ser recebidas e veneradas com igual sentimento de piedade e reverência» (Constituição Dogmática «Dei Verbum» — § 9).

Destarte, assim como o cristão, reverentemente, se vale das Escrituras para argumentar as razões de sua fé, o católico esclarecido — coisa raríssima! — busca os motivos de suas crenças na Tradição.

Certa feita vi uma discussão entre um pastor evangélico e um católico, por sinal congregado mariano, sobre a assunção corporal de Maria. O pastor queria do seu controversista um texto bíblico onde se pudesse ao menos vislumbrar o dogma debatido. É natural que não se poderá encontra-lo. Mas, a disputa ficou sem resu1tado porque cada um se baseava em terreno diferente. E o mesmo ardor do evangélico pela Bíblia se repetia no mariano pela Tradição.

De maneira alguma, neste último Concilio, o catolicismo abriria mão desta fonte de suas doutrinas a menos que concordasse em deixar de ser catolicismo.

Aliás, é fácil depreender-se o porquê do seu maior interesse pela Tradição considerada por ele como regra de fé mais importante por ser anterior, mais ampla e mais clara do que a Bíblia.

Ela é elástica, amoldável e acomodatícia. Sacia-lhe melhor a sede de sofismar!

Se bem que recomende «igual sentimento de piedade e reverência» para a Escritura e para a Tradição, a verdade é que esta lhe merece mais atenções porque as próprias Sagradas Escrituras são nela (Tradição) cada vez melhor compreendidas» (Constituição Dogmática «Dei Verbum» — § 8).

Destaque-se a seguinte observação: estas expressões que sobrelevam a Tradição em desapreço da Bíblia, não são do Concilio de Trento, realizado no século XVI, que, como movimento de contra-Reforma, objetivou elevar a& máximo o valor de sua principal fonte doutrinária. Estas expressões são recentíssimas. São deste último Concilio Ecumênico de cujos interesses se destacam os acenos de convites aos “irmãos separados» (?!)

Em favor das Sagradas Escrituras, como depósito de fé, militam abundantíssimos argumentos. O catolicismo, porém, se vê em. palpos de aranha para argumentar em defesa de sua tradição.

Sua argumentação no caso é tão raquítica que causa compaixão. Ë mais fraca do que o café muito fraquinho. Conta se que foi feito um café muito fraco, mas tão fraquinho que não tinha ânimo e coragem nem para sair do bule.

Os argumentos em que o catolicismo baseia a sua Tradição são anêmicos em extremo e pasmam a qualquer pessoa de inteligência mediana.

Dentre eles vamos considerar o seguinte:

Antes de Moisés nada havia escrito. Deus se revelava lentamente e sua doutrina foi transmitida oralmente. Só muito mais tarde veio a Escritura.

Desde a origem do mundo até Moisés, a primitiva revelação de Deus, verbalmente dada aos homens, foi conservada por sucessão entre os patriarcas e não em escrituras.

Já se vê, cavilam os teólogos católicos, que o próprio Moisés, ao escrever o Gênesis precisou abeberar-se na Tradição, esse primeiro e genuíno canal da Revelação Divina.

Foi na Tradição que o autor do Pentateuco colheu informes sobre a criação do mundo ex nihilø e a queda do primeiro homem, sobre a propagação do gênero humano e sua geral corrupção, sobre o dilúvio, os descendentes de Noé e a confusão das línguas, sobre a vocação de Abraão e sua empolgante biografia, sobre Isaque e as peripécias dos filhos de Jacó, sobre José e a ida dos seus irmãos para o Egito.

Para o catolicismo, na conformidade de sua argumentação e esquecido de que Moisés fora divinamente inspirado e assistido, o primeiro livro da Bíblia, o Gênesis, nada mais é do que a Tradição estampada em letras de forma.

A BÍBLIA DESDE OS PRIMÓRDIOS.

Todos os acontecimentos relatados em Gênesis se de­ram séculos antes de serem escritos por Moisés, o Autor divinamente inspirado do Pentateuco.

A transmissão oral ou escrita de fatos históricos não se constitui em fonte de Revelação Divina!

Não negamos haver Moisés colhido informes aqui e ali, com uns e outros. Mas, a esta simples verificação de fatos históricos atribuir-se uma importância de fonte de Revelação é negar ou pelos menos depreciar a inspiração divina da primeira parte do Velho Testamento. O passo é muito grande. Ë um salto mortal de causar arrepios!

A simples leitura de Gênesis demonstra que Deus não confiou na Tradição Oral.

Abraão é o primeiro dos patriarcas e vocacionado para formar uma grande nação. ‘de ti farei uma grande nação… ‘ (Gên. 12:2). ‘Far-te-ei fecundo extraordinariamente, de ti farei nações, e reis procederão de ti’ (Gên. 17:6). Foi ao estabelecer este concerto com o patriarca que Deus lhe mudou o nome de Abrão para Abraão, que quer dizer pai de muitas nações ou duma multidão. «Dar-te-ei e à tua descendência a terra das tuas peregrinações, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei o seu Deus» (Gên. 17:8).

Da mesma maneira como Deus se revelara, em circunstâncias especiais diretamente a Adão e Noé, e inter­ferira também diretamente em certos episódios, como por ocasião da queda do homem, do dilúvio, da confusão das línguas, agora interfere diretamente e vocaciona Abraão, estabelecendo um concerto especial, para ser o pai de um povo peculiar e santo de cujo seio sairia o Redentor.

Isaque é o segundo personagem da estirpe da promessa e tem dois filhos: Esaú e Jacó, sendo o terceiro elo nessa corrente de formação do povo eleito.

A Jacó disse o seu pai Isaque, lembrando-se da bênção do Senhor: «Levanta-te, vai a Padã-Arã, à casa de Betuel, pai de tua mãe, e toma lã por esposa uma das filhas de Labão, irmão de tua mãe. Deus Todo-Poderoso te abençoe e te faça fecundo, e te multiplique para que venhas a ser uma multidão de povos; e te dê a bênção de Abraão, a ti, e à tua descendência contigo, para que possuas a terra de tuas peregrinações, concedida por Deus a Abraão (Gên. 18:2-4).

‘Acaso não seria suficiente essa tradição oral da promessa e da bênção? E uma tradição muito curta, apenas entre Abraão e Jacó, mediando somente Isaque!

O Senhor, porém, não aceita a tradição oral como fonte ou mesmo sustento de sua Revelação e interfere diretamente. E na visão de Betel, Jacõ ouve o Senhor:

Eu sou o Senhor, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque. A terra em que agora estás deitado, eu ta darei, a ti e à tua descendência. A tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente, e para o Oriente, para o Norte, e para o Sul. Em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra» (Gên. 18:13-14).

A mesma Promessa agora repetida diretamente pelo Senhor a Jacó e não através de Tradição alguma! — quase com as mesmas palavras fora dita ao seu ancestral mais próximo, a Abraão, logo após separar-se de Ló (Gên. 13:14-16).

E a vida de Jacó é toda pontilhada de interferências diretas de Deus! Seu nome também é mudado no incidente de Peniel quando lutou com o anjo até prevalecer e ser abençoado. Passou-se a chamar Israel, pois como príncipe lutara com Deus e com os homens. E prevalecera! (Gên. 32:28).

No futuro, Israel seria o nome do povo eleito do Senhor!

Dentre os doze filhos de Israel, destaca-se José, que, em circunstancias memoráveis, foi para o Egito (Gên. 37:41), onde mais tarde recebeu seu velho pai e seus ir­mãos acossados pela fome (Gên. 42-50).

Mesmo para esta viagem, o servo do Senhor esperou a Sua manifestação direta. «Eu sou Deus, o Deus do teu pai; não temas descer para o Egito porque lã eu farei de ti uma grande nação» (Gên.46:3).

Deus a repetir a mesma Promessa! Em 1706 antes de Cristo é que, no Egito, se fixou esse povo peculiar de Deus, cumprindo-se assim a Palavra do Senhor a Abraão (Gên. 15:13).

Não se pense que era um povo grande em número.. Em Gên. 46:1-27 são relacionados os nomes dos membros desse pequenino povo composto apenas de setenta pessoas.

Setenta pessoas! Filhos, noras e netos do velho patriarca!

Nos primeiros 126 anos de sua permanência no Egito, esse povo muito prosperou e cresceu. E ..• os filhos de Israel foram fecundos, aumentaram muito e se multiplicaram… (Êx. 1:7). Os setentas se multiplicaram em dois milhões!

Levantando-se, entretanto, uma nova dinastia, mu­dou-se a situação e esse povo vocacionado para urna incumbência especial, cativo, passou a sofrer duras peripécias durante mais de um século, quando Deus promoveu sua libertação suscitando Moisés. Fala-lhe da sarça ardente o Senhor: «Certamente tenho visto a aflição do meu povo… (Ëx. 3:7). … Pois o clamor dos filhos de Israel chegou até Mim… »(Ex.3:9).

Irá Deus permitir o retorno na conformidade de Gên.15:16.

Como a recordar a Sua Promessa, o Senhor se identifica: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó» (Êx. 3:6,15,16). E aquele povo que é o Seu, Ele chama: «meu povo» Ëx. 3:9,10,11,13,14,15). Ë a lembrança da Promessa de Deus a Moisés! Não mandou Moisés consultar os anciãos sobre ela. Mencionou-a diretamente!

E o argumento da teologia católica em favor de sua Tradição?

Já está por terra!

Prossigamos em nossa consideração grata a Deus por sua maravilhosa Revelação contida na Bíblia em nosso beneficio.

Nesta conjuntura da História de Israel, o Senhor suscita em Moisés o grande líder para libertar o Seu povo, levando-o à Canaã Prometida, a Palestina, o centro geográfico do mundo de então para de lá, como de centro irradiador, difundir a Sua Palavra e fazer cumprir o Seu Plano Salvífico.

As peripécias da jornada, os desalentos dos tímidos e as murmurações dos descontentes não puderam embargar aquela nação de contemplar, na maior de todas as epopéias da História, as manifestações palpáveis do Poder de Deus.

As pragas do Egito, a libertação memorável do seu cativeiro, a passagem espetacular do Mar Vermelho, a abundância de maná, o vôo razante das codornizes, o jorrar abundante da água no deserto de Sim, a vitória surpreendente sobre os amalequitas, tudo empolgava os filhos de Israel, quando, exatamente no instante de seu sucesso na campanha dos amalequitas, pela primeira vez, Deus ordena a Moisés: ESCREVE ISTO PARA MEMÓRIA NUM LIVRO» (Ëx. 17:14).

Por que o Senhor não confiou na Tradição Oral?

Se antes, quando se tratava de Sua Promessa não confiou na Tradição Oral, mas diretamente Ele falou aos patriarcas desde Abraão, não seria agora ao separar o Seu povo, tirando-o do Egito, que iria confiar Sua Lei e Sua Revelação à Tradição Oral!

«ESCREVE ISTO PARA MEMÓRIA NUM LIVRO»!!!

Recorde-se à dificuldade imensa que envolvia a arte de escrever antes da descoberta da imprensa por Gutenberg em meados do século XV.

Naqueles remotíssimos tempos o instrumento apto para ensinar e legislar era a palavra oral.

Este veículo do pensamento teve sua ampla aplicação no setor da religião. Compulsando-se a História das religiões mais antigas, verifica-se que elas dependiam de um patrimônio doutrinário transmitido de geração a ge­ração por via meramente oral. Em certos sistemas religiosos os fiéis se negaram sempre a escrever alguns dos seus preceitos mais caros.

Ë de se observar, por• exemplo, a fórmula freqüentíssima: «Eu ouvi… » adotada na primitiva religião chinesa, da qual procedem o taoísmo e o confucionismo.

Chama a atenção para o nosso caso ainda mais a circunstância assaz agravante de estar o povo de Israel acampado no deserto, com dificuldades humanamente instransponíveis para executar a arte da escrita.

A História das religiões dos homens revela o apreço à Tradição Oral por ser esta mais fácil em amoldar-se aos seus capricho4s circunstanciais.

São notáveis os inúmeros pontos de contato do catolicismo com essas religiões, inclusive o seu apego a esse veiculo de transmissão doutrinária e depósito dos seus ensinos.

Em condições dignas de nota, surgiu a Escritura Santa!

Anteriormente Deus se revelara a pessoas individuais. A Adão e Eva. A Noé. A Abraão. A Jacó. Falava-lhes! Interferiu em acontecimentos! Mas, quando se revelou ao Seu Povo já separado dos egípcios, à coletividade, mandou escrever.

A marcha triunfante e cheia de percalços continuou.

Acampou-se o povo ao sopé do Monte de Sinai em circunstanciais solidíssimas. «Todo o Monte do Sinal fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em fogo; a sua fumaça subiu como a fumaça de uma fornalha, e todo o monte tremia grandemente» (Ëx. 19:18). E «Deus falou… » Ëx. 20:1). Proferiu o Seu Decálogo. Apresentou as Suas Leis acerca dos servos, dos homicidas, da propriedade, da imoralidade, da idolatria, dos que amaldiçoam os pais ou ferem qualquer pessoa, do testemunho falso e das injustiças, do descanso e das três festas. Não se limitou Moisés relatá-las ao seu povo (Ex. 24:3), mas, ‘escreveu todas as palavras do Senhor’ (Ex. 24:4).

‘… Erigiu um altar ao pé do monte (Êx. 24:4)… e tornou o livro da aliança, e o ~eu ao povo, e eles disseram: tudo o que falou o Senhor, faremos, e obedeceremos’ (Êx. 24:7).

Note-se: Moisés ouviu. Em seguida relatou ao povo. E depois ESCREVEU. E, então, leu ao povo o que ha­via escrito no livro da aliança.

Por que? É porque o Senhor não queria TRAIÇÃO ORAL alguma! A Tradição é traição contra a fidelidade!


ACABEMOS COM OUTRO ARGUMENTO FALSO!

Este segundo arrazoado na pretendida defesa da Tradição católica é uma repetição do anterior tendo, porém, como cenário outras circunstâncias episódicas.

Tão raquítica é a sua argumentação que a teologia católica muda apenas o cenário e a roupagem, enquanto o esqueleto do sofisma continua o mesmo.

A referida teologia, contudo, é traída no seu próprio desespero à falta de argumentos.

Alega que Cristo nunca mandou escrever seus ensinos e mandamentos e nada deixou escrito. Aos Apóstolos apenas determinou pregassem pelo mundo como testemunhas dele e da doutrina por eles aceita e proclamada.

Em endosso deste arrazoado e no objetivo de confundir os menos avisados, invoca as seguintes pericopes:

«… e, a medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus» (Mt. 10:7).

PREGAI! Não mandou escrever!!!.

«Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando­os a guardar todas as cousas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século» (Mt. 28:18-20).

ENSINAI! Não mandou escrever!!!

«E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura» (Mc. 16:15).

PREGAI! Não mandou escrever!!!

Sinto calafrios de compaixão por ver esse pobre argumento tão tísico.

Coitados dos católicos! Com seus teólogos assim ignorantes e de consciência encroada!

Jesus nunca mandou escrever?

Em Apocalipse encontramos dez oportunidades em que o Senhor manda escrever: — 1:11,19;2:1,8,12,18;3:1,7,14 ;21:5.

ESCREVE! Ë assim com o verbo no modo imperativo.

Existem excelentes oculistas e óticas especializadas onde os reverendos teólogos podem resolver o seu problema de miopia. A não ser que seu germe seja má vontade. Ai a cegueira consciente é incurável.

Prossegue, todavia ,o desenvolvimento da argumentação esdrúxula!

Os próprios Apóstolos ex professo nunca escreveram como se estivessem desincumbindo uma obrigação própria e especial, embora houvessem executado a contento a sua missão. Alguns, apenas em ocasiões esporádicas ou oportunidades ocasionais consignaram alguma coisa por escrito, mas sem a intenção de transmitir por escrito toda a Revelação e sim no propósito apenas de inculcar ou explicar alguma Verdade, ou forçados pelos pedidos dos fiéis ou dos bispos — «sed vel ad veritatem aliquam ma­gis inculcandam aut explicandam, vel precibus fídelium aut episcoporum compulsi» (J.M. Hervé De Vera Re­ligione De Ecclesia Christi — De Fontibus Revelationis

1929 — Paris — pág. 531).

É mesmo de se tirar o chapéu!

Precisa-se de muita coragem para se embarcar nessa canoa doutrinária de casco tão podre! Tamanha coragem como a disposição de se agarrar um leão à unha. Leão vivo!

Engolfados nesse trernendal dogmático não se apercebem os teólogos católicos que o seu arrazoado em defesa da Tradição labora contra ela? Pois que, se precisaram os Apóstolos escrever para inculcar ou explicar a doutrina cristã esta desmerecida a Tradição Oral.

E de fato, João da ênfase ao seu objetivo escrevendo: «… para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em Seu Nome» (João 20:31).

Paulo, ao escrever aos coríntios, destaca: «… as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor» (1 Cor. 14:37). E aos filípenses: «Não me aborreço de escrever-vos as mesmas coisas, e é segurança para vós» (Fil. 3:1).

Paulo não se aborrece de escrever as mesmas coisas… Por que? Para SEGURANÇA dos fiéis!

Não se fiava da Tradição nem a curto prazo e nem a curta distância.

Ele havia pregado aos Filipenses e por medida de segurança doutrinária, escreveu-lhes.

Para não perder a desenvoltura no meio de tanta coincidência, o teólogo católico, com ares de muito entendido, invoca o verso 25 do capitulo 21 do Evangelho segundo João: «Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas fossem relatadas uma por uma, creio eu que nem no mundo inteiro caberiam os livros que seriam escritos>>.

Até em cartas pastorais os «amantíssimos ordinários>> invocam este versículo.

Quando Deus me despertou para o exame consciencioso de sua Palavra, observei nesse passo escriturístico essa informação joanina.

O Autor sacro, constatei logo, se refere a coisas que Jesus fez, a fatos, a prodígios e não a doutrinas.

Fiquei, porém, mais desapontado ainda quando, confrontando, verifiquei o verso 31 do capitulo 20 do mesmo Livro Sagrado, que é o bastante, outrossim, para se acabar com a alegria dos teólogos católicos, acrobatas do sofisma ‘Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em Seu Nome’.

Insiste maldosamente o desesperado teólogo. Reconhece de sobejo que, destruída a Tradição Oral, como fonte de Revelação, adeus fantasmagoria católica. E traz à baila os três primeiros versículos do capítulo 1 de Lucas: «Visto que muitos houve que empreenderam urna narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o principio foram deles testemunhas oculares, e ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em urdem».

Pronto! Lucas antes de escrever obteve informações minuciosas de tudo junto das testemunhas presenciais dos fatos sobre os quais se dispõe escrever.

Pronto! Lucas foi, como Moisés ao escrever Gênesis, abeberar-se na Tradição!

Pronto! O Evangelho segundo Lucas é simplesmente produto da Tradição, a mais antiga, a mais completa Fonte de Revelação. A própria Fonte da Bíblia!

Declaramos crer inteiramente que Lucas ao escrever os seus dois livros,o Evangelho e os Atos dos Apóstolos, estava inspirado pelo Espírito Santo de Deus. E nestas condições é que ele colheu e selecionou a verdade no meio de tantos fatos e comentários divulgados oralmente e por escrito em inúmeros apócrifos. Lucas, divinamente inspirado, foi o garimpeiro que separou o ouro puríssimo!

Pululavam apócrifos! Lucas resolveu descrever ao excelente Teófilo os fatos conhecidos por ouvir da tradição oral para que ele tivesse a certeza das coisas sobre as quais já estava informado. Deseja Lucas que Teófilo e todos os demais se livrassem do risco de serem ludibriados pela Tradição Oral.

‘Quem conta um conto aumenta um ponto’, diz o adágio popular. Se não fossem as Escrituras não teríamos mais hoje a Revelação Divina!

Porque o catolicismo fundamenta suas doutrinas na Tradição é que evolui a sua teologia, surgem novos dogmas e sempre muda. O católico de vinte anos passados desconhece o católico atual. Mesmo o de dois anos atrás!

No seu arrazoado o teólogo da seita papal se lembra somente dos três primeiros versículos do capitulo 1o de Lucas. Esquece-se do quarto porque, concluindo o pensa­mento exarado nos versos anteriores, Lucas reconhece ser desmoralizada e inconsistente a Tradição como Fonte de Revelação. Ele escreveu para se ter certeza!

«PARA QUE TENHAS PLENA CERTEZA DAS VERDADES EM QUE FOSTE INSTRUÍDO».

Teófilo estava já informado de tudo por ouvir dizer. .A Tradição Oral, todavia, não lhe dava certeza alguma. .E Lucas, divinamente inspirado, resolveu escrever para lhe dar essa certeza.

Se a Tradição Oral dispõe do valor que lhe atribui o catolicismo, por que escrever?

Lucas escreveu os seus livros na língua grega. No original desta pericopes o vocábulo empregado é Asphaleia que quer dizer certeza, segurança, firmeza, solidez.

‘Ut cognoscas ea quae de Christo edoctus es, esse certissima, firmissíma et solidissima’, comenta Cornélio a Lápide em seu Comentário das Sagradas Escrituras. Teófilo, o destinatário do livro, já sabia por via oral e Lucas lhe escreveu para que o seu conhecimento fosse certíssimo, firmíssimo, solidíssimo. Não confiava na Tradição. Logicamente, a Tradição não pode ser fonte de Revelação!

Para um exame do real significado do vocábulo as­phaleia é interessante notar-se a sua posição significativa em outros textos. Usa-o Lucas outra vez em Atos 5:23, em que, depois de relatar a prisão dos Apóstolos decretada pelo sumo sacerdote e a libertação miraculosa dás mesmos, transcreve-&– explicação dos servidores:

«Achamos o cárcere fechado com toda a segurança (as­phaleia). Usa-o Paulo em Fil. 3:1: … e é segurança (asphaleia) para vós outros…». Não bastava falar. Escrevia por medida de segurança.

Na forma asphales, emprega-o Lucas em Atos 21:34;22:30;25:26 e se encontra em Hb. 6:19.

Na modalidade de verbo, é aplicado por Mt. quando se refere à segurança da guarda do sepulcro de Jesus. «Ordena, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança (asphalistenai.) … Disse-lhes Pilatos: ai tendes uma escolta; ide e guardai como bem vos parecer (As­phalisaste).

O próprio Lucas em Atos 16:24, contando a prisão de Paulo e Suas em Filipos, ainda outra vez, aplica-o: «O qual (carcereiro), tendo recebido tal ordem, os lançou no cárcere interior, e lhes segurou (esphalisato) os pés no tronco.

Na forma de advérbio, no mesmo relato, Lucas, com ênfase informa: «e, depois de lhes (Paulo e Suas) darem muitos açoites, os lançaram no cárcere, ordenando ao carcereiro que os guardasse com toda a segurança

— seguramente (asphalós). Ainda Lucas, ao transcrever o sermão de Pedro no dia de Pentecostes, aplica-o: «Esteja pois absolutamente certa — segura — (as­plialós) toda a casa de Israel de que a este Jesus que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo» (At. 2:36).

O advérbio Asphalós é empregado por Mc. 14:14 ao anotar a recomendação do Iscariotes: «Aquele a quem eu beijar, é esse; prendei-o, e levai-o com segurança (seguramente).

De todas estas observações é evidente, é lógico, é patente ressaltar, em conseqüência, que Lucas escreveu o seu Evangelho para firmar seguramente a Revelação de Jesus Cristo, demonstrando, outrossim, ser muito deficiente e falho o conhecimento através do ouvir dizer.

De quantos 1ivros, se compõe o Novo Testamento?

Vinte e sete!

E destes, com certeza, treze foram escritos pelo Após­tolo Paulo. E cinco pelo Apóstolo João.

Por João, o Apóstolo Amado de Jesus, chamado a testificar dËle porquanto com Ele estivera desde o princípio (Jo. 15:27), que, no final do Quarto Evangelho disse, referindo-se aos sinais de Jesus: ‘Estes, porém foram registrados para que creais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em Seu Nome’.

(Jo. 20:31).

Pelo Apóstolo João que, na sua Primeira Epístola destinada aos já conhecedores do Evangelho de sua lavra, dirigida às mesmas igrejas, porquanto a simples leitura de ambos os documentos demonstra ser essa Primeira Epistola um suplemento daquele, declara: «O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da Vida.., o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós igualmente mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com o Seu Filho Jesus Cristo. ESTAS COISAS, POIS, VOS ESCREVEMOS PARA QUE A NOSSA ALEGRIA SEJA COMPLETA» (1 Jo. 1:1,3,4). João, testemunha ocular! Observe-se a sua insistência em destacar esta particularidade notável: o que ouviu, o que viu com os seus olhos, o que contemplou e as suas mãos tocaram… Todo êste martelar contra qualquer pretensa Tradição apenas no primeiro verso do capítulo primeiro de sua Primeira Carta. E a seguir, após um parêntesis no verso 2, torna a insistir: «o que temos visto e ouvido… ‘ Tudo o que ele escreveu foi presenciado e ouvido por ele! Não foi colher dados e informações com ninguém!

Dos vinte e sete livros do Novo Testamento cinco procedem da pena divinamente inspirada do Apóstolo João.

Do Apóstolo João que leva a morder o pó da inutilidade o arrazoado balofo do catolicismo em prol de uma Tradição Oral como regra de fé mais importante do que a Bíblia por ser-lhe anterior e sua própria fonte.

Do Apóstolo João que, ao encerrar o seu Livro Apocalíptico, escangalha com a presunção católica porque estampa, por escrito, esta advertência de Jesus Cristo:

“Eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro: Se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus lhe acrescentará as pragas que estão escritas neste livro; e se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida, e da cidade santa, que estão descritas neste livro”. (Apoc. 22:18-19). ENFIM, O ÚLTIMO SOFISMA…

Se os dois argumentos expendidos pela dogmática católica em abono de sua Tradição são caquéticos, o terceiro e último é o acervo de todas as nuances da malicia. Ë um sofisma sintomático da mais deslavada irresponsabilidade.

Firmada no carunchado segundo argumento alega que, por não haver Cristo e nem os Seus discípulos escrito ou mandado escrever (?!) isso mesmo demonstra ~ existência de muitas doutrinas transmitidas apenas oral-mente, as quais devem ser aceitas como reveladas.

Ora! Vejam só! Nem de leve o catolicismo irá encontrar nas palavras de Jesus alguma coisa que lhe possa endossar a presunção. Aliás, bem ao contrário, porquanto Jesus foi severo no combate à Tradição. ….. invalidastes a Palavra de Deus, por causa da vossa Tradição» (Mt. 15:6), recriminava Ele aos fariseus. E nessa única vez que o Senhor fala sobre a Tradição, vergastando-a lembra: “E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mt. 15:9).

Desesperada por não encontrar nada nos Evangelhos que lhe pudesse, ao menos de longe, fornecer arremedo de argumento, no intuito de corroborar o seu raciocínio, a dogmática católica apresenta esta passagem bíblica extraída de Paulo: Assim, pois, Irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa (2 Tes. 2:15). Os Apóstolos, conclui, não nos transmitiram tudo por escrito; uma grande parte do seu ensino foi oral que nos chegou pela Tradição através dos séculos.

Ao objetivo católico nesta Escritura saltam à vista os embargos.

O significado do vocábulo «tradições» nesse texto não é sinônimo da Tradição no conceito católico. Lá no original grego, o termo é paradoseis que tem o significado de doutrina ou ensinamentos para o caso. Paradoseis é o conjunto das doutrinas ou o depósito exposto por Paulo aos fiéis. Este depósito que ele não recebeu de nenhum dos Doze e de ninguém, mas diretamente de Jesus Cristo (Gal. 1:9,11 e 12).

Paulo, portanto, depois de prevenir os tessalonicenses contra os deturpadores do Evangelho, inculca-lhes a necessidade de se manterem firmes nas doutrinas por ele ensinadas através também das suas pregações.

Ainda mais. O próprio texto ressalta a sintonia entre a pregação e a escrita das doutrinas ensinadas pelo mesmo Apóstolo. De maneira alguma ele sugere apoio a ensinamentos alheios ou diversos das Escrituras.

E de se levar em conta, outrossim, que esta Segunda Carta aos tessalonicenses é o segundo documento de Paulo, escrito logo após à Primeira Carta aos mesmos destinatários, datada do ano 50 ou 51. Ë evidente, pois, que, no afã de preveni-los da «operação do erro>> (2 Tes. 2:11), o Apóstolo se reporte às doutrinas que oralmente ele havia ensinado quando de sua atribulada estada em Tassalónica porque «os judeus desobedientes, movidos de inveja, tomaram consigo alguns homens perversos, dentre os vadios e, ajuntando o povo, alvoroçaram a cidade… » (Atos 17:5).

Seu curto ministério nessa localidade, porém, permitiu-lhe disputar numa sinagoga dos judeus sobre as Escrituras, pelo que alguns deles creram e se organizaram em igreja (Atos 17:1-4; e 2 Tes. 1:1).

Ao se referir Paulo aos seus ensinamentos por pa­lavra não quer isto dizer que se constituíam eles em ensinamentos diferentes dos escritos em suas cartas. Tanto assim que, desejando prevenir os crentes contra as investidas de Satanás, adverte energicamente: «caso alguém não preste obediência à nossa palavra dada por esta epístola, notai-o; nem vos associeis com ele, para que fique envergonhado» (2 Tes. 3:14)

Dos seus treze documentos, as duas pequenas Cartas à Igreja de Tessalônica são os dois primeiros. Evidentemente que, ao se referir às doutrinas que por palavra havia ensinado lá, não demonstra ser a Tradição Oral Fonte de Revelação como querem os teólogos católicos.

Acresce outra observação de máximo destaque é que Paulo, como Apóstolo, era órgão oficial, divinamente inspirado, da Revelação Bíblica que durou até a morte de João, o Apóstolo. Por conseguinte e não implicando isto que sua pregação oral era diversa de sua pregação nas epístolas, pelo fato de ser a pregação de Paulo instrumento da Revelação de Deus aos homens, não se há de concluir que outros gozem desta mesma missão e sua palavra também seja inspirada até quando expõem dou­trinas contrárias às Escrituras.

O catolicismo aprecia sobremaneira retirar um versículo do seu contexto e encaixá-lo a muque no cenário das suas heresias. E, como sempre, desta vez também falhou o seu arrazoado.

Insiste, porém, a dogmática católica e, no apogeu de seus estertores, vai buscar outro texto escriturístico no anseio de coonestar a sua Tradição. E arroga, como defesa desta sua falida fonte de doutrinas, as recomendações de Paulo a Timóteo: .. . sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia. Mantém o padrão das sãs palavras que de mim ouviste com fé e com o amor que está em Cristo Jesus. Guarda o bom depósito, mediante o Espírito Santo que habita em nós» (2 Tim. 1:12-14).

Nesta pericope encontramos duas vezes menciona­do o vocábulo depósito. A primeira no verso 12, onde significa a confiança do Apóstolo em Deus, que não falta em suas promessas. Todos os seus trabalhos, todos os seus sofrimentos culminados agora em sua prisão em Roma nas vésperas de sua morte, se constituíram num riquíssimo depósito entregue nas mãos do Senhor, como num maravilhoso relicário, donde esplenderiam todos os seus galardões, como de uma fonte inexaurível. A segunda no verso 14. Para qualquer leitor desprovido de preconceitos, esta passagem bíblica no panorama das relações de Paulo com Timóteo, salienta o cuidado especialíssimo do Apóstolo em preservar o depósito (parathéke) isento de macular-se com as fãbulas e doutrinas vãs. O Apóstolo teve de enfrentar aguerridas lutas contra os «falsos irmãos>> (Gál. 2:4), os judaizantes que per­turbavam os crentes com palavras e transtornavam as suas almas (Atos 15:24) porque deturpavam a pureza do Evangelho imiscuindo-lhe doutrinas espúrias. Além, pois, de missionário entre os gentios, Paulo teve de sustentar essa batalha imensa para o que contou com a cooperação pronta e eficaz de Timóteo, do qual davam bom testemunho os irmãos (Atos 16:2).

O vocábulo grego parathéke empregado por Paulo é de alta significação por ser, no seu tempo, um termo técnico da linguagem jurídica entre gregos, romanos e judeus. Parathéke, depósito, indicava um tesouro valioso confiado pelo seu proprietário à guarda de um amigo de irrestrita confiança, que se obrigava a guardá-lo e a restitui-lo, não lhe sendo licito, ainda, uti1izar-se dele em proveito pessoal ou na conformidade do seu bel-prazer. Severas penas, outrossim, se impunham aos que violas­sem as normas da absoluta fidelidade exigidas nesse caso do parathéke ou depósito.

Pois bem! Paulo escrevendo ao seu caríssimo Timóteo exorta-o à fidelidade na guarda desse parathéke divino, que é a doutrina do Evangelho não permitindo, em hipótese alguma, fosse eivada de retoques, desvios ou fãbulas.

Certa ocasião, enquanto foi à Macedônia, Timóteo permaneceu em Éfeso para advertir alguns que não ensinem outra doutrina, nem se ocupem com fãbulas e genealogias sem fim, (1 Tim. 1:34).

Além de preservar o «bom depósito», o parathéke, nesta emergência, competia a Timóteo a habilidade de selecionar homens capazes e firmes na fé, aptos para ensinar.

“… aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino». (1 Tim. 4:13).

(Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. (1 Tim.4:16).

Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado, tem horror aos clamores vãos e profanos e às obrigações da falsamente chamada ciência; a qual professando-a alguns, se desviaram da fé (1 Tim. 6:20 e 21).

…Guarda o bom depósito, mediante o Espírito Santo que habita em nós (2 Tim. 1:14).

Lembra a Timóteo em sua Primeira Carta de que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios (1 Tim. 4:1); suplica-lhe que rejeite «as fábulas profa­nas e de velhinhas caducas» (1 Tim. 4:7): assemelha a Janes e Jambres que resistiram a Moisés os que resistem à verdade, sendo (homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto a fé (2 Tim. 3:8); recomenda-lhe que persistisse em ler (1 Tim. 4:13); e agora, nas vésperas de sua morte em Roma, donde remetera esta Carta a Timóteo, concita-o: «Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste. E que desde a infância sabes as Sagradas Letras que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra>> (2 Tini. 3:14-16).

Todas estas recomendações de Paulo visavam exata­mente preservar a pureza do Evangelho, a genuinidade da doutrina, a fidelidade na guarda do «bom depósito», parathéke, contra a intromissão de ensinamentos espúrios por parte dos judaizantes insubordinados e impostores, bem como de outros inovadores e corruptores.

Os textos que a dogmática católica arrola em defesa de sua Tradição militam desfavoráveis à sua pretensão de corromper a limpidez do ‘bom depósito’, para­théke. Incorre ela, outrossim, em anátema, consoante advertência do mesmo Apóstolo aos falsos irmãos, quando escreveu aos gálatas: ‘… se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema’ (Gál. 1:9).

Nem em nome de uma outra pretensa e utópica fonte de revelação extrabíblica, pode-se acrescentar ou re­tirar nada às Sagradas Escrituras a menos que se queira incorrer no desagrado do Senhor como acontece à dogmática católica, pervertedora da Revelação Divina.

É de se pasmar que quase toda a teologia clerical esteja lastreada sobre essa base de areia movediça. É um castelo de cartas que, com um sopro, se derruba, mas, vem, através dos séculos, se constituindo na arma mais eficaz do inferno para desviar as almas de Jesus Cristo, O nosso Único e Todo-Suficiente Salvador.

Inquisição

Como Funciona Agora a Inquisição de Roma

O Dr. Clive Gillis, excelente historiador britânico, publicou no site www.ianpaisley.org (10/06/03) o artigo abaixo, o qual foi traduzido para nos deixar a par do andamento da atual Inquisição de Roma contra os “hereges”, principalmente os protestantes. Vamos ler o que ele escreveu:

No dia 21/10/1890, Sua Alteza Real, o Príncipe Alfred, Duque de Edimburgo (1844-1900), o qual acabara de ser nomeado Comandante-em-Chefe em Devenport, descobriu o Monumento à Armada, em Plymouth Hoe.

A data era a do aniversário da Batalha de Trafalgar. Na parte sul do monumento estavam inscritas estas palavras: “Ele soprou os Seus ventos e eles foram espalhados”, as quais haviam sido reproduzidas do verso da medalha da Armada de Elizabeth I.

Contudo, o fim [da batalha contra o inimigo maior do verdadeiro Cristianismo] ainda não chegou. A luta contra Roma prossegue. Dezesseis anos antes, na mesma cidade de Plymouth, tão rica na história protestante, o Rev. William Harris Rule havia escrito no prefácio dos dois volumes de sua obra, “History of the Inquisition”: “Todas as igrejas que perderam o espírito de Cristo são dadas à perseguição, porém nenhuma igreja, exceto a de Roma, tem possuído uma instituição separada para inquirir e castigar a heresia, com o seu código especial de leis, de cortes nomeadas, de juízes e de oficiais. Isso e apenas isso é o que se pode chamar INQUISIÇÃO”.

William Rule estava escrevendo na época das revoluções, quando o poder temporal de Roma estava sendo neutralizado. Rule concluiu: “Já nem estou predizendo uma rápida extinção do mesmo [poder temporal do papa] em toda parte, como quando escrevi o meu primeiro prefácio, mas tenho a felicidade de registrar isso como um fato consumado”.

É bem verdade que os calabouços, câmaras de tortura, prisões e grandes queimas públicas podem ter desaparecido, mas o espírito perseguidor de Roma ainda emana do mesmo edifício, como acontecia no tempo de Rule.

Amplamente Fortificado

A ilustração do primeiro volume de Rule é uma vista da fachada da Inquisição. É a única vista disponível ao público, hoje em dia, com as colunas de Bernini contempladas a 20 pés de altura, maciçamente fortificadas, com grades de aço e a manobra da guarda suíça. A foto de Rule mostra um prédio idêntico, a partir da Cidade do Vaticano, contemplando as colunas de Bernini, mas sem as grades.

Longe de ter-se transformado em museu ou galeria de arte, este edifício ainda é o centro nervoso dos esforços perseguidores de Roma, só que agora pesadamente fortificado.

Apocalipse 18:2 nos diz: “E clamou fortemente com grande voz, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia, e se tornou morada de demônios, e covil de todo espírito imundo, e esconderijo de toda ave imunda e odiável”.

Mesmo que o destino dos teólogos romanos em erro, sob o domínio do inquisidor-mor, Joseph Ratzinger, não seja do nosso particular interesse, contudo ele serve para nos mostrar que o espírito da Inquisição de Roma continua vivo!

Na Idade Média, os familiares ou espiões da Inquisição registravam os hereges secretamente investigados e, em seguida, estes eram detidos pela força, sem qualquer razão declarada, a fim de enfrentar os inquisidores. É de admirar que esse modelo ainda seja seguido. Qualquer escritor pode denunciar, confidencialmente, outro escritor à Inquisição. Estes, quando investigados, somente são informados no estágio final da investigação. Um certo teólogo só descobriu que estava sendo investigado, quando um colega seu veio informá-lo que ele estava sendo imediatamente requisitado a devolver as cópias dos seus livros à Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, visto como a Inquisição precisava delas.

A “Ratio Agenda” (maneira de proceder) contra os hereges, publicada em Roma em junho de 1977, pode ser vista no website do Vaticano.

O Vaticano não faz segredo algum da ameaça que impõe sobre os transgressores hereges. A Inquisição “tem o dever de examinar os escritos e opiniões que parecem contrários à fé correta e que são perigosos… Esta fundamental responsabilidade diz respeito a todos os pastores da Igreja, os quais têm o dever e o direito de exercer vigilância…” ou, em outras palavras, espionarem-se uns aos outros.

Essa vigilância conduz ao exame preliminar. “Aos escritos ou ensinos indicados é dada a devida atenção pelo competente escritório, o qual o submete ao Congresso (encontro semanal dos superiores e oficiais da Congregação). [Nome atual da Inquisição]. Após ter sido feito um exame preliminar da gravidade da questão, o Congresso decide o que deve ou não deve ser tomado para o estudo a ser feito pelo escritório”.

O estudo do escritório prossegue. A obra do teólogo é, em seguida, “cuidadosamente examinada com a colaboração de um ou mais consultores, ou outros eruditos na área particular”. Se estes decidirem que uma caça às bruxas pode ser feita, o procedimento normal é então iniciado.

Àqueles considerados hereges devem ser aplicadas medidas disciplinares. Como já não podem ser queimados na estaca, Roma faz com eles o pior que pode. “Se o autor não tiver corrigido os erros indicados de modo satisfatório e feito a adequada publicidade, e se a Sessione Ordinária tiver chegado à conclusão de que ele é culpado de heresia, apostasia ou cisma, os procedimentos da Congregação podem declarar a penalidade da “latae sententinge” inclusas: e contra esse tipo de declaração não existe recurso algum.”

Isso em geral significa que a sua licença para lecionar nas universidades romanas é cancelada e uma vez que a heresia seja confirmada pela associação, ele será desprezado pelos confrades.

Como acontecia na Idade Média, o processo é estranhamente demorado e laborioso, deixando as vítimas em estado de suspenso, durante muitos anos. Uma história que certa vez vazou pelos corredores da Inquisição foi a de que um bebê fora ali encontrado. Ratzinger ficou horrorizado, mas logo um inquisidor Junior o acalmou, assegurando-lhe que qualquer coisa concebida dentro dos seus muros jamais poderia vir à luz, em apenas nove meses!

Dominus Iesus

Até o ponto em que os protestantes estão a par, a Inquisição marcou o Jubileu do Ano 2000, ao reafirmar a exclusiva posição salvadora de Roma. A declaração feita pela Inquisição foi intitulada “Dominus Iesus”. Foi ratificada pelo papa JP2 em junho e publicada pela Inquisição em agosto de 2000. A edição inglesa do jornal “L´Osservatore Romano” publicou o texto completo como suplemento especial de uma edição que também cobria a beatificação do papa Pio IX, o mesmo que criou o dogma da Infalibilidade Papal, em 1870. Numa manchete inferior apareceu o seguinte: “Pio IX deu prioridade absoluta a Deus e aos valores espirituais”. Essa inserção veio profusamente ilustrada com antigos ícones apresentando um ângulo severo de Cristo. L´Osservatore incluiu, de propósito, um ícone do Museu de Lviv, Ucrânia, o coração da batalha entre as Igrejas de Rito Latino e as de Rito Ortodoxo.

A “Dominus Iesus” concedeu à “Igreja Irmã” o mesmo status das igrejas ortodoxas orientais, mas, “por outro lado, negou que as igrejas protestantes sejam igrejas legítimas”. Ratzinger manteve uma conferência na imprensa do Vaticano em 05 de setembro, na qual ele disse: “O documento foi uma resposta necessária à teologia do pluralismo religioso, o qual está circulando não apenas nos círculos teológicos, mas também na opinião pública dos católicos em geral… Existe um corpo crescente de opinião sugerindo que outras religiões podem oferecer um importante complemento aos ensinos do Cristianismo”.

O Cardeal frisou que “muitas pessoas hoje em dia vêem a tradicional afirmação da ICR de ser o único meio universal de salvação com um certo fundamentalismo, o qual ataca o moderno espírito e ameaça a tolerância e a liberdade religiosa. Por causa dessa atitude”, ele prosseguiu, “muitas pessoa vêem o diálogo ecumênico como um fim em si mesmo. O diálogo – ou de preferência uma ideologia de diálogo – torna-se um substituto para a atividade missionária e para a urgência de um apelo à conversão” [à ICR, claro - MS].

Roma jamais vai aceitar nada menos que a capitulação de todos a si mesma, coisa que os ecumenistas irão descobrir, por si mesmos, algum dia!

Unun Sanctum

Ratzinger prosseguiu: “ Essa errônea noção de diálogo… enfatiza, não a busca por um objetivo e verdade absoluta, mas um desejo de colocar num mesmo plano todas as crenças religiosas. Ele dá origem a uma falsa idéia de tolerância, a qual permite respeitar outras crenças, o que rejeita a possibilidade de qualquer verdade objetiva”.

O Arc. Tarcísio Bertone, Secretário da Inquisição, observou que a “Dominus Iesus” não contém qualquer ensino novo, mas reafirma e ratifica a doutrina da fé católica em resposta aos problemas e teorias contemporâneos.

“Ele enfatizou que pelo fato de provir da Santa Sé, com a explícita autorização do papa, o documento dever ser visto como um ensino do Magisterium (corpo de ensino dos papas infalíveis), em vez de ser outra opinião teológica”.

Comunidade Eclesiástica

O status de “Irmã” dado às igrejas orientais logo passa a ser objetivo da nota esclarecedora de Ratzinger, em 14 de setembro 2000, com a intenção de endurecer a posição contra as “ambigüidades”.

Os ortodoxos precisam aceitar o primado do papa, a fim de poderem fazer parte da Igreja (ICR) verdadeira. O termo “Irmã” jamais deve ser usado para as igrejas protestantes [grifo nosso – MS]. Entrevistado em 22/09/2000 pelo jornal Frankfurter Algemeine a respeito disso, ele falou francamente. Quando lhe pediram para comentar o assunto de que “o status eclesiástico dos anglicanos e dos protestantes não é reconhecido” na Dominus Iesus, o Cardeal respondeu que durante o Jubileu ele ansiava trazer “o que é realmente essencial ao centro dessa ocasião”. Então lhe pediram para comentar “o fato de que o lado evangélico considera agora a comunidade eclesiástica uma ofensa. As fortes reações ao vosso documento são uma prova clara disso”. A isso Ratzinger respondeu: “Acho as declarações de nossos amigos luteranos francamente absurdas, de que devemos considerar essas estruturas (reformadas) resultantes de eventos históricos ocasionais (como) igrejas, do mesmo modo (que) cremos ser a Igreja Católica Romana fundada sobre a sucessão apostólica”. [Eu sempre disse que o Ecumenismo é a maior farsa da ICR e que foi criado com o exclusivo objetivo de desunir e enfraquecer o protestantismo histórico – MS].

Ratzinger citou também a condenação feita por Lutero de que a ICR é o Anticristo, de maneira tão sinuosa que dava para sentir que ele estava querendo dizer exatamente o contrário. Ele então prosseguiu dizendo que a Bíblia só pode ser verdadeiramente interpretada por Roma.

Em 1996 apareceu um rumor de que o papa JP2 estava querendo suspender a excomunhão de Lutero e que Ratzinger pessoalmente bloqueou essa idéia. O Cardeal é certamente registrado como confirmando, em 1998, que “os anátemas levantados contra Lutero [e os protestantes] pelo Concílio de Trento continuam em pleno vigor”. Os leitores devem estar lembrados das negociações sobre a doutrina da justificação pela fé – entre o Vaticano e a Federação Mundial Luterana – naquele tempo, as quais resultaram na “Declaração Conjunta” de 25/06/1998. E devem lembrar-se também do subseqüente bizarro documento-resposta do Vaticano, restringindo os pontos principais. Ratzinger tem sido geralmente apontado como o agente principal por trás dessa resposta, apesar do seu protesto de que não passa de uma “mentira hipócrita” dizer que ele quis estrangular a “Declaração Conjunta”, ao nascer.

Um compromisso foi acertado nesse escuso assunto, quando Ratzinger assumiu o papel principal de produzir um documento anexo, o qual estava destinado a salvar a face de cada um, conquanto assegurando que o acordo final permanecia sob os seus próprios termos, cuidadosamente expostos.

Roma é sempre a mesma

“Unum Sanctum” – 1300 d.C. … Conseqüentemente declaramos com certeza, e pronunciamos ser necessário que se sujeite ao Pontífice Romano toda criatura…” promulgada em 18/11/1302.

“Dominus Iesus” – 2000 d.C. … Na unidade e na universalidade salvadora de Jesus Cristo e da ICR. IV. – A Exclusividade e Unidade da Igreja.

16. “Aos fiéis católicos é exigido que professem que existe uma continuidade histórica – enraizada na sucessão apostólica – entre a Igreja fundada por Jesus Cristo e a Igreja Católica Romana. Esta é a única Igreja de Cristo… a qual continua a existir completamente apenas na ICR… Esta Igreja constituída e organizada como uma sociedade no mundo atual subsiste na ICR, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele”.

17. “Desse modo, existe uma única Igreja de Cristo, a qual subsiste na ICR governada pelo sucessor de Pedro… As igrejas ortodoxas, conquanto existindo em perfeita comunhão com a ICR, ainda permanecem fora da união… pela sucessão apostólica, uma válida Missa (Eucaristia) e são realmente desobedientes… por não aceitarem a doutrina da ICR do Primado (do papa de Roma) o qual, conforme a vontade de Deus, o Bispo de Roma possui, objetivamente, e o exerce sobre toda a Igreja.

Por outro lado, as comunidades eclesiásticas (protestantes hereges) que não buscaram o episcopado e a genuína e integral substância do mistério eucarístico (Missa) não são igrejas na verdadeira acepção do sentido…”

Conclusão

“A intenção da presente declaração em reiterar e esclarecer certas verdades… é … confirmar a fé católica romana…”

“João Paulo II, o Sumo Pontífice, no dia 16/06/2000, concedeu ao Cardeal Prefeito da Congregação para Doutrina da Fé [Inquisição], com absoluto conhecimento e pela sua autoridade apostólica, ratificou e confirmou esta declaração adotada em Sessão Plenária e ordenada para a publicação.

Roma, dos Escritórios da Congregação para a Doutrina da Fé, 06/08/2000.

+ Joseph Ratzinger, Prefeito.

+ Tarcísio Bertone, SDB, Arcebispo Emérito de Vercelli, Secretário”.

Como vemos, Roma continua mesma, jamais mudará e todo o empenho do papa JP2 em visitar e sorrir para o mundo inteiro teve como único objetivo conquistar os desavisados para Roma.

A cruz vergada ao papa

A partir do papa Paulo VI, “suas santidades” passaram a exibir publicamente a cruz vergada, em substituição ao antigo crucifixo.

JP2 usou-a durante os seus mais de 25 anos de reinado e agora o Ratzinger, ou melhor, Bento XVI, está usando-a também, pois a cruz ocultista é especialmente apropriada para esses papas dos últimos tempos.

Como nos ensina o historiador católico Piers Campton, em seu livro “The Broken Cross: Hidden Hands in Vatican”, editado em 1981, Essa cruz é “um símbolo sinistro, usado pelos satanistas no século VI, o qual foi recolocado em uso desde o tempo do Concílio Vaticano II. Nessa cruz vergada é exibida uma figura distorcida e repulsiva de Cristo, a qual era usada por todos os praticantes de feitiçaria e magia negra, na Idade Média, expressando a passagem bíblica da Marca da Besta…”

Esse tenebroso objeto que os papas exibem, combinando com a sua vestimenta espalhafatosa e a mitra (cabeça de peixe, símbolo do deus Dagon), destina-se a ser reverenciado pelas multidões, representando o futuro Anticristo, detalhe esse totalmente ignorado pelas pessoas que não lêem a Bíblia, nem pesquisam a história do Catolicismo Romano.

Infelizmente, os católicos, em vez de buscarem a verdade que liberta da mentira religiosa, a qual é facilmente encontrada na Bíblia e em bons livros de história (muitos deles de autores católicos), preferem fechar os olhos. Confiam em seus padres e bispos, os quais, segundo disse o Senhor, referindo-se aos fariseus do Seu tempo, “…são condutores cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova” (Mateus 15:14).

Quem entendia bem deste assunto era o padre jesuíta Malachi Martin. Durante o tempo em que trabalhou em Roma, ele sempre esteve próximo ao papa João XXIII, tendo sido iniciado nos mais recônditos segredos do Vaticano. Vamos dar a palavra ao Prof. Arthur Noble, no artigo “Satan´s Hold on the Vatican” EIPS, 24/08/99.

“Seus anos [de Malachi Martin] em Roma também coincidiram com a realização do Concílio Vaticano II (1961-1965). Completamente decepcionado com a Igreja de Roma e a Ordem Jesuíta à qual pertencia, em 1964 ele pediu dispensa de votos religiosos e abandonou Roma às pressas, em julho do mesmo ano, tendo ido para Nova York, onde trabalhou como lavador de pratos e motorista de táxi, tendo conseguido a nacionalidade americana em 1970.

Sua sucessão de livros sobre temas católicos tornou-se cada vez mais procurada por católicos desejosos de conhecer os bastidores da “Santa Madre”. No livro “The Pilgrim” (O Peregrino), publicado em 1964, ele divulgou os esforços feitos contra a intenção de João XXIII de revogar a doutrina que culpava os judeus pela morte de Cristo. Em “Hostage to the Devil” (Hospedagem ao Diabo), publicado em 1976, ele fala dos supostos espiões soviéticos vivendo dentro do Vaticano. No livro “The Keys of This Blood” (As Chaves Deste Sangue), publicado em 1990, ele denuncia o delírio do papa JP2 de controlar o mundo através da Nova Ordem Mundial (corroborando a afirmação de que o Vaticano é a força propulsora por trás da União Européia). Em “Windswept House”, (Casa Desarrumada) publicado em 1996, ele apresenta a versão fictícia de um verdadeiro assassino. Em todos os seus escritos “o declínio e queda” da Igreja de Roma são o tema principal.

Em 1981, Martin analisou bem a sua Igreja, afirmando que esta é “uma igreja de seminários vazios, bispos politiqueiros, freiras pintadas, usando maquilagem e mini-saias, laicato confuso, dentro de um Vaticano que hospeda traidores comunistas, prelados marxistas, um bordel sobrecarregado de exorcistas e burocratas hostis, com pouca gente boa e calma, centro de 37% de clérigos e pessoas que faturam para uma Igreja sufocada por Paulo VI…”
Martin é mais um exemplo do crescente número de sacerdotes que têm testemunhado a iniqüidade da Meretriz Babilônia, a partir do seu âmago, tendo resolvido clamar contra ela, de cima dos telhados. Que material ainda mais sinistro teria ele descoberto, se tivesse permanecido por mais tempo no Vaticano? O repórter Felix Corley falou: “O Vaticano deve ter ficado satisfeito, por ter ele saído no tempo certo”. (Até aqui falou o Prof. Arthur Noble).

Voltando à cruz vergada, em seu livro “The Keys of This Blood”, Martin nos esclarece que os papas atuais estão todos comprometidos com a Nova Ordem Mundial, quer sejam ortodoxos ou liberais. Como uma figura é mais contundente do que mil palavras, a cruz vergada apresenta um Jesus desfigurado, para sempre pregado na cruz, negando, portanto, a Sua Ressurreição e Ascensão aos céus. Nenhum padre ou bispo católico crê realmente na Divindade do Senhor Jesus Cristo. Por isso é que eles servem fielmente a sua Igreja, o que seria impossível, se realmente conhecessem a Palavra de Deus e cressem na Divindade do Senhor. Enquanto isso, os católicos são uns pobres coitados, iludidos pelos seus falsos mestres. E quando, depois de dez anos de pesquisa, eu tento mostrar-lhes a verdade, recebo e-mails de crítica, me chamando de “odiosa” e coisas desse naipe. Até ameaça de morte já recebi de um mineiro, em dezembro do ano 2000!

A batata do Vaticano está assando, enquanto ele vai caminhando a passo largos para a degradação final, quando colocará no trono de Roma, e depois em Jerusalém, o “homem do pecado”, ficando o papa (quem sabe o atual Bento XVI) com o cargo de Falso Profeta, cargo esse já exercido por 264 antecessores dele, todos se apresentando como “Vigários de Cristo”. Na realidade esses 265 usurpadores não passam de tremendos blasfemadores contra o Espírito Santo, o único e legítimo Vigário do Senhor, conforme João 16:7-14: “Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. Do pecado, porque não crêem em mim; da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais; e do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado. Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar”.

Finados

1. No dia 2 de novembro se celebra o culto aos mortos ou o dia de Finados. Qual a origem do culto aos mortos ou do dia de Finados?

O dia de Finados só começou a existir a partir do ano 998 DC. Foi introduzido por Santo Odilon, ou Odílio, abade do mosteiro beneditino de Cluny na França. Ele determinou que os monges rezassem por todos os mortos, conhecidos e desconhecidos, religiosos ou leigos, de todos os lugares e de todos os tempos. Quatro séculos depois, o Papa, em Roma, na Itália, adotou o dia 2 de novembro como o dia de Finados, ou dia dos mortos, para a Igreja Católica.

2. Como chegou aqui no Brasil essa celebração de 2 de novembro ser celebrado o dia de Finados?

O costume de rezar pelos mortos nesse dia foi trazido para o Brasil pelos portugueses. As igrejas e os cemitérios são visitados, os túmulos são decorados com flores, e milhares de velas são acesas.

3. Tem apoio bíblico essa tradição de se rezar pelos mortos no dia 2 de novembro? Como um cristão bíblico deve posicionar-se no dia de Finados?

Nada de errado existe quando, movidos pelas saudades dos parentes ou pessoas conhecidas falecidas, se faz nesse dia visita os cemitérios e até mesmo se enfeitam os túmulos de pessoas saudosas e caras para nós. Entretanto, proceder como o faz a maioria, rezando pelos mortos e acendendo velas em favor das almas dos que partiram tal prática não encontra apoio bíblico.

4. A maioria das pessoas que visitam os cemitérios no dia de Finados está ligada à religião católica. Por que os católicos fazem essa celebração aos mortos com rezas e acendendo velas junto aos túmulos?

Porque segundo a doutrina católica, os mortos, na sua maioria estão no purgatório e para sair mais depressa desse lugar, pensam que estão agindo corretamente mandando fazer missas, rezas e acender velas. Crêem os católicos que quando a pessoa morre, sua alma comparece diante do arcanjo São Miguel, que pesa em sua balança as virtudes e os pecados feitos em vida pela pessoa. Quando a pessoa não praticou más ações, seu espírito vai imediatamente para o céu, onde não há dor, apenas paz e amor. Quando as más ações que a pessoa cometeu são erros pequenos, a alma vai se purificar no purgatório.

5. Existe base bíblica para se crer no purgatório, lugar intermediário entre o céu e o inferno?

Não existe. A Bíblia fala apenas de dois lugares: céu e inferno. Jesus ensinou a existência de apenas dois lugares. Falou do céu em Jo 14.2-3 e falou do inferno em Mt 25.41.

6. Segundo a Bíblia o que acontece com os seres humanos na hora da morte?

No livro de Hebreus 9.27 se lê que após a morte segue-se o juízo. E Jesus contou sobre a situação dos mortos Lc 16.19-31. Nessa parte bíblica destacamos quatro ensinos de Jesus: a) que há consciência após a morte; b) existe sofrimento e existe bem estar; c) não existe comunicação de mortos com os vivos; d) a situação dos mortos não permite mudança. Cada qual ficará no lugar da sua escolha em vida. Os que morrem no Senhor gozarão de felicidade eterna (Ap 14.13) e os que escolheram viver fora do propósito de Deus, que escolheram o caminho largo (Mt 7.13-14) irão para o lugar de tormento consciente de onde jamais poderão sair.

7. Fora a crença sobre o estado dos mortos de católicos e evangélicos, existem outras formas de crer sobre a situação dos mortos. Pode indicar algumas formas de crer?

Sim.

A) os espíritas crêem na reencarnação. Reencarnam repetidamente até se tornarem espíritos puros. Não crêem na ressurreição dos mortos.

B) os hinduístas crêem na transmigração das almas, que é a mesma doutrina da reencarnação. Só que os ensinam que o ser humano pode regredir noutra existência e assim voltar a este mundo como um animal ou até mesmo como um inseto: carrapato, piolho, barata, como um tigre, como uma cobra, etc.

C) os budistas crêem no Nirvana, que é um tipo de aniquilamento.

D) As testemunhas de Jeová crêem no aniquilamento. Morreu a pessoa está aniquilada. Simplesmente deixou de existir. Existem 3 classes de pessoas: os ímpios, os injustos e os justos. No caso dos ímpios não ressuscitam mais. Os injustos são todos os que morreram desde Adão. Irão ressuscitar 20 bilhões de mortos para terem uma nova chance de salvação durante o milênio. Se passarem pela última prova, poderão viver para sempre na terra. Dentre os justos, duas classes: os ungidos que irão para o céu, 144 mil. Os demais viverão para sempre na terra se passarem pela última prova depois de mil anos. Caso não passem serão aniquilados.

E) os adventistas crêem no sono da alma. Morreu o homem, a alma ou o espírito, que para eles é apenas o ar que a pessoa respira, esse ar retorna à atmosfera. A pessoa dorme na sepultura inconsciente.

8. Como se dará a ressurreição de todos os mortos?

Jesus ensinou em Jo 5.28,29 que todos os mortos ressuscitarão. Só que haverá dois tipos de ressurreição; para a vida, que ocorrerá mil anos antes da ressurreição do Juízo Final. A primeira ressurreição se dará por ocasião da segunda vinda de Cristo, no arrebatamento. (1 Ts 4.16,17; 1 Co 15.51-53). E a ressurreição do Juízo Final como se lê em Apocalipse 20.11-15.

Quaresma

Quaresma é o período de jejum e arrependimento tradicionalmente observado pelos católicos de forma ritualística, em preparação para a páscoa.

A duração do jejum da quaresma foi estabelecida no século IV, como de 40 dias. Durante este período, os participantes comem muito pouco, ou simplesmente deixam de comer algum tipo de comida ou deixam de praticar alguma ação habitual. A quarta-feira de cinzas e a quaresma iniciaram como uma forma de os cristãos lembrarem-se do arrependimento de seus pecados. A idéia até que era boa!

Contudo, através dos séculos, valores muito mais “sacramentais” foram se desenvolvendo. Muitos católicos entendem que, deixar de fazer algo na quaresma é uma maneira de ganhar a bênção de Deus. A Bíblia não ensina que tais atos alcancem qualquer mérito junto a Deus (Isaías 64.6). De fato, o Novo Testamento nos ensina que nossos atos de jejum e arrependimento devem ser praticados de forma que não atraiam atenções sobre nós: “E, quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram os seus rostos, para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto, Para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente” (Mateus 6.16-18).

O jejum é algo bom quando feito sob a ótica bíblica. É bom e agradável a Deus quando abandonamos hábitos e práticas pecaminosas. Não há absolutamente nada errado em guardar um tempo no qual vamos nos concentrar apenas na morte e ressurreição de Jesus. Entretanto, estas “práticas” são coisas que devemos fazer todos os dias do ano, não apenas nos 40 dias entre a quarta-feira de cinzas e a páscoa.

A Igreja Católica equivoca-se ao ensinar que o cristão deve se consagrar somente na época da quaresma. Sem contar que a quaresma redundou na festa profana do Carnaval.