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Heresias

O Homem um Ser Religioso

O surgimento da religiosidade

Gn 4.3 –7 Compreender a origem e a natureza da religiosidade é básico para entendermos a extrema disseminação de seitas e ensinos falsos, não apenas em nossos dias, mas em toda a história da humanidade. Este texto espelha de uma forma clara, a maneira pela qual o espírito de religiosidade começou a se manifestar entre os homens.

A palavra “religião” vem do latim religio, que significa “religar”. O conceito implícito nessa palavra é o de uma tentativa do homem de “religar-se” a Deus, reatando uma comunhão rompida. Esse sentimento “religioso” é comum a todos os homens, não importando sua origem social ou geográfica.

A religião surgiu no vácuo provocado pela ausência da comunhão autêntica com Deus. O homem foi feito para viver em comunhão com Deus, e na falta dessa comunhão ele experimenta, ainda que inconscientemente, um sentimento de profunda frustração. Esse anseio (e não o “medo do desconhecido”, como muitos sustentaram no passados) é que originou na humanidade a busca religiosa. O texto que lemos caracteriza alguns aspectos essenciais do espírrito de religiosidade.

  1. – Caim ofertou do que lhe sobrava, enquanto Abel trouxe suas primícias (note as palavras “oferta” e “primícias”, nos versículos 3 e 4). O espírito religioso sempre oferta do que sobra, seja dinheiro, tempo, esforço;
  2. – Caim procurou aproximar-se de Deus por seus próprios meios, enquanto Abel, pelo meio determinado por Deus. Este é um dos principais motivos que levou o Senhor a rejeitar a oferta de Caim. Em Gn 3.21 vemos pela primeira vez nas Escrituras o surgimento de uma vítima sacrificial (se Adão e Eva foram vestidos por Deus com roupas de peles, um animal teve que ser morto!). Esta verdade é a mesma que aparece registrada em Hb 9.22. Em conexão com Gn 3.21, é importante lembrar que a palavra hebraica que significa “cobrir” tem o sentido do termo “propiciação”, que é a palavra utilizada pelo Novo Testamento para definir a obra redentora de Jesus na cruz, veja Rm 3.24,25. Ora, o espírito de religiosidade sempre apresenta uma oferta que Deus não pediu, que é incapaz de resolver o verdadeiro problema que separa o homem de Deus: às vezes são “obras”, outras vezes são “rituais”, mas sempre são coisas que não podem tratar adequadamente o problema do pecado. Abel, pela fé, apresentou o Senhor Jesus (porque todo sacrifício de animais no Velho Testamento apontava profeticamente para Jesus). Já Caim, apresentou a si próprio: suas obras, seu trabalho, suas iniciativas!

Caim apresentou, à recusa da sua oferta, a reação característica do espírito de religiosidade. Veja Gn 4.5b. É a reação característica do orgulho ferido. O espírito de religiosidade é sempre o espírito do farisaísmo, o qual é marcado por uma idéia elevada de si próprio, o que o leva automaticamente a não cogitar jamais a possibilidade de ser recusado. Neste ponto, é diametralmente oposto ao espírito do cristão, o qual é marcado por um coração quebrantado. Vemos uma ilustração clara disso na parábola do fariseu e do publicano (Lc 18.9–14). Se a situação fosse inversa, e o publicano fosse rejeitado, ele simplesmente continuaria orando por misericórdia, porque era um homem de coração quebrantado; mas o fariseu jamais suportaria ser rejeitado, porque estava firmado nos seus “méritos”!

Gn 4.7 Todas as religiões sempre têm sua base no que o homem pretende fazer ou ser, por si só, independente de quem quer que seja. A palavra de Deus para Caim foi “Se procederes bem… serás aceito”. Proceder bem, aqui tem o sentido de fazer o que é correto, aproximar-se de Deus da maneira certa. No Velho Testamento, essa maneira era a observância da lei e dos sacrifícios, tendo em vista a obra de Jesus que se manifestaria no futuro. No Novo Testamento, é a aproximação de Deus unicamente através de Jesus, submetendo-se ao Seu senhorio e governo e confiando apenas nos méritos da Sua obra realizada em nosso favor. Não é difícil, contudo, verificar como o homem procurou seguir o caminho de Caim desde o princípio da humanidade.

Gn 16,17 Caim foi tanto o iniciador da religião como o primeiro a procurar construir uma sociedade à parte de Deus. A expressão “retirou-se… da presença do Senhor” (v.16) nos mostra que Caim optou por afastar-se de Deus, vivendo longe dEle. A partir desse homem, surgiu toda uma linha de seres humanos que não tinham consciência da pessoa de Deus, mas que experimentavam o anseio inconsciente por comunhão com seu Criador, ao qual já nos referimos. Entre essas pessoas temos sem dúvida os primeiros a adorarem os elementos da natureza, seguindo seus corações corrompidos.

Rm 1.21–24 Apesar da revelação disponível de Deus na criação, os homens preferiram escolher seus próprios caminhos, marcados pela religiosidade. O fim disso, como o v. 24 demonstra, está sempre em carnalidade e imoralidade.

Rm 1.21 “… obscurecendo-se-lhes o coração insensato…” O coração do homem foi obscurecido a fim de que perdesse de vista qualquer traço de revelação do verdadeiro Deus e direcionasse o anseio de seu coração para outros seres.

2º Co 4.4 O diabo é o autor desse entenebrecimento dos corações e da transformação desse anseio legítimo num espírito pervertido de religiosidade.

At 19.17–20,27; 2ªCo 104,5; Ef 6.11,12. Se a ação do diabo é que está por detrás do espírito de religiosidade, precisamos concluir que todas as religiões são de iniciativa diabólica, e que a maneira pela qual podemos combatê-las não é através de debates ou coisas parecidas, mas unicamente através da batalha espiritual, discernindo sua origem satânica e combatendo com armas espirituais os demônios que estão por detrás delas.

O Espírito Religioso

O mesmo espírito religioso que está por detrás de cultos como o islamismo, o animismo (adoração de espíritos, englobando todas as formas de umbanda), o espiritismo e outras manifestações religiosas, está também por detrás de todas as seitas e heresias que surgiram no meio da Igreja no decorrer da história. Na verdade, o diabo é especialista em variar suas armas no ataque contra a Igreja. A diferença entre o paganismo e o cristianismo é fácil de ser detectada, mas o mesmo não acontece entre o cristianismo verdadeiro e alguns movimentos heréticos.

Nosso interesse aqui não é formar um painel acerca das religiões que atuam ou atuaram no mundo, mas analisar principalmente algumas heresias e seitas que surgiram no meio da Igreja. Para isso, precisamos compreender primeiramente a diferença entre “heresia” e “seita”.

Definição da Palavra Heresia

A palavra “heresia” vem do termo grego “hairesis”. Essa palavra é empregada no Novo Testamento com dois sentidos principais:

  1. Seita, no sentido de facção ou partido, um corpo de partidários de determinadas doutrinas (At 5.17; 15.5; 24.5; 26.5; 28.22); e
  2. Opinião contrária à doutrina prevalecente, de cujo ponto de vista é considerada heresia (2ªPe 2.1).

Em 1ªCo 11.19 e Gl 5.20, nestes dois textos, o termo haireseis procura definir a atividade facciosa ou partidária. No primeiro, o sentido negativo do termo “partidos” é esclarecido pelo contexto: os aprovados são aqueles que não tomam parte nos “partidos”. No segundo, é traduzido como “facções”.

Em 1ªCo 1.10; 11.18, em ambos os textos, a palavra traduzida “divisões”, no grego, é schismata, que significa literalmente “rasgões em pano”. Alguns estudiosos sustentam que essa palavra indica divisões em torno de personalidades, e não em torno de ensinos. Segundo esse ponto de vista, divisões em torno de personalidades seriam um “mal menor”, não tão grave quanto as “heresias” (negações de verdades da fé). O texto de 1ªCo 11.19, no entanto, parece relacionar as divisões aos partidos (haireseis).

Podemos resumir isto dizendo que, na perspectiva do Novo Testamento, toda divisão no corpo de Cristo (seja motivada por personalidades ou por diferenças no ensino) é considerada heresia. Isto coloca como heresia todo o denominacionalismo, tão comum na igreja.

No entanto, o uso histórico da palavra “heresia” passou a apontar quase que exclusivamente para seu segundo sentido assinalado acima, ou seja, o de opinião contrária à doutrina prevalecente, de cujo ponto de vista é heresia. Desta maneira, passaram a ser qualificadas de “heresia” os ensinos que, de alguma maneira, contrariam alguma verdade da fé cristã.

Nesta perspectiva, heresia pode ser definida como a “negação de uma verdade cristã definida e estabelecida, ou uma dúvida concernente a ela”.

A heresia não pode ser confundida com a apostasia. O apóstata é alguém que rejeitou completamente a fé cristã; o herege continua vinculando-se à fé, excetuando-se os pontos em que seu sistema nega a fé cristã.

Em 1ªCo 15.12; Cl 2.8,16,20–22; 2ªTs 2.2; 1ªTm 4.1–3,7; 1ªJo 2.18,19,22; 4.2,3, estes textos exemplificam diversas ocorrências de heresias, ainda no período da Igreja primitiva. Em Corinto, algumas pessoas negavam a possibilidade de ressurreição, influenciadas pelo conceito grego de que a matéria seria algo inerentemente mau; no caso da igreja em Colossos, a heresia era uma forma particular de legalismo, oriunda de uma influência do gnosticismo grego sobre a igreja; o texto de 2ªTs 2.2 aponta outra heresia específica, relacionada com a volta de Jesus, a qual, segundo alguns, já teria acontecido; em 1ª Tm Paulo prevê diversos ensinos heréticos que surgiriam na história da igreja; em 1ª Jo, é a encarnação de Jesus que é especificamente atacada (uma forma da heresia conhecida como “docetismo”, do grego dokein, “parecer”, que ensinava que Jesus não possuíra um corpo físico, mas apenas uma “aparência” de corpo!).

Aparentemente, essas heresias podem “variar em grau”. Uma coisa é atrelar-se a um legalismo estrito, como no caso dos colossenses; outra, bem diferente, é afirmar que Jesus não possuía um corpo físico. No entanto, toda heresia significa uma introdução de fermento na massa da fé cristã que, com o tempo, levedará a massa toda! Uma análise cuidadosa da carta aos Colossenses, por exemplo, nos mostrará que a influência do gnosticismo sobre a igreja (manifesta no temor aos “rudimentos do mundo”, citados em Cl 2.8, e no extremo legalismo) diminuía aos olhos da igreja o próprio valor da obra redentora de Jesus (em razão do que, Paulo teve de afirmá-la em termos tão vigorosos em Cl 2.13,15).

O arianismo é outro exemplo de ensino herético que podemos tirar da História da igreja. Ário, que foi presbítero de Alexandria, sustentava que Jesus não era eterno, mas havia sido criado por Deus Pai. Ele não divergia do restante da igreja em nenhuma outra verdade, apenas nesta. Todavia, com a negação de que Jesus era co-eterno e co-igual com o Pai, ele na realidade abalava o alicerce mais fundamental do cristianismo.

A Definição de Seita e Heresia

Podemos compreender melhor o que são seitas se, em primeiro lugar, verificarmos qual a diferença entre “seita” e “heresia”. “Por definição, um herege é um cristão professo que está errado com relação a alguma verdade particular, ao passo que o ponto essencial quanto às seitas é que elas absolutamente não são cristãs, e sim contrafações do cristianismo”.

Em seu sentido mais genérico, seita é “devoção a uma pessoa ou coisa particular, dedicada por uma corporação de adeptos”. Esta definição está na raiz de termos como “sectarismo”, e por esse ângulo tanto um partido político como uma torcida organizada de futebol poderiam ser classificados como “seita”. Em nosso estudo, no entanto, estamos interessados em estudá-las de uma perspectiva cristã e, nesse prisma, as seitas aparecem invariavelmente como falsificações da fé cristã.

Podemos dizer que as seitas, em sua maior parte, são o produto final das heresias, ou seja, o resultado da fermentação herética na massa da igreja. Nem toda heresia culmina na formação de uma seita, mas toda seita possui em seu sistema elementos heréticos.

Vamos notar abaixo algumas características e sinais que podem nos ajudar a identificar o que são as seitas.

  1. – Semelhança com o cristianismo. Virtualmente todas as seitas possuem forte semelhança com a fé cristã legítima, e é justamente essa semelhança que se constitui na principal estratégia do diabo com relação a elas (2ªCo 11.3–15).
  2. – Adeptos sinceros. As seitas são povoadas por pessoas zelosas, mas destituídas de verdadeiro entendimento (Rm 10.2). Nunca devemos cometer o erro de questionar a sinceridade dos adeptos de qualquer seita; no entanto, precisamos reconhecer que esse zelo extremo a que se dispõem é uma característica do espírito de religiosidade que age por detrás delas.
  3. – A questão da origem. Todas as seitas, praticamente, reivindicam como sua fonte inicial alguma nova revelação da parte de Deus. Aqui temos uma diferença interessante entre heresia e seita. As heresias, geralmente, começam com pessoas que, estudando diligentemente as Escrituras, acabaram se afastando em sua interpretação. Ário, por exemplo, nunca afirmou ter recebido qualquer revelação divina relativa ao seu ensino sobre a pessoa de Jesus. Seu ensino foi oriundo do estudo que ele fez das Escrituras, dominado por um forte racionalismo. Mas as Testemunhas de Jeová, por exemplo, (que tem em Ário um “precursor” de seu fundador, C. T. Russell) constantemente reivindicam revelações adicionais como base para seus ensinos.
  4. – Reconhecimento de autoridade adicional às Escrituras. Este ponto praticamente decorre do anterior. As seitas sempre reconhecem uma autoridade adicional às Escrituras, que acaba sobrepujando a Bíblia e se torna sua base para doutrina e governo. O Mormonismo tem O Livro de Mórmon, a Pérola de Grande Valor e Doutrinas e Alianças; a Ciência Cristã tem o livro Ciência e Saúde, escrito pela fundadora, Mary Baker Eddy; os Adventistas do Sétimo Dia têm os escritos de Ellen G. White; e etc.
  5. – Negação de verdades essenciais à fé cristã. As seitas não se limitam a discordar sobre assuntos periféricos ou não essenciais; elas via de regra negam aspectos essenciais da fé cristã. Embora a lista possa variar ligeiramente de seita para seita, em geral seus ensinos discordam da verdade bíblica em áreas tão centrais quanto a Pessoa de Jesus (Testemunhas de Jeová), a Pessoa do Espírito Santo (Testemunhas de Jeová) a obra expiatória de Jesus (Adventistas do Sétimo Dia), a Justificação pela Fé (Mórmons), a Triunidade de Deus (Testemunhas de Jeová), o ensino das Escrituras sobre o pecado (Pensamento Positivo) a ressurreição e ascensão físicas do corpo de Jesus (Testemunhas de Jeová), entre outros. Além disso, muitas vezes as seitas conjugam, às negações dessas verdades essenciais, as invenções de ensinos que não possuem nenhuma base bíblica. É o caso tanto dos Adventistas do Sétimo Dia quanto das Testemunhas de Jeová, os quais ensinam as doutrinas do sono da alma após a morte e do aniquilamento dos ímpios.
  6. – Rejeição do espírito de oração. Este é um dos sinais mais interessantes acerca das seitas. Em sua quase totalidade elas desvalorizam a oração, e isso não é de causar surpresa. A oração é uma atividade que não oferece atrativos, exceto para aqueles que são filhos de Deus. Como pode haver um legítimo espírito de oração numa seita que, por exemplo, nega o conceito de pecado, repudia a obra redentora de Jesus e rejeita o Espírito Santo como Pessoa (note que esses pontos estão intimamente ligados uns aos outros)?
  7. – Ênfase numa “fórmula” particular. Todas as seitas enfatizam geralmente uma “fórmula” específica, muitas vezes um esquema rígido que deve ser seguido a fim de que determinados resultados sejam obtidos. Segundo um autor, há uma semelhança interessante entre todas as seitas e os famosos “remédios de charlatães”: algo muito simples, sem complicação, que serve para curar todos os males. Muitas vezes, um ensino (às vezes até mesmo bíblico e correto) é repetido à exaustão e indicado como solução para todos os tipos de problemas.
  8. – Pretensão de exclusividade. Esta é uma característica invariável das seitas: considera-se a única expressão válida do cristianismo. O caso do Adventismo do Sétimo Dia é típico: para ministrar o batismo, esse grupo exige do “catecúmeno” uma confissão de que “a Igreja Adventista do Sétimo Dia é a Igreja remanescente”, o que exclui todos os demais grupos cristãos. Seguindo nessa escola, um grupo saiu da Igreja Adventista do Sétimo Dia sob a direção de uma “profetisa” chamada Jeanine Sautron, e fundou a Igreja Adventista do Sétimo Dia – Os Remanescentes, a qual, num panfleto distribuído recentemente, chamou tanto a Igreja Adventista original como todos os demais grupos cristãos de “apóstatas”.

A título de conclusão, poderíamos ilustrar da seguinte maneira a diferença entre “heresia” e “seita”: heresia é como um câncer num ser humano; começa lento, insidioso, mas tende a crescer e a dominar todo o sistema do indivíduo. Já a seita, é como um “homem artificial”, uma imitação do ser humano.

Ef 6.11,12. Notamos que as seitas possuem diversos sinais ou características comuns, e que revelam a existência de uma mente diabólica por detrás de todas elas. Devemos ter isto em mente, para nunca cometermos o erro de combatermos forças espirituais com armas naturais. Podemos e devemos estudar acerca das seitas, a fim de que possamos principalmente instruir pessoas que estão ou estiveram aprisionadas por elas e desejam ser libertas; nunca, porém, para debatermos com seus seguidores. A quase totalidade das seitas é alimentada por um espírito de contenda religiosa, e quando passamos a discutir com seus adeptos estamos na verdade “fazendo o jogo” do demônio. Nossa posição deve ser a de rejeitar seus ensinos sem discussão, ao mesmo tempo em que devemos amar as pessoas que estão presas por esses ensinos e demonstrar a elas o nosso cristianismo através de nossas vidas, não de nossas palavras.